2.3 ENGENHARIA DE FATORES HUMANOS
2.3.2 Análise Observacional (Shadowing)
A análise observacional é uma outra técnica da Engenharia de Fatores Humanos que pode ser utilizada para a coleta de informações a respeito de um determinado processo, pro- cedimento que exista o interesse de analisar.
O aspecto multidisciplinar é um ponto que pode contribuir para a aplicação da técnica, pela oportunidade de se observar o processo sob distintas perspectivas. Utilizando a Análise Observacional, as seguintes informações podem ser coletadas:
b) Tipo de informação que está sendo comunicada, entre quem, quando, porque e como; c) Objetivos e tarefas;
d) Riscos envolvidos;
e) Desafios que os operadores se deparam com as tecnologias envolvidas; f) Características do ambiente no qual o procedimento é realizado.
A técnica apresenta três perspectivas de análises realizadas pelos observadores:
1. Anotação do fluxo de tarefas: Descrever toda a sequência e passos realizados pelos operadores para realizar a atividade.
2. Anotação dos riscos: Observar durante o procedimento potenciais riscos envolvidos na realização das atividades pelos operadores;
3. Captura de registros: Realizar a coleta de artefatos (formulários, prescrições, etique- tas, etc.) e imagens por meio de fotos, planta ou desenhos do local em que está ocor- rendo a atividade observada.
Para aplicação da técnica de Análise Observacional é necessária a obtenção do consentimento das pessoas envolvidas na atividade, tanto dos operadores como dos pacientes e, se possível, sempre estabelecido por meio de documento escrito.
Depois de realizada variadas observações do mesmo procedimento com distin- tos operadores é possível a elaboração do diagrama utilizado pela ferramenta de Análi- se de Atividades.
Para realizar o processo de observação no local de trabalho da atividade e cole- tar informações importantes que contribua para identificar áreas de risco baseado na sua execução, em termos práticos, a técnica consiste que seja realizada seguindo al- gumas considerações a serem descritas:
a) Inicialmente verificar com os responsáveis do setor no hospital, as autoriza- ções necessárias e restrições que interfiram na circulação dos observadores na unidade em que o processo será analisado.
b) Quando possível, é interessante reunir informações no próprio ambiente de trabalho do operador, uma vez que facilitará a observação das rotinas, proce- dimentos e atividades que serão acompanhadas durante a aplicação da técnica; c) Independentemente do tamanho da equipe de observadores, tentar limitar para
cada observação em campo em torno de 2 ou 3 pessoas, visto que além de pos- síveis restrições de espaço para observação, mais integrantes no local atrai atenção de outros funcionários por imaginar ser alguma inspeção.
4. Para facilitar e melhorar o desempenho da observação na atividade é recomendado que dividisse as atribuições das perspectivas entre os observadores, ou seja, cada um fica- ria apenas responsável por um foco da observação. No caso de 2 observadores, um poderia coletar informações do fluxo de tarefas e o outro destinado a anotar riscos e coletar registros do local.
a) O anotador do processo: Deve observar de maneira geral o processo envolvido, sem se atentar muito aos detalhes do procedimento;
b) O anotador de detalhes: Deve atentar aos detalhes do processo, procedimento, e observar detalhes críticos que podem ocasionar falhas ou erros;
c) O “fotógrafo”: Deve coletar documentos e observar a infraestrutura envolvida, desenhando ou tirando foto de objetos e da estrutura. Aspectos importantes para futuramente se modelar o processo.
5. A necessidade do observador de estar acompanhando o operador não deve transformar em uma causa que altere o modo de execução normal do procedimento. Por isso, para realizar uma observação imparcial do procedimento, algumas atitudes devem ser to- madas em relação ao operador observado que contribuem para evitar esse efeito: • Explicar o motivo da presença do observador e sua atitude ao longo da observação; • Deixar explicita que não se refere a nenhuma avaliação de desempenho do opera-
dor, mas no caso apenas a preocupação em observar o comportamento e a ativida- de desempenhada por ele;
• Solicitar autorização para tirar fotos e coletar documentos (planilhas, formulários, entre outros);
• Permitir a qualquer momento que o operador visualize as anotações dos observa- dores;
• Solicitar se possível, que o operador descreva em voz alta o que está fazendo du- rante o procedimento.
• Fornecer liberdade do operador em apenas responder as perguntas nos momentos que estiver à vontade.
6. Como forma de identificar problemas nas várias fases de execução, durante a observa- ção deve-se focar nas principais atividades do procedimento analisado e ao mesmo tempo verificar o comportamento do operador (expressões faciais e modos de execu-
ção/manuseio). Situações estas que podem indicar prováveis pontos de desconforto em determinada tarefa.
7. Muitas vezes, os dados anotados permitirão esclarecer dúvidas decorrentes da diversi- dade de comportamento dos operadores para a mesma tarefa, desta forma, é importan- te, se possível, atentar aos seguintes pontos:
• A disposição de equipamentos em torno do paciente;
• Quantidade de equipamentos funcionando ao mesmo tempo naquele momento; • Verificar a forma que o operador se move ao redor do paciente;
• Os obstáculos do operador a superar até chegar ao paciente (móveis, equipamentos médicos e outros sistemas de proteção ao paciente);
• Os empecilhos e dificuldades do operador para realizar determinada tarefa.
8. É recomendável que este procedimento seja realizado a quantidade de vezes necessá- rias até possibilitar os avaliadores descreverem todas as tarefas realizadas no procedi- mento. De preferência com diferentes participantes para evitar que a analise se torne tendenciosa ou restrita. Caso os recursos forem limitados, uma alternativa é selecionar participantes que representam os extremos em termos de variação do operador.