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Lesão com Ultra-som

5.2 ANIMAIS SUBMETIDOS À LESÃO EXPERIMENTAL (GRUPO L)

Nos animais submetidos à lesão experimental, sacrificados 1 dia após a lesão (L1), a

fenda seccional foi preenchida por um infiltrado de células fagocitárias suportadas pela rede de fibrina. Esta rede de fibrina foi formada a partir da pequena hemorragia causada no momento da execução da lesão, a qual tem a função de preencher o espaço formado pela fenda incisional e servir com suporte para a migração leucocitária ocorrida nas fases iniciais da inflamação. Concomitantemente os vasos sangüíneos dilataram-se e a presença de polimorfos nucleares, como neutrófilos e eosinófilos, além de macrófagos, linfócitos, mastócitos e algumas células indiferenciadas podem ser observadas (Fig. 3). Entre as células que compunham este coágulo estavam presentes também os linfócitos que contribuíram para formar esta população de células (Fig. 4 e 5).

Quando um tecido sofre uma agressão, ocorre como resposta inespecífica, caracterizada por uma série de alterações que tende a limitar os efeitos da agressão, a inflamação. A primeira alteração que se observa é uma fugaz vasoconstrição arterial, que logo é seguida por dilatação ativa e intensa da arteríola, capilares e veias no local. Os esfíncteres pré- capilares se relaxam e como conseqüência, numerosos capilares que estavam fechados em repouso se abrem. De fato, em toda área observamos grande número de capilares dilatados, porém não foi possível observar durante a inflamação se seus endotélios se contraem separando as junções intercelulares, permitindo a passagem sucessiva de líquidos, macromoléculas e células do sangue para o local da lesão. A migração das células da luz do vaso ao foco inflamatório ocorre devido à presença, no foco inflamatório, de substâncias quimiotáticas. Através da quimiotaxia, leucócitos, plaquetas e hemácias são atraídas ao foco da lesão (MONTENEGRO e FACCHIO, 1998). Em nosso experimento, os polimorfos nucleares (neutrófilos) são células dominantes nas primeiras 24 – 48 horas (Gráfico 1).

A lesão da musculatura esquelética, inicialmente é caracterizada pela infiltração de neutrófilos, seguida de fagocitose por macrófagos que invadem a região da lesão na debridação da necrose (KIRK et al., 1985).

Os leucócitos são guiados para os locais de inflamação por proteínas celulares, as moléculas de adesão. Estas interagem com seus ligantes nas células endoteliais e no tecido extra-vascular. Além da participação direta dessas células e dos mediadores gerados durante o processo inflamatório as citosinas e os metabólitos do ácido aracdônico

participam também dos sistemas do complemento, do cininogênio, calicreína-cinina, e o da coagulação (LOUZADA et al., 2000).

Nos animais sacrificados 3 dias após a lesão experimental (L3) nota-se que a rede de

fibrina começa a ser absorvida, dando lugar a um tecido conjuntivo delicado. Na matriz deste tecido, encontra-se além de um intenso infiltrado de células, partícula de músculo necrosada. Em alguns pontos já pode ser notada a presença de fibroblastos e fibras colágenas (Fig. 7). Nota-se a presença de algumas células gigantes multinucleadas (Fig. 8).

O colágeno tem importante papel na regulação, orientação, e crescimento das fibras musculares. Todo este processo é dependente da vascularização que fica intensificada no terceiro dia de lesão (ALLBROOK, 1962, FEIX et al., 2000, DIONÍSIO e VOLPON, 1999).

Os macrófagos fazem a fagocitose e simultaneamente liberam fatores quimiotáticos às células precursoras musculares – as células satélites, fazendo-as entrar em seu ciclo celular. De acordo com a literatura consultada, a ativação de células satélites é intensa entre 24 a 48 horas após a lesão (LEHTO e JARVINSEN, 1991), porém foi de difícil identificação em nosso experimento. Salvo quando estas células estavam dispostas de maneira a iniciar a fusão entre si para a formação do miotubo, elas eram confundidas com outras células indiferenciadas que preenchiam o conjuntivo da região.

Células satélites estão presentes na superfície das fibras musculares esqueléticas e são uma fonte potencial de novos mioblastos que podem fundir-se uns aos outros para formar

novas fibras musculares esqueléticas. Em nosso experimento, o músculo lesado foi substituído por músculo esquelético desorganizado e tecido cicatricial (KESSEL, 2001).

FINN (2000), descreve em seus experimentos que as células satélites diferenciam-se em mioblastos, sofrendo freqüentes divisões. Logo após fundem-se e formam fibras musculares jovens e multinucleadas, os miotubos (Fig. 10).

Em nosso trabalho as técnicas utilizadas não permitiram a identificação das células satélites com clareza, porem quando observamos a regeneração muscular no local da incisão, nota-se que mioblastos começam a se organizarem, muitas vezes a partir das proximidades da parede de uma fibra muscular. Esta formação sugere que aquelas células derivaram de regiões onde teoricamente estavam as células satélites, ou seja, da periferia de uma fibra muscular próxima. A partir do terceiro dia de lesão, encontramos na fenda incisional leitos vasculares e capilares dando origem a neovascularização da região (Fig. 5) e a formação de um tecido conjuntivo delicado, com fibras musculares necrosadas, sendo fagocitadas por células fagocíticas (Fig. 4). Vasos formaram-se em direção à fenda incisional para levar nutrientes para as células, que nesta fase estão ativamente limpando a região da lesão. Começam a aparecer nesta etapa leitos vasculares caracterizados por espaços preenchidos por sangue, porém sem células endoteliais em suas paredes (Fig. 6).

Em trabalhos experimentais com regeneração da musculatura de ratos, foi verificado assim como em nosso experimento que esta vascularização se intensifica do terceiro ao décimo segundo dia após a lesão e é necessária a chegada de elementos celulares e

suprimentos de sangue que tornam o meio ambiente anaeróbio em um meio aeróbio, que parece ser o mais propício para a reparação muscular (DIONÍSIO e VOLPON, 1999, MONTENEGRO e FACCHIO, 1998, JÖZSA et al., 1980).

Na inflamação crônica ocorrem no sítio da lesão, fenômenos produtivos como a angiogênese, devido à diferenciação de células endoteliais, os pericitos. Também ocorre a migração de eosinófilos, basófilos, mastócitos, monócito e linfócitos. Os fibroblastos aumentam em quantidade, de forma lenta e gradual apresentando o pico máximo próximo ao oitavo dia e decresce a partir de então. Fibroblastos fazem a reorganização das estruturas lesadas, principalmente por meio de colágeno. Os fibroblastos presentes na lesão são as células fixas do tecido conjuntivo mais freqüente, são bastante grandes, aplanadas e com finos prolongamentos, núcleo oval ou achatado, também escassa cromatina bastante granulada. Secretam componentes extracelulares, em caso de cicatrização alguns fibroblastos incluem miofibrilas e passam a ser denominados miofibroblastos (MONTENEGRO e FACCHIO, 1998).

Nos animais sacrificados 7 dias após a lesão, a rede de fibrina já não pode mais ser notada, pois fora fagocitada pelos macrófagos e absorvida logo após os fibroblastos começarem a secretar a matriz extracelular (Fig. 10) para formar um tecido conjuntivo mais consistente que acaba ocupando o seu lugar (Fig. 11). Por isso nesta fase observamos células inflamatórias, fibroblastos e fibras colágenas e grande número de células perivasculares (Fig. 9).

Em trabalhos experimentais, observou-se que o colágeno tem importante papel de regular o crescimento da fibra muscular a partir das células satélites, que depois de ativadas, diferencia-se em mioblastos e fundem-se para formar os miotubos (SCHULTZ et al., 1985). Nesta fase passa a ser produzida a proteína muscular específicas para finalizar o processo de reparação, fato que pode ser observado por nós, nos miotubos que se formaram. Todo esse processo é dependente da vascularização que fica intensificada do terceiro ao décimo segundo dia após a lesão (JÖZSA et al., 1980).

As células satélites são ativadas após a reparação das miofibrilas em ratos, os autores observaram que depois de estabelecido a lesão, a regeneração inicia com o aumento de miofibroblastos e a formação de miotubo na área muscular da lesão no máximo de 3 a 5 dias após. A formação do miotubo se completa em 7 dias após a lesão. O tempo em que as células satélites sofrem mitose não é bem compreendido. Sabe-se que há um grande aumento de mioblastos após 24 horas decorridos da lesão (SCHULTZ et al., 1985).

As células satélites fundem-se formando miotubos que passam por maturação e hipertrofia até atingir a forma madura da musculatura esquelética. A miostatina é observada no interstício da lesão no primeiro dia e sua taxa é altíssima, ocorrendo um declínio no terceiro dia. Ocasionalmente a miostatina é encontrada no citoplasma da fibra muscular e é observada no núcleo da fibra após o quinto dia da lesão, mais tarde a miostatina é encontrada na célula fagocitária. A fibra necrosada contém alto nível de proteína miostatina após o primeiro dia de lesão, o nível de miostatina mantém-se alto até que toda debridação da necrose esteja completa. Na área da inflamação pode aparecer com certa freqüência

células gigantes. Estas se formam por coalescência e fusão de macrófagos e células epitelióides (CLEGG et al., 1987, ALLEN e RASKIN, 1990).

A cicatrização por primeira intenção ou união primária ocorre numa incisão cirúrgica não contaminada, neste caso há necrose num número limitado de células, e o espaço incisional é estreito e o tecido de granulação é mínimo resultando numa cicatriz, na maioria das vezes pouco perceptível. A partir do quinto dia há completa substituição na fenda incisional por tecido de granulação, segundo BOGLIOLO (1998).

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