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4.1 ANÁLISE DOS MECANISMOS UTILIZADOS E ALGUNS LIMITADORES PARA

4.1.2 ANÁLISE DOS MECANISMOS QUE PODERIAM SER UTILIZADOS

Com base na apresentação dos quadros, pode ser observado que o mecanismo de solução pacífica de conflito não utilizado foi o judiciário que é classificado por ter um foro especializado e independe. As Cortes Internacionais são regidas por leis de cumprimento obrigatório. A criação de um mecanismo judiciário deu-se ao fato dos diversos conflitos internacionais como, por exemplo, as duas Guerras Mundiais, conhecida por diversas atrocidades cometidas. Nesses conflitos é comum a violação dos direitos humanos, uso indevido de forças, crimes de guerra entre outros. Diante da aplicação do direito internacional através de tratados, costumes, princípios gerais e outras normas porventura pertinentes, a CIJ faculta sua contenciosa competência exercendo o julgando de litígios.

São descritas três situações para que o litígio seja levado à Corte, sendo um deles através do Estado autor do conflito, o qual evidencia a sua submissão à autoridade da Corte, podendo o Estado demandado rejeitar o foro, contestando seu mérito. A segunda situação ocorre quando dois Estados aceitam em tratado bilateral a submissão de certo litígio à Corte, como ocorre a Arbitragem. A terceira e última ocorre quando o Estado réu não pode recusar a jurisdição da Corte, sendo obrigado a aceitá-la por força de tratado, ou por ser signatário da cláusula facultativa de jurisdição obrigatória, devido ao fato de que o CS poderá efetuar recomendações, a fim de solucionar o litígio, sempre que tal litígio ameace a paz e a segurança internacional. (REZEK, 2011)

Já foi proposto por diversas vezes, pelos Estados, que o conflito na Síria fosse levado ao Tribunal Penal Internacional (TPI) pelos diversos crimes já cometidos durante todo esse período de conflito, que dura há mais de cinco anos. (CONSELHO DE SEGURANÇA, 2017). Em uma das vezes, numa votação do CS sobre uma Resolução assinada por mais de 60 Estados, que propunha que o conflito fosse levado ao TPI, os Estados não entraram em um acordo, a qual a Resolução não teve seguimento devido ao veto da Rússia e da China. (MONGE, 2014; CONSELHO SEGURANÇA, 2017). A Síria ainda não ratificou o Estatuto de Roma, que serve de apoio ao TPI. Desse modo, a menos que o Governo Bashar al-Assad ratifique o tratado ou aceite a jurisdição da Corte por meio de uma manifestação, a corte internacional só poderia atuar contra o Estado sírio se tivesse autorização expressa pelo CS, como já ocorreu com os conflitos em Darfur (Sudão) e na Líbia. (MONGE, 2014).

5 CONCLUSÃO

O desenvolvimento do presente estudo possibilitou uma análise de como os Mecanismos de Resolução Pacífica de Conflitos, presentes na Comunidade Internacional, sendo eles os diplomáticos, os políticos e os jurídicos, são importantes para a resolução de um conflito, bem como, também, permitiu uma análise sobre a atuação dos membros permanentes do CS, em especial, Rússia e EUA, em relação ao caso Síria.

De um modo geral, foi possível observar o impasse da atuação do CS frente ao conflito na Síria, em que o desacordo entre os dois membros permanentes, sendo um os EUA, que pratica uma política intervencionista, e outro a Rússia, que defende seus interesses no Oriente Médio e é contra as práticas de intromissão em assuntos internos dos Estados, divergem de opiniões e dificultam a resolução do conflito.

Uma análise, também, foi permitida sobre a contexto histórico, entre as diferenças existentes de política externa do pós Guerra Fria, entre Rússia e EUA e atuação desses países no cenário internacional o qual foi possível observar as consequências do conflito em questão pela não atuação efetiva da ONU, por parte do CS, dois episódios que resultaram em um número exorbitante de refugiados, que pode ser comparado somente com o período da Primeira Guerra Mundial, e a utilização de armamento químico, Gás Sarin, contra os civis, resultando negativamente para todos, inclusive para a Comunidade Internacional que recebeu esses refugiados sem o preparo adequado.

A pesquisa apresentou os resultados dos mecanismos utilizados para a condução e a contenção do conflito, a qual pôde ser visto a utilização dos mecanismos políticos e diplomáticos, não tendo atuação do mecanismo jurídico, mesmo esse tendo sido parte de resoluções que foram vetadas por China e Rússia no CS, que poderia ser utilizado de modo mais eficaz no caso. A utilização do mecanismos político propôs uma possível resolução para o conflito, através da Resolução 2254, que prevê uma transição política para o Estado, estando essa ainda dentro do prazo programando para compor o resultado.

Dada à importância ao assunto, torna-se necessário uma análise mais específica de atuação do CS, através dos Mecanismos de Resolução Pacífica de Conflitos, sobre as negociações e possibilidades de resolução do conflito na Síria, a fim de aprofundar o entendimento da não resolução do caso.

Nesse sentido, à análise dos mecanismos utilizados no conflito, contribuíram e influenciaram de forma não satisfatória para a resolução, gerando impasse no CS para a tomada de

decisão e gerando como consequências um período prolongado de conflito, que poderá ter um, possível desfecho, com a aplicação correta da Resolução 2254, com a transição política do Estado.

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