S ALA DOS DOIS ANOS
4. C APITULO IV: R EFLEXÃO FINAL
No presente capítulo, a estagiária fará uma análise e reflexão transversal sobre o desenvolvimento das suas competências enquanto profissional de Educação de Infância salientando, mais uma vez, a importância que o trabalho de terreno tem para a formação de futuros educadores.
A oportunidade de frequentar o estágio em duas valências foi uma mais valia para a formação da estagiária uma vez que o educador é “um profissional capaz de se adaptar às características e desafios das situações singulares em função das especificidades dos alunos e dos contextos escolares e sociais” (Decreto n.º 43/2007, 2007). Assim a prática pedagógica consta como um
“momento privilegiado, e insubstituível, de aprendizagem da mobilização dos conhecimentos, capacidades, competências e atitudes, adquiridas nas outras áreas, na produção, em contexto real, de práticas profissionais adequadas a situações concretas na sala de aula, na escola e na articulação desta com a comunidade” (Decreto n.º 43/2007, 2007).
A estagiária teve oportunidade de fundamentar o desenvolvimento de competências profissionais no processo de metodologia de investigação-ação, tendo este sido essencial para o desenvolvimento de vários processos como a observação, planificação, ação, avaliação e reflexão. É neste sentido e orientada por estes processos, que a estagiária vai refletir sobre os seus constrangimentos, limitações assim como as possibilidades futuras de aprendizagem e desenvolvimento, quer a nível profissional como ao nível pessoal.
Importa referir, primeiramente, que a observação teve um papel primordial na recolha de informações sobre a criança, sobre os seus interesses e necessidades e sobre o ambiente educativo sendo assim, “um dos pilares da formação de professores” (Estrela A. , 1986, p. 57) e a “base do planeamento e da avaliação, servindo de suporte à intencionalidade educativa” (Ministério da Educação, 1997b, p.
25) A estagiária considera que inicialmente este era um dos processos onde menos
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se sentia à vontade e onde considerava existirem as maiores lacunas. Tendo em conta que a observação é a base de todo o processo educativo esta revelou-se uma limitação com influencias nos restantes processos.
Desta forma, inicialmente era difícil para estagiária perceber as necessidades das crianças e estar aberta para perceber os seus interesses, contudo, e uma vez que o processo de observação era contínuo e discutido com o par pedagógico, com a educadora cooperante e com a supervisora institucional, permitiu, aliado a novas leituras e apropriação de referentes teóricos, o desenvolvimento desta competência profissional ao longo da formação em contexto da estagiária.
Apesar da estagiária procurar desenvolver diversas estratégias para culmatar esta lacuna, nomeadamente, a maior integração nos vários momentos da rotina principalmete aquando os momentos de jogo espontâneo e de higiene onde permitia que a estagiária realiza-se um apoio mais específico aos pequenos grupos e à criança individualmente, todavia considera-se que esta será ainda uma das apostas que vai merecer uma maior atenção, por parte da mestranda, num futuro profissional principalmente em contexto de creche, o que se deve, em nosso entender, à falta de experiência uma vez que este foi o primeiro ano em que a estagiária esteve em contacto com esta valência.
Este foi um processo essencial para a formação da estagiária assim como a base dos restantes processos principalmente na planificação, que permitiu uma melhor organização do grupo com vista a uma maior diferenciação pedagógica, procurando sempre que os objetivos desenvolvidos concordassem com as necessidades e interesses evidenciados pelas crianças emergindo em opções educativas coerentes, conscientes e articuladas para assim promover o desenvolvimento integral das capacidades da criança.
Relativamente à ação uma das maiores dificuldades sentidas pela estagiária foi a gestão do tempo principalmente aquando a integração no primeiro contexto.
Posteriormente, no final do primeiro contexto e consequentemente na valência de creche, esta foi uma dificuldade ultrapassada, isto com recurso a novos referentes teóricos que permitiram que a estagiária avaliasse de uma maneira consciente o nível de envolvimento da criança (DQP). É de realçar, ainda, que tanto flexibilidade da
planificação como a regularidade e flexibilidade da rotina foram essenciais para a adaptação e desenvolvimento de capacidades, por parte da estagiária, não só referentes à organização do grupo como do tempo refletindo-se na sua ação pedagógica.
Ao longo deste ano de formação a estagiária revelou melhorias significativas no seu desenvolvimento em relação a ação tornando-se mais sensível aos interesses e necessidades das crianças integrando-os depois na ação educativa, estando estas caracteristicas definidas na escala de empenhamento do adulto do DQP na categoria da sensilibilidade onde é observado “a atenção e cuidado que o adulto demonstra ter com os sentimentos e bem-estar emocional da criança. Inclui também a sinceridade, empatia, capacidade de resposta e afectividade” (Bertram & Pascal, 2009, p. 136). A estagiária procurou adequar o diálogo às diferentes faixas etárias, procurando uma interação e uma relação de confianca com as crianças e entre as crianças.
Considera-se ainda que a estagiária evoluiu significadamente na mediação e apoio à resolução de conflitos, mostrando uma postura mais natural e calma e procurando integrar a criança na resolução dos conflitos promovendo assim a sua autonomia, comunicação e interação.
É ainda de destacar que, relativamente à escala do empenhamento do adulto no nível da estimulação, a estagiária foi evoluindo gradualmente caracterizando e conhecendo, cada vez melhor, cada criança através da observação e procurando posibilidades de estimular e atuar na ZDP pretendendo, assim, criar momentos de aprendizagens significativas.
Importa ainda realçar que, em relação à experimentação da metodologia de trabalho de projeto este mostrou-se também uma dificuldade vivenciada pela estagiária. Devido, não só à falta de experiência e conhecimento, onde a estagiária procurou informar-se e investigar para assim melhor a sua ação, como também à falta de tempo, não só devido às interrupções letivas devido às festividades do natal e do ano novo como também durante o período de férias e exames da Escola Superior de Educação do Porto. O facto do par pedagógico só desenvolver o estágio durantes três dias por semana também foi uma dificuldade para a experimentação,
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de forma mais aprofundada, de algumas fases do projeto nomeadamente a avaliação e divulgação.
Quando à organização do ambiente educativa a estagiária reconhece que é essencial a participação da criança na organização deste uma vez que, entendendo a criança como ser com agência, esta deve ter uma opinião própria também sobre a organização do espaço sendo que esta entreajuda e partilha de saberes auxilia na co-construção do processo educativo. Neste sentido, e considerando as alterações realizadas nas salas de atividades tanto de creche como de pré-escolar, em conjunto com a educadora cooperante, com o meu par pedagógico, com a supervisora institucional e sobretudo com as crianças, considera-se que este é um processo onde a estagiária desenvolveu mais competências profissionais e revelou ter mais à vontade integrando as escolhas, interesses e necessidades das crianças.
Considera-se ainda que uma parte significativa do desenvolvimento profissional da estagiária foi a parceira com os pais, pois permitiu alargar o contexto da sala de atividades às famílias e trazer, também, um pouco do ambiente familiar para a sala de atividades.
No que diz respeito à reflexão esta preencheu grande parte da formação profissional da estagiária e considera-se que foi essencial para a sua formação enquanto futura profissional de educação e para a construção da sua identidade profissional. As reflexões mensais permitiram focar em diversos acontecimentos relativos à ação, à interação com as crianças e principalmente ao crescimento e ao desenvolvimento das competências profissionais da estagiária.
A reflexão torna-se essencial na formação de educadores uma vez que “tem um potencial transformador da pessoa e da sua prática profissional” (Oliveira &
Serrazina, s.d., p. 10), esta permite-nos um olhar crítico não só naquilo que fazemos como no que lemos ou vemos fazer. Assim, considera-se que este foi um dos processos essenciais para a formação da estagiária quer a nível pessoal permitindo uma maior noção de responsabilidade e maturidade, como profissional refletindo e questionando repetidamente as suas práticas adequando-as ao contexto
Quando ao trabalho de equipa este não foi isento de dificuldades mas permitiu que, com o passar do tempo, se construísse uma dinâmica mais sólida, participativa e
reflexiva entre o par pedagógico o que permitiu um crescimento pessoal, nomeadamente em relação à aceitação, amizade e interação, e um crescimento profissional principalmente na entreajuda, na segurança e na partilha de vivências e saberes, sendo estes valores essenciais para uma vida profissional firme e apoiada no trabalho de equipa.
Por fim, importa realçar uma vez mais a importância da prática profissional em contexto sendo que esta
“se deve centrar na análise de situações reais da profissão, orientando-se para o desenvolvimento de competências, não apenas técnicas, mas também científicas, éticas, sociais e pessoais, numa linha de trabalho de projecto, priviligiando o trabalho numa equipa reflexiva” (Vasconcelos T. , 2009, p. 74).
A supervissão pedagógica mostrou-se também essencial para a formação da estagiária quer no desenvolvimento de competências profissionais como pessoais e sendo um espaço de reflexão e partilha nunca esquecendo a “sua dimensão interativa, potenciadora de integração de princípios colaborativos e na relação que estabelece com as dimensões reflexivo-ativa e crítico-transformadora” (Alarcão &
Canha, 2013, p. 83).
Todo este processo permitiu à estagiária, não só analisar de uma forma geral o seu percurso e o desenvolvimento das suas competências profissionais, como também organizar, autonomamente, em diade e com o outro par pedagógico também presente na instituição, atividades pedagógicas para o dia da criança, evidenciando assim as competências adquiridas ao longo deste ano de formação.
Assim, considera-se que este processo foi essencial para a formação e para a iniciação da construção da identidade profissional da estagiária, uma vez que, apesar deste ser um processo contínuo e para toda a vida, encara-se esta formação inicial como meio fundamental para a criação hábitos essenciais na vida de um educador como a observação, a planificação, a ação, a reflexão e a avaliação monstrando um educador crítico sobre a sua ação e sobre o que o rodeia, questionador sobre as suas estratégias, facilitador e integrador da ação da criança como ser com agência, com conhecimentos prévios e com um papel fundamental na contrução do seu próprio processo educativo.
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