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ANTECEDENTES

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CAPÍTULO 3: PRÁTICAS AMBIENTAIS NO BANCO DO BRASIL

3.1 ANTECEDENTES

O Banco do Brasil apresenta não só algumas estratégias idênticas as apresentadas no capítulo anterior, de conjugar meio ambiente e negócios para atrair novos clientes e acionistas, mas também, e principalmente, ser o protagonista das ações, programas, pactos, acordos, protocolos e assumir as políticas praticadas pelas instâncias de governo e do sistema financeiro.

As práticas ambientais do BB tem, portanto, o seu papel externo ampliado, pois o banco representa o país em seus compromissos com a população e assume responsabilidades nas esferas internacionais.

Neste item será feita uma análise temporal das primeiras iniciativas de responsabilidade social do banco na década de 80, passando pelas práticas de crédito e considerações de funcionários a cerca do tema ambiental no BB, até a criação do Programa de Ecoeficiência do banco,em 2006.

As primeiras práticas estiveram ligadas à responsabilidade social. Foram as ações voluntárias e programas de apoio a comunidades que culminaram no êxito do BB Educar e no patrocínio do voleibol do Brasil. A criação da Fundação Banco do Brasil (FBB), em 1988, possibilitou que legalmente a instituição pudesse aumentar as parcerias e transferir em parte a sua missão, realizando assim mais projetos para a sociedade.

.A década de 90 foi de transição para os novos compromissos da empresa com o meio ambiente. Fatores externos como a nova constituição em vigor, a posse de um presidente eleito diretamente, a criação de um Ministério exclusivo para o Meio Ambiente e os desdobramentos da Rio 92 influenciaram governo, sociedade e empresas a assumirem tarefas.

Em 1993, o BB adota a campanha de Betinho de ação contra a fome e,

em 1995, assina o Protocolo Verde143, pode-se chamar de primeira iniciativa que integrava uma variável ambiental entre os bancos.

O Banco do Brasil, em 1997, publica seu primeiro balanço social e, no ano seguinte, adere ao selo IBASE, que irá representar mais tarde um dos indicadores nacionais de sustentabilidade. No final da década de 90, várias

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conferências internacionais, políticas nacionais e normatização das questões ambientais aliadas a movimentos ambientalistas e políticos colaboraram para efetivar as mudanças.

O BB na virada do milênio ajudou a construir a Agenda 21 brasileira e criou, a partir dela, a sua própria agenda que foi o pilar interno para a organização e manutenção do movimento de responsabilidade socioambiental que perdura até hoje.

O ano de 2003 pode ser considerado um segundo e talvez o maior marco para a nova postura do BB em responsabilidade sócio ambiental (RSA) e meio ambiente. As alterações acontecem no âmbito interno com a criação da Unidade de RSA144 que assume a pauta socioambiental como uma estratégia. Nesse ano é publicada a carta de princípios de RSA, surgem os programas de inclusão digital do banco, bem como o de Desenvolvimento Regional Sustentável (DRS). Tem início, também, a publicação dos Relatórios Anuais do banco na internet. Ainda nesse ano, o BB adere ao Pacto Global das Nações Unidas145e a Declaração de Collevechio146.

Em 2004, seguindo os princípios do desenvolvimento sustentável, o Banco do Brasil assumiu perante seu público externo e interno as obrigações que seguem a Agenda 21 nacional e estabeleceu a Agenda BB empresarial, também conhecida como Agenda 21 do Banco do Brasil. A unidade RSA transforma-se em DIRES147, o banco explicita seu interesse em contribuir para

o desenvolvimento de um novo sistema de valores para a sociedade, que tem como referencial maior o respeito à vida humana e ao meio ambiente, condições indispensáveis à sustentabilidade.

Na figura 29 aparecem algumas publicações que demonstram o envolvimento do BB com as práticas ambientais que foram surgindo no mundo empresarial. No caso: a Agenda 21 e a publicação de relatórios anuais.

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Unidade Relações com Funcionários e Responsabilidade Socioambiental

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Advoga dez princípios universais derivados da declaração universal de direitos humanos, da declaração da OIT, da declaração da Rio-92 e da convenção da ONU contra a corrupção.

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A Declaração de Collevecchio, endossada por mais de 200 organizações da sociedade civil, convoca as instituições financeiras a aceitar seis compromissos e a adotar as medidas para implementá-los como uma forma das instituições financeiras obterem suas licenças sociais de operação. A íntegra da declaração está disponível em http://www.amazonia.org.br/arquivos/227522.pdf

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Figura 29 – Publicações do BB.

À esquerda acima, o livro Agenda 21 em parceria com o Ministério do Meio Ambiente. Fonte: SOUZA(2008), livro de publicação especial BB-MMA.

À direita acima, propaganda do Relatório Anual de 2007, adotando o GRI. Abaixo, a primeira parte do Relatório Anual de 2008, que retrata o plano de ação do BB na Agenda 21.

Fonte: www.bb.com.br.

Atualizada periodicamente, a Agenda 21 do BB148 agrupa os compromissos, define um roteiro e lista os principais desafios para a incorporação dos princípios socioambientais nos processos administrativos e negociais do BB. Além das propostas dos funcionários, foram agregadas avaliações dos clientes (levantamento do Instituto de Defesa do Consumidor, por meio da Pesquisa sobre Responsabilidade Socioambiental dos Bancos no Brasil), dos investidores (questões presentes no Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bovespa e no Índice Dow Jones de Sustentabilidade da Bolsa de Nova York) e da sociedade (avaliação das políticas socioambientais dos bancos, da rede BankTrack). Esse material foi trabalhado pelos executivos do

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A Agenda 21 do Banco do Brasil foi atualizada em uma consulta aos funcionários, por meio do Fórum BB 200 Anos pela Sustentabilidade. Disponível: SOUZA(2008) - documento impresso de publicação especial BB-MMA.

banco durante a II Oficina de Responsabilidade Socioambiental, resultando na Agenda 21 do Banco do Brasil 2008-2012.

Retomando a ordem cronológica, o BB continuou a aderir aos pactos, protocolos, acordos e parcerias no plano mais externo em 2005, como: o Pacto pelo combate ao trabalho escravo149; os Princípios do Equador150, o Relatório de Informações sobre Emissões de Carbono; e a participação no grupo de empresas que compõe o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE).

Os relatórios anuais (RAs) do BB também foram marcados por fases. O retrato desta evolução e mudança de comportamento aparecem no conteúdo e na forma deste documento que também é chamado de Balanço Anual. Desde o primeiro RA, em 1997, até 2008, a evolução da inserção das práticas ambientais no relatório é notória.

Até 2002 não apareciam no RA do banco itens referentes ao meio ambiente. O que foi publicado nos anos de 2001 e 2002 eram ações sociais e esportivas e de treinamento de funcionários que gradativamente foram sendo incorporadas à questão socioambiental.

Nos anos de 2004 e 2005, após o advento da Unidade RSA em 2003, a internet e os RAs começam a relacionar e a divulgar algumas práticas ambientais ligadas à concessão e linhas de crédito (BB florestal, BB produção orgânica e outras), assim como também o BB Ações ISE e BB DI Social 200. Todos esses são produtos que relacionam negócios com meio ambiente.

Para efeito de relatório anual, somente em 2006, o meio ambiente apareceu como um subitem do item Comunidade, junto com esporte, fome zero, inclusão digital, cultura, FBB e outros. Neste ano, a ecoeficiência tem um texto dentro do subitem Meio Ambiente. Em 2007, o Programa de

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“O BB veda o financiamento a pessoas jurídicas e físicas que constam no cadastro do Ministério do Trabalho como exploradoras de mão-de-obra escrava”. Disponível em SOUZA(2008) ou no site: www.bb.com.br.

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Tratam-se de critérios socioambientais da International Finance Corporation – braço do Banco Mundial – para analisar projetos de investimento superiores a US$ 10 milhões. Disponível em SOUZA(2008) ou no site: www.bb.com.br.

Ecoeficiência, criado no ano anterior, é divulgado e passa a se enquadrar no item de Gestão Ambiental151.

A criação do Programa de Ecoeficiência, em 2006, quando a empresa inicia, também, sua participação no Novo Mercado da BOVESPA152, é o terceiro marco importante destas mudanças153.

Figura 30– Ecoeficiência no BB.

À esquerda a propaganda faz alusão ao programa de ecoeficiência no dia do Planeta Terra, 22 de abril. Fonte: www.bb.com.br.

À direita a propaganda do banco da sustentabilidade no dia do Meio ambiente, 05 de junho. Fonte: foto elaborada pelo autor.

O seu objetivo passa a ser o de integrar e articular as diversas ações de responsabilidade sócio ambiental do BB. Entretanto, como se verá adiante, nem todas as práticas de RSA foram incorporadas a essa iniciativa, permanecendo enquanto ações isoladas de diversas diretorias do banco.

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A partir de 2008 o BB adere ao relatório com modelo GRI que, entre os sete itens principais, utiliza um somente para o resultado ambiental da empresa, passando a demonstrar os itens materiais, energia e água de forma transparente.

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Segmento que reúne as empresas com as mais rigorosas práticas de governança corporativa.

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Elas continuam em 2007, com dois movimentos importantes: o fortalecimento dos programas e ações anteriores, aproveitando-se as parcerias (principalmente da FBB) com maior visibilidade da DIRES e a adaptação, implementação e a publicação dos relatórios com normatização internacional seguindo o padrão GRI.

3.2 INICIATIVAS QUE PERMANECERAM FORA DO PROGRAMA DE

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