Eu, ______________________________________________________________
fui convidada/o para participar no estudo “A vivência da Amamentação no seio do Casal Parental”, sob a responsabilidade da investigadora e entrevistadora - Enfermeira Mª Cândida Fernandes Pereira, aluna do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, que se encontra a frequentar o Mestrado de Psicologia da Gravidez e da Parentalidade;
Fui informada/o sobre:
Este estudo tem como objectivo - Avaliar o impacto na sua saúde e bem-estar dos casais, face à sua experiência vivida durante a amamentação.
A minha participação consistirá em ser entrevistada/o individualmente, sobre a minha experiência vivida durante o período em que amamentámos a nossa criança, sendo essa entrevista gravada.
O meu nome jamais será utilizado para divulgar as informações que eu fornecer. As gravações das entrevistas serão identificadas, atribuindo a cada casal um número de ordem e a letra M ou P, consoante se trate da identificação da mãe ou do pai que constituem esse casal.
Mesmo aceitando participar no estudo, posso recusar-me a responder a qualquer pergunta durante a entrevista ou desistir de participar em qualquer momento, sem que sofra qualquer tipo de prejuízo.
Se aceitar participar no estudo, ser-me à pedido para assinar este Termo de consentimento livre e esclarecido, em conjunto com a investigadora.
Este termo foi lido e eu decidi participar neste estudo.
Data ____/____/_______
Nome da/o participante_______________________________________________
Assinatura da/o participante ___________________________________________
CASAL Nº 1
CARATERIZAÇÃO
• Idade que têm?
Mãe: 36 e Pai: 33 anos.
• Estado civil?
Mãe: Solteira em união de facto.
Pai: Solteiro a viver em união de facto.
• Duração da relação em anos?
Pai: 8 anos.
Mãe: 3 anos de namoro e 5 em união de facto.
• Nível de escolaridade dos pais?
Mãe: 12º Ano de Escolaridade
Pai: 11º ano.
• Profissão, Modalidade de horário, distância do local do emprego?
• Mãe: Assistente de Atendimento a clientes. Horário: 8-15 ou 9-16 h (com as horas de amamentação). Distância: Alenquer - Odivelas.
Pai: GNR. Modalidade: horário incerto e imprevisível. Distância: Lisboa (30 Km).
• Nº de filhos e nº de filhos desta relação?
Mãe: Uma da relação anterior com 16 anos e este desta relação. Pai: Um desta relação.
• Tipo de parto desta criança?
R- Cesariana.
• Idade actual da criança?
• Qual a licença parental gozada?
Mãe: Tive 5 meses, 1 de baixa e 1 mês de férias.
Pai: Tive 5 dias logo a seguir ao parto e mais tarde 2 semanas.
• Experiência anterior de amamentação
Mãe: Não tinha experiência porque a filha não mamou peito.
P: Este é o primeiro filho.
• História individual de amamentação?
Mãe: Sim, penso que por pouco tempo.
Pai: Fui, passou dos 6 meses.
• Tempo de amamentação desta criança e situação actual?
R- Esteve a ser amamentada exclusivamente com o peito, até aos 6 meses.
Informação actualizada em Julho (posterior à entrevista): Manteve peito até aos 7 Meses como complemento e suspendeu nessa idade, após a mãe ir trabalhar, porque deixou de ter leite.
ENTREVISTA À MÃE
P- Qual foi o impacto que esta gravidez teve para si e para o casal quando surgiu?
R- Foi positivo, /estava planeada, /ficámos contentes, /estávamos a tentar à 4-5 Meses.
P- Quem decidiu sobre o bebé ser amamentado ao peito, a mãe o pai, como foi?
R- Fui eu, logo na maternidade questionaram-me quando ele nasceu e eu decidi logo que sim,/ sempre foi uma ideia que eu tinha…não amamentei a outra porque não tinha, mas desde que tivesse leite…
P- Nunca conversou isso com o marido?
R- Dei-lhe a saber que se tivesse peito ia amamentar, mas nunca tivemos uma conversa de pedir a opinião…/
P- Tiveram algumas orientações sobre como amamentar?
R- Não… apenas na maternidade, a enfermeira disse como havia de pô-lo no braço para amamentar,/ mas tive ainda algumas dúvidas, na questão da minha alimentação e o tempo da mamada, o chorar, se tinha fome ou não, depois ficou preso dos intestinos, o que faria, não me foi ensinado nada…/depois nas consultas de SI já fiquei esclarecida…
P- Na gravidez, não tiveram nenhumas orientações?
R- Não…/
P- Que sentimentos e emoções (positivas ou negativas) teve face ao acto de amamentar e ao longo da amamentação?
R- Foi tudo positivo, é bom amamentar, /não interferiu, é uma questão da pessoa gerir o tempo e as coisas que tem a fazer, /mas
não altera nada em relação à nossa vida em termos particulares, não alterou nada…/
P- Em relação ao estado físico e psicológico do casal, como se têm sentido?
R- Tenho tido bastante ajuda da parte do pai, que tem sido bastante compreensivo,/ a pessoa fica mais cansada,/ mais sensível,
perante qualquer situação que surge de repente…/os meus pais não moram perto de nós e eu não vou lá todos os dias… é mais com ele…/sinto-me muito cansada,/ o pai também acorda, também está cansado, /embora como ele vai trabalhar e é condutor, precisa de descansar mais, /aí a sobrecarga é mais para mim…quando ele teve os dias de licença também ajudou, também acordava e ajudava a tratar dele…/ele mama de 3 em 3 horas …
P- Lembra-se de alguma complicação ou problema que tivesse acontecido, relacionado directa ou indirectamente com a amamentação?
P- Qual acha que foi a fase da amamentação mais difícil?
R- Logo nos primeiros meses em que as mamadas são muito frequentes, até aos 4 meses…/
P- Sentiram influências negativas de terceiras pessoas sobre a amamentação?
R- Não… porque o bebé fica sempre satisfeito com o peito…/
P- E conflitos que tenham surgido entre o casal, durante este período da amamentação?
R- Não tivemos nenhuns…/
P- Qual foi o papel do pai durante a amamentação?
R- Tratava do bebé - mudava a fralda, deu o banho, brinca com ele…/
P- Partilha tarefas domésticas ou já partilhava antes?
R- Já partilhava, mas agora a actividade dele é maior nas tarefas domésticas…/
P- Durante as mamadas o pai estava presente e tentava colaborar nalguma coisa?
R- Por vezes estava, mas ficava só a olhar…/
P- A mãe ficou satisfeita com o desempenho do pai?
R- Estou satisfeita com a colaboração dele…/
P- Que alterações ou mudanças surgiram na vossa vida, quer no ambiente familiar, na vida social, na própria relação do casal, como viveram isso?
R- Houve alterações nas saídas, na vida social,/mas o que nós queríamos já era ter o bebé, foram bem aceites tanto da parte dum
como doutro…/
P- As rotinas de casa alteraram-se muito?
R- Um bocado, porque a amamentação requer muito tempo e alterou um bocadinho…/
P- Continuaram a ter tempo um para o outro ou não?
R- No início não, agora já é diferente…/
R- Não tem a ver directamente com a amamentação,/ toda a nossa vida alterou, mas devido ao tempo que o bebé requer… tudo se
altera, /mas não tem a ver com a amamentação…/
P- Se o bebé ficasse satisfeito durante mais tempo, não mamava com tanta frequência, a mãe não estava tão cansada e se calhar tinham mais tempo um para o outro…
R- Sim, podia ter acontecido…/
P- Houve diminuição na frequência das relações entre o casal?
R- Sim, /também o estado emocional e o cansaço que a pessoa tem, tudo altera, quer da minha parte, quer dele…/
P- Sentiu que houve diminuição de interesse?
R- Não do desejo,/ mas tinha a ver como a gente se sentia…/
P- Acha que o facto de ter leite nos peitos interferiu alguma coisa com as relações do casal? Ele lidou bem com isso?
R- Lidou…/
P- Disse-me há pouco que a amamentação alterou as vossas saídas, dá de mamar em público ou não?
R- Tento não dar… tento conjugar os horários… quer pela minha privacidade/ quer do bebé, para ele estar mais descansado e mais
calmo,/ tento sempre que seja só connosco ou em casa ou num ambiente mais familiar…/
P- O pai lidou bem com isso?
R- Ele nunca pôs nenhum obstáculo nem fez nenhuma observação negativa…/
P- Alguma vez o pai se sentiu excluído no processo da amamentação, pelo facto de haver essa relação mais próxima entre a mãe e o bebé?
R- Pelo menos nunca demonstrou…/
P- Acha que a amamentação é compatível com a vida profissional da mulher?
R- Acho que quando as mulheres regressam à vida profissional, ficam sem leite, acho que será complicado a nível dos horários, até
porque a actividade profissional é estar ao telefone com os clientes e não irá dar para retirar leite assim com tanta frequência…/
R- Sim, acho que afecta, depende também do corpo de cada pessoa, mas em termos da amamentação a mim, acho que afectou, fica
mais partido, enquanto que pela gravidez não tenho assim…/
P- Perante todas as alterações que acabam por ocorrer na vida do casal, acha que a amamentação é benéfica para a relação do casal?
R- É…uma situação nova para o casal, situação que nós temos também de aprender a lidar com ela e faz parte das nossas vidas, é
nosso filho, faz parte das nossas vidas e é uma situação que nós lidamos…/que não prejudica a vida de um casal, porque une-nos mais aos três, porque o pai também partilha as tarefas dele, acho que a união é mais intensa, porque na minha primeira filha que não foi amamentada, não foi assim…acho que ao peito nos une mais…/
ENTREVISTA AO PAI
P- Qual foi o impacto desta gravidez quer para si, quer para o casal?
R- Foi bom,/ já era esperado…/tínhamos o desejo de ter um filho em comum…/
P- Como foi a tomada de decisão sobre a amamentação. Foi a mãe que decidiu ou foram os dois?
R- Foram os dois, conversámos em conjunto…/desde que fosse possível, sempre pensámos que caso ela pudesse dar peito e tivesse leite suficiente para o bebé, era melhor do que dar biberão…/
P- Quais foram os motivos que os levaram a tomar essa opção?
R- Foram vários motivos… era muito melhor para o desenvolvimento do bebé…segundo o que tínhamos ouvido, o leite materno tinha mais defesas para o bebé, / se desse peito não tinha necessidade de comprar leite não é… /e pelo próprio afecto da mãe seria importante…
P- Ouviram dizer a quem?
R- Ouvimos dizer a várias pessoas que o leite materno era melhor…/
P- Tiveram alguma orientação sobre como amamentar?
R- Ela teve, penso que teve lá na maternidade… /
P- Em relação ao estado físico e psicológico do casal, como se sentiram durante o período da amamentação?
R- Sentimo-nos bem…/cansados, ela mais do que eu, porque ainda continua a mamar durante a noite e durante a noite é
cansativo…eu também acordo, porque ele está na cama dele, no quarto ao pé da gente…/
P- Dificuldades que tenham sentido?
R- (Silêncio…) Nada de especial… /às vezes é um choro intenso, /acaba por nos privar da hora de jantar ou de almoço, temos de o
ter ao colo, então comemos à vez, /enquanto está acordado está sempre agitado…/
P- Problemas que tenham surgido durante a amamentação?
R- O descanso é o único problema que tem, porque uma pessoa descansa menos de noite, /porque de resto, só o facto de ele ser
um bocadinho guloso, porque mama de 2 em 2 ou 3 em 3 horas, há bebés que eu sei que aguentam a noite toda, esse não é o caso dele, continua a fazer os mesmos horários como quando nasceu…/a gente pouco descansa, mas de dia dorme-se uma sestita e compensa um bocadinho…
P- Lembra-se se houve interferências de outras opiniões contra a amamentação?
R- Não, foram sempre opiniões positivas e não o contrário…/
P- Qual foi a fase mais difícil da amamentação?
R- Foi quase sempre igual…/
P- Conflitos que tenham surgido entre o casal relacionados com a amamentação?
R- Nada…/
P- Qual a participação que o pai teve?
R- Quando ele começar biberão, se calhar posso ajudar,ajudei logo no início,/eles davam um suplemento no hospital, /a gente em
casa chegou a comprar leite para tentarmos dar de inicio, quando as mulheres estão mais frágeis, mas ele rejeitava…/Quando ele está na altura de mamar, ou faço as refeições, /se já mamou, tomo conta dele enquanto ela faz as refeições,/ faço a lida doméstica, já fazia, agora com mais regularidade, porque ela tem menos tempo disponível para fazer essas tarefas…/mudo a fralda, dou banho, tudo, tudo e mais alguma coisa, brinco com ele…/só não consigo dar de mamar…/
P- Sentiu-se excluído durante a amamentação?
R- Não…a interligação do bebé com a mãe deixa-me muito feliz/…nunca me senti excluído, nem ciúmes, /pelo contrário, quanto
mais tempo ela conseguisse dar peito, é mais bonito, /cria-se muito mais intimidade, /gosto mais de ver ele ser amamentado pelo peito do que por biberão, /tem mais afecto, porque qualquer um dá o biberão ao miúdo e o peito não é de qualquer pessoa, é da mãe tem aquele amor maternal…/
P- Alterações que tenham surgido no ambiente familiar, na relação do casal decorrentes da amamentação?
R- Por exemplo, almoçar e jantar, é quando ele deixa, não é na hora que a gente quer, que é mesmo assim…o facto de por norma
calhar nas horas das refeições, em que temos de almoçar ou jantar alternados, dificilmente conseguimos comer os dois ao mesmo tempo…/
P- Interferiu na vossa vida social?
R- Interferiu…só mais recentemente é que conseguimos almoçar ou jantar fora…/
P- A mãe amamenta em público?
P- E o pai lida bem com isso? R- Sim…/
P- Acha que a amamentação interferiu na sexualidade do casal?
R- Não…o que houve não era da amamentação /mas sim por ele/ … estava a ter relações sexuais com a minha esposa e o miúdo
chorar…estarmos a meio de um acto sexual ou a começar e ele desatar a chorar ou acordar ou uma coisa qualquer e a gente ter que parar, é o inconveniente que teve…tem a caminha dele mas está no nosso quarto, quando for maiorzito mudaremos…/
P- O facto de ter leite nos peitos não foi um obstáculo?
R- Não, não…/claro que durante um tempo ela estava mais sensível nos peitos e não podia tocar, diz ela que lhe doía o
contacto…evitava era tocar…/
P- Houve diminuição na frequência e diminuição do interesse?
R- Não…/
P- Com tudo o que envolve a amamentação, apesar dos benefícios que tem para o bebé, na sua opinião acha que a amamentação é benéfica para a relação de um casal?
R- Eu penso que sim, cria mais afecto entre o casal e o bebé, uma maior aproximação./
P- Acha que a amamentação é benéfica para a relação de casal?
R- Os pais e o bebé, dá-me gosto ver o meu filho a mamar na mãe, /o biberão não é tão pessoal, uma pessoa estranha de fora
também consegue dar um biberão, na amamentação é só a mãe…/reforça o ambiente familiar…estamos bem com as outras pessoas, mas quando estamos no nosso seio é diferente, é mais aconchegante…se tiver mais filhos, que a minha esposa consiga amamentar…/se tiver que comprar o leite logo desde e o início e outras coisas que ele precisa…/com a alimentação artificial, o bebé tinha que mamar na mesma, aí em vez de ser a mãe a dar o biberão, podia ser o pai…/mas acho que a amamentação é benéfica em todos os aspectos…/
CARATERIZAÇÃO
• Idade que têm?
Mãe: 31 e Pai: 32 anos.
• Estado civil?
R- Solteiros, em união de facto.
• Duração da relação em anos?
R- 13 anos.
• Nível de escolaridade pais?
Mãe: Licenciatura em Contabilidade e Administração.
Pai: 4ª classe.
• Profissão, Modalidade de horário, distância do local do emprego?
Mãe: Contabilista. Horário (10-13h - 14-17h), porque agora tenho as 2 horas de amamentação; fica a cerca de 20 minutos.
Pai: Serralheiro…
• Nº de filhos e nº de filhos desta relação?
R: Apenas esta criança.
• Tipo de parto desta criança?
R- Normal.
• Idade actual da criança?
R- 6 meses e meio.
• Qual a licença parental gozada?
Mãe: 4 meses e 1 mês de férias. Pai: 15 dias seguidos depois do parto.
• Experiência anterior de amamentação
Mãe: Fui, pouco…a minha mãe diz que quando saía de “esguicho” eu mamava e depois adormecia…era preguiçosa não chupava…
Pai: Fui amamentado ao peito, desconheço a duração.
• Tempo de amamentação desta criança e situação actual?
R- Foi amamentada ao peito de forma exclusiva até aos 4 meses e meio, porque a mãe ia trabalhar aos 5 meses. Mantém o peito actualmente como complemento.
ENTREVISTA À MÃE
P- Quando foi o impacto desta gravidez, quando soube que estava grávida? Quer para si, quer para o casal?
R- Foi…foi bom…/especialmente o pai que queria muito, há muito tempo…
P- E a mãe não?
R- E eu…a vida não estava boa…e então quando a vida estava mais segura é que… quando eu quis, foi quando foi…foi logo…/
P- Então ficaram contentes…Quem é que decidiu que o bebé ia ser amamentado ao peito?
R- Foram os dois…/
P- Conversaram sobre isso?
R- Não, não conversámos, /mas queríamos que fosse alimentada ao peito, /porque é sempre melhor para a criança…/era uma coisa normal, /a menos que eu tivesse algum problema, que não tivesse leite ou que houvesse algum problema de saúde, mas à partida era sempre o peito…
P- Foi mais a mãe que teve essa decisão que o pai?
R- Sim…
P- Quais os motivos porque tomaram essa decisão?
R- Porque era o melhor para a criança…/
P- E onde ouviram isso? A Quem?
R- Na televisão, na família, na internet, /em todo o lado…toda a gente diz que o melhor para a criança é amamentar até…até ao ano…ou pelo menos os primeiros 4 meses…/
mas depois lá acalmei e ela pegou…mas foi um dia stressante mesmo…/
P- Seria cólicas…?
R- Se calhar era…/
P- Tinha tido algumas orientações sobre como amamentar?
R- Elas ensinaram lá no Hospital, /mas…a gente vê na televisão, na internet e basicamente…/
P- Então orientações durante a gravidez, não teve?
R- Não…/
P- E após o parto?
R- Foi só na maternidade…/
P- E aqui nas consultas, não?
R- Também…/
P- Sentimentos e emoções que a mãe teve perante o acto de amamentar?
R- Foi uma alegria, uma satisfação…/
P- O que sentiu ao longo destes meses que tem amamentado?
R- É sentir que estamos a dar um pouco de nós à nossa filha…é um mimo, /sei lá…uma satisfação grande…/
P- Acha que esses sentimentos também são partilhados pelo companheiro?
R- Sim, porque ele muitas vezes vê… eu estar a amamentar e ele também fica deliciado de ver…/
P- Acha que ele nunca se sentiu excluído dessa relação a dois?
R- Eu acho que não…/
P- Não?
R- Não…/porque ele está presente nesses momentos…/
/
determinado ponto que já não dava quase…não era que ela chorasse muito…mas quando acordava e a gente tipo: “Porque é que ela acordou agora?”…/mas muitas vezes estávamos sempre os dois acordados a essas horas…partilhava esses momentos…às vezes ia ele buscá-la à cama, outras vezes eu levantava-me e ele acendia a luz e isso…mas estava sempre nesses momentos…
P- Sentiu algumas dificuldades durante a amamentação?
R- Não, por acaso não senti./
P- Em termos de tempo qual foi a fase mais difícil?
R- Agora, porque estou a trabalhar…/está bem…está bem que deixo-a com a minha mãe, / mas é assim… é um abandono, parece que é um
abandono e deixá-la… estou sempre a telefonar para saber como é que ela está, como é que não está…antes estava sempre a amamentar e ela estava sempre comigo…agora de manhã dou-lhe, quando chego tiro para o dia a seguir e depois à noite dou-lhe outra vez…agora com a sopa então ainda mama menos, é mesmo só para dormir, para ficar aconchegadinha para dormir…/
P- Acha que a amamentação é incompatível com a vida profissional da mulher?
R- Não, não é incompatível nestas situações…porque agora temos as bombas que dão para tirar e continuam as crianças a beber o leite
materno…dantes, acho que era muito mais difícil…agora não…/
P- E isso pessoalmente dá-lhe trabalho ou satisfação?
R- É assim: cansa um bocadinho, porque estar ali a tirar o leite cansa um bocadinho,/ mas dá-me satisfação ver ela a beber o meu leite e ela
prefere beber o meu leite do que outro…não gosta mesmo…/
P- Houve interferências de opiniões de terceiras pessoas, no sentido de dizerem “dá peito ou dá biberão que é melhor…”?
R- Não …/
P- E ajudas e apoios de alguém?
R- Sempre, da minha mãe, dos meus pais… especialmente dos meus pais, se a gente precisa de alguma coisa, eles estão lá para ficar com
ela, para a gente precisa de ir aqui ou ali…se precisamos ir às compras, os meus pais ficam sempre com ela…/
P- Eles são a favor da amamentação?
R- Sim…/
P- Isto, porque eles viveram numa época, em que provavelmente as latas do leite apareceram…
P- Conflitos que tenham surgido entre o casal durante a amamentação? Quais e porquê?
R- Não, foi só nesse dia que eu estava a desesperar e ele ainda me deu um ralhete tipo: “Então tu não te podes enervar…e não sei quê…”/
P- Relativamente ao papel do pai durante a amamentação – na prestação de cuidados ao bebé, à mãe, nas tarefas domésticas, como foi?
R- Nas tarefas domésticas é sempre praticamente, já era… sempre foi…manteve-se igual, especialmente o comer, porque eu raramente faço
comer…ele sempre fez e agora então, ainda faz mais…enquanto eu tomo conta dela, ele faz o jantar…e aquece a sopa dela…/
P- O que é que ele passou a fazer, que não fazia?