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AP, 2013/2014 Figura 97 Mísula onde apenas

foi realizada uma intervenção conservativa, AP, 2013/2014.

Figura 98 - Púcaro onde apenas foi realizada uma intervenção conservativa, AP, 2013/2014.

Figura 99 - Tipologia indiferenciada onde apenas

foi realizada uma intervenção conservativa,

80 Nas peças em que a sua estabilidade se encontrava condicionada ou em peças tipologicamente importantes e em que a legibilidade ao nível tipológico-funcional não era perceptível, procedeu-se à sua reconstituição volumétrica. Nem sempre este tipo de procedimento é eticamente aceitável, no entanto, e no caso de objectos cerâmicos, as partes em falta podem ser encontradas através da simetria, da extrapolação, outros objectos de série ou até de documentação, como é o caso de fotografias (BUYS, OAKLEY,1993, p. 119).

Para além disso, é necessário ter em conta diferentes aspectos aquando da escolha dos materiais do molde e de preenchimento e do desmoldante, como a reversibilidade, compatibilidade, a sua aderência ao corpo cerâmico, resistência e densidade apropriada à peça, entre outos (BUYS, OAKLEY,1993, p. 121-123). Neste caso, como material de preenchimento foi utilizado o gesso cerâmico15, pois este permite aplicações consecutivas (não é de todo fácil fazer este tipo de reconstituição de uma só vez), e as suas características (densidade, resistência e expansão térmica) são bastante conciliáveis com a maior parte dos materiais cerâmicos porosos (BUYS, OAKLEY,1993, p. 124). Para efeitos de moldagem e desmoldagem, podem ser utilizados diferentes materiais dependendo estes do tipo de superfície e objecto que se pretende reconstruir e ainda da sua dimensão. Como as peças, de modo geral, não possuíam grandes detalhes formais, foram utilizadas como molde placas de cera de dentista – pois estas para além de serem compatíveis com grande parte dos materiais de preenchimento, nomeadamente o gesso, são bastante moldáveis pela acção do calor (BUYS, OAKLEY,1993, p. 125) – e o talco16 como desmoldante.

De referir ainda é o facto de poderem ser utilizadas várias técnicas de moldagem sendo que, no caso da colecção, na maioria dos casos optou-se por moldes bivalves devido às grandes dimensões que as lacunas apresentavam (Figura 103 e Figura 104). Contudo, pontualmente, em lacunas de pequenas dimensões foram utilizados moldes univalves (Figura 105 e Figura 106).

15

Sulfato de cálcio hemihidratado. Este quando misturado com água reage através de uma reacção exotérmica formando um corpo duro, branco e de densidade bastante semelhante aos objectos cerâmicos (OAKLEY, JAIN, 2002, p. 113).

16

Silicato magnésico hidratado. Este é muito utilizado nestes casos pelas suas características de absorção e o de adsorção.

81 Figura 103 - Molde bivalve de uma tampa, AP,

2013/2014.

Figura 104 - Molde bivalve de um prato, AP, 2013/2014.

Figura 105 - Molde univalve de uma caçoila, AP, 2013/2014.

Figura 106 - Molde univalve de um prato, AP, 2013/2014.

Concluída a reconstituição volumétrica, foi ainda necessário realizar o nivelamento dos preenchimentos de forma a obter uma superfície regular, para que aquando da reintegração as irregularidades não fossem realçadas. O nivelamento dos preenchimentos foi executado com o auxílio de bisturi e lixas de diferentes granulometrias (Figura 107 e Figura 108), obtendo peças estáveis e com continuidade formal (Figura 109, Figura 110, Figura 111 e Figura 112).

Figura 107 - Nivelamento com lixa de um prato brasonado, AP, 2013/2014.

Figura 108 - Nivelamento com lixa de um prato, AP, 2013/2014.

82 Figura 109 - Reconstituição volumétrica de uma

caçoila, AP, 2013/2014.

Figura 110 - Reconstituição volumétrica de um prato de cerâmica porosa vidrada, AP,

2013/2014.

Figura 111 - Reconstituição volumétrica de um prato, AP, 2013/2014.

Figura 112 - Reconstituição volumétrica de um prato, AP, 2013/2014.

Terminadas as reconstituições, houve a necessidade de realizar uma nova limpeza nas peças que, pelos mais diversos motivos, durante a intervenção, sofreram algum tipo de sujidade. Realizou-se ainda uma limpeza de sujidades mais agregadas em peças em que a leitura realmente fosse comprometida pelas mesmas. Este procedimento foi remetido apenas para esta altura devido ao facto de as peças já se encontrarem mais estáveis. Nas peças onde a limpeza teve que ser repetida, essencialmente objectos de cerâmica porosa que durante a reconstituição ficaram manchados, utilizou-se uma limpeza por solventes. O solvente eleito foi a água em vapor, pois as máquinas disponíveis para este tipo de limpeza libertam um fino jacto de vapor permitindo que a limpeza seja restrita a uma área específica (Figura 113 e Figura 114). Neste tipo de limpeza com água, como na já anteriormente referida, é necessário ter especial cuidado na forma com é realizada, devendo ser executada de cima para baixo e tendo o cuidado de logo que esteja

83 terminada se passar papel absorvente para que a água e a sujidade nela dissolvida não impregnem na peça (BUYS, OAKLEY,1993, p. 89).

Figura 113 - Limpeza a vapor de água de uma peça de cerâmica porosa negra, AP, 2013/2014.

Figura 114 - Limpeza a vapor de água de uma peça de cerâmica porosa vermelha, AP, 2013/2014.

Já na limpeza de sujidades mais agregadas foi, também nesta altura, realizada utilizando a conjugação da limpeza mecânica e da limpeza com solventes. Ainda que o solvente utilizado tenha sido o mesmo (água), de modo a solubilizar a sujidade, mecanicamente optou-se pelo uso do bisturi, exercendo tensão entre a superfície da peça e a sujidade, tendo o cuidado de ir removendo a sujidade com um cotonete embebido em água (Figura 115 e Figura 116).

84 Figura 116 - Representação das fases de limpeza de sujidades agregadas de um prato brasonado, AP,

2013/2014.

Por último, procedeu-se à reintegração cromática das peças. Tal com já foi discutido, este procedimento tem apenas uma função estética, sendo o seu objectivo principal a redução do efeito contrastante do material de preenchimento (BUYS, OAKLEY,1993, p. 139, 149). Atendendo a que aquando da exposição a principal preocupação será realçar a decoração e a forma das peças, se não se realizasse reintegração dos preenchimentos a decoração e a forma poderiam, tal como Brandi sugere, passar para segundo plano em virtude dos tratamentos de conservação e restauro (BRANDI, 2006, p. 89).

A técnica eleita, tal como foi discutido na proposta de intervenção, foi a reintegração com um tom neutro, de modo a minimizar a percepção visual da reconstituição (como exemplos do resultado final temos as figuras: Figura 119, Figura 120, Figura 121, Figura 122 e Figura 123). Para isso foram utilizadas tintas acrílicas, como material de reintegração, pois estas, para além de serem compatíveis com o material de preenchimento e com os materiais das peças, são reversíveis e bastante estáveis (CALVO, 1997, p. 13). Quanto ao modo de aplicação, este poderá ser realizado através de pincel ou aerógrafo. No caso da colecção, optou-se por se utilizar o pincel nas peças de cerâmica porosa e cerâmica porosa com vidrados de chumbo (Figura 117), pois na sua maioria as lacunas não eram de grandes dimensões e as próprias peças sendo mais texturadas o acabamento tornava-se mais semelhante. No caso das faianças, optou-se pelo uso do aerógrafo (Figura 118) de modo a obter um acabamento mais uniforme. Na

85 verdade, como as lacunas aqui eram maioritariamente grandes conseguiu-se que o processo fosse menos demorado.

Figura 117 - Reintegração a pincel de um prato de cerâmica porosa, AP, 2013/2014.

Figura 118 - Reintegração a aerógrafo de um prato de faiança, AP, 2013/2014.

Figura 120 - Resultado final de um prato covo de cerâmica porosa com vidrado de chumbo, AP,

2013/2014.

86 Figura 121 - Resultado final de um prato covo com decoração de aranhões, AP, 2013/2014.

Figura 122 - Resultado final de um alguidar com decoração pseudo-caligráfica, AP, 2013/2014.

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10 A

IMPORTÂNCIA DO CONSERVADOR

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RESTAURADOR NA