6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
6.1 Aplicabilidade do modelo
Nesse último capítulo, são avaliados e interpretados, de um ponto de vista mais amplo e contextual, os resultados obtidos ao longo da pesquisa, em especial a partir da proposição de um modelo que sirva como representação estrutural de conteúdos educativos de televisão digital, bem como da experiência para sua validação por meio de técnicas de prototipagem. São discutidas criticamente algumas condições e limitações relacionadas à aplicabilidade do modelo e do protótipo desenvolvidos, com vistas ao apontamento de variáveis capazes de influir em suas circunstâncias de utilização e diretrizes de aprimoramento.
Apontam‐se, nesse sentido, algumas possíveis contribuições decorrentes deste trabalho para a inovação dos modelos e das práticas de comunicação educacional e interativa através da televisão, com uma discussão contextualizada a partir dos resultados da pesquisa relatada. Por fim, são apresentadas possibilidades de trabalhos futuros capazes de complementar, estender, refutar ou revalidar as interpretações e aplicações expostas até aqui, considerando o desenvolvimento de ontologias de padronização semântica, a complementação dos elementos, regras e classificações componentes do modelo e o aprimoramento técnico e estético do protótipo, com vistas à sua efetiva utilização em programas televisivos de aprendizagem.
6.1 Aplicabilidade do modelo
A ausência de modelos consolidados que instruam o desenvolvimento de conteúdos educativos de televisão digital, assim como a necessidade de constante atualização nessa área, tornam imperativas a proposição e a reformulação contínua de referências técnicas capazes de fomentar um processo sistematizado a ser aplicado, de forma combinada, por emissoras educativas, universitárias e grupos acadêmicos envolvidos em programas de educação que empregam recursos multimídia.
As atividades exploratórias e descritivas mantidas ao longo da pesquisa permitem supor que o uso de formas visuais simplificadas e de leitura intuitiva em estratégias de modelagem, como mapas conceituais, pode encontrar maior aceitação junto aos grupos desenvolvedores de conteúdo educativo para televisão digital, com resultados satisfatórios nesse sentido. Podem ser identificados, por exemplo, os seguintes valores
especialmente atribuídos à modelagem com essa técnica de representação de conhecimentos:
• Simplicidade: permite rápida aprendizagem da técnica e da ferramenta utilizadas, além de favorecer a clareza das representações;
• Disponibilidade: permite a construção colaborativa de mapas com uso de software gratuito, com farta documentação e de fácil utilização;
• Inteligibilidade: permite compreensão intuitiva de critérios sintáticos e semânticos de representação por equipes leigas e heterogêneas de produção; • Flexibilidade: permite a adaptação, complementação, ampliação e reprodução dos mapas conforme as condições e circunstâncias de sua utilização; • Hipertextualidade: permite o acesso direto e contextualizado a documentos, recursos e serviços por meio de links a partir dos elementos componentes dos mapas conceituais.
Os resultados levam à percepção de que simplicidade e versatilidade – tanto quanto precisão e acuidade – são atributos decisivos para a aceitação e a aplicação desse tipo de modelo referencial no que tange sua utilização, em condições reais de aplicação, por grupos acadêmicos e emissoras educativas e universitárias de televisão. Tal percepção mantém em vista que o público‐alvo desses modelos é geralmente constituído por equipes heterogêneas, com profissionais de formações diversas, cujo processo de trabalho assume características ágeis e com procedimentos pouco documentados, que não têm, entre suas práticas, a cultura de consulta a modelos detalhados e com linguagem técnica de notação. Considerou‐se, também, que a concentração das informações estruturadas em torno de um reduzido grupo de mapas principais interligados entre si teria o efeito de evitar a dispersão do modelo em um número excessivo de figuras, incentivando sua consulta pelos profissionais visados, considerando suas condições e circunstâncias de operação.
O modelo de conteúdo apresentado não tem, contudo, a pretensão de constituir um instrumento definitivo ou acabado com o propósito de nortear o desenvolvimento de conteúdos educativos para o SBTVD. A princípio, ele deve contribuir para o início de uma sistematização em torno das melhores práticas a serem aplicadas, adaptadas, transformadas e aprimoradas pelas comunidades de aprendizagem e demais atores envolvidos nesse processo, de forma a acompanhar o dinamismo, a flexibilidade e a diversidade de contextos que as caracterizam.
Para mais detalhamento, outros mapas, diagramas, imagens, documentos e planilhas explicativas deverão ser desenvolvidos e acrescentados ao modelo de conhecimentos proposto na forma de recursos hipertextuais vinculados às células destes mapas principais. Somar‐se‐iam, ainda, a essa modelagem, por exemplo, a proposição de uma ontologia que servisse à padronização semântica para o desenvolvimento de conteúdos audiovisuais interativos, facilitando seu desenvolvimento colaborativo por equipes dispersas, bem como sua interoperabilidade e intercâmbio em redes integradas de veiculação. 6.2 Aplicabilidade do protótipo O protótipo desenvolvido para a validação do modelo proposto tem aplicabilidade experimental e requer aprimoramentos para que possa ser efetivamente e integralmente implantado de acordo com as condições reais de transmissão da televisão digital. Considera‐se, porém, que sua implementação constituiu um instrumento satisfatório de validação do modelo proposto, na medida em que serviu para aferir até que ponto as estruturas de conteúdos educativos descritas podem ser empregadas de modo a subsidiar o desenvolvimento de uma aplicação para televisão digital compatível com requisitos de aprendizagem interatividade.
Os resultados desse experimento indicam que quadros e mapas conceituais que representam estruturas de conteúdo fornecem um referencial efetivo ao longo das atividades de planejamento e desenvolvimento de uma aplicação interativa de televisão digital voltada à educação, conforme concebidas no âmbito deste trabalho. A definição de classes e categorias de conteúdo mstrou ter implicações especialmente na forma como são organizadas as mídias e pré‐dispostos os itinerários que conduzem o tele‐interator em sua fruição.
Da mesma forma, é possível considerar que formulações referentes aos critérios para vinculação de conteúdos principais, complementares e extras fornecem referências úteis para a implantação de funcionalidades seletivas em relação à exibição de conteúdos em uma programação de televisão digital condizente com os princípios de interatividade introduzidos por essa nova plataforma de veiculação.
Também a previsão de classes continentes de conteúdo de acordo com princípios de imersão, fornecem indicações relevantes para a concepção de espaços televisivos de aprendizagem em conformidade com as características de ambientação adotadas em aplicações de internet e vídeo‐games, o que constitui um ponto de inovação em relação aos modelos tradicionais de ensino e aprendizagem através da televisão.
6.3 Possibilidades de trabalhos futuros
Como trabalho futuro decorrente dessa pesquisa sugere‐se, a princípio, o aprimoramento e a complementação dessa modelagem a partir do desenvolvimento de uma ontologia de padronização semântica para processos e conteúdos audiovisuais interativos. Uma extensão do modelo poderá também contemplar a integração de funcionalidades interativas próprias dos ambientes virtuais de aprendizagem na internet, baseados em software do tipo LMS.
Outro foco de trabalho seria a adaptação dos conteúdos modelados para recepção e acionamento por meio de dispositivos móveis e portáteis, como telefone celular de terceira geração e computadores de mão. A meta é contribuir para o desenvolvimento de um sistema integrado de educação a distância por mídias distribuídas, para públicos jovens e adultos, que pode funcionar como uma rede social televisiva, com acesso e submissão de conteúdo pelos usuários de forma ubíqua e colaborativa.
Possíveis aprimoramentos futuros do protótipo contemplam, ainda, o uso de joystick com conexão sem fio ao televisor e interface de voz para uma navegação mais intuitiva pelos ambientes virtuais em se abrigam os conteúdos multimídia acionados pelo tele‐interator. Também é prevista sua adaptação para outros contextos educacionais além da Engenharia de Produção, entre elas Física (com um ambiente virtual que simula um vídeo‐laboratório, no qual seriam dispostos vídeos e outras mídias acerca de experimentos e conceitos dessa disciplina) e Medicina (com um vídeo‐hospital, no qual seriam alocados objetos audiovisuais de aprendizagem significativos nesse contexto).
Também está previsto o aprimoramento contínuo do protótipo desenvolvido, com vistas à sua implantação integral e em condições reais de transmissão via televisão digital. Em uma futura versão do protótipo, com recursos computacionais mais avançados acoplados ao televisor, o vídeo‐fórum assumiria plenas funções interativas, com a gravação e submissão de vídeos pelo usuário por meio de conexão a um servidor de vídeo em tempo real.
Nesse estágio, a validação das aplicações poderá ser realizada por meio de testes de navegação mais efetivos, baseados em task analysis, cognitive walkthrough e análise de heurísticas, envolvendo grupos pilotos de alunos e especialistas, com diferentes graus de familiaridade com sistemas audiovisuais interativos, a exemplo do que foi feito com a primeira versão prototipada, anterior ao modelo. Para essas análises, seriam indicados e executados diferentes cenários de navegação, considerando funcionalidades interativas e percursos não‐lineares de fruição sobre o ambiente da fábrica virtual e dos vídeos e