Capítulo 5 Definição e Construção de Ambientes de Engenharia de Software
5.8 Cenário de Uso dos Ambientes de Engenharia de Software Orientados a
5.8.2 Apoio Ferramental
O apoio ferramental a ser utilizado será baseado principalmente no conjunto de ferramentas disponibilizadas pela Estação Taba através dos Ambientes Configurados Corporativos, Organizacionais e de Projeto. Estas ferramentas são descritas nas seções 3.3.1 e 5.7 desta tese. Além disso, serão utilizadas outras ferramentas de apoio possuídas pelas organizações envolvidas como o Caliber RM (para gerência de requisitos), MS Project Server (para gerência de cronograma e de alocação de recursos humanos), CVS (para controle de versão de código e alguns documentos) e ClearQuest (para controle de requisições de funcionalidades pelos usuários e gerência de ações corretivas).
A utilização das ferramentas e dos Ambientes Taba será descrita a seguir.
A tela exibida na Figura 5.37 corresponde à atividade “Definir Ambiente Configurado” da ferramenta de Definição de Ambientes Configurados (cujo processo foi descrito na seção 5.7.1). Nesta tela, pode-se identificar o nome do ambiente configurado a ser gerado no final e a organização ou corporação a que ele se destina (a escolha entre uma organização e uma corporação derivará seu tipo, respectivamente: Ambiente Organizacional ou Ambiente Corporativo). Neste caso, foi definido o Ambiente Configurado Corporativo para a Aeronáutica.
Figura 5.40 – Definição de Ambiente Configurado – Definir Ambiente Configurado
Durante a execução da atividade “Caracterizar Contexto de Configuração”, que pode ser vista na Figura 5.41, podem ser definidos os contextos de Processos de Software (o que inclui os tipos de software), de Apoio Ferramental e de Domínio de Aplicação que o Ambiente apoiará.
O contexto de Processos de Software inclui os tipos de software (por exemplo, software para Web), tipos de processo (por exemplo, Desenvolvimento, Aquisição, Medição), paradigma de desenvolvimento (por exemplo, orientado a objetos ou estrutura), modelos e níveis de maturidade apoiados (por exemplo, CMMI Nível 2 ou MPS.BR Nível E). O contexto de Apoio Ferramental permite possibilita quais ferramentas devem ser disponibilizadas no ambiente a ser gerado. O contexto de Domínio de Aplicação possibilita escolher quais teorias de domínio devem estar disponíveis no ambiente a ser gerado.
Para a Aeronáutica, foi definida utilização do paradigma de desenvolvimento orientado a objetos e a possibilidade de construção de software Web e não Web. Além disso, como há na Corporação organizações com diferentes níveis de maturidade, escolheu- se os tipos de processo compatíveis com os níveis G e E do MPS.BR, além do Processo de Desenvolvimento. Além disso, selecionaram-se as ferramentas da Estação Taba compatíveis e adequadas a estes níveis.
Na atividade “Selecionar Ativos de Processos”, Figura 5.42, é possível incluir na base inicial do Ambiente os processos padrão e especializados (ver seção 5.7.2) a serem utilizados e também os ativos de processo existentes (ver seção 5.7.3). No caso de estar-se fazendo a configuração de Ambiente Corporativo são exibidos os processos e ativos de processos disponíveis na base do Meta-Ambiente. No caso de estar-se fazendo a configuração de Ambiente Organizacional são exibidos os processos e ativos de processos disponíveis na base do Ambiente Corporativo.
Para a Aeronáutica, foram escolhidos, novamente, ativos de processos compatíveis com os níveis que devem ser apoiados para comporem a base inicial da biblioteca de ativos corporativos. Estes ativos poderão ser evoluídos no futuro a critério da corporação e/ou de suas organizações.
Por fim, a atividade “Gerar Ambiente Configurado”, que pode ser vista na Figura 5.43, finaliza o processo e permite a disponibilização do ambiente a seus usuários finais. A partir deste momento, o Ambiente Corporativo para a Aeronáutica já pode ser utilizado. De posse de seu Ambiente Configurado, a Corporação em questão pode utilizá-lo para gerar ambientes paras as organizações da mesma forma que o descrito anteriormente.
Figura 5.42 – Definição de Ambiente Configurado – Selecionar Ativos de Processos
A definição dos processos para a Corporação é feita num momento anterior à definição do Ambiente Corporativo através da ferramenta EditPro, que pode ser vista na Figura 5.44. A tela exibida permite a derivação de processos especializados a partir dos processos padrão definidos. No exemplo, está sendo definido o processo especializado para o paradigma Orientado a Objetos.
Figura 5.44 – Definição de Processos Especializados – Implementação
Antes da definição do Ambiente para uma corporação ou organização é necessário o seu cadastro. A definição da Estrutura Organizacional na Estação Taba é feita através da ferramenta Sapiens (SANTOS, 2003; SANTOS et al., 2004). Esta ferramenta permite a identificação da estrutura organizacional (composta pelas unidades organizacionais) e a distribuição de competências através desta estrutura por meio da identificação das pessoas que compõem a organização e as competências possuídas por elas. Também é possível identificar as equipes disponíveis na organização e os requisitos de competência para que as pessoas ocupem determinadas posições ao longo da estrutura organizacional. A partir de
agora é possível definir também corporações através da associação da corporação com suas organizações subordinadas, como pode ser visto na Figura 5.45. O ícone “C” ao lado do nome organização na árvore exibida na esquerda da tela a qualifica como uma corporação. Para cada corporação é possível indicar quais são suas organizações subordinadas, como pode ser visto na parte direita da tela.
Figura 5.45 – Descrição da Estrutura Organizacional da Corporação – Implementação
Uma vez de posse de seu Ambiente Configurado, a Corporação pode prosseguir o povoamento e evolução de sua biblioteca de ativos de processos. A Figura 5.46 exibe a definição da estrutura da biblioteca de ativos de processos para a Aeronáutica com base no conteúdo inicial definido durante a configuração do ambiente. Neste momento, é possível incluir na lista de ativos gerenciáveis quaisquer documentos desejados pela organização/corporação. Podem-se associar, também, ferramentas aos itens de forma a facilitar sua utilização.
Figura 5.46 – Biblioteca de Ativos de Processos - Implementação
Os itens da biblioteca de ativos de processos depois poderão ser colocados nos níveis apropriados de gerência de configuração, como pode ser visto na Figura 5.47.
A ferramenta de gerência de configuração foi modificada para: (i) permitir o controle de versão dos documentos além do controle de alteração; (ii) permitir que uma Corporação possa obrigar suas Organizações a seguir um plano mínimo de gerência de configuração dos seus ativos de processo; e (iii) permitir que uma Organização defina um plano mínimo de gerência de configuração para os produtos dos projetos a serem executados.
A Figura 5.48 mostra a definição de um Ambiente de Projeto para o projeto piloto de utilização do processo padrão no CCA BR através da ferramenta AdaptPro. Esta tela se presta à caracterização do projeto a ser apoiado pelo ambiente a ser gerado. Pode-se perceber a possibilidade de escolha do tipo de processo a ser utilizado (foi escolhido dentre as opções disponíveis, o de “Desenvolvimento”) e também a definição de qual processo especializado a ser utilizado (no caso, “Projeto OO”).
Figura 5.48 – Definição de Ambiente de Projeto – Implementação
Após a definição do Ambiente do Projeto, o processo contido nele deve ser executado. A Figura 5.49 exibe a tela principal de um Ambiente de Projeto, responsável pela execução do processo deste projeto. A orientação a processos pode ser vista na lateral direita da tela: é exibido o processo interno que guia a utilização da ferramenta ou, no caso
de um ambiente de projeto, o processo de software utilizado durante a definição do ambiente. A integração com a ferramenta Acknowledge pode ser vista na lateral direita da tela. O conhecimento associado à atividade sendo executada é exibido proativamente, não sendo mais, portanto, dependente da interação do usuário para ser exibido. A área central da figura contém, de fato, as funcionalidades de cada ferramenta.
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Figura 5.49 – Execução de Processos nos Ambientes de Projeto - Implementação
Dessa forma, a partir da tela principal do Ambiente do Projeto, o usuário pode percorrer todo o processo de software do projeto, como pode ser visto na Área 1 da Figura 5.49. Ao se selecionar uma das atividades (identificada pelo símbolo de uma folha de papel) (i) seus detalhes também são exibidos na Área 2 e (ii) os itens de conhecimento associados a ela são exibidos na Área 3.
A integração da ferramenta Acknowledge também pode ser vista na Figura 5.49. Quando o usuário seleciona uma atividade, sua descrição é exibida, como pode-se ver na Área 3. Os itens de conhecimento, a princípio, são exibidos na forma reduzida. Nesta forma de exibição, são mostrados os 100 primeiros caracteres acompanhados de um link para a descrição completa, representado pelos caracteres “>> ...”. Ao se clicar sobre este
link, é exibido o conteúdo completo do conhecimento associado à atividade, desta vez, acompanhado de um link para a descrição resumida, representado pelos caracteres “<< ...”. Durante a execução do programa de melhoria de processos, caso uma evolução nos processos padrões da corporação ou de uma das organizações for identificada e realizada, é possível definir uma evolução do ambiente configurado correspondente através de uma nova configuração. Neste caso, os projetos em andamento podem continuar a utilizar e executar seus processos normalmente enquanto novos projetos terão acesso à versão melhorada dos processos através dos novos ambientes de projeto que forem gerados.