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2.4 POSTURA OCULAR, ALCANCE E APOIO

2.4.3 Apoio e o movimento do braço

O apoio correto dos braços nas tarefas realizadas em computador é um fator importante, principalmente ao se fazer desenhos com os dispositivos que requerem movimentos repetitivos e amplos para essa tarefa. Por isso, é fácil encontrar situação em que ocorra a falta de espaços e a ausência das adequações para os posicionamentos dos equipamentos utilizados, juntamente com a falta de apoios para os braços, que, comumente, geram o desconforto, originando uma busca constante por outros pontos de apoios para suprir as necessidades dessa tarefa, seja na mesa, seja na cadeira, seja onde achem que descansam em alguma outra posição, que, muitas vezes, é indevida.

A falta de espaço pode levar, também, a momentos em que os braços fiquem totalmente sem apoio, forçando a musculatura do ombro, da coluna cervical e da parte superior do troco. O ideal são os cotovelos mantidos sempre junto ao corpo e os braços da cadeira devem ser utilizados apenas para a posição de descanso dos membros superiores (IIDA, 2005).

Ademais, cada profissional tem seu jeito particular de realizar traçados nos desenhos analógicos, adotando diversas posturas relativas às mãos ao segurar e movimentar o lápis. A oscilação do braço de uma pessoa ao realizar um desenho tende a fazer movimentos amplos; por essa razão, muitos materiais disponíveis no mercado sobre desenho e sites relacionados com o ensino de desenho apontam que, quanto maior a área de contato do braço sobre a mesa menor será o movimento dele.

Por isso, o ideal para o desenho é não fazer o traço apoiando o braço por completo sobre a mesa, e ainda ter movimentos leves e soltos. Pode também deslizar o braço sobre a mesa, capacitando a ampliação dos traçados do lápis. Pode acontecer de apenas movimentar o pulso para desenhar algum detalhe ou para fazer desenhos que exijam precisão e controle maior. Porém, restringir o movimento utilizando apenas o pulso pode ocasionar a sua sobrecarga (VINCENTE, 2008).

Nesse sentido, movimentar a mão e restringir o movimento do pulso para o controle dos dispositivos tende a representar uma situação de cuidado. Entende-se que utilizar as articulações maiores, de ombro e cotovelo, divide melhor a força aplicada sobre os músculos e ossos. Esses movimentos mais amplos são melhores,

não somente para dividir o esforço muscular mas também – como os próprios manuais de desenho indicam – porque traçados longos e repetitivos funcionam como forma de exercícios para a liberação do traço, estimulando os movimentos iniciados pelo pulso, estendendo-se ao longo do braço, possibilitando ações de traçados maiores e mais naturais.

Para não sobrecarregar o membro superior, o ideal é buscar leveza, controle da velocidade, utilizando, para isso, todo o braço, resultando em movimentos executados com mais de uma articulação ao mesmo tempo, para não sobrecarregá- las, pois as dores e os problemas relacionados com ela estão justamente em não haver essa distribuição. No caso do mouse, além de ter uma movimentação mais limitada pelo seu formato e peso do dispositivo, a posição do braço não é nada favorável para o uso, uma vez que ele força mais as mãos e o antebraço, justamente por não proporcionar um movimento natural do corpo, provocando a torção dos músculos e ossos do antebraço, em uma posição cruzada (Figura 4).

Com a stylus, ocorre um movimento mais ergonômico e os músculos ficam relaxados (Figura 4), exigindo, portanto, menos esforços do corpo, sendo ideal para movimentos maiores do braço, os quais, por sua vez, não ficam presos a uma mesma postura, proporcionando amplos movimentos similares aos do lápis, que são distribuídos ao longo do braço e não ficam forçando um mesmo local (WACOM, 2013; SORGATZ, 2008).

Figura 4 – Posição dos músculos do braço utilizando mouse e mesa digitalizadora.

E movimentos durante o uso dos dispositivos.

Fonte: Wacom (2013).

Uma classificação geral envolvendo operações de tarefas com as mãos pode demonstrar o quanto é delicado o uso de movimentos envolvendo dedos,

pulso, antebraço, braço e ombro, como no ato de desenhar ou operar junto ao computador, havendo uma necessidade de mudança de postura para não haver sobrecargas e fadiga (BARNES, 1977). Nesse sentido, são cinco as classes gerais dos movimentos das mãos, que devem se realizar próximos aos materiais e ferramentas, para que haja economia dos movimentos e menor fadiga:

1) Movimentos dos dedos.

2) Movimentos envolvendo dedos e pulso.

3) Movimentos envolvendo dedos, pulso e antebraço. 4) Movimentos envolvendo dedos, pulso, antebraço e braço.

5) Movimentos envolvendo dedos, pulso, antebraço, braço e ombro. Esta classe necessita mudança de postura (BARNES,1977, p. 188).

Quanto ao dispositivo ideal, é aquele que menos se desvia da postura relaxada, seguindo os seguintes pontos: rotações extremas que façam o movimento do braço sair da postura neutra devem ser evitadas; o dispositivo deve proporcionar o trabalho de precisão sem forçar os braços e ombros; o braço precisa ter apoio sobre a superfície de trabalho; ao fazer o clique, devem-se utilizar mais os músculos flexores dos dedos para não forçar apenas um músculo específico; para se fazer o clique, é necessário evitar alongamento excessivo do dedo indicador, visando reduzir a tensão do músculo extensor; o manejo deve ser simples e fácil de se aprender, sem esforço de aprendizagem; o próprio dispositivo não deve exigir um grande esforço mental, e sim, ser o mais intuitivo possível para aprender (UNIVERSIDAD TÉCNICA DE DARMSTADT, 2008).

Ademais, de acordo com os princípios de economia dos movimentos, as mãos devem realizar movimentos rítmicos, seguindo trajetórias curvas e contínuas, evitando-se paradas bruscas ou mudanças repentinas de direção, pois o corpo teria dificuldades de realizar movimentos retilíneos, preferindo-se os curvos (BARNES, 1977 apud IIDA, 2005).

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