3. PSICOLOGIA DO CONSUMIDOR NO SETOR EDUCACIONAL
3.4. APLICAÇÃO DO COGNITIVISMO COMO FERRAMENTA DE
FERRAMENTA DE INSERÇÃO DA EE NO ENSINO
A criança possui um certo pré conhecimento a respeito de qualquer assunto e o seu comportamento diante desses conhecimentos prévios vem a ser a assimilação. Porém, sempre haverá alguma alteração e evolução ainda que mínima na reação do aluno, a chamada acomodação. É necessário que haja um equilíbrio entre essas duas variáveis, pois uma sobreposição da primeira resulta em uma estagnação sem a aquisição de nova aprendizagem, ao mesmo tempo em que com muitas modificações o comportamento torna-se caótico.
Logo, nos primeiros anos de escola é necessário que o professor dê atenção ao que a criança traz consigo de forma premente, mesmo ignorando os atributos que não se encaixam na atividade a respeito de “energia”. Essa etapa 1 será responsável por estabilizar a atividade, fixando um estágio para a aprendizagem posterior que vem aos 5 anos de idade com a etapa 2, onde o indivíduo sabe que existem regras e acreditam que são imutáveis e vem de um ser superior, porém as quebram e modificam constantemente. Na etapa 3, por volta dos 7 próximos anos, elas já percebem que as regras são feitas pelas pessoas, que podem ser mudadas, mas não as alteram. Chegando aos 12 anos com a completa compreensão a respeito das regras, as aceitando modificáveis também no que diz respeito ao comportamento. Então, ensinar sobre o que vem a ser eficiência energética no ensino fundamental requer passar por todos esses estágios, observando os detalhes de cada faixa etária.
Durante esse período na prática, o entendimento sobre o uso racional de energia passa pelo estágio de “imitar”, que vem a ser a modificação do comportamento do aluno em função dos conceitos e normas que lhe são impostas, mas primeiramente causadas
pelo desejo de ser algo que não são ou parecer com outra pessoa, no caso o professor, que possui papel essencial nessa fase introdutória.
A base da aprendizagem cognitiva é a nomeada “interiorização”, ocorre quando as atividades e representação do mundo real adquirem representação mental. Logo, quando a criança vai embora da escola de volta para casa e continua a “imitar” coisas e pessoas, nesse caso, continuou a executar práticas racionais de não desperdício de energia, significa que ela interiorizou o que estava antes sendo apenas imitado, agora se tornando uma “imitação diferida” - continua reagindo com os ensinamentos mesmo o objeto não estando presente no momento.
Conforme foi mencionado anteriormente, no Cognitivismo, quatro forças moldam o desenvolvimento humano: equilibração, maturação, experiência e interação social. Aplicar essas vertentes para ensinar as crianças sobre como usar a energia de forma eficiente envolve muito além do que passar informações de fora para os aprendizes. O professor possui papel apenas de facilitador da aprendizagem, sendo a criança o papel central e ativo na construção do conhecimento, aprendizes independentes e críticos. A seguir, são apresentadas as implicações educacionais dessas forças para a inserção da eficiência energética nas escolas.
Equilibração: é oportuno que o educador saiba empregar o nível adequado de dificuldade das atividades em sala de aula para que o aluno se sinta incentivado e desafiado a realizar mudanças em seu comportamento como resposta ao desperdício de energia, mas que também viabilize a utilização dos seus conhecimentos prévios sobre o que vem a ser práticas corretas do seu ponto de vista;
Maturação: o entendimento do nível de compreensão de cada turma pelo professor viabiliza a otimização das experiências educacionais aplicadas;
Experiência: interações reais e práticas dos alunos com as atividades do dia a dia os permitem construírem por eles mesmos as representações mentais de atitudes corretas, logo, eles começam a ser envolvidos ativamente no processo de aprender, como por exemplo: apagar a luz ao sair da sala de aula, fechar as janelas ao ver o ar condicionado ligado, deligar a televisão;
Interação social: oportunidades de integração aluno-aluno e professor-aluno permite a construção de ideias sobre eles mesmos, os tornando colaboradores uns dos outros aprimorando as ações baseando-se nas reações do outro, como por exemplo: ver um colega da sala agindo de forma errada pela sua concepção o faz agir de forma diferente e auxiliar o outro a fazer de forma correta.
3.4.1. Discussão decorrente da aplicação
As fases descritas por Piaget podem não ser generalizadas de forma tão exata e uniforme, obtendo comportamentos completamente diferentes de uma criança para outra. É possível que o desenvolvimento de umas seja subestimado e de outras superestimado. A teoria aqui esplanada é um ponto de partida para os educadores utilizarem como uma base inicial para o ensino, mas não como uma teoria a qual deve ser seguida à risca.
Diante de várias outras teorias da psicologia da aprendizagem, como o psiquismo, humanismo, behaviorismo e sociocultural por exemplo, é possível agregar aspectos promissores para o ensino da eficiência energética. A teoria Cognitivista foi a escolhida para uma possível e sugerida aplicação prática, mas o aporte teórico das demais também são ferramentas úteis ao encontrar lacunas na realidade.
Sem dispensar a análise sociocultural, tem-se também com grande importância a classe social e econômica dos alunos, quantidade de membros na família e seus níveis de escolaridade, programas de incentivos que as escolas participam e quantidade de equipamentos eletrodomésticos domiciliares. Concluindo assim, analisar a aplicação do comportamento brasileiro diante das práticas racionais de energia vai muito além de pegar conceitos de fora e inserir como um conteúdo programático nas salas de aula.