TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO
3. APLICABILIDADE E SUSTENTABILIDADE NA ENFERMAGEM
O domínio da informação e das tecnologias suscetíveis de produzir novos conhecimentos representa, atualmente, mais que uma necessidade, uma competência profissional essencial. Nas organizações de saúde, a enfermagem apresenta-se como uma área profissional que produz e faz a gestão de diferentes informações e conhecimentos, sendo estes profissionais utilizadores em potência dos sistemas informáticos empregados na saúde (Hannah, Ball e Edwards, 2008).
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Na enfermagem, a introdução e utilização das TIC tem acompanhado a evolução que se verifica na área da saúde, representando um novo campo de conhecimento com uma enorme perspetiva de desenvolvimento, contribuindo, entre outros aspetos, para a afirmação da profissão nas suas várias vertentes e, em especial, para a melhoria da qualidade dos cuidados prestados aos utentes dos serviços de saúde.
As vantagens proporcionadas pela sua aplicação na enfermagem baseiam-se, principalmente, na facilidade que estas proporcionam na utilização das informações necessárias para esta atividade. Pode-se, assim, concluir que “A prática da informática em enfermagem inclui o desenvolvimento e avaliação de aplicativos, ferramentas, processos e estruturas que apoiam o enfermeiro na prática da profissão.” (Marin, 1995, p. 9).
Não ficando o sector da saúde alheio aos avanços tecnológicos e ao desenvolvimento científico, estes novos recursos disponibilizados são introduzidos progressivamente nesta área, adaptando e utilizando para tal os meios disponíveis, sendo a sua utilização inicial e mais expressiva na vertente administrativa, estendendo-se gradualmente às áreas da assistência, da formação e da investigação.
Efetivamente, os recursos provenientes das TIC revelam-se um instrumento valioso, com aplicação no apoio às atividades de assistência aos utentes, na gestão dos serviços de saúde, na formação e aperfeiçoamento de competências dos profissionais de saúde e na pesquisa científica efetuada neste campo do saber, mais especificamente na área da enfermagem. “O desenvolvimento tecnológico tem contribuído para a absorção de novos recursos no processo de trabalho, através de ferramentas que contribuem para a obtenção de melhores resultados no cuidado de saúde” (Guimarães e Sena, 2003).
Torna-se fundamental que os enfermeiros sejam parte ativa neste processo de desenvolvimento tecnológico, identificando as potencialidades de aplicação das TIC, no sentido de desenvolverem as competências necessárias para a rentabilização da sua utilização, na sua área de intervenção profissional. O acesso à informação, credível e pertinente, é hoje, no âmbito da saúde, uma das condições fundamentais para que um profissional possa exercer com eficácia e qualidade a sua atividade quotidiana.
Efetivamente, ter ou não o acesso às informações necessárias pode contribuir decisivamente para a adequação e sucesso dos
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cuidados prestados aos utentes, permitindo a rentabilização dos recursos humanos e materiais existentes, pois “o saber começa a ter, cada vez mais, um outro significado, passando a centrar-se no saber procurar, saber interpretar e saber integrar diversas fontes de dados com vista a realizar um objectivo.” (Ponte e Serrazina, 1998, p. 9).
Neste contexto, a utilização das TIC em enfermagem passa pelo desenvolvimento e adequação de instrumentos e procedimentos informáticos que apoiem os enfermeiros no aperfeiçoamento da sua prática profissional. Implica, portanto, um envolvimento pluridisciplinar, com intercâmbio de saberes entre este grupo profissional e outros, destacando neste particular os restantes da área da saúde e os da área da informática, numa lógica de cooperação efetiva baseada em interações sustentadas na reciprocidade, na confiança e na necessidade de partilha de recursos e saberes, como forma de potenciar e reconfigurar conhecimentos e competências, numa lógica de redes de conhecimento.
Para que estes processos sejam uma realidade e decorram de forma eficiente, implica que os profissionais de enfermagem que tenham dificuldades na utilização destes recursos adotem um conjunto de atitudes favoráveis, que lhes permita conseguir integrar estes meios tecnológicos na sua prática diária.
Na prestação de cuidados de enfermagem aos utentes, o reflexo principal da utilização das TIC tem subjacente a facilidade que é proporcionada no acesso, em tempo real, a diferentes informações que se revelam necessárias para a assistência. Permitem o acesso a “informações sobre os pacientes, mas também sobre os avanços da ciência, as novas descobertas, os mais recentes trabalhos publicados, enfim todo o conhecimento de que necessitamos e que nos auxiliará para a melhoria da qualidade de nossa acção.” (Marin, 1995, p. 12).
O acesso a estes conhecimentos, além das potencialidades formativas, permite estimular ainda uma colaboração efetiva entre os diferentes profissionais de saúde, rentabilizando os recursos existentes nas organizações e melhorando a qualidade dos cuidados de enfermagem prestados, sendo um pequeno exemplo disso a utilização de meios informáticos na colheita de dados, elaboração e atualização de planos de cuidados de enfermagem dos utentes.
Desta forma, esta interação e partilha de informação proporcionada pela utilização das TIC poderá configurar-se numa forma de Capital Social, isto é, as redes funcionarem como mecanismos de estruturação da própria ação coletiva, beneficiando das ações
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individuais os seus utilizadores diretos (profissionais de saúde), mas constituindo-se ao mesmo tempo uma oportunidade ou recurso para atingir determinados fins, como a prestação de melhores cuidados de saúde aos utentes; assim, estas redes poderão ser encaradas como um bem público, porque possibilitam a apropriação individual daquilo que é gerado de uma forma coletiva (Coleman, 1988; Rigo e Oliveira, 2007; Uphoff e Wijayaratna, 2000).
Assim, ficam percetíveis as inúmeras potencialidades ainda a explorar; podemos ilustrar, por exemplo, com o aumento da quantidade e complexidade de informações sobre os utentes do serviço de saúde. Apresentando-se as TIC como uma solução inultrapassável para a gestão e armazenamento dos dados relativos à assistência de saúde, com benefícios importantes na continuidade dos cuidados prestados à população (Llapa, Echevarría, Magnani e Candundo, 2008).
Estas tecnologias, quando aplicadas de forma adequada, podem auxiliar na execução das atividades burocráticas e na realização de ações específicas de enfermagem, possibilitando a organização e disponibilização dos dados necessários ao atendimento dos utentes. No que diz respeito à gestão das unidades de saúde, nomeadamente na área de enfermagem, a sua utilidade é inquestionável, permitindo uma clara rentabilização e gestão dos recursos humanos e materiais, com claros benefícios económicos e de funcionamento para as organizações de saúde e, naturalmente, para os que a elas recorrem.
A utilização de instrumentos facultados pelas TIC na gestão facilita a execução de um amplo conjunto de atividades, nomeadamente de cariz administrativo, reduzindo o seu custo e o tempo despendido na sua realização, através do acesso a sistemas informatizados de reposição de material ou de elaboração de horários de pessoal, que se revelam bastante eficientes. Sendo instrumentos dinâmicos que facilitam estas tarefas, permitem aos profissionais de enfermagem centrarem-se efetivamente nos cuidados prestados aos utentes.
Também na formação destes profissionais esta realidade se faz sentir, verificando-se vantajosa a introdução das TIC nas práticas de formação em enfermagem, pois cada vez mais se exige a estes profissionais o desenvolvimento de uma maior quantidade de conhecimentos e competências, técnicas e relacionais, a par de competências qualificantes para utilizarem eficientemente os diferentes recursos tecnológicos existentes na área da saúde, podendo ser uma opção extremamente válida em vários estádios de aprendizagem.
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A par da importância destas tecnologias como instrumento pedagógico, outro aspeto se perfila, na formação em enfermagem, o facultar a aprendizagem sobre a utilização destes mesmos recursos tecnológicos, intimamente ligados com o desenvolvimento de competências práticas por parte dos formandos. Estes recursos devem, então, ser vistos de uma forma dialética, simultaneamente elementos de formação e elementos de prática profissional (Peres e Kurcgant, 2004).
Os processos tecnológicos desenvolvidos na formação em enfermagem podem-se enquadrar em duas categorias amplas, conforme as suas características: sistemas tutoriais e sistemas de simulação. Um sistema tutorial será produzido de forma a facultar ao formando um conjunto de informações sobre um ou mais temas, permitindo-lhe uma análise e reflexão sobre a matéria, proporcionando- lhe uma maior facilidade e flexibilidade no processo de aprendizagem, para atingir o melhor desempenho.
Constituindo-se como uma vantagem concreta neste âmbito formativo, enquanto sistemas de simulação de situações de vida real, estes recursos deverão ter implícitas características interativas, representando uma ferramenta importante numa área como a da saúde, por permitirem o ensino de procedimentos técnico-científicos, onde se verifica algum grau de dificuldade de demonstração prática, quer devido à necessidade de várias repetições ou implicar riscos físicos, quer por exigir ao aluno a imaginação de situações complexas e muitas vezes ainda desconhecidas, no estádio de formação em que se encontra.
Na formação em enfermagem, as TIC podem claramente contribuir para preparar os formandos para uma prática profissional de forma mais eficiente, permitindo-lhes desenvolver competências funcionais efetivas, pela possibilidade que facultam de observar, decompor e analisar os diferentes elementos que compõem uma determinada atividade ou processo, mas também “para o uso das tecnologias da informação disponíveis, necessárias para incrementar as suas actividades assistenciais.” (Marin, 1995, p. 19).
De forma análoga, na realização de procedimentos de investigação em enfermagem, os meios tecnológicos atualmente disponíveis constituem uma componente facilitadora relevante, podendo ser utilizados tanto no decurso dos procedimentos de recolha e análise de dados, como na elaboração das diferentes etapas dos relatórios finais da pesquisa e sua subsequente divulgação, permitindo
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a partilha de saberes e a sua difusão, mais uma vez numa lógica de constituição de redes de conhecimento.
Existem sistemas informáticos que facilitam a identificação e análise dos dados obtidos, bem como a pesquisa de outro material existente sobre a temática a tratar, que possa contribuir para a obtenção de diferentes perspetivas sobre a abordagem realizada e a comparação dos procedimentos desenvolvidos, pela consulta de outros estudos realizados, no sentido de melhorar a compreensão e análise dos dados obtidos.
Em pesquisa epidemiológica, a utilização de bases de dados informatizados, existentes nas organizações de saúde, apresenta-se como uma perspetiva real e bastante proveitosa, que em muito contribui para a investigação efetuada na área da saúde. Esses dados podem ser associados em programas informáticos atualmente disponíveis, que facilitam a sua análise e consequente interpretação.
A enfermagem, enquanto corpo de conhecimento, não se pode basear em experiências empíricas, pelo que o apoio disponibilizado nesta área pelas TIC é de extrema importância, contribuindo para estruturar e definir o conhecimento científico da disciplina. Através da investigação baseada na prática dos enfermeiros, é possível comprovar e fundamentar as atividades desenvolvidas, constituindo um estímulo ao desenvolvimento e à afirmação profissional.