A técnica de microagulhamento deve der aplicada após higienização da área a ser tratada. Deve-se usar um esfoliante e álcool 70% para limpeza da região e após é recomendado uso de anestésico tópico de 15 a 20 minutos antes do procedimento para diminuir ao máximo o incômodo causado pelo procedimento, o mais indicado é a lidocaína a 4 ou 5% (Klayn, 2013; Fernandes, 2015).
A terapia de indução de colágeno é realizada a partir do posicionamento correto do aparelho entre os dedos polegar e indicador, o dedo indicador deve ficar apoiado no suporte localizado em cima do equipamento e com o dedo polegar se irá impor a pressão feita sobre a pele do paciente (Fabbrocini, 2009).
Os movimentos realizados são de vai e vem e devem seguir um padrão uniforme de petéquias com divisão da área trabalhada em quadrantes pequenos, realizando cinco passadas no mesmo sentido seguindo as quatro direções da técnica; vertical, horizontal, diagonal esquerda e diagonal direita (Figura 9) (Fabbrocini, 2009; Fernandes, 2015).
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Figura 9: Quatro sentidos em que devem ser feitas cinco passadas do rolo com movimentos de vai e vem na técnica de microagulhamento.
Fonte: Fernandes, 2015, p. 21.
O tempo de aparecimento da hiperemia (vermelhidão devido à vasodilatação causando aumento do volume de sangue no local) varia de acordo com o tamanho da agulha utilizada e espessura da pele. Ao trocar de direção o parelho deve ser levantado para mudar o ângulo da agulha, caso contrário causará arranhões na pele. A força exercida deve ser moderada, se for exagerada causará danos em estruturas anatômicas mais profundas ocasionando muita dor e a pele pode ser esticada pelo profissional para o rolo ter melhor acesso a algumas áreas (Lima e cols., 2013; Torquato, 2014).
A sessão dura cerca de 60 a 90 minutos dependendo da área onde será feita e após a terapia é interessante aplicar água gelada filtrada para amenizar o ardor e limpar sangramentos que podem ocorrer. Podem-se usar princípios ativos em forma de géis e fluídos compostos por fatores de crescimento como TGFβ, ácido ascórbico, hidroxiprosilane (derivado do silício orgânico) e matrixyl (microcolágeno), além de substâncias como óleo de semente de uva e copaíba; todos com ação regenerativa induzindo produção de colágeno e elastina. A partir da terceira sessão já são visualizados bons resultados e as sessões devem ocorrer com intervalo de um mês respeitando o tempo necessário para a renovação celular (Gama, 2011; Kalil e cols., 2017; Fernandes, 2015).
Uma das vantagens dessa técnica é o tempo rápido de cicatrização que acontece em 24 horas. Além disso, a vermelhidão desaparece cerca de 1 hora após o tratamento, o risco de infecção é baixo e não causa dano permanente à pele. Os efeitos colaterais são considerados mínimos comparados a outras técnicas, pois deixa a pele mais firme e resistente, sendo relatado em alguns casos apenas eritema durando de 2 a 3 dias (Lima e cols., 2013; Torquato, 2014).
Como cuidado pós-tratamento deve-se evitar contato do Sol com a área tratada durante três dias e não aplicar nenhum produto na região, após esse período é necessário uso de protetor solar no mínimo de fator 30. O procedimento deve ser realizado uma vez ao mês, respeitando a renovação da pele que leva cerca de 21 a 28 dias e a melhora do processo inflamatório que demora de 15 a 20 dias (Fernandes, 2015).
4.4 RESULTADOS APÓS TRATAMENTO – CASOS CLÍNICOS
No trabalho de Gasparino e cols. (2017), uma mulher de 20 anos, que não possuía filhos, não fumante, com pele fototipo III (pele morena clara) com queixas de presença de estrias albas na região glútea foi voluntária para estudo de 4 sessões de microagulhamento com intervalos baseados na melhora da inflamação, em média 15 dias. O aparelho continha 540 agulhas com 0,5 milímetros de comprimento.
O processo inflamatório foi intenso e após as sessões pôde-se ver uma melhora discreta no quadro da paciente. Os autores utilizaram ativos após a técnica e a paciente recebeu indicação de mais 2 sessões após o estudo para melhor resultado (Figura 10) (Gasparino e cols., 2017).
Figura 10: Resultado após 4 sessões de microagulhamento na região glútea. Observa-se a pele com textura mais homogênea, estrias com aspecto mais claro, aumento do viço e consequentemente melhora visual.
Fonte: Adaptado de Gasparino e cols., 2017.
Em um outro estudo, dez mulheres com fototipos III e IV (pele morena moderada) receberam tratamento para estrias, sendo 2 com presença de estrias rubras e 8 com estrias albas, todas decorrentes da gravidez e aumento de peso. Os locais acometidos eram coxas (6) e pernas (4). Foram realizadas 3 sessões de microagulhamento com intervalo de 30 dias e
32 usado aparelho contendo agulhas de 1,5 milímetros rolando-o 4 vezes nas quatro direções (Khater e cols., 2015).
Usou-se anestésico tópico para diminuição do incômodo uma hora antes de cada sessão e antes da realização da técnica foi retirado da pele com gaze molhada. Após o término das sessões de indução percutânea de colágeno 90% dos voluntários apresentaram melhora principalmente na suavização da coloração das estrias (Figura 11) (Khater e cols., 2015).
Figura 11: Avaliação em paciente de fototipo III realizada 6 meses após a última sessão na coxa com hiperemia devido ao procedimento. Nota-se diminuição da coloração das estriações.
Fonte: Adaptado de Khater e cols., 2015.
As avaliações das fotografias foram feitas por dois médicos sem relação com o experimento, sendo adotados como critérios: sem melhoria (0%); ruim (25%); razoável (26- 50%); bom (51-75%) e excelente (76-100%) (Tabela 1). Os pacientes foram submetidos a um questionário de satisfação após as sessões realizadas (Tabela 2) (Khater e cols., 2015).
Tabela 1: Melhoria clínica da aparência das estrias.
Número do paciente Idade Tempo da estria (anos) Grau de satisfação
1 39 5 Bom 2 25 4 Razoável 3 36 4 Razoável 4 30 5 Sem melhora 5 35 6 Ruim 6 40 6 Ruim 7 37 5 Razoável 8 28 4 Bom 9 32 3 Bom 10 29 3 Razoável
Fonte: Adaptado de Khater e cols., 2015.
Tabela 2: Grau de satisfação dos pacientes.
Grau de satisfação Quantidade de pacientes
Excelente 3
Bom 4
Razoável 2
Sem mudança 1
Agravamento 0
Fonte: Adaptado de Khater e cols., 2015.
Silva e cols. (2016), realizaram um trabalho onde mulher de 23 anos com estrias albas no glúteo esquerdo foi tratada com 4 sessões de microagulhamento que duraram cerca de uma hora, com intervalo de 7 dias entre elas. Foi aplicado anestésico tópico 30 minutos antes do início do procedimento. Foram utilizadas agulhas de 1 milímetro nas quatro direções indicadas até o aparecimento de hiperemia. No término das 4 sessões percebeu-se leve diminuição do comprimento da estriação (Figura 12).
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Figura 12: Reavaliação feita após uma semana da última sessão. Percebe-se melhora no aspecto, coloração e tamanho da estria localizada no abdome.
Fonte: Adaptado de Silva e cols., 2016.
Em outro estudo de casos, duas mulheres com idades entre 18 e 23 anos, com fototipos III e II (pele clara), respectivamente, com estrias albas em toda região do glúteo realizaram 10 sessões de microagulhamento. O aparelho usado na técnica continha 540 agulhas de 1 milímetro. Houve melhora no aspecto da pele após todas as sessões e amenização da cor das estrias, porém foi constatado que a paciente 1 precisaria de mais sessões para um resultado satisfatório devido à espessura de suas estrias (Figuras 13 e 14) (Luz & Oliveira, 2017).
Figura 13: Paciente 1 com estrias albas grossas na região dos glúteos. Resultado após 10 sessões dos quadrantes esquerdo (A) e direito (B) dos glúteos. Constata-se a suavização da coloração e redução no tamanho.
Figura 14: Paciente 2. Resultado após 10 sessões no glúteo esquerdo (A) e direito (B). Verifica-se redução significativa das estrias albas tanto em tamanho quanto em coloração tornando-as imperceptíveis.
Fonte: Adaptado de Luz & Oliveira, 2017.
Dezesseis pacientes coreanos entre 19 e 44 anos, sendo 14 mulheres e 2 homens, com presença de estrias rubras (5) e albas (11) no abdome (6), glúteo (6) e coxas (4) receberam 3 sessões de microagulhamento com espaçamento de um mês entre elas. Aplicaram anestésico tópico por uma hora e retirado completamente com gaze molhada. O rolo possuía agulhas de 1,5 milímetros e foram feitos 4 rolamentos nas quatro direções na área trabalhada. Em todos os dezesseis voluntários ocorreu melhora na textura e cor da pele (Figuras 15 e 16) (Park e cols., 2012).
Figura 15: Paciente 11 com estrias albas abdominais após 3 meses da última sessão. Observa-se diminuição da largura e número das estrias e melhora na coloração.
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Figura 16: Paciente 7 apresentando estrias rubras no glúteo após 3 meses da terceira sessão. Nota-se melhora significativa no aspecto enrugado da pele, diminuição do tamanho, profundidade e suavização da coloração. A partir desta imagem entende-se que os tratamentos realmente são mais eficazes em estrias rubras.
Fonte: Adaptado de Park e cols., 2012.
As fotografias foram avaliadas por dois dermatologistas sem relação com o estudo, sendo adotados como critérios: sem melhoria (0%); melhoria mínima (grau 1= 25%); melhoria moderada (grau 2= 26-50%); boa melhoria (grau 3= 51-75%) e excelente (grau 4= 76-100%) (Gráfico 1). Após as sessões realizadas os pacientes foram submetidos a um questionário de satisfação (Gráfico 2) (Parker e cols., 2012).
Gráfico 1: Grau de melhoria clínica da aparência das estrias após o tratamento com microagulhamento. Pode-se observar o maior número de pacientes com melhoria grau 2 (26-50%) e grau 3 (51-75%) de acordo com dermatologistas avaliadores dos resultados do estudo.
Fonte: Adaptado de Park e cols., 2012. 0 1 2 3 4 5 6 7 8
Grau 1 Grau 2 Grau 3 Grau 4
N ú m ero d e p acie n tes
Melhoria clínica
Gráfico 2: Grau de satisfação dos pacientes participantes. Observa-se que após o tratamento os voluntários em sua maioria ficaram satisfeitos e muito satisfeitos com os resultados obtidos após as sessões de microagulhamento.
Fonte: Adaptado de Park e cols., 2012. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
Insatisfeito Satisfeito Muito satisfeito
N ú ero d e p acie n tes