DESCRIÇÃO DOS PRIMEIROS ESTÁGIOS JUVENIS DE Aegla schmitti HOBBS III,
APÊNDICES ARTÍCULOS SETAS DO 1º SETAS DO 2º
ESTÁGIO ESTÁGIO
ANTÊNULA ab 8I ; 14-15II 7I ; 12-15II
ap 3I 3-4I
ad 4-6I 4-6I
fd 5-7I ; 4-5VI 6I ; 4VI
fv 5-7I 7I
ANTENA bi 1-4I 4I
m 2I 3I
c 8-11I 12I
fl 78-88I 108-113I
MANDÍBULA ap 3III 5III
ad 14-16III 16-17III
MAXÍLULA ep 2I ; 3-4II ; 12-14III 2I ; 5II ; 14-15III
ed 3II ; 8-10III ; 9VII 5II ; 10III ; 10-11VII
en 2II ; 2III 1-2II ; 2III
MAXILA ep 13-14II ; 13-15III ; 3V 17-20II ; 15III ; 3-4V
ed 24-27I ; 14-17III ; 1V 26I ; 15-16III ; 3V
en 2-3V 1-2V
esc 9-10I ; 76-78II 9I ; 88-89II
1º MAXILÍPODO ep 8III ; 7V 8-9III ; 7V
ed 31III ; 10-12 V 37-38III ; 11-13V
en 4II 4II
exe 8II 11-12II
2º MAXILÍPODO pt 7-10V 12V
i 1III ; 6-9V 1III ; 7V
m 3-4III 5-6III
c 2III 2-3III
p 9-10III 11-12III
d 6III ; 5IV 6-7III ; 7IV
ex 3-4II ; 5III 4II ; 10-11III
fl 1I ; 4II 1I ; 4II
3º MAXILÍPODO pt 15-16III 18-19III
i 17-18III 20-23III
m 8-10I ; 5III 5-6I ; 8III
c 6I ; 12III 4-5I ; 17III
p 2I ; 20-22IV 4I ; 29-30IV
d 2-3I ; 17-18IV 3I ; 22-23IV
ex 1-2II ; 1III 3II ; 3-4III
fl 1I ; 4II 1I ; 4II
5º PEREIÓPODO i 1I 2-3I
m 2I 2-3I
c 4-6I 4-6I
p 7-9I ; 15III ; 3IV 6I ; 17III ; 3-4IV
d 3I ; 3IV 4I ; 3-4IV
TELSO 21-24I ; 12-15II 34-35I ; 20-26II
URÓPODOS ab 4I ; 2II 5-6I ; 2-3II
ex 3-5I ; 25-28II 5-6I ; 31-34II
en 9-11I ; 20-22II 10I ; 31-33II
Tab. I: Aegla schmitti: Fórmula setal dos apêndices do primeiro e segundo estágio juvenil (setas: I – simples, II – plumosa, III – serrada, IV – gladiforme, V – paposa, VI – estetascos, VII – espinhosa); artículos: ab: artículo basal, ad: artículo distal, ap: artículo proximal, bi: basipodito-isquiopodito, c: carpopodito, d: dactilopodito, ed: endito distal, en: endopodito, ep: endito proximal, esc: escafognatito, ex: exopodito, exe: exopodito externo, fl: flagelo, fd: flagelo dorsal, fv: flagelo ventral, i: isquiopodito, m: meropodito, p: propodito, pt: protopodito.
B F E A C G D
Fig. 1: Aegla schmitti: Primeiro estágio juvenil: A - vista dorsal (escala = 1,0mm); B - antênula; C - antena; D - mandíbula; E - maxílula; F - maxila; G - 1° maxilípodo. (escala = 0,5mm).
Abdome (Fig. 1A): 6-segmentado com somitos mais largos do que longos e com a extremidade ântero-lateral do 2º, 3º e 4º somitos pontiaguda e voltada anteriormente; pleópodos ausentes.
Antênula (Fig. 1B): 3-articulado, o pedúnculo basal subquadrangular com 8 setas simples e 14 a 15 plumosas, 2° artículo com 3 setas simples e o distal com 4 a 6 setas simples; flagelo dorsal 3-articulado com 5 a 7 setas simples: 3 no artículo mediano e 2 a 4 no artículo distal, todas na região apical, também, no artículo distal, 4 a 5 estetascos (setas quimiorreceptoras) apicais e subapicais; flagelo ventral não articulado, com 5 a 7 setas simples ventrais e apicais.
Antena (Fig. 1C): pedúnculo 5-articulado, o primeiro não representado na figura; base-ísquio fusionados de forma subretangular, com 1 a 4 setas simples; mero trapezóide, com 2 setas simples subdistais; carpo subretangular, com 8 a 11 setas simples medianas e subdistais; flagelo longo com 19 a 21 artículos subiguais, sendo o 1° o mais curto e o 2° o mais longo, 1º artículo desprovido de setas, 2º com uma seta e demais com 5-6 setas simples longas na margem subdistal, totalizando mais de 100 setas na antena.
Mandíbula (Fig. 1D): de aspecto foliáceo, mas robusto; com 6 dentes de tamanhos diversos fortemente esclerotizados; palpo mandibular desenvolvido 2- articulado, o proximal com 2 setas serradas proximais e 1 disto-dorsal; o distal com 14 a 16 setas serradas ao longo da margem apical.
Maxílula (Fig. 1E): de aspecto foliáceo, com endopodito e enditos (proximal e distal); região basal com 2 setas plumosas proximais; endopodito com 2 setas serradas; endito distal com 3 setas plumosas longas, 8-10 serradas e 9 espinhosas, todas ao longo da margem distal; endito proximal com 2 setas simples, 3-4 plumosas e 12 a 14 serradas dispostas na margem distal.
Maxila (Fig. 1F): estrutura foliácea; escafognatito alongado bem desenvolvido, com 76-78 setas plumosas dispostas ao longo da borda e 9-10 simples na superfície ventral; endopodito com 2-3 setas paposas; endito distal bilobado, com 24-27 setas simples, 14-17 serradas e 1 paposa, sendo o lobo distal, mais robusto; endito proximal bilobado, com 13-14 setas plumosas, 13-15 serradas e 3 paposas apicais e subapicais, sendo o lobo distal muito menor que o proximal.
Primeiro maxilípodo (Fig. 1G): apêndice foliáceo; exopodito com 2 ramos alongados, ramo externo com 8 setas plumosas (7 marginais e 1 mediana) e ramo interno desprovido de setas; endopodito alongado com 4 setas plumosas; endito distal com 31 setas serradas dispostas na margem e 10-12 paposas na superfície proximal do artículo; endito proximal menor com 8 setas serradas e sete paposas.
Segundo maxilípodo (Figs. 2A e 2A’): apêndice birreme; endopodito 5- articulado: protopodito com 7-10 setas paposas na margem interna, ísquio subquadrático com 1 seta serrada e 6 a 9 paposas, mero subretangular com 3-4 setas serradas próximas à borda interna, carpo trapezóide com 2 setas serradas, própodo com 9-10 setas serradas medianas e distais, dáctilo subtriangular com 6 setas serradas e 5 gladiformes simples na região apical e subapical (Fig. 2A’); exopodito com 3-4 setas plumosas e 5 serradas no artículo basal alongado ainda sem divisão, flagelo 2-articulado com 1 seta simples subapical e 4 plumosas apicais.
Terceiro maxilípodo (Figs. 2B e 2B’): apêndice birreme; endopodito 5- articulado: protopodito com dois tubérculos esclerotizados no ângulo disto-dorsal e 15-16 setas serradas na superfície interna, ísquio com uma crista dentada com 9 tubérculos esclerotizados na margem interna e 17-18 setas serradas na superfície interna do artículo, mero subretangular com 8 a 10 setas simples e 5 serradas, carpo globoso com 6 setas simples e 12 serradas, própodo subretangular com 2 setas simples na margem externa e 20-22 gladiformes simples e robustas na superfície médio-distal, dáctilo subtriangular de ápice arredondado com 2-3 setas simples e 17-18 gladiformes simples robustas como no própodo (Fig. 2B’); exopodito com pedúnculo 2-articulado e 1-2 setas simples e 1 serrada no artículo distal; flagelo 2-articulado com 1 seta simples subapical e 4 plumosas apicais longas.
Quelípodo (Fig. 2C): apêndice unirreme e pediforme 6-articulado coberto de várias setas simples em toda a superfície: coxa de formato globoso, base-isquio subretangular, mero subretangular com espinho forte na margem interna, carpo subtriangular com 1 espinho destacado na porção subapical, própodo com espinho próximo à inserção com dáctilo, dedo fixo e dedo móvel (dáctilo) terminando em espinho apical, com 21-23 dentículos em cada margem cortante.
E D E’ C B’ A A’ B F
Fig. 2: Aegla schmitti: Primeiro estágio juvenil: A – 2° maxilípodo; A’ – 2º maxilípodo (destaque); B – 3° maxilípodo; B’ – 3° maxilípodo (destaque); C - quelípodo; D – 2° pereiópodo; E – 5° pereiópodo; E’ – 5° pereiópodo (destaque); F – telso e urópodo. (escala = 0,5mm).
Segundo pereiópodo (Fig. 2D): apêndice unirreme pediforme com 6 artículos; coxa subretangular; base-isquio subretangular, o menor em comprimento; mero, carpo e própodo subretangulares; mero o mais longo dos artículos; dáctilo subtriangular terminando num espinho apical.
Terceiro e quarto pereiópodos semelhantes ao segundo pereiópodo.
Quinto pereiópodo (Figs. 2E e 2E’): unirreme, pediforme e 6-articulado, porém atrofiado: protopodito globoso e desarmado, ísquio subretangular com 1 seta simples subapical, mero subretangular, mais longo que os demais artículos e com 2 setas simples, carpo subretangular com 4-6 setas simples distais, própodo com 7-9 setas simples, 15 serradas médio-distais e 3 gladiformes simples na margem distal, dáctilo com 3 setas simples e 3 gladiformes simples apicais; dáctilo e própodo formam uma quela rudimentar (Fig. 2E’).
Telso (Fig. 2F): de aspecto laminar subtriangular, sutura longitudinal mediana incompleta, com 10-13 setas plumosas longas e 2 medianas ao longo da margem posterior e 21-24 simples distribuídas na superfície dorsal.
Urópodo (Fig. 2F): birreme de aspecto laminar; artículo basal cerca de metade do comprimento dos ramos do apêndice, com 4 setas simples e 2 plumosas; endopodito alongado com bordo distal arredondado provido de 25-28 setas plumosas marginais, 3 a 5 simples submarginais e 4 simples na superfície da área submarginal externa; exopodito alongado com bordo distal arredondado e provido de 20-22 setas plumosas marginais e 9-11 simples submarginais.
Segundo Estágio Juvenil (Tab. I)
Aegla schmitti no segundo estágio juvenil é morfologicamente semelhante
ao primeiro estágio, diferindo nas dimensões da carapaça e no número de setas. Ele mede 2,13 a 2,47mm de CC e 1,63 a 1,87mm de LC.
4. DISCUSSÃO
Uma das diferenças mais marcante entre o JI e JII de A. schmitti foi o tamanho: houve um crescimento médio de 21,0% em CC, e de 6,7% em LC. Em comparação com os adultos, o JI está mais próximo destes, na relação CC : LC, (1,28), do que com JII (1,32) (v. figura de adulto em BOND-BUCKUP, 2003). Uma análise mais detalhada mostra que o rostro de JII é proporcionalmente mais longo
do que em JI. Certamente, esta variação na proporção está relacionada com o desenvolvimento ontogenético da espécie.
O número de artículos nos apêndices analisados não sofreu alteração de JI para JII de A. schmitti, com exceção da antena cujo número de artículos do flagelo foi maior em JII do que em JI. Adicionalmente, houve um incremento na quantidade de setas na maioria das estruturas do JII em relação ao JI. Estas diferenças ocorreram principalmente na antena, no 1°, 2º e 3º maxilípodos, telso e urópodos. Além do número de setas, no quelípodo, o espinho do carpopodito apresenta-se mais evidente em JII e a sutura longitudinal do telso é completa em JII. Este incremento no número tanto dos artículos, no caso da antena, como das setas indica que a complexidade morfológica acompanha o desenvolvimento do animal.
O aspecto da carapaça do JI de A. schmitti tem semelhança com o de A.
perobae nos seguintes aspectos: forma geral da carapaça, disposição das
suturas, proporção de CC : LC (1,26 e 1,30, respectivamente) e relação comprimento do pedúnculo (CP) com o do rostro (RO) que foi de 1,02 para ambas as espécies. Também, os JI das duas espécies possuem maiores similaridades entre si do que com as respectivas formas adultas, nas relações acima analisadas. Por outro lado, os adultos destas duas espécies têm mais semelhanças entre si do que entre o juvenil e o adulto da mesma espécie. Estes dados indicam que o crescimento relativo ocorre em ambas as espécies, pelo menos, nos parâmetros morfométricos mencionados (CC x LC e CP x RO). Infelizmente, o aspecto geral de JI de A. prado e A. violacea não foi desenhado (BOND-BUCKUP et al., 1996; BUENO & BOND-BUCKUP, 1996) e uma comparação das carapaças com A. schmitti ficou impossibilitada.
Em relação às outras espécies de Aegla cujos juvenis foram descritos morfologicamente, as diferenças mais importantes estão na quantidade de setas nos apêndices. Também, A. schmitti constituiu uma exceção dentre os eglídeos estudados, uma vez que o telso de seu JI ainda não apresenta a sutura longitudinal bem definida como em JI de A. prado e de A. violacea (BOND- BUCKUP et al., 1996; BUENO & BOND-BUCKUP, 1996). O número dos artículos dos diversos apêndices é constante nas três espécies e a estrutura geral dos mesmos segue um padrão morfológico similar. Esta uniformidade nas estruturas morfológicas pode constituir uma convergência de formas destes juvenis para
ambientes lóticos, uma conseqüência da adaptação para garantir a ancoragem em substratos firmes.
As mandíbulas com dentes fortemente esclerotizados dos juvenis de eglídeos estudados (A. violacea tratado por BUENO & BOND-BUCKUP, 1996, A.
prado estudado por BOND-BUCKUP et al., 1996 e A. schmitti do presente estudo)
indicam que estes juvenis devem ter hábito alimentar semelhante ao dos adultos. Além disso, os apêndices envolvidos no comportamento de limpeza do corpo contra epibiontes e parasitos (3° maxilípodo e 5º pereiópodo, segundo MARTIN & FELGENHAUER, 1986) bem desenvolvidos desde a eclosão dos juvenis, atestam a independência dos juvenis na manutenção de seu próprio exoesqueleto. Estes apêndices são providos de setas de tipos diversificados, os quais permitem a execução de tal sofisticada atividade.
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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