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CAPÍTULO 4 ANÁLISE DOS DADOS OBTIDOS

4.2. EIXOS ANALISADOS

4.2.4. ANÁLISE GLOBAL DO SEGUNDO EIXO

O aluno A2 demonstrou interesse pelo tema ambiental. Foi o que permitiu maior exploração das inter-relações entre matéria e energia no ambiente terrestre. O enfoque sobre a circulação e as interações que a água realiza na Natureza foi bastante acentuado. Os diálogos estabelecidos, muitos deles constituídos a partir de questões trazidas pelo aluno e desenvolvidos pela contribuição de outras levantadas por ele no transcorrer dos diálogos, dinamizaram o debate. O aluno trouxe queixas da ação dos ambientalistas e ficou mais indignado com esses grupos quando soube que a massa de água se conserva no Planeta. O estudo do sistema cárstico provocou debates sobre circulação de água nesse sistema, “desaparecimento” da água superficial, acidez da água subterrânea, destino da água que circula pelo sistema, aparecimento de água subterrânea na superfície, contaminação da água, extração de água na região metropolitana de Curitiba e a formação dos corais em águas salgadas. Utilizando a abordagem das Ciências da Terra para o entendimento do ambiente, o estudo desencadeado com o Aluno A2 permitiu diálogos para revelar o funcionamento dos ciclos no sistema terrestre, intercâmbios de matéria e energia neles realizados, com destaque para o funcionamento dos reservatórios subterrâneos (alimentação, retirada e esgotamento) e a relação de explotação desses reservatórios pelo homem. Orion (2009) defende que o principal objetivo de uma ciência de abordagem ambiental, no ensino, é desenvolver a visão ambiental. Esse insight, segundo o autor, inclui o desenvolvimento de dois princípios: “vivemos em um mundo cíclico, construído sob uma série de subsistemas (geosfera, hidrosfera, biosfera e atmosfera) e que interagem por meio de trocas de matéria e

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energia. O outro princípio é: “compreender que as pessoas são parte da natureza e, portanto, devem agir em harmonia com suas „leis‟ de ciclicidade” (p. 275).

O diálogo efetuado com o aluno A2 para esclarecer a interferência da energia nas formações de carbonato de cálcio no interior da caverna permitiu o debate sobre as formações de corais (páginas 57 e 58). Nele, foram explicitadas as relações sistêmicas e cíclicas ocorridas no ambiente e as trocas de matéria e energia efetuadas nos sistemas terrestres para o equilíbrio dinâmico. Segundo Piranha e Carneiro (2009), esse conhecimento contribui para a construção de uma cultura de sustentabilidade, devido às perspectivas de mudanças que se operam no ser humano a partir dessa visão:

Ao se constatar a natureza cíclica, e de constante busca de equilíbrio dinâmico, que se opera em toda a matéria planetária – aspecto que a natureza sistêmica da Ciência da Terra comporta de forma incontestavelmente superior – as perspectivas de mudança emergem como condição natural e essencial para a busca constante do equilíbrio (p. 135).

A possibilidade de terem existido períodos na história da Terra com diferentes proporções de água doce e salgada foi debatida com esse aluno por causa das perguntas levantadas por ele. Trata-se de temas importantes para compreender o funcionamento da Terra pois conduzem a tópicos tais como: transformações e conservação da matéria durante o Tempo Geológico e as mudanças na história da natureza. Esse conhecimento, de acordo com Compiani (2005), contempla a dimensão temporal e histórica e pode ajudar na formação de uma visão abrangente sobre a natureza em “função de ser um tipo específico de racionalidade que explica o planeta, auxilia a compreensão da dinâmica da própria interação dos seres humanos com seu habitat”. O autor ressalta a importância dessa visão no contexto educacional, argumentando que “isso permite levar os alunos a serem conscientes da história e do desenvolvimento do planeta, permitindo também pensar os interesses e o papel dos seres humanos, organizados socialmente, nas transformações do ambiente” (COMPIANI, 2005, p. 18).

Os diálogos realizados com o aluno A2 exploraram a dimensão do homem no contexto planetário, no uso e explotação dos recursos naturais. Pedrinaci (2002) destaca a importância do conhecimento no ensino, dos recursos disponíveis para a sustentabilidade do planeta. Segundo o autor, “com exceção da madeira, fibra vegetal, lã e couro, todos os materiais que utilizamos são minerais ou rochas mais ou menos transformadas”. Isso reforça a necessidade

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de conhecê-los, saber sua disponibilidade e reservas e a necessidade de avaliar a utilização desses recursos, limites de consumo, substituição e reciclagem (PEDRINACI, 2002, p. 129).

Pode-se destacar que o aluno A2 atingiu o nível máximo de instrução, instrução

exemplar, de Johnson et al. (2006), no eixo analisado. Devido seu interesse pelo ambiente,

proporcionou diálogos que permitiram explorar a dimensão do ambiente: complexo, histórico, sistêmico, dinâmico, cíclico, que realiza trocas de matéria e energia entre suas esferas e busca o equilíbrio dinâmico. Segundo Johnson et al. (2006), nesse tipo de instrução, todos os estudantes são altamente engajados o tempo todo e o trabalho é significativo; a aula é bem planejada e criativamente implementada, de acordo com necessidades e interesses dos alunos (p. 377). As dúvidas levantadas por A2, devido ao seu interesse pelo tema, permitiram a ocorrência de vários diálogos que puderam atender às necessidades deste aluno. Conceitos como conservação e transformação da matéria e os fatores relacionados a essas interações puderam ser entendidos nesse contexto bem como o papel da substância química água na natureza. A metodologia desencadeada pela inovação curricular e os conteúdos químicos dispostos para compreender o colapso de Cajamar ajudaram no entendimento sobre o funcionamento da Terra; a visão proporcionou debates para discutir o uso e extração dos recursos minerais. Acredita-se que a inovação curricular colaborou no desenvolvimento de uma cultura ambiental essencial para a sustentabilidade do planeta.

Os debates ocorridos com os alunos A3, A4, A5 e A6, em torno do eixo analisado, ficaram mais restritos ao entendimento do sistema cárstico. As formações rochosas chamaram a atenção dos alunos e ocorreram debates para esclarecer as dinâmicas de formação e decomposição destes materiais na Natureza. Nos diálogos, foi possível explorar questões que dizem respeito o uso e explotação dos recursos terrestres e a necessidade de maior conhecimento sobre o ambiente em que vivemos e a convivência mais equilibrada.