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CAPÍTULO I – A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO SOBRE A EDUCAÇÃO

3.1. Antíteses identificadas nos 433 resumos: primeiros elementos para uma nova

3.1.2. Antíteses no grupo 2: estudos cujos objetos se aproximam do trabalho

No que diz respeito aos estudos cujos objetos se aproximam do trabalho pedagógico da escola e do professor, e relacionam-se principalmente com a teoria pedagógica, estes são 26, sendo nove em educação rural, sete em escola rural, nove em educação do campo, e um em educação no campo, como é possível observar no quadro a seguir.

Quadro 10 – Antíteses do grupo 2: Educação Rural, Escola Rural, Educação do Campo, Educação no Campo.

TESES (9 de 68) - EDUCAÇÃO RURAL

Grupo de 161 estudos, sendo 137 dissertações e 24 teses.

Identificação dos resumos R = Dissertações

RT= Teses

a) Tese das lutas como processo pedagógico. (5 estudos). R59 (2002), R9 (1990), R2 (1987), R67 (2002), R69 (2002).

b) Tese do trabalho como princípio educativo como base para formação. (2 estudos).

RT17 (2007), R112 (2007).

c) Tese da construção da teoria pedagógica como categorias da prática de caráter revolucionário, orientada pela construção do projeto histórico socialista. (1 estudo).

R58 (2002).

i) Tese da crítica à educação específica para o meio rural. (1 estudo). R20 (1994). TESES (7 de 57) - ESCOLA RURAL

Grupo de 122 estudos, sendo 111 dissertações e 11 teses.

Identificação dos resumos a) Tese da importância da escola e da qualidade do ensino. (6 estudos). R81 (2006), R38 2002), R39

(2002), RT1 (1988), R17 (1995), RT11 (2009).

b) Tese da gestão democrática como fundamental na organização do trabalho pedagógico da escola rural. (1 estudo).

140 TESES (9 de 63) - EDUCAÇÃO DO CAMPO Grupo de 125 estudos, sendo 97 dissertações e 28 teses

Identificação dos resumos a) Tese da Educação do campo e da reforma agrária como mais bem

entendidas em uma perspectiva de classe e para além do capital. (4 estudos)

RT28 (2009), R81 (2009), RT8 (2007), R80 (2009).

e) Tese da gestão democrática como fundamental na organização do trabalho pedagógico da educação do campo (5 estudos)

RT21 (2009); RT20 (2009); R4 (2004); R93 (2009); R89 (2009).

TESES (1 de 10) - EDUCAÇÃO NO CAMPO 25 estudos, sendo 20 dissertações e 05 teses

Identificação dos resumos a) Tese da contradição entre a proposta pedagógica do Movimento

social e a escola pública estatal. (1 estudo)

R15 (2008).

Diante do quadro acima, é possível verificar em primeira análise, comparando com o grupo anterior, que há uma queda no número de estudos em educação rural, principalmente quando observamos a proporcionalidade – ‘grupo 1’ são 12 de 44, e ‘grupo 2’ são nove de 68, o que no conjunto da produção vai ter um significado de extrema importância em nossa análise: uma tendência à fragmentação da teoria educacional da teoria pedagógica nos estudos em educação do campo e educação rural e concomitante centralização do processo cognitivo de pesquisa na teoria pedagógica, nas questões da prática, ou seja, uma tendência ao pragmatismo. Corroboram para esta análise, o fato de o grupo da educação do campo, que era de cinco estudos em um total de 12 no ‘grupo 1’, subir para dez em um total de 63 no ‘grupo 2’. Há um aumento nas antíteses, mas que se constitui como uma diminuição de considerarmos a proporcionalidade, já que há 53 estudos que apresentam as teses hegemônicas em relação à teoria pedagógica com a temática da educação do campo.

No que diz respeito aos elementos de relevância acerca do conhecimento produzido no âmbito das concepções que fundamentam a educação no meio rural, estes, assim como no grupo anterior dizem respeito a: a) crítica à educação específica para o meio rural; b) propõem o trabalho como princípio educativo como base para formação; das lutas como parte do processo pedagógico; e da construção da teoria pedagógica como categoria da prática de caráter revolucionário, orientada pela construção do projeto histórico socialista.

Constatamos que novamente há a critica a uma educação específica para o meio rural, a qual foi realizada na década de 1990, e soma-se aos três estudos do grupo anterior. Cabe destacar que os estudos que vem realizando esta crítica se situam principalmente no grupo da educação rural, o que reforça a pergunta sobre a quem afinal de contas interessa atribuir uma negatividade

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à concepção de educação rural quando os estudos neste campo subsidiam análises fundamentais para uma reflexão acerca da educação da classe trabalhadora no período de transição?

No que diz respeito às proposições, aponta-se que para construirmos uma teoria pedagógica, é necessário desenvolvermos práticas de caráter revolucionário orientadas pela construção do projeto histórico socialista. Vemos então que está colocada a necessidade de articulação entre teoria pedagógica e projeto histórico, mas a particularidade é que esta proposição se localiza nos estudos em educação rural e não em educação do campo como nos estudos do ‘grupo 1’. Destacamos também em relação às proposições, que há a defesa do trabalho enquanto princípio educativo como base para formação da classe trabalhadora, pois esta é uma proposição (assim como a da escola unitária), gestada com a referência da classe trabalhadora em luta para construir e consolidar o processo revolucionário na União Soviética. Vê-se novamente a problemática acerca das críticas que são dirigidas à educação rural enquanto uma concepção teórica homogênea, uniforme e unilateralmente determinada pelas políticas de estado para a educação.

No que diz respeito à concepção que compreende as lutas como processo pedagógico, estas localizam o teor da educação da classe trabalhadora – que a educação esteja permeada pela luta pela superação da contradição fundamental da sociedade capitalista entre capital e trabalho, conforme pode ser observado nos extratos abaixo:

(...) verificar uma maneira de transformação da educação, ou como é (se é) possível a mudança da escola que temos hoje, fragmentada, burocratizada, fechada em si mesma e excludente, para uma nova concepção de escola, com memória, liberdade e compromisso com um projeto de transformação para a sociedade, construído nas lutas e nas práticas cotidianas pelos Movimentos Sociais, neste caso, pelo MST. (Educação Rural - R69).

(...) trata de conhecer e explicar, como os ribeirinhos constroem alternativas de sobrevivência, produzem resistências. Nesse ato em construção, ha um processo pedagógico se desenvolvendo, criando a possibilidade de uma nova visão de mundo que amplie a dimensão politica de suas lutas. (Educação Rural - R9).

Selecionamos os extratos acima porque eles representam duas possibilidades distintas para a educação dos trabalhadores que necessitam ser analisadas. A primeira, explicitada no primeiro extrato, diz respeito a um processo de reorganização do trabalho pedagógico da escola, ou seja, uma reorganização da dinâmica da educação que tenha como referência a luta calcada em um projeto de transformação social. É importante destacar que esta é uma proposição que toma a

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luta da classe como referência, porém não perde a referência da escola como parte necessária na formação do trabalhador. A segunda possibilidade é o processo pedagógico forjardo durante as lutas que possibilitam a educação do trabalhador em dimensões que não são tratadas na escola atual. Desta forma os trabalhadores se apropriam de formas de resistência na própria luta. Em nossa análise é importante que estas concepções estejam claras de forma que os objetivos de ambas as práticas educativas (que ocorrem na escola, e que ocorrem nas lutas) não sejam anulados, mas articulados como parte de um projeto amplo de formação humana. Neste sentido, em nossa análise é preciso que estejam claros os objetivos de cada um destes organismos, pois nasceram com objetivos distintos no processo de reprodução social, e não devem ser diluídos, mas sim manter sua existência objetiva estabelecendo uma relação orgânica entre si no processo de formação. Desta forma, por um lado, a escola poderá articular em sua organização elementos construídos na luta pela transformação social. Por outro, é necessário consolidar o objetivo de desenvolver práticas de luta que são educativas e fazem parte da formação política do ser histórico.

Duas outras teses são identificadas nos estudos em Educação do Campo: a) tese da educação do campo e da reforma agrária, como mais bem entendidas em uma perspectiva de classe e para além do capital; e b) a proposição da gestão democrática como fundamental na educação do campo. A primeira se relaciona com a crítica que se expressa com maior força nos estudos em educação rural acerca da existência de uma especificidade da educação do campo. Trata-se novamente de uma possibilidade de articulação entre o particular e o geral, de forma a não fragmentar e isolar a luta por uma educação para toda a classe trabalhadora dos processos produtivos a que está submetida, nem tampouco da perspectiva de sua superação.

A segunda aponta uma proposição para a organização do trabalho pedagógico da escola no que diz respeito à sua gestão, que deve ser democrática, ou seja, todo o trabalho escolar deve se coletivizado, desde as decisões tomadas quanto ao trabalho desenvolvido. Esta antítese se confronta com a contradição expressa na tese sobre a educação no campo, acerca da relação entre a proposta pedagógica do movimento social e da escola pública estatal. Diversos aspectos das políticas de Estado e Governo para a educação incidem nesta contradição, principalmente o fato de o estado existir como gerenciados dos interesses da burguesia, e, portanto, a tensão entre os movimentos sociais e o estado é eminente. À burguesia internacional que financia a educação pública de acordo com os resultados numéricos de avaliações da aprendizagem de forma a

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assegurar o pagamento de seus empréstimos, não interessa a implementação de um projeto educativo para elevação do acervo cultural do seu oponente histórico - a classe trabalhadora.

Esta antítese nos leva à reflexão acerca dos fundamentos teóricos da educação pública fornecida pelo Estado, ou seja, refletimos em que medida os projetos e programas de Estado e Governo atendem às reais necessidades dos trabalhadores, que se expressa na antítese da defesa da importância da escola e da qualidade do ensino, que aparece nos estudos em Escola rural. A questão que se coloca é o que fazer frente a esta realidade? Negar que existem 45 milhões de brasileiros na escola pública estatal e isolar a luta social desta esfera real?

Em síntese, é possível verificar que há uma necessidade de que se assegure a importância da escola e da qualidade do ensino da classe trabalhadora, e que, para tanto, há a necessidade de uma teoria pedagógica pautada em uma análise da situação do trabalho no campo e da possibilidade de superação do capital; que defenda a gestão democrática dos processos educativos; na qual se dê a organização de práticas revolucionárias orientadas pelo projeto histórico socialista; que se paute no trabalho como princípio educativo; que haja luta em meio à contradição entre os projetos educativos dos movimentos sociais e o projeto do Estado.

3.1.3. Antíteses no grupo 3: estudos que tem como objeto as políticas públicas, programas e