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ANATEL E O COMPARTILHAMENTO DE INFRAESTRUTURA

No documento UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA (páginas 40-43)

PANORAMA REGULATÓRIO BRASILEIRO: 5G NO BRASIL E

3.2 ANATEL E O COMPARTILHAMENTO DE INFRAESTRUTURA

Para a Anatel, o termo compartilhamento de infraestrutura se refere ao uso comparti-lhado da infraestrutura passiva de suporte às redes de comunicação (postes, torres, mastros, armários, dutos, condutos, estruturas de superfície e estruturas suspensas) e é regulamentado pela Resolução n.o 683, de 05 de outubro de 2017 [35] .

Nesta norma [35], estabelece-se a obrigatoriedade do compartilhamento da capacidade excedente da infraestrutura por parte de uma detendora deste recurso com outra prestadora de serviços de telecomunicações, cuja solicitação só poderá ser negada se houver justificativas técnicas para tanto.

O rol de casos em que o compartilhamento é facultativo é apresentado na lista a seguir, retirada da Resolução 683 [35]:

• o limite de exposição humana a campos elétricos, magnéticos e eletromagnéticos é excedido, nos termos de regulamentação específica [36];

• interferência prejudicial entre sistemas de telecomunicações regularmente instalados;

• comprometimento da abrangência, da capacidade e/ou da qualidade da prestação de serviço de interesse coletivo;

• a capacidade para suportar novos equipamentos é excedida, a segurança e/ou a estabi-lidade da infraestrutura de suporte é comprometida;

• o funcionamento de radio enlace ponto-a-ponto entre estações de telecomunicações regularmente instaladas é comprometido;

• o compartilhamento envolve estações reforçadoras utilizadas especificamente para o atendimento de áreas de sombra ou de cobertura deficitária;

• o compartilhamento envolve exclusivamente estações de serviços de interesse restrito;

• o compartilhamento envolve exclusivamente infraestrutura de suporte temporária ou de uso sazonal;

• o compartilhamento envolve impossibilitar funcionalidade essencial do sistema de te-lecomunicações ou é incompatível com a tecnologia empregada;

• presença de obstáculos jurídicos ou fáticos impostos por terceiros, devidamente funda-mentados, que possam inviabilizar o compartilhamento, prejudicando a cobertura de serviço ou a qualidade na sua prestação; e

• outras situações que acarretem a inviabilidade do compartilhamento, devidamente fun-damentadas.

Para o caso específico do compartilhamento de torres, dispensa ocorre, ainda, para as situações a seguir [35]:

• antenas fixadas sobre estruturas prediais;

• harmonização à paisagem;

• torre instalada até 5 de maio de 2009.

De forma mais específica, as agências regulatórias ANEEL, Anatel e ANP estabelem as normas para o compartilhamento de infraestrutura entre entre os Setores de Energia Elétrica, Telecomunicações e Petróleo, por meio da Resolução Conjunta no 1, de 24 de novembro de 1999.

Os itens passíveis de compartilhamento dentro desta norma são dividos em três classes, conforme a seguir [37]:

• Classe 1:servidões administrativas;

• Classe 2: dutos, condutos, postes e torres;

• Classe 3: cabos metálicos, coaxiais e fibras ópticas não ativados.

A resolução estabelece que devem fazer parte destas classes somente infraestruturas que não forem controladas por agentes prestadores de telecomunicação [37].

Assim como na Resolução no 683, a capacidade excedente será compartilhada sempre em acordo com as regras definidas pelo detentor da infraestrutura. O acesso a esse recurso deve ser o mais democrático possível, sendo o proprietário da infraestrutura obrigado a dar publicidade sobre a infra-estrutura e as condições de compartilhamento, de forma que qual-quer parte possa manifestar o seu interesse pelo compartilhamento [35].

Novamente, o compartilhamento só poderá ser negado por razões de limitação na capa-cidade, segurança, estabilidade, confiabilidade, violação de requisitos de engenharia ou de cláusulas e condições emanadas do Poder Concedente (a agência reguladora a que "pertence"

a detentora da infraestrutura) [37].

Por fim, os preços cobrados e demais condições comerciais para celebração do acordo, podem ser negociados livremente pelos agentes, observados os princípios da isonomia e da livre competição.

Ainda no âmbito dos acordos intersetoriais, existem outras três resoluções conjuntas: Re-solução Conjunta nº 2, de 27 de março de 2001 (Aneel, Anatel e ANP), ReRe-solução Conjunta n.o 3, de 24 de novembro de 2020 (Aneel, Anatel e ANP) e Resolução Conjunta n.o 4, de 16 de dezembro de 2014 (Aneel e Anatel).

As resoluções conjuntas número 1 e 2 foram criadas para instituir comissões de resolu-ções de conflito entre entidades que negociem um acordo de compartilhamento. A Resolução Conjunta n.o 4, por sua vez, trata de temas exclusivos a ANEEL e Anatel e estabelece regras para uso e ocupação dos pontos de fixação de cabos nos postes de energia.

Por fim, um último instrumento legal que deve ser considerado no compartilhamento de infraestruturas é a lei n.o 13.116, de 20 de abril de 2015, também conhecida como Lei Geral das Antenas.

Esta lei estabelece normas gerais aplicáveis ao processo de licenciamento, instalação e compartilhamento de infraestrutura de telecomunicações, com o propósito de torná-lo com-patível com o desenvolvimento socioeconômico do Brasil [36].

Em geral, os aspectos aplicáveis ao compartilhamento de infraestrutura são os mesmos observados na Resolução n.o 683, de 05 de outubro de 2017.

Vale ressaltar que a lei n.o 13.116 foi regulamentada pelo decreto Nº 10.480, de 1º de setembro de 2020, que objetiva estimular o desenvolvimento da infraestrutura de redes de telecomunicações no contexto do 5G e da Internet das coisas [38].

Em relação ao compartilhamento da infraestrutura ativa, observa-se que a agência tem autorizado desde gerações de telefonia anteriores acordos entre operadoras para uso dos ativos da rede de telecomunicação [39] e alguns acordos mais recentes parecem ser uma fase de preparo para a demanda do 5G [40]. Apesar da necessidade de autorização pelo regulador, chama-se atenção para o fato de não haver normas expressas para o compartilhamento ativo, como é o caso do compartilhamento de infraestrutura civil. A exceção é o uso compartilhado do espectro, que é regulamentado pela Resolução nº 671, de 3 de novembro de 2016 [41].

O framework a ser desenvolvido neste trabalho terá restrição a penas em relação aos modelos de compartilhamento do core (MOCN) que envolve, também o compartilhamento de espectro, conforme apresentados no Capítulo II.

Na próxima seção, traz-se um panorama dos modelos de mercado de comunicações mó-veis aplicados pela entidade regulatória brasileira.

3.3 COMPARTILHAMENTO DE INFRAESTRUTURA E

No documento UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA (páginas 40-43)