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ANALISE DA ACTIVIDADE DA NOSSA CAIXA

A apreensão, preocupação e expectativas com que iniciamos o ano de 2012 vieram infelizmente a confirmar-se ao longo do ano, não se conseguindo concretizar a totalidade dos objectivos de balanço, embora extra balanço, estes tenham sido mais uma vez superados. Comparativamente às com as nossas congéneres (84 Caixas de Credito Agrícola do Sicam) a nossa Instituição situou-se em 15º lugar em termos de resultados líquidos, o que para nós é motivo de orgulho e satisfação, considerando a região onde estamos inseridos e a conjuntura local.

Nas actuais condições de mercado bancário, em que os principais bancos mantêm a necessidade de reforçar a sua liquidez e os respectivos rácios de capital, continuamos a enfrentar ao longo do ano, uma forte concorrência quer na captação de recursos quer nas operações activas, perante níveis de taxas absurdas e por vezes suicidas, o que veio a reflectir-se nos resultados líquidos negativos da maioria dos bancos nacionais, sendo uma das poucas excepções o grupo Credito Agrícola com um resultado líquido positivo de +- 40 milhões de euros. Este resultado representou um decréscimo de 11,6M€, face a 2011, ano em que os resultados das caixas foram de 51,6 milhões de euros.

As perspectivas de crescimento da actividade e rentabilidade da CCAM do Vale do Dão e Alto Vouga para 2013 vão continuar condicionadas pela conjuntura de crise económica e financeira e pelo impacto no mercado bancário da política monetária do BCE e do governo português bem como da resposta a essa crise que a Europa e o nosso país em particular irão dar.

Embora seja de contar que o crédito mal parado possa vir a aumentar, como normalmente ocorre em situações de recessão económica, a ligeira subida das taxas Euribor em 2013, mesmo que moderada, 0,5 a 1,0 p.p. criará certamente condições para melhorarmos a margem financeira e os resultados do exercício. Esta conjuntura obriga- nos a ter uma postura bastante cautelosa e selectiva na actividade creditícia, não descurando contudo as oportunidades de negócio, procurando aferir no contexto da

actual crise o menor risco possível, dado que a sensibilidade das diferentes empresas e sectores à recessão económica não é, obviamente, homogénea. Todos sabemos que há atualmente empresas em que o risco é significativamente mais elevado do que há uns anos atrás. No que concerne aos particulares, a nossa selectividade coloca-se mais ao nível do risco da instabilidade de emprego.

Considerando toda a envolvente que afectou a nossa actividade em 2012, e como é visível ao longo deste relatório, relativamente ao exercício findo, apresentamos seguidamente alguns dos principais indicadores que caracterizam a evolução e desempenho da actividade quer do Balanço, quer das actividades fora do Balanço, da Caixa de Credito Agrícola Mútuo do Vale do Dão e Alto Vouga.

Quadros indicadores da actividade:

Rácios normativo de referência para o Grupo Crédito Agrícola

Unidade: €uro

Rácio Orientação 2011-12-31 2012-12-31

Variação período homologo

Crédito Vencido Líquido/Crédito Total Líquido ! 3% 1,70 % 1,53 % -10,00 %

Crédito Vencido Bruto há + 90 dias/Crédito Total ! 5% 4,89 % 4,54 % -7,16 %

Rácio de Eficiência < 55% 53,72 % 62,43 % 16,21 %

Produtividade:

> € 2.500.000 4.683.611 € 5.132.264 € 9,58 %

Activo Líquido/Nº Empregados

Produto Bancário/Nº Empregados > € 90.000 160.863 € 141.567 € -12,00 %

Comissões Líquidas/Produto Bancário > 12% 19,42 % 23,85 % 22,81 %

Garantias obtidas para o crédito concedido Reais > 50% 85,34 % 86,94 % 1,87 %

Rácio de Transformação < 85% 76,81 % 66,95 % -12,84 %

Decomposição do Rácio de Transformação

Unidade: €uro Rácio 2011-12-31 2012-12-31 Variação período homologo Crédito Total 58.549.899 € 56.770.966 € -3,04 % Crédito Total/Depósitos 53,33 % 48,86 % -8,38 %

Aplicações em Dívida Pública 0 € 0 € 0,00 %

Aplicações em Dívida Pública/Depósitos 0,00 % 0,00 % 0,00 %

DP na Caixa Central indexados à Dívida Pública 25.784.975 € 21.016.100 € -18,49 %

O Rácio de transformação em 31 Dezembro era de 48,86%, (66,95 % se

considerarmos os depósitos indexados à dívida pública), com os consequentes impactos negativos na nossa rendibilidade.

A aplicação de excedentes, representavam em 31 de Dezembro 72,7 M€, dos quais 21,0 M€ indexados à divida pública Portuguesa.

Balanço em 31 de Dezembro de 2012 unidade: €uro Rubrica 2011-12-31 2012-12-31 Variação período homologo Disponibilidades e Aplicações 61.420.605 € 74.754.797 € 21,71 %

Crédito a Clientes (Bruto) 58.532.764 € 56.722.801 € -3,09 %

Provisões/Imparidades Acumuladas p/ Crédito 2.580.922 € 1.875.332 € -27,34 %

Crédito a Clientes (Líquido) 55.951.842 € 54.847.468 € -1,97 %

Total Crédito Vencido 3.023.778 € 2.705.533 € -10,52 %

Provisões/Imparidades Acumuladas p/ Crédito Vencido 2.078.287 € 1.869.442 € -10,05 %

Crédito Vencido + 90 Dias 2.864.218 € 2.576.997 € -10,03 %

Grau de Cobertura do C.V. por Provisões 68,73 % 69,10 % 0,54 %

Crédito Vencido + 90 Dias / Total Crédito Vencido 94,72 % 95,25 % 0,56 %

Activos Não Correntes Detidos p/ Venda (Bruto) 2.510.608 € 2.949.177 € 17,47 %

Provisões e Imparidades Acum. 756.087 € 1.021.098 € 35,05 %

Activos Não Correntes Detidos p/ Venda (Liq.) 1.754.520 € 1.928.078 € 9,89 %

Total Activo Líquido 126.457.501 € 138.571.154 € 9,58 %

Recursos de Clientes e Outros Empréstimos 110.391.499 € 117.054.404 € 6,04 %

Outros Passivos Subordinados 0 € 0 € 0,00 %

Situação Liquida 14.381.162 € 15.172.362 € 5,50 %

Passivo + Situação Líquida 126.457.501 € 138.571.154 € 9,58 %

Fundos Próprios Base 10.489.305 € 12.354.138€ 17,8 %

Indicadores de Rendibilidade unidade: €uro Rácio 2011-12-31 2012-12-31 Rendibilidad e médias das Caixas Agrícolas

Rent. Mg Financeira = Mg. Financeira / Activo Líquido 2,59 % 2,22 % 2,43 %

Rent. Mg Complementar = Mg. Complementar / Activo Líquido 0,68 % 0,70 % 0,96 %

Rent. Produto Bancário = Prod. Bancário / Activo Líquido Médio 3,50 % 2,94 % 3,52 %

Custos com Pessoal / Activo Líquido 1,03 % 0,97 % 1,08 %

F.S.Terceiros / Activo Líquido 0,72 % 0,65 % 0,90 %

Os Activos sob gestão em 31 Dezembro eram de 142,8 M€, sendo que o activo líquido

era de 138,5 M€. Destaca-se o crescimento de 12,1 M€ apesar da conjuntura bastante desfavorável, sendo que no universo do grupo CA, ocupávamos o 31º lugar.

Os Capitais Próprios de 15,1 M€ tiveram um crescimento líquido de 5,59 %

relativamente ao ano anterior. Para este crescimento contribuiu não só a entrada de novos associados (89), como a actualização do capital por parte de alguns sócios mais antigos, assim como os resultados do exercício de 2011.

O rácio de solvabilidade em 31 Dezembro era de 26,9% e o rácio de solvabilidade “Tier 1” situava-se no final do ano nos 28,76%.

Demonstração de Resultados em 31 Dezembro 2012

unidade: €uro Rubrica 2011-12-31 2012-12-31 Variação período homologo Juros de Crédito * 2.380.387 € 2.429.065 € 2,04 %

Juros de Aplicações Caixa Central * 2.080.399 € 2.582.867 € 24,15 %

Juros de Recursos de Clientes * 1.351.255 € 2.257.286 € 67,05 %

Margem Financeira 3.218.606 € 2.888.776 € -10,25 %

Saldo de Comissões 843.632 € 911.714 € 8,07 %

Outros Resultados de Exploração 219.637 € 10.645 € -95,15 %

Produto Bancário 4.343.319 € 3.822.322 € -12,00 %

Custos com Pessoal 1.330.447 € 1.376.178 € 3,44 %

G.G.A. - Com serviços (711) 795.647 € 790.849 € -0,60 %

G.G.A. - Com fornecimentos (710) 113.156 € 106.117 € -6,22 %

G.G.A. - Com avenças e honorários (71180) 46.863 € 74.542 € 59,06 %

Gastos Gerais Administrativos 908.803 € 896.966 € -1,30 %

Custos de Funcionamento 2.239.251 € 2.273.144 € 1,51 %

Resultado Bruto de Exploração 2.009.985 € 1.436.007 € -28,56 %

Provisões e Imparidades 955.460 € -34.481 € -103,61 %

Taxas médias em 31 de Dezembro Rubrica 2012-12-31 Tx Média Caixas Agrícolas Saldo Taxa Média

A – Taxa Média dos Activos 119.652.886 € 3,77 % 4,25 %

Taxa Média Crédito em Situação Regular 52.320.615 € 3,50 % 4,43 %

Descontos Comerciais S/ País 222.335 € 10,76 % 11,72 %

Crédito pessoal 1.828.719 € 8,27 % 9,38 %

Crédito à Habitação 28.206.025 € 2,08 % 1,95 %

Contas Correntes Caucionadas 903.090 € 7,18 % 6,70 %

Cartões Crédito 28.658 € 23,40 % 23,41 %

Descobertos Autorizados 319.032 € 11,48 % 12,84 %

Descobertos Não Autorizados 23.687 € 17,08 % 22,87 %

Outros Financiamentos 20.789.066 € 4,60 % 5,11 %

Taxa Média Aplicações na Caixa Central 67.332.270 € 3,99 % 3,95 %

B – Taxa Média de Recursos 115.747.941 € 1,95 % 1,93 %

Taxa Média Depósitos à Ordem 27.066.713 € 0,01 % 0,07 %

Taxa Média Depósitos a Prazo 52.303.742 € 3,17 % 3,06 %

Taxa Média Depósitos Poupança 36.377.486 € 1,64 % 1,47 %

Spread Taxa média de Crédito Regular - Taxa média Recursos -63.427.326 € 1,55 % 2,50 %

Margem Financeira (A-B) 3.904.945 € 1,82 % 2,32 %

No que concerne à captação de recursos totais como já referido, no exercício económico de 2012 verificou-se um crescimento de 5,8 %, (+ 6,3 M€), o que veio a ter reflexos na nossa rendibilidade, tendo como lado positivo o aumento da liquidez.

Quanto ao crédito concedido total teve um decrescimento de 3,0% face ao fecho do ano de 2011. Este decréscimo deriva essencialmente da quebra na procura de crédito e dos critérios mais apertados na análise e avaliação do risco por nós adoptada tal como já referido.

A Carteira de Crédito a clientes era composta da seguinte forma:

Crédito sobre clientes (Balanço): 56,7 M€, sendo em regime de Contrato de Agência com a Caixa Central (extra balanço): 2,5 M€, o que perfaz uma carteira total de 58,7 M€. Como já amplamente referimos, o panorama recessivo da actividade económica cria condicionantes adversas para o negócio bancário e agrava os factores de risco,

propiciando a deterioração da qualidade da carteira de crédito e aumento dos riscos de incumprimento, aconselhando naturalmente prudência e rigor acrescidos na análise, selecção e gestão do crédito concedido.

O Crédito vencido há mais de 90 dias e em contencioso tem merecido a nossa particular atenção e preocupação na sua recuperação. Em 2012 e tal como proposto no plano de atividades, conseguimos uma redução (320 m€). O objetivo que no pior cenário desejamos assegurar em 2013, é que não haja crescimento.

A lentidão com que os processos se arrastam judicialmente tem sido uma preocupação constante para nós, dado que com o andar dos tempos, os activos dos devedores deterioram-se numa velocidade galopante e as cobranças têm assim cada vez mais possibilidades de insucesso.

Tal como tem sido prática em anos anteriores, procurámos através do diálogo e dentro dos princípios legalmente aceites, efectuar acordos de pagamento judiciais ou extrajudiciais com os devedores que propuseram e/ou aceitaram essa via, resolvendo as situações mais delicadas a contento das partes. Actualmente estes passos vieram a ser regulamentados por lei.

À actividade de negócio atrás mencionada, temos a acrescentar ainda os recursos captados extra balanço.

Atividade comercial recursos (balanço /extra -balanço)

Indicador 2012-12-31

Variação com período homologo

Recursos de Clientes e Outros Empréstimos 117.054.404 € 6,04 %

Títulos de Investimento emitidos pela CCAM 0 € 0,00 %

Fundos de Investimento Mobiliário CA Gest 3.466.772 € 38,93 %

Fundos de Investimento Imobiliário CA Património Crescente (Square

Asset Management) 623.653 € 165,27 %

Seguros de Capitalização CA Vida 13.338.794 € 16,59 %

Assim os Fundos de Investimento Mobiliário tiveram uma variação absoluta de mais 1,2 M€ em relação ao ano anterior, registando em 31 de Dezembro o saldo de 3,46 M€, fruto de um produto com taxas bastante atractivas de alguns dos fundos. Este aumento resulta ainda da rendibilidade vs grau de risco destes fundos, face aos tradicionais

depósitos a prazo. É de notar também, que este aumento na sua grande maioria, proveio de recursos vindos do exterior do Credito Agrícola, o que nos apraz registar. Relativamente ao Fundo Imobiliário, apesar da sua taxa atractiva teve uma variação absoluta bastante modesta, contudo ultrapassamos o objectivo proposto (crescimento absoluto de 400 m€ em relação a 2011).

Nos Seguros dos ramos Reais, registou-se em 2012 um aumento dos prémios comerciais cobrados líquidos de apenas 2% (7.000€) perfazendo um total acumulado de 4.316 apólices e 593.355€ de prémios cobrados, sendo segmentados pelos ramos automóvel (33,0%), habitação (22,0%), acidentes de trabalho (13,0%), acidentes pessoais (13,0%) e outros ramos (19,0%).

Há a salientar a nossa posição no ranking - 43ª. posição (44 em 2011), no universo das 84 CCAM’s.

Na comercialização de Seguros do ramo Vida e tal como referido, também se ultrapassaram os objectivos propostos, representando em 31 de Dezembro a nossa carteira 3,1 M€ de prémios.

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