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2.Stress e Diabetes

3. Apoio Social

3.2. Apoio Social, Diabetes e Ambiente Laboral

Para Krajnak (2014), a este nível, as condições indutoras de stress podem ser de natureza psicológica (perceção de stress derivada de fatores organizacionais ou pessoais, por exemplo), de natureza física (relacionada com sobrecarga de trabalho ou com trabalho organizado por turnos, por exemplo), ou por via de uma combinação entre através de uma combinação de ambas. Como referem Butler, Schatz e Hathaway (2014), nem sempre o emprego ou o acesso ao mercado laboral estão isentos de problemas para as pessoas com Diabetes. Relativamente à adaptação da pessoa com Diabetes ao contexto de trabalho ou ambiente laboral é sugerido que as mulheres possam evidenciar uma maior suscetibilidade à experiência de stress relacionado com ao contexto de trabalho ou ambiente laboral (Krajnak, 2014). De acordo com Butler et al. (2014), a perda de produtividade no trabalho, o absentismo laboral, e, até, a antecipação da reforma, são dimensões que contribuem indiretamente para o elevado custo (pessoal e coletivo) da Diabetes. A discriminação no plano laboral devido à doença poderá constituir também um aspeto importante, segundo os autores: poderá assumir várias formas e envolver não só a ausência de contratação ou a ausência de promoção devido à doença, mas também a dificuldade em proporcionar as acomodações ou adaptações laborais, mínimas

necessárias ou razoáveis de forma que os indivíduos lidem com a doença no seu local de trabalho ou, ainda, a perceção de insegurança relativamente à capacidade da pessoa diabética para realizar determinadas tarefas laborais.

De acordo com a American Diabetes Association (2009), as adaptações ou acomodações laborais que as pessoas diabéticas possam precisar ou necessitar no seu dia-a-dia serão aquelas que lhes permitam lidar com a doença no ambiente laboral em que se inserem tal como o permitiriam em outro qualquer local ou ambiente e podem, entre outras coisas, envolver:

- Teste de Glicose Sanguínea: alguns períodos de pausa podem ser importantes para que os indivíduos possam medir e testar a sua glicose sanguínea. A glicose sanguínea pode, por norma, ser analisada numa questão de alguns minutos, e poderá ser verificada virtualmente em qualquer local, sem qualquer prejuízo da segurança de terceiros, mas algumas entidades empregadoras podem, por exemplo, preferir ou optar por uma divisão privada onde as pessoas diabéticas possam realizar as suas atividades de autocuidado;

- Administração de Insulina: algumas pessoas diabéticas, nomeadamente pessoas com Diabetes Tipo 1, podem necessitar de alguns períodos de pausa para que possam administrar insulina sempre que esta seja necessária. As pessoas podem também precisar de um local onde possam guardar a insulina ou outros objetos relacionados se as condições laborais não permitirem que estes sejam transportados pela pessoa (por exemplo, no caso de elevadas temperaturas ambiente);

- Alimentação: para as pessoas diabéticas pode ser especialmente importante aceder a comida ou bebidas durante o seu período de trabalho, sobretudo em momentos em que precisem de responder rapidamente a descidas repentinas dos seus níveis de glicose sanguínea, ou então a manutenção da hidratação corporal se os seus níveis de glicose sanguínea estiverem elevados. A estes trabalhadores deve ser permitido o consumo de bebidas ou alimentos necessários na sua secretária ou posto de trabalho (excluindo casos óbvios onde isso pudesse colocar questões de segurança onde, nesses casos, um outro local deve ser facilitado às pessoas);

- Ausência/Absentismo: estes trabalhadores podem também precisar de deixar temporariamente o seu posto de trabalho ou necessitar de alguma flexibilidade na sua agenda de trabalho para a acomodação de consultas médicas ou outros cuidados de saúde necessários. Também pode ocasionalmente ocorrer a necessidade de faltar ao trabalho devido a certos eventos aleatórios, como crises hipoglicémicas, por exemplo. Certos horários de trabalho, como por exemplo trabalhos ou turnos rotativos, também podem dificultar a adaptação à Diabetes em ambiente laboral.

Poderá ser também importante atender a certas dificuldades ou constrangimentos que possam advir das complicações crónicas e de longa duração da Diabetes (para além dos aspetos imediatos e do dia-a-dia já mencionados), pois estas pessoas podem manter-se trabalhadores produtivos se certas e pequenas acomodações forem tidas em conta, mesmo quando certas complicações crónicas de doença estejam presentes nas suas vidas (American Diabetes Association, 2009). Por exemplo: um trabalhador que seja diabético e apresente retinopatia diabética ou outros problemas de visão poderá beneficiar da utilização de um monitor de maior dimensão, ou um trabalhador que apresente Diabetes e neuropatia poderá beneficiar se tiver de percorrer apenas curtas distâncias ou poder sentar-se durante o seu período de trabalho. Já para um paciente diabético que apresente problemas renais pode ser, por exemplo, importante ter alguma flexibilidade de horários no caso de ter de realizar diálise. De acordo com Nyhlin (1990; cit. in Silva, 2010), e de uma maneira geral, à medida que os pacientes vão tendo progressivamente uma melhor consciência do impacto das complicações crónicas de doença sobre a sua vida pessoal, a gestão do seu tempo, as suas atividades diárias, os seus relacionamentos sociais, e também a manutenção das suas carreiras profissionais, parecem tornar-se dimensões muito relevantes na sua vivência do quotidiano.

De acordo com Weijman et al. (2005), uma vez que os comportamentos de autocuidado na Diabetes devem ser realizados consistentemente, várias vezes ao dia, estes assumem um aspeto central no próprio contexto laboral ou de trabalho e só poderão ser integrados na vida da pessoa diabética se forem também integrados nos seus vários contextos de vida específicos. Para os autores, certas condições de trabalho concretas, como o trabalho por turnos ou em horas irregulares ou tempos de refeições variáveis, podem constituir barreiras a esses comportamentos de autocuidado. Ao invés, as acessibilidades físicas, a flexibilidade laboral, e a controlabilidade de tempos e de tarefas por parte do trabalhador, são aspetos que parecem facilitar os comportamentos de autocuidado em contexto laboral. Os autores referem também a importância de certos fatores interpessoais, como atitudes e comportamentos dos superiores hierárquicos, ou a sensibilidade por parte de outros colegas, trabalhadores ou funcionários. Alguns fatores foram identificados como podendo reduzir ou aliviar o stress associado às dificuldades ou constrangimentos relacionados com o contexto ou ambiente laboral. Para Krajnak (2014), a possibilidade de maior controlo sobre aspetos do ambiente laboral ou a possibilidade de tomar um maior número de decisões parecem também reduzir o stress experienciado, especialmente no caso das mulheres, tal como parecem produzir benefícios os grupos de pares e as amizades estabelecidas no contexto de trabalho. Ainda de acordo com este autor, existem também outros aspetos que parecem beneficiar indivíduos de ambos os géneros em lidar com o stress experienciado em ambiente laboral ou contexto de trabalho: por exemplo, a participação em atividades exteriores ou ao ar livre

poderá ser importante para a atenuação do cansaço ou diminuição do efeito de fadiga. De acordo com Weijman et al. (2005), poderá lançar-se a hipótese de que condições laborais que possam ser consideradas menos favoráveis (como elevadas exigências, fraco controlo pessoal ou apoio social diminuído) ou outras condicionantes psicossociais (como as expectativas de autoeficácia, estilos de coping ou o apoio social) se possam relacionar com uma maior irregularidade no controlo da doença ou com uma maior dificuldade na manutenção dos comportamentos de autocuidado necessários à Diabetes.

4. Objetivos, Hipóteses e Metodologia