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Definic¸ ˜ao 2.87. Uma aplicac¸˜ao linear invert´ıvel de Rn ´e uma aplicac¸˜ao linear

bijectiva F : Rn → Rn, ent˜ao um isomorfismo F : Rn → Rn.

Proposic¸˜ao 2.88. Sejam F : Rn → Rnuma aplicac¸˜ao linear e A a matriz associ-

ada do tipo n× n. Ent˜ao as seguintes asserc¸˜oes s˜ao equivalentes:

1. F ´e linear invert´ıvel. 2. A ´e regular.

3. Existe uma matriz B do tipo n× n tal que B ◦ A = E.

4. Existe uma matriz B do tipo n× n tal que A ◦ B = E.

5. r(A) = n.

6. Todas as colunas de A s˜ao linearmente independentes. 7. Todas as linhas de A s˜ao linearmente independentes. 8. As colunas de A gerem Rn.

9. As linhas de A gerem Rn.

10. F ´e injectiva. 11. F ´e sobrejectiva.

Demonstrac¸˜ao. Precisamos de demonstrar s´o um n´umero suficiente de equi- valˆencias tais que as outras seguem pela transitividade de⇔.

1. ⇔ 2.: ver corol´ario 2.81. 10. ⇔ 11.: ver corol´ario 2.64.

1. ⇔ 10.: segue agoria immediatamente. 2. ⇒ 3.: ´obvio.

3. ⇒ 10.: Seja F (~x) = ~0. Por 3. segue ~x = E ◦ ~x = (B ◦ A) ◦ ~x = B ◦ (A ◦ ~x) = B ◦ ~0 = ~0.

J´a sabemos10. ⇔ 2. e obtemos ent˜ao 2. ⇔ 3. e 3. ⇔ 10. 2. ⇒ 4.: ´obvio.

4. ⇒ 11.: Seja ~y ∈ Rn. Com B de4. definimos ~x = B ◦ ~y; segue ~y = E ◦ ~y = (A ◦ B) ◦ ~y = A ◦ (B ◦ ~y) = A ◦ ~x, ent˜ao ~y = F (~x).

Como em cima segue, com11. ⇔ 2., 2. ⇔ 4 e 4. ⇔ 11. 8. ⇔ 11.: As colunas de A gerem im(F ).

As restantes equivalˆencias seguem com caracter´ıstica de linhas(A) = caracter´ıstica de colunas(A) =

r(A) e proposic¸˜ao 2.59, que diz que um sistema de n vectores de Rn, que s˜ao li-

nearmente independentes ou que gerem o Rn, j´a ´e uma base.

Definic¸ ˜ao 2.89. O conjunto GL(n, R) := {A : A ´e uma matriz regular (real) do tipo n × n}

chama-se grupo linear geral de caracter´ıstica n sobre R. Os elementos de GL(n, R)

chamam-se matrizes regulares ou invert´ıveis.13

Proposic¸˜ao 2.90. GL(n, R) ´e um grupo em relac¸˜ao a multiplicac¸˜ao de matizes.

para n≥ 2, este grupo ´e n˜ao-comutativo.

Demonstrac¸˜ao. A matriz unit´aria ´e regular, ent˜ao GL(n, R) 6= ∅. No corol´ario

2.82 verific´amos que o produto de matrizes regulares ´e tamb´em regular. Ent˜ao

GL(n, R) ´e fechado pela multiplicac¸˜ao de matrizes.

1. A associatividade da multiplicac¸˜ao de matrizes foi demonstrada na proposic¸˜ao 2.47.

2. A matriz unit´aria ´e regular e para qualquer A ∈ GL(n, R) verifica-se A ◦ E = A.

3. A existˆencia da inversa (direita) para qualquer matrix em GL(n, R) ´e ga-

rantida pela definic¸˜ao 2.80 de matrizes regulares.

Para mostrar a n˜ao-comutatividade da multiplicac¸˜ao de matrizes usamos o exem- plo 2.46: Encontr´amos matrizes A, B do tipo2 × 2 tais que A ◦ B 6= B ◦ A. Para n ≥ 2 definimos ˜ A =  A2,2 O2,n−2 On−2,2 En−2,n−2 

´e ˜B analogamente. Ent˜ao verifica-se

˜ A◦ ˜B = A ◦ B O O E  , B˜◦ ˜A= B ◦ A O O E  e logo ˜A◦ ˜B 6= ˜B◦ ˜A. ⊣

Nota-se que, em geral, a soma de duas matrizes invert´ıveis n˜ao ´e invert´ıvel. Vamos ainda considerar uma classe de aplicac¸˜oes lineares invert´ıveis particu- lares ou seja matizes particulares que ´e um subgrupo de GL(n, R). A noc¸˜ao de

subgrupo ´e definida an´alogo ao subespac¸o vectorial (ver definic¸˜ao 1.27).

Definic¸ ˜ao 2.91 (Subgrupo). Seja (G, ◦) um grupo. Um subconjunto H ⊂ G

chama-se subgrupo, se se verificar: 1. H 6= ∅,

2. Para todos os x, y∈ H, tamb´em x ◦ y ∈ H.

3. Para todo o x∈ H, tamb´em x−1 ∈ H.

Um subgrupo H de G com as mesmas operac¸˜oes com G ´e um grupo.

Homotetias

Definic¸ ˜ao 2.92. Uma aplicac¸˜ao linear F : Rn → Rn chama-se homotetia, se

existe um n´umero real a 6= 0 tal que para todo o ~x ∈ R: F (~x) = a · ~x. Porque

F(~ei) = a~ei, a matriz associada ´e A =      a 0 . . . 0 0 a . . . 0 .. . ... . .. ... 0 0 . . . a      = a · E.

Proposic¸˜ao 2.93. O conjunto de todas as matrizes do tipo n× n associadas `as

homotetias

H := {A|A = a · En,n, a∈ R \ {0}}

Demonstrac¸˜ao. Usamos as regras de c´alculo para a multiplicac¸˜ao de escalares e

a multiplicac¸˜ao de matrizes.

Seja A= a·E ∈ H. Porque (a1·E)◦(a·E) = (a·E)◦(1

a·E) = (a· 1

a)·(E◦E) = E, A ´e regular. Ent˜ao H ⊂ GL(n, R) e para qualquer elemento, tamb´em o inverso

pertence a H. Obviamente, H 6= ∅. Finalmente, para A = a · E, B = b · E ∈ H

verifica-se: A◦B = (a·E)◦(b·E) = (a·b)·(E ◦E) = (ab)·E, ent˜ao A◦B ∈ H.

Logo, o conjunto H ´e fechado pela operac¸˜ao de grupo◦. ⊣

Definic¸ ˜ao 2.94. Um homomorfismo de grupos bij´ectivo chama-se isomorfismo de grupos.

Nota 2.95. O conjunto de n´umeros reais n˜ao igual zero, R∗ := R \ {0}, ´e um

grupo comutativo com a multiplicac¸˜ao usual. Por h : R∗ → H, a 7→ a · E

´e obviamente definido um isomorfismo de grupos R∗ → H. Por isso, H ´e um

3

Construc¸˜oes de espac¸os vectoriais

3.1

Somas directas

Na proposic¸˜ao 1.31 mostr´amos que a intersecc¸˜ao V1 ∩ V2 de dois subespac¸os

vectoriais de um espac¸o vectorial V ´e tamb´em um subespac¸o vectorial de V . Em geral, este propriedade n˜ao se verificar para a uni˜ao V1 ∪ V2. A uni˜ao s´o une os

elementos dos subespac¸os, mas n˜ao adicionar (novas) combinac¸˜oes lineares que podem ser definidas a partir dos vectores em V1 e V2. Ent˜ao, em vez da uni˜ao

devemos considerar a soma de dois subespac¸os vectorias, que ´e a uni˜ao mais das combinac¸˜oes lineares adicionais.

Definic¸ ˜ao 3.1. Sejam V1 e V2 subespac¸os vectoriais do espac¸o vectorial V . Ent˜ao

a soma V1+ V2 ´e o conjunto{x1+ x2|x1 ∈ V1, x2 ∈ V2}.

Proposic¸˜ao 3.2. Sejam V1 e V2 subespac¸os vectoriais do espac¸o vectorial V .

Ent˜ao V1+ V2 ´e tamb´em um subespac¸o vectorial de V .

Demonstrac¸˜ao. Exerc´ıcio. ⊣

Nota 3.3. V1+ V2 ´e o menor subespac¸o vectorial de V que cont´em V1∪ V2.

Estamos interessados em particular em somas para o caso em que V1 ∩ V2 = {0}. Para isso, introduzimos duas variac¸˜oes da noc¸˜ao soma directa:

Definic¸ ˜ao 3.4. Sejam V1e V2 subespac¸os vectoriais do espac¸o vectorial V , e V1∩ V2 = {0}. Ent˜ao a soma V1+ V2 chama-se soma directa (interna) de V1 e V2 e ´e

designada por V1⊕V2.

Definic¸ ˜ao 3.5. Sejam V e W espac¸os vectoriais. Ent˜ao a soma directa (externa)

´e definida por

V ⊕W := {(x1, x2)|x1 ∈ V, x2 ∈ W }

com a adic¸˜ao e multiplicac¸˜ao por escalares definidas por

(x1, x2) + (y1, y2) = (x1+ y1, x2+ y2) e c· (x1, x2) = (c · x1, c· x2). Nota 3.6. A soma directa interna ´e so definida para espac¸os vectoriais que s˜ao

subespac¸os de um “superespac¸o” comum, e s´o no caso em que a intersecc¸˜ao destes subespac¸o ´e o zero. Os elementos desta soma s˜ao definida a partir da operac¸˜ao de adic¸˜ao do superespac¸o.

A soma directa externa ´e definida para quaisquer espac¸os vectoriais. Os ele- mentos s˜ao pares e os componentes destes pares n˜ao interferem. A adic¸˜ao e a multiplicac¸˜ao por escalares ´e definida componente por componente.

A definic¸˜ao pode ser estendida, na forma natural, para a soma de mais de dois espac¸os vectoriais, onde os pares s˜ao substitu´ıdos por ´uplos.

Nota 3.7. Rn= R⊕. . .⊕R

| {z }

n vezes

e Rn+m = RnRm.

Proposic¸˜ao 3.8. Sejam{x1, . . . , xn} uma base de V e {y1, . . . , ym} uma base de W . Ent˜ao {(x1,0), . . . , (xn,0), (0, y1), . . . , (0, ym)} ´e uma base de V ⊕W . Em

particular,dim(V ⊕W) = n + m.

Demonstrac¸˜ao. Exerc´ıcio ⊣

Nota 3.9. Podemos ilustrar a relac¸˜ao entre a soma directa externa e a soma di-

recta interna da seguinte forma: Se associamos a V o espac¸o vectorial V′ = {(x, 0W)|x ∈ V } e a W o espac¸o vectrial W′ := {(0V, y)|y ∈ W }, ent˜ao V′

´e isomorfo a V , W′ ´e isomorfo a W e V′ e W′ s˜ao (trivialmente) subespac¸os de

V ⊕W (a soma directa externa de V e W ). Agora, a soma directa interna V′⊕W′

´e obviamente igual a V ⊕W , porque tˆem bases iguais.

Definic¸ ˜ao 3.10. Sejam V , W e U espac¸os vectoriais e F : V → U e G : W → U

aplicac¸˜oes lineares. Ent˜ao a aplicac¸˜ao H : V ⊕W → U, H(x, y) = F (x) + G(y)

chama-se aplicac¸˜ao linear induzida ou soma directa de F e G. Escrevemos H =: F ⊕ G.

Nota 3.11. H ´e linear.

Demonstrac¸˜ao. Exerc´ıcio ⊣

Uma quest˜ao de interesse ´e se podemos, dado um espac¸o vectorial W e um subespac¸o V1 de W , encontrar um “complemento”, i.e., um subespac¸o V2 tal que W = V1⊕V2. (J´a fizemos isso na demonstrac¸˜ao da f´ormula de dimens˜ao, quando

o n´ucleo de uma aplicac¸˜ao foi dado e construimos um complemento para que a aplicac¸˜ao linear ´e injectiva.)

Proposic¸˜ao 3.12. Sejam V1 e V2 subespac¸os de W tais que V1∩ V2 = {0}. Con-

sideramos as aplicac¸˜oes de injecc¸˜ao can´oncias Fi : Vi → W , Fi(x) = x. Ent˜ao F := F1⊕ F2 : V1⊕V2 → W, F (x1, x2) = x1+ x2 ´e injectiva.

Demonstrac¸˜ao. Porque F ´e linear, ´e suficiente mostrar: nuc(F ) = {0V1⊕V2} =

{(0, 0)}. Seja ent˜ao (x1, x2) ∈ nuc(F ) ⊂ V1⊕V2. Temos que 0 = F (x1 + x2) = F1(x1) + F2(x2) = x1 + x2. Logo x1 = −x2 ∈ V1 ∩ V2 = {0}, i.e.,

Nota 3.13. Sejam V1 e V2 subespac¸o vectoriais de W tais que V1 ∩ V2 = {0}.

Seja a aplicac¸˜ao can´onica F da soma directa externa V1⊕V2 em W , dado por F(x1, x2) = x1 + x2, sobrejectiva. Ent˜ao W ´e a soma directa interna V1⊕V2. Proposic¸˜ao 3.14. Seja W = V1⊕V2 a soma directa interna de V1 e V2. Para

qualquer x ∈ W existem vectores univocamente determinadas x1 ∈ V1 e x2 ∈ V2

tais que x= x1+ x2.

Demonstrac¸˜ao. Seja x ∈ W . Porque a aplicac¸˜ao can´oncia F ´e bijectiva, existe

um e s´o um par(x1, x2) ∈ V1⊕V2(a soma directa externa) tal que x= F (x1, x2) =

F1(x1) + F2(x2) = x1+ x2. ⊣

Exemplo 3.15. Sejam V1 = {~a ∈ R3|a2 = a3 = 0} uma recta e V2 = {~a|a1+ 2a2+ 3a3 = 0} um plano em R3. Obviamente V1∩ V2 = {~0}. Para qualquer ~x ∈ R3definimos ~a1 := (x1+2x2+3x3,0, 0) ∈ V1e ~a2 := (−2x2,−3x3, x2, x3) ∈ V2

tais que ~x= ~a1+ ~a2 = F (~a1, ~a2). Ent˜ao R3 = V1⊕V2.

Na seguinte proposic¸˜ao 3.17 consideramos s´o espac¸os vectorais da dimens˜ao finita, mas o resultado verifica-se tamb´em para espac¸os da dimens˜ao infinita.

Recordamos a proposic¸˜ao sobre a complementac¸˜ao de uma base que mostra- mos na demonstrac¸˜ao da f´ormula de dimens˜ao.

Proposic¸˜ao 3.16. Seja W um espac¸o vectorial de dimens˜ao finita,dim W = n e

sejam vectores linearmente independentes x1, . . . , xs ∈ W dados, s ≤ n. Ent˜ao

existem vectores xs+1, . . . , xn ∈ W tais que {x1, . . . , xn} ´e uma base de W . Proposic¸˜ao 3.17 (existˆencia de um complemento). Sejam W um espac¸o vectorial

da dimens˜ao finita e V1 ⊂ W um subespac¸o de W . Ent˜ao existe um subespac¸o V2 ⊂ W tal que W = V1⊕V2.

Demonstrac¸˜ao. Porque V1 ⊂ W , V1 ´e da dimens˜ao finita e existe uma base {x1, . . . , xs} de V1. Com proposic¸˜ao 3.16 complementamos esta para uma base {x1, . . . , xn} de W .

Seja V2 = hxs+1, . . . , xni. Mostramos a primeiro que V1 ∩ V2 = {0}. Seja x∈ V1∩ V2. Porque x∈ V1e x∈ V2 existems a1, . . . , as ∈ R e as+1, . . . , an∈ R

tais que x = a1x1+ · · · + asxs = as+1xs+1+ · · · + anxn. Ent˜ao0 = a1x1+ · · · + asxs− as+1xs+1 − · · · − anxn. Por causa da independˆencia linear de x1, . . . , xn

segue a1 = · · · = an = 0. Obviamente, temos 0 ∈ V1∩ V2.

Seja F como na proposic¸˜ao 3.12 a soma directa das aplicac¸˜oes can´oncias F1⊕ F2de V1⊕V2 em W . Demonstramos que imF = W . Seja x ∈ W , ent˜ao existem a1, . . . , an ∈ R tais que x = a1x1+ · · · + anxn. Sejam y1:= x1+ · · · + asxs ∈ V1

e y2as+1xs+1 + · · · + anxn ∈ V2. Logo x = y1 + y2 = F (y1, y2); ent˜ao F ´e

sobrejectiva. ⊣

O exemplo seguinte mostra que o complemento V2 de V1 (com as excepc¸˜oes

de V1 = W e V1 = {0}) ´e, em geral, n˜ao univocamente determinado.

Exemplo 3.18. Consideramos mais uma vez o example 3.15. Sejam W = R3

e V1 = {~a ∈ R3|a2 = a3 = 0}. Ent˜ao V2 = {~a ∈ R3|a1 + 2a2 + 3a3 = 0} e

tamb´em ˆV2 = {~a ∈ R3|a

1 = 0} s˜ao complementos de V1no sentido da proposic¸˜ao

anterior: W = V1⊕V2 = V1⊕Vˆ2.

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