4. DETALHAMENTO DO PROJETO
4.6. ANÁLISE GLOBAL DO TALUDE
Analisar taludes é um processo complexo e de grande responsabilidade, uma
vez que se trata de um procedimento envolvendo grandes massas, as quais podem
gerar muitas vítimas. Corroborando com tal afirmativa, costuma-se ser necessário
vários ensaios para caracterizar os solos de maneira apropriada e a sua
heterogeneidade dificulta obtenção de modelos apropriados.
Deve-se ressaltar que uma série de fatores podem deflagrar o rompimento de
taludes, sendo os principais: alteração da geometria do talude, variação do nível
freático, agentes erosivos deteriorando as características do solo, ocupação urbana
e sismos. Tais fatores podem conduzir a casos de instabilidade e,
consequentemente, deslizamentos devido ao aumento das solicitações e diminuição
da resistência do solo.
Ao implementar um projeto, o fator de segurança deve ser 1,5 para ser
classificado como estável. Sendo a análise dos fatores de segurança feitas por
métodos de equilíbrio limite ou por métodos de elementos finitos. A partir do conceito
do equilíbrio limite, desenvolveram-se diversos métodos de analises, dentre os quais
citam-se: Fellenius, Bishop simplificado. Jambu simplificado, Spencer,
Morgenstein-Price e Jambu Simplificado.
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Segundo Krahn (2003), a diferença em tais métodos baseia-se nas equações
estáticas satisfeitas, nas forças entre fatias consideradas para o cálculo (normais e
de corte), e na distribuição das forças de interação.
Abaixo, mostra-se as forças existentes em uma fatia e as obedecidas pelos
métodos:
FIG.4.38 - Forças normais e de corte em uma fatia (FERRÁS, 2012)
TAB.4.9 - Características dos métodos (Adaptado de FERRÁS, 2012)
A classificação de rigoroso é dada para os métodos que obedecem todas as
equações da estática. Portanto, dos métodos acima, apenas Morgenstern-Price e
Janbu Rigoroso podem ter essa classificação.
Inicialmente, analisou-se a estabilidade local dos tirantes através da utilização
do método brasileiro. Agora, analisa-se a global através do Janbu Simplificado e o
Rigoroso, tais métodos foram selecionados por se adequarem a uma superfície
qualquer e possibilitarem a comparação entre os fatores de segurança obtido por um
método não rigoroso e um rigoroso.
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O software Slide da RocScience foi utilizado para determinar o fator de
segurança pelos métodos mencionados anteriormente. A partir dos desenhos feitos
no AutoCAD, obteve-se as coordenadas de todos os pontos e aplicou-se ao Slide.
FIG.4.39 - Perfil do talude no SLIDE
Para o solo coluvionar indicado em amarelo, adotaram-se as seguintes
características:
Peso específico natural (γ
nat) = 18,5 kN/m³;
Peso específico saturado (γ
sat) = 19 kN/m³;
Coesão (c) = 5 kN/m²; e
Ângulo de atrito ( ) = 30°.
A rocha foi indicada em marrom e adotou-se as seguintes características:
Peso específico natural (γ
nat) = 26 kN/m³;
Coesão (c) = 340 kN/m²; e
Ângulo de atrito ( ) = 0°.
A sobrecarga de 10KN/m
2foi inserida para simular os efeitos de lixos ou
outros resíduos que possam ser acumulados no decorrem do tempo. Enquanto que
as cargas de 15KN/m
2representam as edificações acima do talude. A partir da figura
FIG.4.39, determinou-se a malha automaticamente através do programa com uma
malha de 200x200 e obteve-se o fator de segurança para o rompimento circular.
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FIG.4.40 - Pefil sem Tirante com Grid Automático para Janbu Simplificado
FIG.4.41 - Perfil sem Tirante com Grid Automático para Janbu Rigoroso
Como o esperado o FS de segurança apresentado foi abaixo de 1 e, portanto,
o talude já estaria rompido caso fosse executado um aterro vertical sem cortina.
Porém, tal situação era esperada, devido à existência de um trecho vertical no talude
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na região onde entrarão os tirantes. O solo não apresenta coesão e ângulo de atrito
para sustentar um trecho a 90°.
Verificou-se que o fator de segurança ficava menor conforme descia o
desenho do grid. Portanto, mostrou-se a necessidade de verificar através de grids
manuais o resultado obtido através do grid automático.
Com a implementação de um tirante de 390KN, verificou-se, inicialmente, o
fator de segurança para uma ruptura circular.
FIG.4.42 - Grid Automático com Ruptura Circular e Janbu Simplificado
FIG.4.43 - Grid automático com ruptura circular e Janbu Corrigido
Além do grid gerado automaticamente, também se verificou o comportamento
para o grid manual. Porém, tal procedimento foi feito apenas para o Janbu
Simplificado, pois o comportamento do FS no Janbu Corrigido já ficou claro através
do grid automático.
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FIG.4.44 - Grid manual e Janbu Simplificado
Constatou-se que não ocorreu variação no FS encontrado anteriormente.
Porém, deve-se analisar a possibilidade de uma superfície não circular, além
disso, é importante analisar a possível ruptura na interface entre o solo coluvionar e
a rocha.
Na etapa anterior, verifica-se a ruptura com uma superfície circular, porém,
torna-se necessário averiguar a ruptura na interface entre solo coluvionar e rocha.
Tal possibilidade existe devido aos escorregamentos por translação ocorrerem,
geralmente, em situações em que existe pouca profundidade e um paralelismo a um
estrato mais resistente. A superfície de deslizamento desenvolvida terá a forma
plana ou poligonal. Baseado nisso, redefiniu-se a ruptura para a interface do solo e
rocha como pode-se observar na figura FIG.4.49
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FIG.4.45 - Ruptura entre o solo e rocha com Janbu Simplificado
FIG.4.46 - Ruptura entre o solo e rocha com Janbu Corrigido
Verifica-se que a ruptura entre o solo e rocha fornece um FS maior.
Entretanto, ainda resta verificar a possibilidade da ruptura não circular no solo
coluvionar. Tal resultado pode-se ser gerado através da otimização com o limite
definido acima.
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FIG.4.47 - Ruptura entre o solo e rocha com Janbu Simplificado Otimizado
FIG.4.48 - Ruptura entre o solo e rocha com Janbu Corrigido Otimizado
Portanto, gerou-se FS menores que a superfície de ruptura circular e em
locais bem próximos. Além disso, com os resultados obtidos, pode-se falar que o
Janbu Simplificado apresentou valores mais conservadores quando comparado ao
corrigido.
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No documento
ESTABILIZAÇÃO DE TALUDES COM CORTINA ATIRANTADA
(páginas 146-154)