Terceira Câmara Criminal Pauta de Julgamento
APELANTE(S): LUIZ CARLOS SILVA CAMPOS
ADVOGADO(S): Dr. OSNY KLEBER ROCHA AURESCO-DEFENSOR PÚBLICO
APELADO(S): MINISTÉRIO PÚBLICO ¯¯¯¯¯¯¯¯¯¯¯¯¯¯¯¯¯¯¯¯¯¯¯¯¯¯¯¯¯¯¯¯¯¯¯ Cuiabá-MT, 09 de julho de 2013
Belª. CIBELE FELIPIN PEREIRA
Diretora do Departamento da 3ª Secretaria Criminal E-mail: [email protected]
Acórdão
Habeas Corpus 58035/2013 - Classe: CNJ-307 COMARCA CAPITAL. Protocolo Número/Ano: 58035 / 2013. Julgamento: 03/07/2013. IMPETRANTE(S) - DR. HUENDEL ROLIM WENDER E OUTRO(s), PACIENTE(S) - PAULO PEREIRA LESSA. Relator(a): Exmo(a). Sr(a). DES. RONDON BASSIL DOWER FILHO
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos em epígrafe, a eminente Turma Julgadora proferiu a seguinte decisão: DENEGARAM A ORDEM, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR.
EMENTA:
“HABEAS CORPUS” – PEDIDO DE TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL – ADUZIDA SIMILARIDADE DE OBJETO COM AÇÃO PENAL JÁ EXISTENTE – INOCORRÊNCIA – IDENTIFICADA DISTINÇÃO ENTRE AS AÇÕES – ORDEM
DENEGADA.
Não há que se falar em trancamento da ação penal quando, não obstante as ações decorram de um mesmo evento, possuam imputações de delitos e objetos distintos.
Habeas Corpus 65395/2013 - Classe: CNJ-307 COMARCA DE PONTES E LACERDA. Protocolo Número/Ano: 65395 / 2013. Julgamento: 03/07/2013. IMPETRANTE(S) - DR. MIGUEL DE CARVALHO FRANCO, PACIENTE(S) - GERALDO GOMES DE ARAÚJO NETO. Relator(a): Exmo(a). Sr(a). DES. RONDON BASSIL DOWER FILHO
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos em epígrafe, a eminente Turma Julgadora proferiu a seguinte decisão: CONCEDERAM A ORDEM, RATIFICANDO A LIMINAR, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR.
EMENTA:
HABEAS CORPUS – DISPARO DE ARMA DE FOGO (ART. 15, LEI 10.826/03) – PRISÃO EM FLAGRANTE CONVERTIDA EM PREVENTIVA – ALEGADA AUSÊNCIA DOS REQUISITOS DA CUSTÓDIA CAUTELAR – OCORRÊNCIA – MERA INDICAÇÃO DA EXISTÊNCIA DOS REQUISITOS DO ART. 312 DO CPP E GRAVIDADE ABSTRATA DO DELITO – INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTOS IDÔNEOS A AMPARAR A DECISÃO VERGASTADA – ORDEM CONCEDIDA.
É cediço que, no ordenamento jurídico pátrio, a segregação cautelar é medida excepcional, de modo que a liberdade do indivíduo é a regra, sendo, portanto, inadmissível a manutenção da custódia cautelar com espeque apenas na mera citação dos requisitos constantes no art. 312 do Código de Processo Penal, bem como, na gravidade abstrata do crime.
Habeas Corpus 66123/2013 - Classe: CNJ-307 COMARCA DE NOVA CANAÃ DO NORTE. Protocolo Número/Ano: 66123 / 2013. Julgamento: 03/07/2013. PACIENTE(S) - MAYSON ISTENIO BATISTA CASSIANO, IMPETRANTE(S) - DR. LAUDEMAR PEREIRA DA SILVA. Relator(a): Exmo(a). Sr(a). DES. RONDON BASSIL DOWER FILHO
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos em epígrafe, a eminente Turma Julgadora proferiu a seguinte decisão: DENEGARAM A ORDEM, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR.
EMENTA:
“HABEAS CORPUS” – SUPOSTA PRÁTICA DO DELITO TIPIFICADO NO ARTIGO 121, §2.º, INCISOS I, III, IV, C/C ARTIGO 29 AMBOS DO CÓDIGO PENAL – PRISÃO TEMPORÁRIA CONVERTIDA EM PREVENTIVA - PRETENSA REVOGAÇÃO DA CUSTÓDIA PREVENTIVA POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO – INVIABILIDADE – PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS DA CONSTRIÇÃO – NECESSIDADE DE GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA E APLICAÇÃO DA LEI PENAL DEVIDAMENTE DEMONSTRADAS PELO MODUS OPERANDI EMPREGADO E AUSÊNCIA DO DISTRITO DA CULPA PARA DIVERTIMENTO APÓS A PRÁTICA DELITIVA – EXISTÊNCIA DE CONDIÇÕES FAVORÁVEIS QUE POR SI SÓ NÃO ENSEJAM A REGOVAÇÃO DA PRISAO PREVENTIVA QUANDO PRESENTE AO MENOS UM DOS REQUISITOS PARA SUA MANUTENÇÃO - ORDEM DENEGADA. - É possível aferir do conjunto probatório existente nos autos prova da materialidade e suficientes indícios da autoria delitiva, apresentando a decisão fundamentação idônea para manter a custódia cautelar baseada na garantia da ordem pública aplicação da lei penal, considerado o modus operandi empregado e evasão temporária do distrito da culpa para diversão, demonstrando frieza para com o resultado do delito;
- O simples fato de o paciente ser detentor de eventuais condições pessoais favoráveis, conforme reiteradamente tem manifestado este e. Tribunal, não constitui, por si só, elemento suficiente para sua automática colocação em liberdade quando existentes outros requisitos para sua manutenção.
Habeas Corpus 66128/2013 - Classe: CNJ-307 COMARCA DE NOVA CANAÃ DO NORTE. Protocolo Número/Ano: 66128 / 2013. Julgamento: 03/07/2013. IMPETRANTE(S) - DR. LAUDEMAR PEREIRA DA SILVA, PACIENTE(S) - ALISSON GOMES DE BRITO. Relator(a): Exmo(a). Sr(a). DES. RONDON BASSIL DOWER FILHO
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos em epígrafe, a eminente Turma Julgadora proferiu a seguinte decisão: DENEGARAM A ORDEM, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR.
EMENTA:
“HABEAS CORPUS” – SUPOSTA PRÁTICA DO DELITO TIPIFICADO NO ARTIGO 121, § 2.º, INCISOS I, III, IV, C/C ARTIGO 29 AMBOS DO CÓDIGO PENAL – PRISÃO TEMPORÁRIA CONVOLADA EM PREVENTIVA - PRETENSA REVOGAÇÃO DA CUSTÓDIA PREVENTIVA POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO – INVIABILIDADE – PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS 10/7/2013
DA CONSTRIÇÃO – NECESSIDADE DE GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA E APLICAÇÃO DA LEI PENAL DEVIDAMENTE DEMONSTRADAS PELO MODUS OPERANDI EMPREGADO E AUSÊNCIA DO DISTRITO DA CULPA PARA DIVERTIMENTO – EXISTÊNCIA DE CONDIÇÕES FAVORÁVEIS QUE POR SI SÓ NÃO ENSEJAM A REGOVAÇÃO DA PRISAO PREVENTIVA QUANDO PRESENTE AO MENOS UM DOS REQUISITOS PARA SUA MANUTENÇÃO - ORDEM DENEGADA.
- É possível aferir do conjunto probatório existente nos autos prova da materialidade e suficientes indícios da autoria delitiva, apresentando a decisão fundamentação idônea para manter a custódia cautelar baseada na garantia da ordem pública aplicação da lei penal, considerado o modus operandi empregado e evasão temporária do distrito da culpa para diversão, demonstrando frieza para com o resultado do delito;
- O simples fato de o paciente ser detentor de eventuais condições pessoais favoráveis, conforme reiteradamente tem manifestado este e. Tribunal, não constitui, por si só, elemento suficiente para sua automática colocação em liberdade quando existentes outros requisitos para sua manutenção.
Habeas Corpus 67182/2013 - Classe: CNJ-307 COMARCA DE VÁRZEA GRANDE. Protocolo Número/Ano: 67182 / 2013. Julgamento: 03/07/2013. IMPETRANTE(S) - DR. SÉRGIO WALDINAH PAGANOTTO, PACIENTE(S) - KETELLY APARECIDA DE SOUSA OLIVEIRA. Relator(a): Exmo(a). Sr(a). DES. RONDON BASSIL DOWER FILHO
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos em epígrafe, a eminente Turma Julgadora proferiu a seguinte decisão: CONCEDERAM A ORDEM, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR, COM DETERMINAÇÃO DE EXPEDIÇÃO DE ALVARÁ DE SOLTURA EM FAVOR DA PACIENTE, SE POR OUTRO MOTIVO NÃO ESTIVER PRESA.
EMENTA:
HABEAS CORPUS – TRÁFICO ILÍCITO DE DROGAS – PACIENTE COM FILHA MENOR DE 06 ANOS E GESTANTE – CONDIÇÕES INSALUBRES DO PRESÍDIO FEMININO EM RAZÃO DE REFORMAS NO PRÉDIO – INFORMAÇÕES DO DIRETOR DO PRESÍDIO SOBRE A INVIABILIDADE DE PERMANÊNCIA DA PACIENTE NO LOCAL – NECESSIDADE DE COLOCAÇÃO EM REGIME DOMICILIAR – OBEDIÊNCIA AO PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA – CONSTRANGIMENTO ILEGAL CARACTERIZADO – ORDEM CONCEDIDA.
Em que pese a paciente encontrar-se presa pela suposta prática de delito extremamente grave (tráfico ilícito de drogas), desencadeador de diversos outros crimes, a gravidade do delito não deve afrontar o maior dos princípios constitucionais, que é a dignidade da pessoa humana
Habeas Corpus 68055/2013 - Classe: CNJ-307 COMARCA CAPITAL. Protocolo Número/Ano: 68055 / 2013. Julgamento: 03/07/2013. IMPETRANTE(S) - DR. DIOGO IBRAHIM CAMPOS, PACIENTE(S) - FÁBIO JOILSON DA COSTA SIQUEIRA. Relator(a): Exmo(a). Sr(a). DES. RONDON BASSIL DOWER FILHO
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos em epígrafe, a eminente Turma Julgadora proferiu a seguinte decisão: DENEGARAM A ORDEM, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR.
EMENTA:
HABEAS CORPUS – ROUBO MAJORADO – ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A MANUTENÇÃO DA CUSTÓDIA CAUTELAR – FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA – DECISÕES CALCADAS NO MODUS OPERANDI E NA REITERAÇÃO CRIMINOSA - NECESSIDADE DA SEGREGAÇÃO PARA A GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA – PREDICADOS PESSOAIS FAVORÁVEIS QUE NÃO SÃO INSUFICIENTES, POR SI SÓS, PARA ELIDIR A PRISÃO - ORDEM DENEGADA.
Evidenciada a necessidade de manutenção da custódia cautelar do paciente para a garantia da ordem pública, caracterizada pelo “modus operandi” e também pela reiteração criminosa, não há que se falar em constrangimento ilegal.
Além disso, são pacíficos os entendimentos doutrinário e jurisprudencial de que os predicados pessoais favoráveis do paciente não são suficientes, por si sós, para viabilizar a revogação da prisão preventiva, notadamente se há nos autos elementos suficientes para garantir a segregação preventiva.
Reexame Necessário 24920/2013 - Classe: CNJ-427 COMARCA DE LUCAS DO RIO VERDE. Protocolo Número/Ano: 24920 / 2013. Julgamento: 03/07/2013. INTERESSADO(S) - TATIANE GUEDES RIBEIRO (Advs: Dr. DIOGO MADRID HORITA - DEFENSOR PÚBLICO), INTERESSADO(S) - MINISTÉRIO PÚBLICO. Relator(a): Exmo(a). Sr(a). DES. RONDON BASSIL
DOWER FILHO
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos em epígrafe, a eminente Turma Julgadora proferiu a seguinte decisão: DERAM PROVIMENTO AO RECURSO, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR.
EMENTA:
REEXAME NECESSÁRIO – HABEAS CORPUS CONCEDIDO PELO JUÍZO “A QUO” – INCOMPETÊNCIA – PRÓPRIA AUTORIDADE COATORA – DECISÃO NULA – NECESSÁRIA A MANUTENÇÃO DA LIBERDADE CONCEDIDA PELA PLAUSIBILIDADE DO PEDIDO – CONHECIMENTO E CONCESSÃO DO PRESENTE RECURSO.
É nula a decisão que concede ordem de habeas corpus, quando proferida pela própria autoridade coatora, tendo em vista a sua incompetência para tanto, pois, contra o seu ato constritivo, caberia a impetração de writ ao E. Tribunal de Justiça do Estado.
Diante do patente constrangimento ilegal na medida de prisão cautelar, necessária a manutenção da soltura da paciente.
Recurso em Sentido Estrito 33101/2013 - Classe: CNJ-426 COMARCA DE COLÍDER. Protocolo Número/Ano: 33101 / 2013. Julgamento: 03/07/2013. RECORRENTE(S) - ADEMIR CONCÊNCIO (Advs: Dr. JOSÉ ROBERTO ALVIM), RECORRIDO(S) - MINISTÉRIO PÚBLICO. Relator(a): Exmo(a). Sr(a). DES. RONDON BASSIL DOWER FILHO
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos em epígrafe, a eminente Turma Julgadora proferiu a seguinte decisão: NEGARAM PROVIMENTO AO RECURSO, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR.
EMENTA:
RECURSO EM SENTIDO ESTRITO – TENTATIVA DE HOMICÍDIO QUALIFICADO – PRONÚNCIA – PRETENDIDA A DESCLASSIFICAÇÃO PARA O CRIME DE LESÃO CORPORAL – DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA – IMPOSSIBILIDADE – MATÉRIA A SER DECIDIDA PELO CONSELHO DE SENTENÇA – RECURSO DESPROVIDO.
Nos processos em que se apura a prática de crimes dolosos contra a vida, havendo prova da existência do delito e indícios suficientes da autoria, o julgador singular deve remeter o feito ao colegiado popular, mormente porque, ainda que exista a alegação da desistência voluntária, não se pode afastar dos juízes naturais da causa a análise e decisão sobre os fatos, além de que, nesta primeira fase, a dúvida é dirimida em favor da sociedade, sendo imperativo o julgamento do acusado pelo Júri popular.
Apelação 4145/2011 - Classe: CNJ-417 COMARCA DE RONDONÓPOLIS. Protocolo Número/Ano: 4145 / 2011. Julgamento: 03/07/2013. APELANTE(S) - MINISTÉRIO PÚBLICO, APELANTE(S) - WAGNER PEREIRA DE ARAÚJO (Advs: Dr. CARLOS EDUARDO DE CAMPOS GORGULHO - DEF. PÚBL.), APELADO(S) - MINISTÉRIO PÚBLICO, APELADO(S) - WAGNER PEREIRA DE ARAÚJO (Advs: Dr. CARLOS EDUARDO DE CAMPOS GORGULHO - DEF. PÚBL.), APELADO(S) - SELCIOMAR VILELA DAVID (Advs: Dr. FRANCISCO SILVA, Dra. LUCIMAR BATISTELLA). Relator(a): Exmo(a). Sr(a). DES. RONDON BASSIL DOWER FILHO
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos em epígrafe, a eminente Turma Julgadora proferiu a seguinte decisão: DERAM PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO DA DEFESA E IMPROVERAM O RECURSO MINISTERIAL, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR.
EMENTA:
RECURSO DE APELAÇÃO CRIMINAL – ROUBO QUALIFICADO – 1. IRRESIGNAÇÃO DEFENSIVA 1. 1 - PRETENDIDA A DESCLASSIFICAÇÃO DO ROUBO MAJORADO CONSUMADO PARA O TENTADO – CABIMENTO – ACUSADOS AINDA NO INTERIOR DO ESTABELECIMENTO SUBTRAINDO DINHEIRO DOS CAIXAS SURPREENDIDOS COM A AÇÃO RÁPIDA DA POLÍCIA – TENTATIVA RECONHECIDA NO QUANTUM DE ½ (METADE) – CONDUTA QUE SE APROXIMA MUITO DA CONSUMAÇÃO DO CRIME – 1. 2. PLEITO DE RECONHECIMENTO DA CIRCUNSTÂNCIA ATENUANTE DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA – ALEGAÇÃO DE NÃO RECONHECIMENTO EMBORA O RÉU TENHA CONFESSADO O CRIME – PERTINÊNCIA – ACUSADO QUE CONFESSA QUE A DENÚNCIA É PARCIALMENTE VERDADEIRA E NO ENTANTO EXPÕE COM RIQUEZA DE DETALHES OS FATOS – 1. 3. PRETENSÃO DE RECONHECIMENTO DA CIRCUNSTÂNCIA ATENUANTE INOMINADA – ALEGAÇÃO DE SER MERECEDOR EM FACE DA SUA MOTIVAÇÃO PARA O CRIME (DOENÇA DA FILHA) – NÃO CABIMENTO – RECOMENDAÇÃO AO JULGADOR UTILIZAR –SE DA CIRCUNSTÂNCIA ATENUANTE INOMINADA QUANDO NÃO HOUVER OPORTUNIDADE PARA O AGENTE SE BENEFICIAR DAQUELA CAUSA CONFORME AS CIRCUNSTANCIAS JUDICIAIS DO ART. 59 DO CÓDIGO (MOTIVOS DO CRIME) – PROVIMENTO PARCIAL.
2. RECURSO INTERPOSTO PELO MINISTÉRIO PÚBLICO - 2.1. PRETENDIDA ALTERAÇÃO DO QUANTUM RELATIVO ÀS MAJORANTES (CONCURSO DE PESSOAS E EMPREGO DE ARMA) – NÃO CABIMENTO –USO DE FRAÇÃO MAIS CORRETA E JUSTA – CRITÉRIO QUALITATIVO – OBSERVÂNCIA AS ORIENTAÇÕES CONSTANTES DA SÚMULA Nº. 443 STJ – MANUTENÇÃO DO PERCENTUAL DE 1/3 – 2. 2 PRETENDIDA REFORMA DO REGIME DE CUMPRIMENTO DA PENA PARA MAIS GRAVOSO – ALEGAÇÃO DE QUE AS CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DO ART. 59 DO CP NÃO SÃO FAVORÁVEIS AO RÉU – INADMISSIBILIDADE –OBSERVÂNCIA DOS DITAMES DA LEI PARA FIXAR O REGIME – NÃO PROVIMENTO.
3. DE OFÍCIO – 3.1 - READEQUAÇÃO DA PENA – CIRCUNSTÂNCIA JUDICIAL PREVISTA NO ART. 59 DO CP REAVALIADA FAVORAVELMENTE- 3.2 - IMPÕE –SE A ALTERAÇÃO DO REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DA PENA DIANTE DA REAVALIAÇÃO ALIADA AO RECONHECIMENTO DA TENTATIVA.
0.1É inevitável a desclassificação do roubo majorado consumado para o tentado, quando o agente subtrai o dinheiro do primeiro caixa, no entanto, embora pretendesse subtrair mais valores, foi surpreendido pela Polícia Militar, que o prendeu dentro do comércio – vítima. Fixado, para tanto, o percentual de ½ (metade) para diminuição da pena em face da tentativa, tendo em vista o entendimento de que quanto mais se aproxima da consumação do crime menor deverá ser o percentual de diminuição.
0.2A atenuante do art. 65, inciso III, alínea d, do Código Penal, tem caráter objetivo, configurando-se, tão somente, pelo reconhecimento espontâneo do acusado, perante a autoridade, da autoria do delito, não se sujeitando a critérios subjetivos ou fáticos. Precedentes do STJ.
0.3Somente pode ser reconhecida a existência da atenuante inominada quando houver uma circunstância, não prevista expressamente em lei, que permita ao Juiz verificar a ocorrência de um fato indicativo de uma menor culpabilidade do agente. In casu o réu poderá ser beneficiado na fase do art. 59 do Código Penal quanto à motivação do crime.
2.1 Não merece reforma o quantum de aumento de pena estabelecido em 1/3 (um terço) pelo magistrado sentenciante, quando observado corretamente o entendimento sumulado pelo Superior Tribunal de Justiça, no Verbete n. 443: “O aumento na terceira fase de aplicação da pena no crime de roubo circunstanciado exige fundamentação concreta, não sendo suficiente para a sua exasperação a mera indicação do número de majorantes.
2.2 Age corretamente o julgador ao fixar o regime de cumprimento da pena em observância aos ditames previstos no art. 33, §§2º e 3º, do Código Penal, fundamentando sua decisão.
3.0 Necessário o redimensionamento, de ofício, da pena, em face de uso de fundamentos inidôneos quando da análise das circunstâncias judiciais, assim como, em face do reconhecimento da forma tentada do roubo majorado. Em consequência, altera-se também de ofício, o regime de cumprimento de pena, nos termos do artigo 33, § 2.º, “b” e §3º, c/c art. 59 ambos do Código Penal.
Apelação 15613/2011 - Classe: CNJ-417 COMARCA DE RONDONÓPOLIS. Protocolo Número/Ano: 15613 / 2011. Julgamento: 03/07/2013. APELANTE(S) - MINISTÉRIO PÚBLICO, APELANTE(S) - RONIVALDO GOMES DA ROCHA (Advs: Dra. LETÍCIA SILVA DE LIMA), APELADO(S) - OS MESMOS. Relator(a): Exmo(a). Sr(a). DES. RONDON BASSIL DOWER FILHO
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos em epígrafe, a eminente Turma Julgadora proferiu a seguinte decisão: DECLARARAM, DE OFÍCIO, A NULIDADE DA SENTENÇA, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR.
EMENTA:
PRELIMINAR
APELAÇÃO – ESTUPRO DE VULNERÁVEL E CRIME DE AMEAÇA – CONDENAÇÕES - IRRESIGNAÇÃO DEFENSIVA – PRETENDIDAS ABSOLVIÇOES PELA AMEAÇA E LESÃO CORPORAL E READEQUAÇÃO DA PENABASE – RECURSO MINISTERIAL – ELEVAÇÃO DA PENABASE PELO MENOS EM SEU TERMO MÉDIO, BEM COMO QUE APLIQUE 2/3 AO AUMENTO DA PENA, QUANTO À CONTINUIDADE DELITIVA (ART. 71, CAPUT, DO CP) – PREJUDICIALIDADE DAS TESES – NULIDADE DA DECISÃO A SER DECLARADA DE OFÍCIO DIANTE DA AUSÊNCIA DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA – SENTENÇA ANULADA.
- Declara-se prejudicadas as teses defensivas, quando no exame do recurso se depara com nulidade na dosimetria da pena, que acarreta a impossibilidade de manutenção ou reforma do decisum pelo Tribunal, ante a necessidade de prolação de outra sentença com observância do
Princípio da Individualização da pena;
- Ao condenar o agente por dois crimes diversos, ainda que praticados nas mesmas circunstâncias e reconhecida a procedência da denúncia em uma mesma sentença, deve o juiz de 1.º grau realizar a individualização das penas para cada crime, e não apenas reaproveitar a análise feita para um dos delitos, sob pena de ofensa ao art. 5º, XLVI, da CF.
Apelação 26756/2011 - Classe: CNJ-417 COMARCA DE RONDONÓPOLIS. Protocolo Número/Ano: 26756 / 2011. Julgamento: 03/07/2013. APELANTE(S) - F. S. L. M. (Advs: Dr(a). RODRIGO KURZ ROGGIA, Dr(a). OUTRO(S)), APELADO(S) - MINISTÉRIO PÚBLICO. Relator(a): Exmo(a). Sr(a). DES. RONDON BASSIL DOWER FILHO
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos em epígrafe, a eminente Turma Julgadora proferiu a seguinte decisão: REJEITARAM A PRELIMINAR E, NO MÉRITO, NEGARAM PROVIMENTO AO RECURSO, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR.
EMENTA:
APELAÇÃO – ESTUPRO DE VULNERÁVEL – CONDENAÇÃO - IRRESIGNAÇÃO DA DEFESA – PRELIMINAR: INCIDENTE DE INSANIDADE MENTAL - NULIDADE DO LAUDO PERICIAL – INOCORRÊNCIA – MAGISTRADO QUE DEU OPORTUNIDADE PARA DEFESA APRESENTAR QUESITOS – PREFACIAL AFASTADA. MÉRITO: 1. PRETENDIDA A ABSOLVIÇÃO – INVIABILIDADE - MATERIALIDADE E AUTORIA COMPROVADAS - PALAVRA DA VÍTIMA CORROBORADA PELAS DEMAIS PROVAS PRODUZIDAS NOS AUTOS - VALIDADE – 2. ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA – IMPERTINÊNCIA – AGENTE INTEIRAMENTE CAPAZ QUANDO DA PRÁTICA DO ATO – 3. READEQUAÇÃO DA PENA-BASE – IMPOSSIBILIDADE – CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DO ART. 59 DO CP DEVIDAMENTE VALORADAS – RECURSO DESPROVIDO.
1.Inexiste nulidade a ser declarada quando o sentenciante acolhe pedido defensivo de instauração de incidente de insanidade mental e oportuniza a defesa a apresentação de quesitos complementares.
2.Em se tratando de crime contra a liberdade sexual, as declarações da vítima são de extrema importância para o contexto probatório, mormente quando se mostram coerentes com as demais provas colacionadas aos autos. Assim sendo, restando satisfatoriamente provada nos autos a materialidade e a autoria do crime de estupro de vulnerável, não há que se falar em absolvição.
3.Não comprovada, estreme de dúvida, que ao tempo da prática delitiva o acusado era inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento, impossível absolvê-lo sumariamente.
4.Inviável falar-se em readequação da pena-base quando o magistrado “a quo” analisou de maneira correta as circunstâncias do art. 59 do CP.
Apelação 31074/2012 - Classe: CNJ-417 COMARCA DE RIO BRANCO. Protocolo Número/Ano: 31074 / 2012. Julgamento: 26/06/2013. APELANTE(S) - GERALDO SILVA PRADO NETO (Advs: Dr. PEDRO HENRIQUE GONÇALVES, Dr(a). OUTRO(S)), APELADO(S) - MINISTÉRIO PÚBLICO. Relator(a): Exmo(a). Sr(a). DES. JUVENAL PEREIRA DA SILVA
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos em epígrafe, a eminente Turma Julgadora proferiu a seguinte decisão: NEGARAM PROVIMENTO AO RECURSO, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR
EMENTA:
APELAÇÃO CRIMINAL - TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES – RECURSO DA DEFESA – DESCLASSIFICAÇÃO PARA USO - IMPROCEDÊNCIA - CONFISSÃO EXTRAJUDICIAL ACOMPANHADA DE TESTEMUNHOS DE POLICIAIS COLHIDOS NA FASE INQUISITORIAL E JUDICIAL – VALIDADE PROBATÓRIA - DEPOIMENTOS UNÍSSONOS E COESOS - CONDENAÇÃO FUNDAMENTADA – FRAGILIDADE DO CONJUNTO PROBATÓRIO NÃO DEMONSTRADO – PRETENSÃO DE APLICAÇÃO DA BENESSE DO ART. 33, §4º, DA LEI Nº 11.343/2006 - INVIABILIDADE – RÉU QUE NÃO ATENDE OS REQUISITOS OBRIGATÓRIOS PARA A DIMINUIÇÃO PRETENDIDA – PERDIMENTO DE BEM – APLICAÇÃO DO ARTIGO 91 DO CP E 63 DA LEI 11.343/06 – SUBSTITUIÇÃO DE PENA – IMPOSSIBILIDADE – ARTIGO 40, I DO CP – RECURSO IMPROVIDO.
Ainda que em juízo o agente tenha retratado a confissão anterior, trata-se de conduta de todo irrelevante, diante do firme conjunto probatório a evidenciar, com segurança, que o crime praticado trata-se de tráfico ilícito de drogas.
Os depoimento de policiais responsáveis pela prisão em flagrante do acusado constitui meio de prova idôneo a embasar o édito condenatório, mormente quando corroborado em Juízo, no âmbito do devido processo legal.
Inviável a aplicação da minorante prevista no art. 33, §4º, da Lei nº 11.343/2006, se dos elementos probatórios ressai que o agente praticou inúmeras atividades criminosas, de modo a não reunir condições necessárias para a benesse.
Impossível a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, tendo em vista o não preenchimento, do requisito previsto no inciso I do artigo 44 do Código Penal, uma vez que a pena que lhe foi aplicada é superior a 4 (quatro) anos.
Não merece prosperar pedido de restituição da motocicleta apreendida, se foi preso em flagrante delito com o veículo e não foi apresentado nos autos qualquer documento que pudesse demonstrar a origem lícita do referido bem.
Apelação 34817/2012 - Classe: CNJ-417 COMARCA DE GUIRATINGA. Protocolo Número/Ano: 34817 / 2012. Julgamento: 26/06/2013. APELANTE(S) - MÁRCIO BARBOSA GUIMARÃES (Advs: Dr. MARCELO VALADARES LOPES ROCHA MACIEL - DEFENSOR PÚBLICO), APELADO(S) - MINISTÉRIO PÚBLICO. Relator(a): Exmo(a). Sr(a). DES. JUVENAL PEREIRA DA SILVA
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos em epígrafe, a eminente Turma Julgadora proferiu a seguinte decisão: DERAM PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR
EMENTA:
RECURSO DE APELAÇÃO CRIMINAL – FURTO QUALIFICADO – MATERIALIDADE E AUTORIA CONFIGURADAS – CONDENAÇÃO – RECURSO DEFENSIVO – DOSIMETRIA – PENA-BASE VALORADA SEM FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA – READEQUAÇÃO – PLEITO DE COMPENSAÇÃO DA REINCIDÊNCIA E CONFISSÃO ESPONTÂNEA – NÃO APLICAÇÃO AO CASO CONCRETO – REDUÇÃO DA FRAÇÃO DE AUMENTO DA REINCIDÊNCIA – DECOTE – RECURSO PROVIDO PARCIALEMNTE.
Conquanto não haja afronta ao art. 93, inciso IX, da Carta Magna, a ensejar a cassação do édito por “error in procedendo”, porque externado o motivo do convencimento do magistrado, o conteúdo do fundamento conclamado merece reparo, por fugir ao costumeiro acerto analisar as balizas do artigo 59 do Código Penal.
Não há se falar na compensação entre a confissão espontânea e a reincidência quando o conjunto probatório demonstra que o Recorrente possui três condenações transitadas em julgado, pela prática de crimes contra o patrimônio e a confissão do mesmo não ensejou maiores esclarecimento para o caso.
Ainda que a fixação da pena fique a cargo do magistrado, a sua aplicação, tem que pautar-se na razoabilidade do caso, merecendo reforma quando restar infundada sua majoração, como é o caso, quando da fixação da agravante da reincidência.
Diante da readequação da pena, mostra-se necessária a fixação do regime semiaberto, a fim de atender os preceitos do artigo 33, § 3, do CP.