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Pondo

de

margem

muitas espécies que para o biólogo são tidas

como

venenosas, pelo só facto de possuirem propriedades toxicas vá-riosdosprincipios secretadosporglândulas collocadas

em

pontos diffe-rentes de seu corpo, cabe-me encarar aquelles typos de animaes que, para o medico e, principalmente, para o hygienista, offerecem maior importância. Dentre esses typos

merecem

especial menção, por serem dotados de bastante venenosidade, ou por lhes terem os principios tóxicos sido mais cuidadosamente estudados entre nós, asaranhas, os escorpiões, a escolopendra, as abelhas e as vespas e os batrachios,

sem me

referir aos ophidios, cujas características biológicas ficaram acima resumidas e de cujas espécies brasileiras

me

reservarei para tratarmaisadiante.

Ao

demais, deixarei naturalmente de considerar certas outras formas, taes

como

a "Gitiranaboia" c a

chamada

"Cobra de duas cabe-ças": a primeira, por ser

um

inoffensivoinsecto, inteiramente despro-vidode veneno,

embora

o povo,

sem

razão,otema grandemente, pois o acreditacapazde até fazer seccar arvores,

quando

nellaspousa; a segunda,porser

um

simples lagarto inteiramente destituídode peçonha,

embora

possuidorde dentinhosaguçados.

Aranhas

Pertencentes ao sub-reino dos Arthrópodos, classe dos Arachnoí-deos, sub-classe dos Arachnídos e

ordem

dos Araneidos, as aranhas são representadas no Brasil por

um numero

considerável de espécies agrupadas

em

vários géneros. Dessas, porém, apenas dois typos se sobrelevam aos demais e apresentam real importância

em

medicina.

São elles o género Ctenus e

o

género Lycosa, de cujas espécies principaes junto aqui as necessárias gravuras para demonstração (Figs. 11 e 12).

Conforme

veremos mais tarde, esses dois typos de aranhas

possuem

veneno

bem

diversoe, dess'arte,

produzem

pheno-A.DOAmaral

Animaes venenosos

A. DOAmarai.

Animacs venenosos

A.DOAmaral

Animaes venenosos

Fig. 18 - Apparelho de veneno, com ferrão terminal, do escorpião commum.

(Grandeampliação)

Fig. 19 - Pedipalpo ou falso escorpião {Mastigoproctus brasiliensis)

.

(Note-seofilamento terminal que opovo erradamenteacredita servenenoso).

.SciELO 10 11 12 13 14

A.DOAmaral

Animaes venenosos doBrasil 15

menos

de intoxicação

mui

distinctos entre si. Relativamente pequenas e muito mais venenosas do que as

chamadas

"Caranguejeiras" (Fig.

13), essas aranhas procuram, frequentemente, esconderijo

em

sapatos epeças deroupaou no meio de lenhae,desse

modo, conseguem

picar as pessoas,nos pés, no corpo ounas mãos.

No momento,

devo apenas dizer que o apparelho de veneno das aranhasse

compõe

de duasglândulascoUocadasnos chelicerios,áparte anterior do cephalo-thoraxe cujoveneno é excretadoatravés dos fer-rões ou pinçasque servem de presas inoculadoras. Estas presas estão dirigidasparadentro, isto é,para oeixo docorpo,nas aranhas verda-deiras (Fig- 14) e para baixo, nas aranhas caranguejeiras (Fig. 15).

Escorpiões

Filiados ao

mesmo

sub-reino, classe e sub-classe que as ara-nhas,

mas

á

ordem

dos Escorpionideos, os escorpiões são representa-dos noBrasilpor diversos typos,dosquaes o mais

commum

(Fig- 16)

em

nosso meio é a espécie bahiensis do género Tityus, cujos re-presentantes

costumam

viver

em

logares solitários e escuros, geral-mentedentrodecupinsou sob pedras ou madeira, onde

caçam

peque-nos insectos e larvas dequese nutrem.

O

apparelho de veneno dos escorpiões consiste

em

duas glândulas collocadas no interior do sexto (ultimo) segmento do

abdome

e liga-das ao ferrão terminal, que serve para inocular o veneno nos tecidos davictima (Figs- 17 e

18)-Nota:

Sob

o

nome

vulgar de escorpião

cumpre

não confundir o inoffensivo Pedipalpo (Mastigoproctus brasiliensis) que

também

é

um

arthrópododaclasse dos Arachnoideos.sub-classe dosArachnidos,

mas

quese distingue facilmentepelapresença de

abdome

volumoso e quasi rigido,

com um

filamento terminal (Fig. 19) enão delgadoe flexivel,

com um

ferrão terminal,

como

no verdadeiro escorpião.

,SciELO 10 11 12 13 14

16 A. DOAmaral

Animaes venenosos doBrasil

Escolopendra

Outra representante do sub-reino dos Arthrópodos é a escolo-pendra, vulgarmente conhecida,

em

nosso meio, pelo

nome

de lacraia oucentopeia. Aliás, sob esta designação, o

povo

confunde dois typos

bem

diversos de animaes, porquanto

um

éprovido de apparelho ino-culador de veneno,de que é o outro destituído.

A

verdadeira lacraia (Fig- 20), conhecida scientificamente pelo

nome

deScolopendra, pertence á classe dos Chilópodos e

ordem

dos Anamorphos, que se caracterizam pela presença de

uma

sópata de

ambos

os ladosdecadasegmentodocorpo,alem de

um

par depinças inoculadoras ouforcipulasmoveis, articuladas ao primeiro annel, para trásdacabeça, emunidas deglânduladeveneno (Fig.21).

A

outra, ás vezes

também chamada

gongolo,

imbuá ou

piolho de cobra, pertence, porém,á classedosDiplópodose

ordem

dos Chilogna-thos, os quaes se caracterizam pela presença de

um

par ciepatas de

ambos

osladosde cadasegmentodocorpo.Outradifferença é queos Diplópodos possuem, por todo o corpo, glândulas metamericas (Fig.

22),cuja secreção cáustica e fétida lhesserve de meio de defesa, ao passo que os Chilópodos são quasi desprovidos dessas glândulas de funcção defensiva,

mas possuem uma arma

offensiva

em

sua porção para-cephalica, conformedeixei acimaassignalado.

Além

disto,as esco-lopendras alimentam-se de pequenosanimaes, ao passo queos gongo-los senutrem dedetritosvegetaes.

Abelhas e vespas

O

sub-reino dos Arthrópodos, classe dos Insectos e

ordem

dos

Hymenópteros

é representado no Brasil por

uma

infinidade de typos, conhecidos pelos

nomes

vulgares de abelhas evespas, entre as quaes somente algumas espécies

possuem

apparelho inoculador de veneno.

Aindamais,por

um

desses caprichosdanatureza,talapparelhooccorre apenasnas fêmeas; é composto de duasglândulas cujo canal excretoi

A. DOAmaral

Animacs venenosos doBrasil 17

termina na cavidade do aguilhão (ou ferrão), que,

em

estado de repouso,fica escondido na extremidade do

abdome, donde

somente se projecta no

momento

da picada (Fig. 23).

Batrachios

A

classe dos Amphibios e

ordem

dos Anuros (batrachios), do sub-reino dos Chordados, tem

como

representantes entre nós varias espécies, cujoveneno se achadiistribuido por numerosasglândulas dor-saeslymphaticas, ou accumulado

em

dois saccos especiaes (paratoides) que correspondem ás saliências que nelles se encontram para cima e para trás dos olhos (Fig. 24).

Não

possuindo apparelho inoculador, seuvenenoé destinadoexclusivamenteásnecessidadesdedefesa contra os inimigos, porcujasmucosasé,porsignal,facilmente absorvido, pro-duzindo distúrbios nervosos e circulatórios muito graves. Nisto reside seu único interesse sob o ponto devista medico.

Espécies

importantes de

ophidios

do

Brasil

Os ophidios que, sob o ponto de vista medico, offerecem maior importância, estão representados noBrasil pelas duas familias de Ela-pideos e Crotalideos, a primeira das quaes corresponde áserie prote-róglypha e a segunda, áserie solenóglypha. Felizmente, ao hygienista asproteróglyphas não interessam, por terem hábitos subterrâneos,

se-rem

timidas epossuiremabertura buccal e presasmuito pequenas, o que lhes torna bastante excepcional a picada. Esta serie é representada

em

nosso país pelas coraes venenosas (Fig. 25), cujas picadas figuram até hojenaestatísticadoInstitutoButantan apenas

em 9

casos,

num

to-tal de 3.595 que nos foram até agora communicados,

em 28

annos de trabalho.

Serie proteróglypha. Cobrascoraes

— O povo

dointerior do

Bra-sil designa pelo

nome

de "cobra coral" toda espécie deserpente cujo

«dolorido dodorso é vermelho intenso, pintadoou não de negro e in-terrompido ou não por faixas ou anneis negros, brancos ou

amarei-18 A.DOAmarm.

Animacs venenososdo Brasil

los; ás vezes inclue

também

nessa designaçãopelo

menos uma

espécie de serpente, cujo colorido do dorso é reverso: preto

com

anneis ver-melhos.

Do

ponto de vista dasystematicamoderna,as"cobras coraes"do Brasil estão assim distribuidas

:

I - Familia dos Ânilideos:

a) Cobra rudimentar, de vida aquática (coral d'agua): 1. Anilius scytale Bacia do

Amazonas

II - Familia dos Colubrideos

:

A. Serie áglypha (sem presas inoculadoras)

a) Cobrasnãovenenosas, devida aquática (coraesd'agua):

2. Urotiieca elapoideseuryzona Bacia do

Amazonas

3. Hydropstriangularis martii Bacia do

Amazonas

b) Cobras nãovenenosas, devidaterrestre (coraes falsas):

4. Lystrophis semicinctus . . Matto Grosso

5. Leiosopliisbicinctus . . . Bacia do

Amazonas

e Pa-raguay

6. Simophis rlúnostoma. . . Zona centro-meridional 7. Atractus elaps Zonaequatorial 8. Atractus latífrons

....

Zonaequatorial

B. Serie opisthóglypha

(com

presas posteriores, rudimentares) a) Cobras nãovenenosas, devida terrestre (coraes falsas):

9. Pseudoboa trigemina. . .

10. Pseudoboa rhombifera . .

11. Pseudoboa formosa formosa 12. Erythrolamprus aesculapíi.

13. Elapomorphus tricolor . .

Todo

o país

A.DOAmaral

Animacs venenosos doBrasil 19

III - Família dos Elapideos:

C. Serie proteróglypha

(com

presas anteriores, chanfradas) a) Cobras venenosas, de vida terrestre (coraes verdadeiras)

:

14. Micninis buckkyi. . . .

Amazónia

15. Micninis corallinus . . .

Todo

o país 16. Micninis decoratiis . . . Serrado

Mar

17. Micninisfisclieri . . . . Serra da Bocaina 18. Micninisfrontalis . . . Zona meridional 19. Micrunishempríchii . . .

Amazónia

20. Micrurus lemiiiscatiis. . , Zonatropical

em

geral 21. Micrunis spixii. . . . .

Amazónia

O

caracter mais seguro de differenciação entre estes grupos re-side na presença de

um

par de pequenas presas inoculadoras, collo-cadas na parte dianteira e superior da bocca nas coraes verdadeiras e suaausência nas coraes falsas e coraes cl'agua.

Alem

disto, as co-raes verdadeirassedistinguempor 3 caracteres: 1 pelaproporçãoda cabeça, que nellas, é tão largaquanto o pescoço, ao passo que, nas outras, émais larga; 2.' pelo

tamanho

dos olhos que, nellas, são di-minutosepoucoperceptíveis,ao passoque,nas outras, são relativamen-tegrandese

bem

visíveis; 3.'pelaforma,

tamanho

e aspectoda cauda, quenellas é grossa, curta erecurvada

em

alça paracima (quando

em

movimento), ao passo que, nas outras, é geralmente fina e longa e sempre extendida ao comprido (quando

em

movimento).

Mesmo

quenão se recorra ao

exame

das presas eao estudo mi-nucioso das escamas e escudos, pode-se identificar qualquer espécie de cobracoral, dasexistentes

em

S.Pauloe nos Estados vizinhos, ob-servandoos seguintesquadros:

,SciELO 10 11 12 13 14

20 A.DOAmaral

Animaes venenosos doBrasil

A.DO Amaral

Animaes venenosos doBrasil 21

22 A. DOAmaral

Animacs venenosos do firasil

Seriesolenóglyplia. Serpentes crotalideas

Resta, pois, a serie solenóglypha, representada entre nós pela familia dos Crotalideos, a mais importante de todas e quedas demais se

pode

differenciar facil-mentepela presença de2 orificiosde cadaladodo focinho:

4

ventas, nodizer atilado do nosso caboclo. Dos Crotalideos, facilmente distin-guireis por esse caracter, o Brasil possue tres géneros, sub-divididos nas 16 espéciesseguintes:

I- Género Crotaliis Linneu, representado por

uma

só espécie no Brasil

:

1 - C. terrificiis (Laurentius), a Cascavel, abundantíssima

em

to-das as zonas seccas ou altas dopaís (Fig. 26).

II - Género Lachesis Daudin, que é monotypico, isto é, possue

uma

única espécie;

2

- L. rmita (Linneu), a Surucucú, encontradiça nas mattas do centro,littoral(do Rio para onorte) evalledo

Amazonas

eParaguay.

E' esta a serpente solenóglypha que attinge maior comprimento

em

todo o

mundo,

isto é, pelo

menos

tres metros (Fig. 27).

III - Género Bothrops Wagler, cujas espécies

podem

ser assim discriminadas pela

ordem

de sua abundância eimportância medica ou económica

:

3-5.

jararaca (Wied), aJararaca, muito

commum

desde a Bahia e o planalto central até o extremo sul, onde habita os

campos

e logares relativamente planos (Fig. 28).

A ' B. atrox (Linneu), a Caissaca, abundante desde São Paulo, Minas Geraes e Matto Grosso até o extremo norte, onde substitue a Jararaca (Fig. 29).

5- B. jararacitssu Lacerda, a Jararacussú,encontrada

em

logares baixos e húmidos, frequentemente á

margem

de rios e banhados (Fig. 30).

6

- B. alternata Duméril et Bibron, a Urutu, que é própria da zonacentral e meridional, onde vive

em

logaresseccosoupedregosos, preferindo a

chamada

zona de terra vermelha (Fig. 31).

SciELO

9

10 11 12 13

1

A. DOAmaral

Anímacs venenosos

Pig.21 -Apparelho venenosoda Escolopendra,visto debaixo, comgrande augmento (semi-eschematico á direita e o todo muito ampliado).

,SciELO 10 11 12 13 14

A. DOAmaral

Animaes venenosos

Fig.22- Gongolo ou Imbuá(diplópodo), notando-se as patas dispostas aos paresde cada lado dos articulese aabertura das glândulas metamericas ou odoríferas.

Em

baixo,eschema das glândulas.

O

Piolho-de-cobra ou Imbuá éoutro representante do mesmo grupo e também inoffensivo.

A.DOAmaral

Animaes venenosos

Fig.27 -Surucutinga (Lachcsis muta)

.

A. DOAmaral

Animacs venenosos

A. noAmaral

Animaes venenososdo Brasil 23

7 - B. nemviedii Wagler, a Jararaca pintada, distribuída desde o Rio Grande doSule Matto Grossoaté o nordeste, onde substitue a Urutu, pois

também

occorre

em

logares seccos ou

mesmo

semi-aridos e pedregosos (Fig. 32).

8

- B. coitara (Gomes), a Cotiara,que se encontra desdea re-giãodaSerrada Mantiqueira nosudestedeMinas, ede São Paulo para o sul, especialmenteno Paranáe SantaCatharina (Fig. 33).

9

- B. bilineata (Wied), a Surucucú de patioba, própria

do

norte do Rio de Janeiro até a região nordestina e o valle do

Ama-zonas (Fig. 7).

]0 - B. itapetinitigae (Boulenger), a Cotiarinha, espécie própria dointerior de São Paulo (Fig.34).

11-

5. casielnaudi (Dimiéril et Bibron), relativamente rara

mes-mo

nosVallesdo

Amazonas

e Paraguaye noplanaltocentral,

donde

é

originário o typo (Fig. 35).

12-

B. insularis (Amaral), restrictaáIlhada

Queimada

Grande, no littoral deSão Paulo (Fig. 8).

13-

5. erythromelas Amaral, até agora assignaladana zona sec-ca da Bahia até o Ceará (Fig. 36).

14-

5.iglesiasiAmaral, oriunda dosertão do Piauhy (Fig. 37).

15-

5. pirajaiAmaral, procedente daregião meridionalda Bahia (Fig. 38).

16-

5. neglecta Amaral,

também

originariada Bahia (Fig.39).

De

accordo

com

as estatísticas do Instituto Butantan se verifica que, aocontrariodeestar diminuindo

em

São Pauloe nosul doBrasil

em

geral, adensidade da população ophidicaparece queestá

augmen-tando paripassa

com

o desenvolvimento agrícolaque se

tem

obser-vado

nessa região. Effectivamente, já ha alguns annos eu venho mostrando,

em

trabalhos publicados na America do Norte e entre nós, que a crença de serem as nossas florestas infestadas de ophidios é absolutamente infundada, pois nellas esses repteis encontram muitos

24 A.no Amaral

Animacs venenosos do Brasil

inimigos e innumeros concorrentes na lucta pela vida. Logo, porém, que se derrubam asflorestas e se iniciam as queimadas e asculturas doscampos,nãosomente sedestroemquasi todos os inimigosdas ser-pentes,

mas também

se propicia avida dosophidios,

com

o estimulo quepassa a receber acreação dosroedores. Estephenomeno, observado

em

São Paulo e nos estados vizinhos, foi por

mim

assignalado no sudoeste dos Estados Unidos e na America Central, e está sendo re-gistado na Austrália,

em

Java, na índia, no México e

em

outras re-giões tropicaes e sub-tropicaes do globo.

Pelasestatisticasdo Butantanse verificaque, feitaabstracçãodas espécies não venenosas quecontribuíram

com

38.232 exemplares entre os 174.692 recebidos de 1901 a 1929, apparece

em

primeiro logar a jararaca

com 63.340

exemplares,

em

segundo logar acascavel

com 47.198

exemplares e

em

seguida a urutu, a jararaca pintada, a cais-saca, a jararacussú, a cotiara e outras espécies

em menor

numero.

Ainda mais, considerados englobadamente, se verifica que os ophi-diosrecebidos peloInstituto

têm augmentado

de

numero

nestes últimos annosacomeçar de 1919, esobretudo

em 1928

e 1929, conformese vê nos graphicosappensos a este trabalho.

Dada

a importância que no problema ophidico brasileiro repre-sentam algumas das espécies acima referidas, parece-me razoável que

eu dê aqui

uma

lista de seus

nomes

scientificos, ao lado de suas

denominações populares

:

a)

Nome

scientifico: Crotaliis terrificus (Laurentius).

Designações vulgares: Cascavel, Cascavel de quatro ventas (no Nordeste), Boicininga (Boiçuninga, Boicinunga ou Boiçununga),

Ma-racá, Maracaboia e Boiquira.

b)

Nome

scientifico: Lachesis

nmta

(Linneu).

Designaçõesvulgares: Surucucú, Surucucú defogo,Surucucúpico de jaca, Surucucutinga e Surucutinga.

A. DOAmaral

Animaes venenosos doBrasil 25

c)

Nome

scientifico; Bothrops jararaca (Wied).

Designaçõesvulgares; Jararaca,

nome

aliás que

em

alguns pontos donortedoBrasil se applica

também

á Caissaca {B. atrox), Jararaca dormideira. Jararaca preguiçosa, Jararaca da matta virgem, Jararaca docerrado, Jararacado campo, Jaraca e Jaracá.

Nota: Si as estatisticas de Butantan dissessem respeito mais ao norte do que ao sul do Brasil, o logarnellas occupado pela Jararaca seria certamente

tomado

pela Caissaca, espécieabundantissimana zona septentrional.

d)

Nome

scientifico: Bothrops airox (Linneu).

Designaçãovulgar: Caissaca,

nome

que

em

algunspontos donorte doBrasil é substituidopelode Jararaca.

e)

Nome

scientifico: Bothropsjararacussu Lacerda.

Designações vulgares: Jararacussu e Jararacussu verdadeiro. Esta espécie é aindaconhecidapelos

nomes

de Jararacussucabeça de sapo, Jararacussumalha de sapo,Jararacussucabeça depatrona. Patrona, no Nordeste e especialmente na Bahia; Jararacussu tapete, Surucucú ta-pete. Cobra tapete. Tapete, Urutu, Urutu dourado, Urutu preto, Urutu amarello. Urutuestrellae Surucucú dourado, na região sudestina e es-pecialmente nas zonas baixas dos Estados do Rio, Minas e no

cha-mado

"Norte" (Leste) de São Paulo,zona daEstrada deFerro Centrai doBrasil.

f)

Nome

scientifico: Bothrops alternata Dumérilet Bibron.

Designações vulgares: Urutu, Cruzeiro ou Cruzeira e Coatiara ou Cotiara.

g)

Nome

scientifico: Bothrops neiiwiedii Wagler.

Designações vulgares: Jararaca pintada, Bocca de sapo,

confor-me

é conhecida especialmente

em

Matto Grosso, e

Rabo

de osso,

se-gundo

é

chamada

no sertãode Goyaz.

Nota: Essa serpentetem sido

também chamada

Jararaca de rabo branco, denominação que, além de exprimir incorrectamente

um

ca-racte"

tem

o grande defeito de provocar confusão entre esta espécie

,SciELO 10 11 12 13 14

26 A. DOAmaral

-Animaes venenosos doBrasil

e exemplares immaturos de Jararaca {Bothrops jararaca), os quaes

têm

a ponta da cauda branca.

Na

verdade, parece que

um bom nu-mero

doscasosde accidentes attribuidos á"Jararacade rabo branco", nos boletins recebidos pelo Instituto, foi determinadopela D.jararaca e não pela B. neuwicdii.

h)

Nome

scientifico: Bothropscotiara (Gomes).

Designaçõesvulgares: CotiaraouCoatiara, Boiquatiara e Jararaca preta (no centro de Santa Catharina).

i)

Nome

scientifico: Bothrops bilineata (Wied).

Designações vulgares: Surucucú de patioba,Surucucú de pindoba, Patioba,Surucucúpinta de ouro (nosertãodaBahia),Jararaca verde e OuricanaouUricana.

A.DOAmaral

Animaes venenosos

Fig. 33- Cofiara (Bothropscotiara)

.

A.DOAmaral

Animaes venenosos

A. DOAmaral

Animacs venenosos

A. noAmaral

Animaes venenosos

Fig. 40- Evoluçãode

um

caso depicada de aranhaverdadeira (typo lycosico).

"^gÍENAES

DEIXADOS PELA MORDEDURA DAS CDBRAS^

.

DPISTHDGLYPHA

PRDTEROGLYPHA

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