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2. REVISÃO DE LITERATURA

4.8. Análise Estatística

Devido ao tamanho amostral e à assimetria das variáveis optou-se por utilizar testes não paramétrico.

Utilizou-se a Análise de Variância por postos de Friedman para acompanhar a evolução dos percentuais de ácidos graxos, de lipídios totais e de energia nos cinco momentos do estudo (1, 7, 32, 62 e 91 dias pós-parto). Para os resultados que apresentaram diferença estatisticamente significante (p<0,05) complementou-se com o teste de Comparações Múltiplas de Dunn.

O teste de Mann-Whitney foi aplicado para comparar o nível de escolaridade (≤ 8 e ≥ 8 anos de estudo), peso ao nascer (≤ 2999 e ≥ 3000 g), tipo de parto (cesária ou normal), paridade (primípara ou multípara) com os percentuais médios de ácidos graxos, lipídios totais e energia do leite humano.

Utilizou-se o teste de Kruskall Wallis para relacionar a etnia observada das nutrizes com as médias de ácidos graxos, de lipídios totais e de energia. Quando os resultados apresentaram diferença estatística (p<0,05) complementou-se com o teste de Comparações Múltiplas de

Dunn.

O teste de Spearman foi utilizado para correlacionar entre si as quantidades médias de ácidos graxos essenciais, de n-6, de n-3, de ácido araquidônico, de ácidos graxos poliinsaturados totais e de ácidos graxos

TAGFC PG TAG mg% 100 mg

totais. Esse mesmo teste foi utilizado para correlacionar a idade gestacional, a média de ganho de peso por período de estudo (1 e 7 dias, 7 e 32 dias; 32 e 62 dias e 62 e 91 dias) com as médias de ácidos graxos, de lipídios totais e de energia.

Foi utilizado o teste de Spearman para correlacionar as médias de consumo de ácidos graxos, de lipídios totais, de carboidrato e de energia dos quatro R24H com os percentuais médios desses mesmos parâmetros, exceto de carboidratos, presentes no leite humano. O mesmo teste foi empregado para correlacionar as quantidades médias, em g ou em mL, de alimentos do QFCA e da LDA com as médias de ácidos graxos essenciais, bem como de saturados, de monoinsaturados, de poliinsaturados, de ácidos graxos trans, de lipídios totais e de energia presentes no leite.

Para a compilação dos dados utilizou-se o programa Excell e para as análises estatísticas foi utilizado o programa Sigma Statistic® for Windows versão 2.03 (Fox et al., 1994). O nível de rejeição para a hipótese de nulidade, para todos os testes aplicados, foi de 0,05.

Quadro 2: Característica do padrão externo de ésteres metílicos (Supelco®, Bellefonte, PA, USA) e valores dos fatores de conversão para ácidos graxos livres.

Padrão de ésteres metílicos

Pico Cadeia

Carbônica Ácido Graxo

Quantidade mg/mL Fator de Conversão 1 C4:0 Butírico 0,4 ND* 2 C6:0 Capróico 0,4 0,8923 3 C8:0 Caprílico 0,4 0,9114 4 C10:0 Cáprico 0,4 0,9247 5 C11:0 Undecanóico 0,2 ND* 6 C12:0 Láurico 0,4 0,9346 7 C13:0 Tridecanóico 0,2 0,9386(PI) 8 C14:0 Mirístico 0,4 0,9421 9 C14:1 Miristoléico 0,2 0,9416* 10 C15:0 Pentadecanóico 0,2 0,9453 11 C15:1 cis-10-Pentadecenóico 0,2 ND* 12 C16:0 Palmítico 0,6 0,9481 13 C16:1 Palmitoléico 0,2 0,9477 14 C17:0 Hepatadecanóico 0,2 0,9507 15 C17:1 cis-10-Heptadecenóico 0,2 0,9503 16 C18:0 Esteárico 0,4 0,9530 17 C18:1trans Elaídico 0,2 0,9526 18 C18:1 Oléico 0,4 0,9527 19 C18:2trans Linoelaídico 0,2 0,9524* 20 C18:2n-6 Linoléico 0,2 0,9524 21 C20:0 Araquídico 0,4 0,9570 22 C18:3n-6 Gama-Linolênico 0,2 0,9520 23 C20:1 cis-11-Eicosenóico 0,2 0,9568 24 C18:3n-3 Alfa-linolênico 0,2 0,9520 25 C21:0 Heneicosanóico 0,2 ND 26 C20:2 Eicosadienóico 0,2 0,9604** 27 C22:0 Behênico 0,4 0,9604 28 C20:3n-6 Eicosatrienóico 0,2 0,9950** 29 C22:1n-9 Erúcico 0,2 ND* 30 C20:3n-3 Eicosatrienóico 0,2 0,9950** 31 C20:4n-6 Araquidônico 0,2 0,9950 32 C23:0 Tricosanóico 0,2 ND* 33 C22:2n-6 Docosadienóico 0,2 0,9633** 34 C24:0 Lignocérico 0,4 0,9633 35 C20:5n-3 Eicosapentaenóico 0,2 0,99*** 36 C24:1n-6 Nervônico 0,2 0,9632 37 C22:6n-3 Docosahexaenóico 0,2 0,97***

ND = Não determinado por DeVries et al. (1999); PI = utilizado como padrão interno; * Não utilizado para os cálculos neste estudo, devido a não determinação do ácido graxo; ** Não determinado por DeVries et al. (1999). Neste estudo, utilizou-se o mesmo fator de conversão do ácido graxo mais próximo; *** Determinado por AOCS (1993).

4.9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. AOCS Official Method Ce 1b-89. Sampling and analysis of commercial fats and oils: Fatty acid composition by GLC. 1993.

2. Barbosa KBF. Métodos para avaliação do consumo alimentar e sua relação com marcadores de risco para a síndrome metabólica em adolescentes do sexo feminino. Dissertação apresentada à Universidade Federal de Viçosa. Viçosa, MG. 2006. 228p.

3. Devries Wj, Kjos I, Groff l, Martin B, Cernohous K, Patel H, Payne M, Leichtweis L, Shay M, Newcomer I Studies in Improvement of Official Method 996.06. Journal of AOAC International 1999;82(5):1146-1155.

4. Esteves EA, Siqueira AD, Monterio JBR, Ludwig A. Sistema de apoio à decisão para avaliação do estado nutricional e prescrição de dietas. Archivos Lationamericanos de Nutrición. 1998;48:236-241.

5. Fox E, Kuo J, Tilling L, Ulrich C. User’s manual – Sigma Stat: Statistical Software for Windows. Germany: Jandel Scientific Software, 1994.

6. I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica. Arquivos Brasileiros de Cardiologia 2005;84(Supl I).

7. Jelliffe DB. The assessment if the nutrition status of the community. Geneva, WHO, 1966.

8. Lepage G, Roy CC. Direct transesterification of all classes of lipids in one-step reaction. J Lipid Res 1986;27:114-120.

9. Lucas A, Gibs JAH, Lyster RLJ, Baun JD. Crematocrit: simple clinical technique for estimating fat concentration and energy value of human milk. Br Med J 1978;1:1018-20.

10. Phillippi ST, Latterza AR, Cruz ATR, Ribeiro LC. Pirâmide alimentar adaptada: guia para a escolha dos alimentos. Revista de Nutrição 1999;12(1): 65-80.

11. Rede Nacional de Bancos de Leite Humano. Disponível em http://www.redeblh.fiocruz.br/.

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13. Serra-Majem L, Aracenta-Bartrina J. Introducióm a la epimiologia nutricional. In: SERRA-MAJEM, L.; ARACENTA-BARTRINA, J.; MATAIX- VERDÚ, J. Nutrición y Salud Pública. Barcelona: Masson, 59-65, 1995. 14. Sociedade Brasileira de Cardiologia. I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica. Arquivos Brasileiros de Cardiologia 2005;84(Supl 1).

15. World Health Organization. Physical status: The use and interpretation of anthropometry. Geneva, WHO, 1995. (Technical Report Series, 854).

16. Zobotto CB, Viana RPT, Gil MF. Registro fotográfico para inquéritos dietéticos: utensílios e porções. Campinas, SP: UNICAMP; Goiânia: UFG, 1996. 74p.

5) RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1. CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA

5.1.2. Recrutamento

Dos 272 pares mãe/filho recrutados 92,65% (252 pares) foram atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS); 56,99% das gestantes tiveram partos normais e 52,63% eram multíparas. Do total de filhos 52,63% era do sexo masculino. A idade da mãe no parto, o peso e o comprimento ao nascer estão caracterizados no Quadro 1.

Quadro 1: Idade materna no parto, peso ao nascer (PN) e comprimento ao nascer (CN) dos indivíduos da fase de recrutamento (n=272)

Variáveis X (DP) Mediana Min Max

Idade materna (anos) 25 (±6) 24 15 41 Peso ao nascer (g) 3130 (±521) 3185 2535 3920 Comprimento ao nascer (cm) 49,1 (±2,6) 49 46,0 54,5 X: média; DP: desvio padrão; Min: mínimo; Max: máximo

A Figura 1 caracteriza os indivíduos de acordo com os critérios de inclusão e exclusão adotados. Observa-se que a maioria dos pares mãe/filho (57%) não participou do estudo por morarem na zona rural de Viçosa ou em outros municípios e 18% dos indivíduos não aceitaram participar ou já haviam recebido alta hospitalar no momento do recrutamento. Aproximadamente 3% das mães não puderam participar do

estudo por apresentar alguma patologia, sendo observadas, principalmente, diabetes, pré-eclampsia e distúrbios neurológicos. Cerca de 6% dos recém-nascidos não puderam ser incluídos no estudo por apresentar baixo peso, por ser pré-termo ou por estar retido na Unidade de Tratamento Intensiva. Não foi encontrada nenhuma mãe praticante do vegetarianismo.

5.1.3. Indivíduos estudados

Do total de indivíduos aptos em participar (41 pares mãe/filho) 8 não quiseram continuar ou a mãe não conseguia amamentar ou a criança retornou ao hospital para algum tratamento, o que inviabilizou a permanência desses indivíduos no estudo. Portanto, foram acompanhados 33 pares mãe/filho do pós-parto imediato aos 90 dias de vida da criança.

De acordo com os dados socioeconômicos 78,8% dos pais eram casados ou tinham relação estável. Das 33 mães, 14 (42,4%) não trabalhavam ou eram “do lar” e 16 (48,5%) trabalhavam em emprego formal (36,4%) ou informal (12,1%) e 3 mães (9,1%) estavam desempregadas. A maioria das mães era doméstica (33,3%). Entre os

Figura 1: Caracterização dos indivíduos de acordo com os critérios de inclusão e exclusão na fase de recrutamento

4% 14% 6% 51% 1% 3% 1% 1% 4% 15% Alta hospitalar Não aceitou Zora rural Outras localidades Fumante Patologias Baixo peso Pré-termo UTI Apto

pais, 29 (87,9%) trabalhavam, sendo 60,6% em emprego formal e 27,3% em emprego informal; 3 pais (9,1%) estavam desempregados e 1 não trabalhava. Os dados sobre escolaridade dos pais, renda, número de dependentes, número de pessoas residentes no domicílio, número de quartos e cômodos estão descritos no Quadro 2.

Quadro 2: Caracterização das condições socioeconômicas dos pais (n=33)

Variáveis X (±DP) Mediana Min Max

Escolaridade materna (anos) 8,8 (±2,5) 8 3 15

Escolaridade paterna (anos) 8,0 (±3,3) 8 3 17,5

Renda familiar (R$) 651,60 (±367,10) 600,00 150,00 2500,00

Número de dependentes da renda 4,4 (±1,8) 4 2 10

Número de residentes no domicílio 4,3 (±1,8) 4 2 10

Número de cômodos do domicílio 6,2 (±2,5) 6 2 10

Número de quartos do domicílio 2,4 (±1,1) 2 3 14

X: média; DP: desvio padrão; Min: mínimo; Max: máximo

Sobre as condições de moradia 100% dos indivíduos tinham abastecimento de água, energia elétrica, coleta pública de lixo e tinham o esgoto como destino dos dejetos.

De acordo com os dados obstétricos e gestacionais, 100% das mães relataram ter feito pelo menos uma consulta de pré-natal e 51,5% das crianças nasceram por parto normal, sendo 19 do sexo feminino (57,6%). A mediana do peso ao nascer foi de 3070 gramas (mínimo: 2535 e máximo: 3920) e a mediana do comprimento ao nascer foi de 49 cm (mínimo: 46 e máximo de 54,5). A média da idade materna no parto foi de 25,4 anos (± 6,9), com mediana de 24 anos (mínimo: 15 e máximo: 41). Entre as mães o Índice de Massa Corporal médio, em kg/m2, foi de 22,7(±3,5) e mediana de 22,1. Outros dados obstétricos e gestacionais são apresentados no Quadro 3.

Quadro 3: Caracterização dos dados obstétricos e gestacionais (n=33) Variáveis X (±DP) Mediana Min Max Número de gestações 1,5 (±0,8) 1 1 4 Número de consultas pré-natal 5,8 (±2,2) 6 1 13 Idade gestacional (semanas) 39,1 (±1,3) 39 37 42 Peso pré-gestacional (kg) 54,3 (±8,3) 54 39 77 Índice de Massa Corporal (kg/m2) 22,7 (±3,5) 22,1 17,6 31,6 Ganho de peso na gestação (kg) 11,8 (±3,8) 12 4 18 X: média; DP: desvio padrão; Min: mínimo; Max: máximo

Durante o período estudado observou-se modificação no tipo de aleitamento oferecido aos recém-nascidos (Quadro 4). O principal argumento das mães sobre o não aleitamento exclusivo foi o fato da necessidade de se ausentarem para trabalhar. Entretanto, em todos os encontros foi enfocada a importância do aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida.

Quadro 4: Freqüência do tipo de aleitamento materno

AME AMP AM Pós-parto imediato 100% (n=33) - - 7 dias 84,8% (n=28) 15,2% (n=5) - 32 dias 74,2% (n=23) 16,1% (n=5) 9,7% (n=3) 62 dias 77,4% (n=24) 12,9% (n=4) 9,7% (n=3) 91 dias 71,0% (n=22) 9,7% (n=3) 19,3% (n=6) AME: aleitamento materno exclusivo (apenas leite materno); AMP: aleitamento materno predominante (leite e outros alimentos líquidos); AM: aleitamento misto (leite materno e outros tipos de leite).

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