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5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

6.1 Antecedentes do processo de escolha do profissional fisioterapeuta

Antes de optar pela formação em fisioterapia, os postulantes, em um processo de aproximação com a área pretendida, desenvolvem um arcabouço de idéias que buscam justificar a sua opção. Essa etapa muitas vezes pode representar a semente da visão desenvolvida na fase subseqüente de amadurecimento do negócio.

No caso do segmento fisioterápico a escolha pela atividade pode estar relacionada a um campo de atuação semelhante ao pretendido. Assim, o contato do indivíduo com especialidades afins nos serviços de saúde (ex: medicina, medicina veterinária e farmácia) acaba germinando no profissional o desejo de migrar para uma área próxima. O

depoimento abaixo revela como a escolha do entrevistado baseou-se na complementação de uma experiência de aprendizagem em áreas correlatas:

“Eu fazia Educação Física inicialmente, e achei que seria um curso que ia dar uma complementação boa pro curso da Educação Física, que eu achava que não ia suprir toda a minha necessidade de trabalho. Assim, então, eu pensei numa coisa que poderia juntar Fisioterapia, Educação Física e desenvolver uma coisa mais com o corpo.” (Inicial Novo 06)

A breve experiência com o ramo de Educação Física antes de cursar Fisioterapia auxiliou o entrevistado acima, que atualmente possui uma clínica especializada em Esportes, a alinhar os conhecimentos do estudo do movimento humano com a avaliação e tratamento fisioterápico de lesões esportivas. Esse cruzamento de habilidades pode ter despertado no fisioterapeuta a definição pelo seu negócio atual. A relação com outra área afim se dá também pela experiência absorvida na trajetória de vida. O fato de ter desenvolvido atividades esportivas e ter atuado com técnicas similares à utilização de recursos fisioterápicos funcionaram como válvulas propulsoras para as opções dos entrevistados abaixo:

“Eu sempre me identifiquei muito na questão do esporte, o meu primeiro foco era a questão do esporte. Eu gostava muito de praticar esporte, gosto ainda. Quando eu estava no ensino médio uma coisa que eu pensava: eu quero mexer com alguma coisa que me vincula ao esporte. Naquele primeiro momento me veio a Educação Física, e ai eu conheci um pouco da fisioterapia, de tratamentos principalmente voltados ao esporte, pelo fato de eu ter sido um atleta. Então veio a questão da importância do trabalho, eu me identifiquei com aquilo; eu falei: vou tentar fisioterapia pelo fato de estar atrelado à questão do tratamento da fisiologia. Eu poderia estar seguindo um caminho dentro do próprio esporte. E ai eu escolhi, optei pela fisioterapia naquele momento.” (Estabelecido 06)

“Sempre gostei da área física. Sempre dancei balé, gostava muito dessa parte de consciência corporal. Eu já dei aula de dança, então eu sempre gostei muito disso.” (Estabelecido 02)

“Eu gostava de fazer massagem. Eu interessava por qualquer coisa que trabalhasse com o corpo. Eu tinha vontade de ter um contato... quando eu estava fazendo colégio, eu tive contato com massagem oriental, com Do-In. Fiquei apaixonada por aquilo: Do-In, Shiatsu. Essas técnicas propunham alguma coisa de saúde, por movimento, por atividade física, pela saúde como contato, que é diferente do médico. Eu gostava da área de saúde, mas não queria o contato do médico porque eu achava aquilo muito distante. Então eu fui na Fisioterapia porque era o que trabalhava com o corpo, trabalhava com a saúde de uma forma mais próxima.”(Outros 05)

“A Terapia Ocupacional sempre me atraiu muito, porque eu sempre gostei de artes, então são duas coisas assim que eu acho que casam muito bem, que é a terapia associada e a

Terapia Ocupacional. Agora eu faço a terapia de mão, que é reabilitação de mão. Eu consegui conciliar a Terapia Ocupacional com a Fisioterapia, é basicamente isso a minha escolha para Fisioterapia.” (Estabelecido 02)

Além das vivências anteriores com outras atividades correlatas que influenciam na escolha da formação fisioterápica, a definição pelo negócio pode estar associada à observação do exercício profissional e aos benefícios proporcionados pela atividade empresarial. As declarações abaixo expressam essa constatação:

“Eu comecei a perceber que ele [o fisioterapeuta] era o grande pilar dos atletas, pelo fato dele conviver diariamente com o atleta, por estar reabilitando um atleta dentro da própria concentração, dentro do centro de treinamento ou dentro de um quarto de hotel. Ele tratando de um atleta de manhã, de tarde, de noite, de madrugada na expectativa que esse atleta consiga jogar no final de semana. Pelo fato de eu vivenciar isso muito ao longo da trajetória de vida como criança, adolescente e uma parte adulta me chamou a atenção e eu resolvi escolher a profissão de fisioterapia.” (Inicial Nascente 02)

“Quando eu tinha 15 para 16 anos a minha avó sofreu um acidente de carro e ela fazia fisioterapia diariamente. Então, o meu primeiro contato com a fisioterapia, que para mim até então era uma profissão desconhecida, foi com essa profissional que fazia um atendimento em domicilio. [...] desenvolvi uma admiração muito grande pela profissão acompanhando essa pessoa. Ela tirou a minha avó de uma posição onde ela não tinha perspectiva de andar, pelo tipo de fratura, e não tinha indicação de cirurgia, para uma possibilidade assim, de melhora funcional, melhorar a qualidade de vida, então a partir daí eu interessei pela profissão e fui procurar conhecer um pouco mais.” (Inicial Novo 01)

O espelhamento em uma referência ou em uma situação específica pode estar relacionado a uma experiência observada no âmbito das relações sociais. A sedimentação da construção de um negócio futuro, muitas vezes se inicia no âmago do ambiente familiar, por influência das atividades exercidas pelos entes familiares:

“Meu pai era médico, então na minha casa todo mundo esperava que tivesse um médico, esse alguém seria eu, mas, talvez eu não tivesse tão disposto a fazer medicina, e eu gostava muito da área de educação física. Eu encontrei a fisioterapia de uma maneira bem simples, como um elo entre a medicina e a educação física, na minha concepção na época. Estava entre essas duas ciências entre a medicina e a educação física, então foi uma forma de conciliar essas duas coisas.” (Outros 09)

“Eu tinha uma coisa que era de referência por causa de um tio meu que fazia Fisioterapia, mas eu não tinha muita noção. Resolvi fazer, mas sem muita segurança daquilo que eu queria fazer.” (Outros 2)

As relações sociais, denominadas por Filion (1991) de secundárias, também se materializam como fontes de inspiração para ações empreendedoras futuras no campo da fisioterapia:

“Eu gostava muito de atividade física. Comecei a freqüentar uma academia e nessa academia conheci alguns alunos que faziam lá e faziam o curso de Fisioterapia. Por intermédio deles eu fui conhecer a Fisioterapia. Tive visitando algumas clínicas, alguns setores que trabalhavam com atletas na área de ortopedia e, então, eu decidi que era isso que eu queria, eu gostava dessa parte de reabilitação, eu queria estar envolvido em alguma coisa na área dos esportes.” (Outros 08)

“... eu não tinha conhecimento realmente do quê que era fisioterapia, comecei a me informar um pouco, mas principalmente no âmbito esportivo. Comecei a me informar mais, a pesquisar, a conversar. Como eu era muito ligado ao esporte, eu jogava nos clubes. Dentro do próprio clube aonde eu joguei que foi no Atlético, no América, eu comecei a manter um relacionamento mais próximo com os fisioterapeutas desses clubes ainda como atleta, na época de juvenil, júnior. Essa profissão foi me chamando atenção, a figura mais presente dentro do departamento médico de um clube de futebol é, sem sombra de dúvida, o fisioterapeuta.” (Inicial Nascente 02)

Os antecedentes da escolha e adoção definitiva por um empreendimento podem sugerir pistas das bases que levaram o empreendedor a visualizar o negócio e a utilizar os sistemas de relações sociais na construção inicial de sua idéia. A passagem preliminar por uma área correlata, a experiência com técnicas similares às utilizadas no exercício profissional e o processo de observação da atividade fisioterápica sendo executada por outros ilustram algumas situações que contribuíram na aquisição de alguns dos componentes constituintes da visão empreendedora. Por outro lado, as influências familiares e as relações em atividades sociais específicas instigaram alguns dos entrevistados a definirem posteriormente seus negócios influenciados por esses contatos.