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Nos últimos anos, combinações de diferentes metais estão cada vez mais incorporadas

aos ambientes industriais de grande relevância - como a geração de energia, petroquímica,

nuclear e construção naval - em razão de sua flexibilidade. Nessas indústrias, várias

classes de aços inoxidáveis austeníticos (304L, 316L, 316LN e 317LN) e aços estruturais

(A36, AH36, H36, CH36, etc.) estão em serviço devido às suas características, como boa

soldabilidade, tenacidade, propriedades mecânicas e resistência à corrosão. Dentre os

aços inoxidáveis, o 304 é o mais popular, pois apresenta uma boa relação

custo/desempenho. Contudo, para aplicações em um ambiente altamente corrosivo, é

necessário o aço 316L, devido ao seu melhor desempenho ao ataque por corrosão

localizada [59]. Muitos desses aços, principalmente os inoxidáveis, têm sido aplicados à

condição soldada em ambientes com condições climáticas severas, como no ártico e em

países de invernos intensos. As condições climáticas dessas regiões apresentam grandes

desafios no desenvolvimento dos aços estruturais com adequada soldabilidade. Em

estruturas marítimas de exploração de petróleo, as utilizações de componentes feitos em

aços dissimilares podem trazer benefícios, como leveza e propriedades térmicas da junta

soldada [60]. Em regiões de invernos rigorosos, o comportamento mecânico e

metalúrgico dos metais de solda desses aços ainda é pouco estudado, necessitando de

mais atenção, pois essas regiões possuem grandes reservas de petróleo.

Devido à complexidade da estrutura e do comportamento mecânico de juntas soldadas de

aços dissimilares, sendo esse tipo solda realizadas rotineiramente na indústria petrolífera

para unir estruturalmente os aços de alta resistência, a fim de eliminar a necessidade de

tratamento pós-soldagem no campo [61]. Falhas catastróficas em juntas soldadas

dissimilares entre o aço AISI 8630 e a Liga 625 [61] durante o serviço submarino

ocorreram devido à fragilização na linha de fusão.

Os estudos desenvolvidos recentemente [59] [60] [61] mostram a necessidade da

utilização de, pelo menos, um aço com baixo teor de carbono para que a junta soldada

dissimilar apresente um bom resultado metalúrgico na soldagem de aços dissimilares em

ambientes árticos. Geralmente, usa-se aço de baixa liga que apresenta limite de resistência

entre 379 e 586 MPa ligado com Ni, Cr e Mo, enquanto que o outro aço seja os aços

inoxidáveis austeníticos, por se manterem dúcteis a temperatura sub-zero. É sabido que a

classe de aços austeníticos apresenta, em geral, as melhores tenacidades e soldabilidades

dentre todos os inoxidáveis [52].

Para identificar os principais problemas relacionados ao uso das soldas dissimilares em

ambientes de temperaturas baixíssimas, é importante analisar as possíveis

descontinuidades que podem aumentar a possibilidade de falha em serviço. Os defeitos

em solda de metais dissimilares são atribuídos à mudança repentina de dureza, resistência

mecânica, falta de fusão e fissuração na solidificação. Essas descontinuidades podem ser

decorrentes de diferenças significativas de tensão residual e expansão térmica. Por

exemplo: soldando dois aços com quantidade de elementos de ligas diferentes pode gerar

inclusões intermetálicas a partir de um gradiente de concentração de um determinado

elemento [60].

O principal obstáculo para a aplicação estrutural de aços e outras ligas metálicas a baixas

temperaturas é a ocorrência de fragilização, particularmente, na presença de trincas. A

presença de trincas em materiais fragilizados, por exemplo, por estarem expostos a baixas

temperaturas, pode levar a uma falha repentina por fratura frágil. Esse tipo de falha não é

detectado durante inspeções visuais de rotina, não há sinal de deformação plástica antes

da falha catastrófica. Para isso, devem-se tomar medidas adequadas no estágio de

especificação dos aços, escolhendo aquele que apresente uma transição dúctil-frágil a

temperaturas criogênicas na faixa de temperatura de trabalho. A Figura 3.22 mostra os

resultados desses processos de trincamento.

Figura 3. 22 - (a) Trinca localizada na margem da solda, (B) Trinca associada a

inclusões alinhadas [60].

A seleção do metal de adição e as condições operacionais de soldagem devem ser

adequadamente selecionadas para garantir a qualidade do metal depositado. Caso a

seleção não seja correta, a severidade do ambiente gelado e o contato com a água podem

causar vários tipos de defeitos. A Tabela III.2 mostra algumas das descontinuidades.

Tabela III. 2 – Tipos de defeitos e falhas em serviço.

Tipos de Defeito Localização Descrição

Inclusões

presentes antes da

entrada do aço em

serviço

• Metal base

• Zona fundida

• Metal de solda

• Amanteigamento

• Material não-metálico incrustado

no metal de solda ou entre metal

de base solda

• Composto não metálico de baixa

ou alta densidade originando

tensão, especialmente em

carregamento por fadiga e impacto

• Quanto maior a inclusão, menor é

a resistência à fadiga

Segregação

• Macrosegregação

na poça de fusão

• Zona fundida

• Metal de solda

• Amanteigamento

• Macrosegregação - falta de

homogeneização durante a

solidificação

• Microsegregação - consequência

da redistribuição do soluto em

alguns lugares durante a

solidificação de ligas em

condições fora do equilíbrio

Migração/Difusão

de Carbono

• Fronteira entre zona

fundida e metal de

solda

• Linha de fusão entre

amanteigamento e

zona fundida ou

metal base

• Migração é causada por diferença

de concentração

• Em alta temperatura, a migração

ocorre da região de alta

concentração para a de baixa

Composto

Intermetálico/

interface lateral

• Zona fundida

• Interface entre zona

fundida e solda

• A união direta desses metais

resulta em intermetálicos frágeis

• Formação de fases tipo FeTi e

Fe

x

Ti

y

na interface

Trinca por

corrosão

sob-Tensão

• Zona fundida

• ZTA

• Amanteigamento

Impacto combinado de:

• Tensão residual

• Sensitização térmica

• Efeito galvânico entre aços

dissimilares

Para estudar o comportamento de juntas dissimilares de aço, tem-se estudado,

especificamente, juntas de austenítico + duplex, devido às microestruturas serem

similares. A intenção de usar esses aços é tentar eliminar a formação de agentes

fragilizantes, como intermetálicos, trinca de solidificação, etc. Verma (2016) utilizou um

aço duplex em seu trabalho devido às características metalúrgicas e ao comportamento

mecânico da junta soldada. Esse aço duplex apresenta alta resistência à corrosão, como

pitting e corrosão sob-tensão, e mostra ser menos suscetível à corrosão intergranular do

que um aço baixa liga. Isso se dá pela natureza microestrutural constituída por 50% de

ferrita e 50% de austenita e como alta teores de cromo, níquel e molibdênio.

A Figura 3.23 mostra o resultado da soldagem GTAW de metais dissimilares, o aço AISI

8630 e a liga 625, como metal de adição foi usado uma liga de níquel.

Figura 3. 23 – A) Visão geral da transição; B) Zona dendrítica celular e colunar e C) Metal

de solda [92].

4 METODOLOGIA

4.1 Introdução

Neste capítulo é descrita a metodologia empregada no desenvolvimento do presente

trabalho. A descrição da metodologia inicia-se com as informações dos equipamentos

utilizados, assim como os materiais que foram utilizados em todo o desenvolvimento do

trabalho. O capítulo é finalizado com os procedimentos experimentais utilizados no

decorrer de todo o estudo.