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Análise da tomada de decisão de política externa de Cuba durante a crise

4 ANÁLISE DA POLÍTICA EXTERNA DE CUBA DURANTE A CRISE DOS

4.3 ESCOLHA DO MODELO

4.4.3 A análise de política externa cubana durante a crise dos mísseis

4.4.3.3 Análise da tomada de decisão de política externa de Cuba durante a crise

Decisão de política externa: Ao observar a carta de Fidel Castro enviada à Khrushchev, fica claro que a principal preocupação era a manutenção física de seu país e seu regime e o não triunfo do imperialismo, na qual Castro alerta sobre a possibilidade de invasão e clama pela defesa de seu território até as últimas consequências, por este motivo é compreensível que Castro não tenha se pronunciado frente aos Estados Unidos, evitando gerar tensão logo na primeira declaração, mas seu estilo de liderança jamais permitiria que prontamente cedesse. Apesar de não pedir por um ataque imediato, em sua carta Castro deixa a entender

que a União Soviética, frente a um ataque dos Estados Unidos à Cuba, não deveria esperar para retaliar, deveria prontamente utilizar suas armas nucleares.

Após a primeira resposta pública da União Soviética quanto à crise, na qual é cedida a retirada dos mísseis ofensivos em troca de um compromisso de não invasão por parte dos Estados Unidos, Castro, ciente de que a situação estará menos tensa, anuncia cinco condições para aceitar o compromisso de não invasão dos Estados Unidos. Os cinco pontos, pedindo fim de atividades subversivas, embargos e da base naval de Guantánamo, representam objetivos da política externa de Castro e mostram-se como forma intermediária que Fidel Castro encontrou de fazer demandas e mostrar-se de forma ativa e independente na crise sem tomar um risco tão grande de sofrer uma invasão. Apesar de relevantes para a solução da crise, os cinco pontos só geraram uma consequência real para a solução da crise: a retirada dos mísseis não foi feita através de inspeções em solo, somente foram observadas as retiradas de mísseis em barcos soviéticos a partir de outros barcos, sem haver desembarque. Ao fim, ainda que a atuação após a União Soviética tenha chamado alguma atenção para si, foi notoriamente noticiada e por muitos anos enquadrada como marionete da União Soviética, especialmente pela falta de transparência nas decisões das nações comunistas.

Neste capítulo foi trabalhada a análise de política externa de Cuba através da utilização de um dos modelos apresentados no primeiro capítulo, o qual foi escolhido pela sua adequação às variáveis levantadas no segundo capítulo. Nesta ocasião o modelo de Hermann et al. (2001) foi escolhido como mais adequado, passou-se então a utilização do modelo para se extrair o estilo de liderança presente na política externa de Cuba, revisando-se as informações prestadas pelo modelo em relação ao estilo de liderança obtido.

Por fim, foi realizada a análise nos moldes apresentados pelo próprio modelo (HERMANN et al., 2001 p. 101-118), no qual é feita inicialmente uma contextualização, trazendo os fatos que influenciaram a decisão e trouxeram um problema à tona, analisada a influência do estilo de liderança e as alternativas possíveis para tomada de decisão e por fim, explicada as motivações subjacentes às decisões tomadas.

5 CONCLUSÃO

Este trabalho buscou entender a política externa cubana durante a Crise dos Mísseis e a influência da política soviética sobre a cubana, para isto, o trabalho buscou realizar uma revisão da disciplina de análise de política externa, analisar documentos como memorandos, telegramas e discussões teóricas sobre o assunto para se obter variáveis utilizáveis em modelos de análise de política externa, eleger, estruturar e fazer análise de política externa através do modelo de política externa mais adequado às variáveis encontradas, para ao fim se extrair conclusões acerca da política externa cubana.

Em relação à revisão teórica da análise de política externa, este trabalho demonstrou que a matéria se desenvolve de forma heterogênea, dividindo-se em inúmeras abordagens que se desenvolvem de maneira autônoma e aportam ao pesquisador vantagens e desvantagens distintas. Dentre as teorias vistas, foram explicitados cinco modelos os três primeiros de Allison (1969, 1971), um de Walker (1990) e um de Hermann et al. (2001), sendo o primeiro de Allison (1969, 1971), que explora a política de forma racional e abstrata, o segundo que busca explicar governos com grandes organizações, o terceiro que trabalha com decisões feitas em jogo de negociação, o modelo de Walker (1990), que determina um código operacional a partir das crenças de um líder e o modelo de Hermann et al. (2001), que enquadra líderes em categorias conforme suas características.

Em relação à análise dos documentos, foram analisados um memorando (ESTADOS UNIDOS, 1962b), dois telegramas (ESTADOS UNIDOS, 1962a, 1962d), uma entrevista (ESTADOS UNIDOS 1962c), duas obras de revisão acadêmica (SMITH, 1988; LEOGRANDE, 1981) e duas dissertações (CONNOLLY, 1994; GOLDMAN, 1991). A análise destes documentos permitiu a conclusão de que a política externa cubana era centralizada na figura de Fidel Castro, que concentrava o poder da decisão e traçava de forma pessoal, emotiva, informal e enviesada os pormenores da política externa cubana, que era embasada em princípios basilares que eram buscados acima de tudo, mantendo uma independência política da União Soviética, apesar da dependência de suas assistências.

Ao eleger o modelo de política externa mais adequado ao caso, o trabalho considerou o modelo de Hermann et al. (2001) sobre enquadramento de líderes o

mais apropriado. Ao se utilizar as variáveis encontradas com o modelo de enquadramento de líderes, verificou-se que o estilo de liderança representado na política externa cubana seria de Fidel Castro como cruzado expansionista. Analisando então a tomada de decisão de política externa cubana, este trabalho concluiu que havia uma independência em relação à política externa soviética, mas, ao mesmo tempo, o interesse em coordenação com esta. Também concluiu que a decisão tomada por Fidel Castro surgiu de um dilema entre a sobrevivência de seu país e a plena independência política na esfera internacional. Ao ser deparado com este dilema, Fidel Castro teria decido priorizar a sobrevivência de seu país e tentou minimizar os danos à independência política na esfera internacional, que tiveram impacto limitado na resolução da crise dos mísseis e na limitação do dano ao prestígio internacional do país.

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