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Anomalias em acabamentos de paredes interiores e tectos

E SUA REPARAÇÃO

3.7. Anomalias em acabamentos de paredes interiores e tectos

Existem quatro tipos de anomalias associadas aos acabamentos de paredes interiores e tectos, são elas: as anomalias motivadas pela acção da humidade,o envelhecimento e degradação dos materiais não imputáveis à humidade,a fendilhação e o desajustamento face a determinadas exigências (Marques, 2013).

38 Custos de Trabalhos de Reabilitação em Vãos, Paredes interiores e Tectos 3.7. 1. Anomalias devidas à acção da humidade

O que já foi dito anteriormente, para as paredes interiores, sobre a humidificação e a alteração das propriedades físicas dos materiais constituintes das paredes, é também aplicável aos seus acabamentos assim como aos tectos. Entre as principais degradações dos materiais de acabamentos de paredes interiores e tectos que a humidade pode originar, eventualmente associado a outros agentes, pode-se considerar o desenvolvimento de vegetação parasitária (musgos, algas e líquenes), o desenvolvimento de fungos, o descolamento da papéis de revestimento, alterações de aspecto e cor, a formação de eflorescências ou de criptoflorescências (cristalização dos sais abaixo da superfície) e a degradação de rebocos fracos, antigos, muitas vezes pela aplicação de novas pinturas impermeáveis, como sejam tintas de areias. As eflorescências são exsudações de sais minerais solúveis em água – na maioria dos casos, sulfatos alcalinos – que cristalizam nos paramentos dos elementos de construção, dando origem a manchas de coloração geralmente esbranquiçada. Para que ocorram, é necessário que a humidade esteja presente e que existam, simultaneamente, sais solúveis nos materiais de construção (por exemplo, em tijolos mal cozidos, em areias e noutros materiais constituintes de alvenarias) ou no terreno, sendo apenas afectados nesta última hipótese as paredes e os pavimentos dos andares térreos (Figura 35) (Farinha, 2012).

Figura 35 - Eflorescência em paredes (salitre) (Cienciabragança, 2015)

As eflorescências devem-se à dissolução dos sais solúveis pela água (água retida nos poros dos materiais ou humidade do terreno, consoante a origem dos sais solúveis), segue-se a migração da água com sais em dissolução, através dos poros dos materiais, até ao paramento do elemento de construção, dando-se então a evaporação superficial da água, com cristalização dos sais dissolvidos. Por vezes a cristalização dos sais transportados pela água dá-se um pouco abaixo da superfície do paramento, provocando a desagregação da camada superficial, devido ao aumento de volume com que é acompanhada – fenómeno de criptoflorescência (Figura 36) (Farinha, 2012).

Custos de Trabalhos de Reabilitação em Vãos, Paredes interiores e Tectos 39 Figura 36 - Criptoflorescência em paredes (Ecolust, 2015)

O fenómeno eflorescência também conhecido por salitre dá-se aquando da existência de matéria orgânica no solo ou nos materiais constituintes das paredes. Os nitratos que se formam a partir desta matéria orgânica podem também dar origem a eflorescências, de coloração geralmente acastanhada (Figura 37) (Farinha, 2012).

Figura 37 – Salitre (eflorescência) em paredes (Construmatica, 2015)

3.7.2. Anomalias nos revestimentos resultantes de envelhecimento e

degradação dos materiais não imputáveis à humidade

As principais anomalias poderão ser a desagregação de revestimentos “tradicionais”, de ligantes hidráulicos ou aéreos, devida à insuficiente resistência mecânica perante a acção dos agentes atmosféricos (com destaque para a acção mecânica do vento) e acções de choque acidentais, a perda de aderência e desagregação dos mesmos revestimentos, na sequência da sua fendilhação devida a retracções, a perda de aderência e desprendimento de peças em paramentos constituídos com elementos descontínuos (azulejos, ladrilhos e placas), devido a fenómenos de retracção nas camadas subjacentes e às elevadas tensões de corte que se geram consequentemente nos panos de colagem, ou devido simplesmente a insuficiente resistência mecânica dos materiais constituintes daquelas camadas, as alterações do aspecto, traduzidas nomeadamente em descolorações, alteração do brilho, manchas inestéticas de sujidade e

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formação de mossas, bolhas e outros defeitos superficiais e degradações diversas nos revestimentos por pintura (Marques, 2013).

3.7. 3. Fendilhação em revestimentos de paredes interiores e tectos

Além das fendilhações, que serão a parte visível das anomalias afectando os revestimentos das parede e dos tectos, podem ocorrer outros tipos de fendilhações específicas. No caso de revestimentos “tradicionais” de ligantes hidráulicos, asfendilhações traduzem habitualmente a ocorrência de retracções exageradas nos próprios revestimentos em resultado da utilização de argamassas demasiado ricas em cimento, excesso de água, com areias argilosas, ou duma inapropriada constituição dos mesmos, nomeadamente com camadas de espessura exagerada ou executadas à revelia das regras da boa arte, que impõem o respeito de determinados intervalos de tempo entre as aplicações das várias camadas e o uso de argamassas com traços em ligante sucessivamente decrescentes desde a camada de base até à de acabamento (Figura 38) (Marques, 2013).

Figura 38 - Fenómeno de retracção do revestimento (Arquiteturacuriosa, 2015)

Podem também verificar-se fendilhações limitadas às camadas de paramento constituídas com elementos descontínuos (ladrilhos de grés cerâmico, azulejos, etc), fixos com argamassas tradicionais ou com produtos de colagem não-tradicionais. Nestes casos, as causas das fendilhações residem normalmente na existência de defeitos de tipo semelhante aos acima apontados, nas camadas de revestimento subjacentes àqueles elementos, nomeadamente na de colagem, e na ausência de certas disposições construtivas recomendadas para minimizar o risco de fissuração (por exemplo, correcto dimensionamento de juntas entre peças ou esquartelamento dos revestimentos em painéis com dimensões limitadas) (Figura 39) (Marques, 2013).

Custos de Trabalhos de Reabilitação em Vãos, Paredes interiores e Tectos 41 Figura 39 - Patologia em revestimento de azulejo (Ct.ceci, 2015)

3.7.4. Anomalias nos revestimentos resultantes de desajustamentos face a

determinadas exigências

Neste caso temos os desajustamentos face a exigências de segurança não-estrutural, a título de exemplo temos os revestimentos realizados com materiais de classe de reacção ao fogo inadequada à satisfação das disposições pertinentes relativas a segurança contra incêndios, os revestimentos susceptíveis de produzir, por combustão, em caso de incêndio, gases e fumo tóxico, os revestimentos susceptíveis de libertar gases, aerossóis ou partículas sólidas nocivas para a saúde, os revestimentos com paramentos excessivamente rugosos ou com arestas cortantes ao alcance das pessoas em zonas de circulação, os revestimentos ou pinturas integrando na sua composição produtos venenosos, susceptíveis de serem arrancados e ingeridos por crianças, os revestimentos muito susceptíveis à sujidade (facilidade com que esta a eles adere ou dificuldade de limpeza), entre outros (Marques, 2013).