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O mapeamento do uso e cobertura do solo, como apresentado na figura 7, mostrou uma bacia com um total de 598,2 ha. Para uma compreensão mais clara da quantificação de toda paisagem ao longo da bacia, cada classe foi organizada em relação ao seu tipo de cobertura: natural, rural ou urbana. A cobertura natural da bacia está sendo abrangida pelas seguintes classes: floresta densa, floresta baixa, floresta ciliar, vegetação arbustiva, vegetação hidrófila, vegetação rupestre e afloramento rochoso. A cobertura rural da bacia possui como classes: agricultura, agrofloresta, agrourbano e

campo. A cobertura urbana é compreendida pelas seguintes classes: urbano densidade alta, urbano densidade média, urbano informal, via urbana e solo exposto.

Tabela 3: Quantificação e porcentagem das áreas do uso e ocupação do solo abrangendo os tipos de cobertura da Bacia Hidrográfica do Jacaré.

Classe Área (ha) Porcentagem

Relativa (%) Floresta Alta 317 53 Floresta Baixa 99 17 Floresta Ciliar 2 0,3 Vegetação Arbustiva 11 1,83 Vegetação Hidrófila 3 0,5 Vegetação Rupestre 3 0,5 Afloramento Rochoso 4 0,7 Cobertura Natural Total 439 73,8 Agricultura 0,2 0,03 AgroFloresta 13 2,2 AgroUrbano 20 3,34 Campo 15 2,5 Cobertura Rural Total 48,2 8,1

Urbano Densidade Alta 9 1,5

Urbano Densidade Média 76 12,7 Urbano Informal 20 3,34 Via Urbana 4 0,7 Solo Exposto 2 0,3 Cobertura Urbana Total 107 18,5 Total da Bacia 598,2 100 Fonte: O autor.

As classes da cobertura natural representam 73,8% da paisagem da área de estudo, podendo-se afirmar que a composição natural totaliza a maior parte de uso e ocupação ao solo da Bacia Hidrográfica do Jacaré. Isso indica um grau positivo e acentuado de preservação da bacia como um todo. As classes de cobertura rural (ou agrícola) representam 8,1% da paisagem da bacia. Principalmente no médio e alto curso da rio Jacaré, pode-se observar uma concentração de plantações, como de banana, manga, além de áreas para criação de animais, como gados caprinos. Por fim, a cobertura urbana representa 18,5 % da área da bacia, como apresentado na Tabela 5, indicando inicialmente baixa proporção de áreas urbanas, comparado com a soma das coberturas analisadas anteriormente. No entanto, o mapeamento apresentado na Figura 8 expõe uma alta concentração de ocupação urbana, regular e informal, principalmente no curso inferior e nas margens da laguna de Piratininga.

Figura 8: Uso e Cobertura do solo da Bacia H. do Jacaré, focando principalmente o baixo curso do rio principal. Fonte: Projeto de Renaturalização do Rio Jacaré

Analisando o baixo curso da bacia hidrográfica, como apresentado na Figura 8, foi possível compreender a concentração urbana, classificados no mapa como urbano denso, médio e informal. Poucas paisagens naturais são observadas no interior da bacia. A localidade possui contraste entre áreas comerciais e serviços, como colégio, supermercado e hospital, na Estrada Francisco da Cruz Nunes, e áreas residenciais. Próximo a laguna de Piratininga, na estrada conhecida como Via Chico Xavier, onde o rio Jacaré tem seu percurso final, há escasso saneamento básico e ambiental, sendo um dos maiores problemas que os moradores enfrentam. Há despejo de esgotos urbanos, escassez hídrica, assoreamento, exalação de maus odores, além de desaparecimento de formas de vida aquáticas. A população mais afetada com esses problemas vive às margens da laguna. Suas residências foram identificadas no mapeamento como urbano informal.

Figura 10: Uso e Cobertura do solo da Bacia H. do Jacaré, focando principalmente o médio curso do rio principal. Fonte: Projeto de Renaturalização do Rio Jacaré.

Em direção ao médio curso, como apresentado na Figura 9 da bacia do rio Jacaré, a serra possui uma paisagem que se mostra bastante diversificada. A ocupação urbana no início do morro se mostra em crescimento, principalmente devido a especulação imobiliária. As áreas de cobertura rural, fazendo uma espécie de transição entre as classes ‘‘urbano médio’’ e ‘‘agrourbano’’, conforme apresentado na figura 11, explicam o desenvolvimento dessa região no decorrer da evolução histórica, que se baseou nas atividades de exploração madeireira e agricultura. É importante salientar que o uso e a ocupação do solo cooperam, de maneira essencial, na qualidade do escoamento e na dinâmica hidrológica da bacia. A floresta ciliar observada no mapeamento sofreu grande supressão ao longo dos anos e atualmente não restam tantos

feixes devido a ocupação humana no local. Relembrando que essa floresta (ciliar) representa apenas 0,3 % de toda composição paisagística da bacia hidrográfica do Rio Jacaré.

Figura 11: Agrofloresta com mangueira (Mangifera indica) e bananeira (Musa sp.) no vale e floresta baixa na encosta Sudeste. Fonte: Bohrer (2015)

Figura 12: Uso e Cobertura do solo da Bacia H. do Jacaré, focando principalmente o alto curso do rio principal. Fonte: Projeto de Renaturalização do Rio Jacaré

No alto curso do rio Jacaré, como apresentado na Figura 10, é possível observar uma diversidade de coberturas natural e rural. Classes como agrofloresta, agrourbano, vegetação rupestre, floresta baixa, floresta alta e afloramento rochoso, são manchas principais analisadas durante o estudo.

A cabeceira de drenagem do Rio Jacaré encontra-se nas elevações dos morros que compõe a Serra Grande. A floresta alta como já explicada apresentam árvores com altura média entre 12-20 metros e caracteriza-se por serem uma floresta em estágio médio a avançado de regeneração. 53% desta floresta compõe toda a bacia, sendo a paisagem da bacia mais presente. A classe de floresta baixa possui 17% da composição da bacia hidrográfica, com vegetação de porte médio (6-12 m de altura), em estágio médio de regenaração, conforme apresentado na figura 13. Essa porcentagem pode ser explicada devido as atividades madeireiras presentes durante anos na localidade.

Figura 13: Alto da Serra do Jacaré, com a Laguna de Piratininga ao fundo. Vegetação arbustiva em primeiro foco. Fonte: O autor

Figura 14: Residências e sítios ao fundo (AgroUrbano) com o canal do rio seco, sem reservatório de água. Fonte: O autor

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