6. REVISTA JORNALÍSTICA EM FOMATOS DIGITAIS: NOVAS
6.2. Apontamentos sobre os seis modelos de revista com base no suporte
Neste tópico, é possível visualizar os seis modelos de revistas embasados pela influencia do suporte físico, com suas especificidades tecnológicas, que contribuem para gerar diferentes formas de contato com o leitor/a. Diante disso, compara-se a materialidade dos suportes de revistas em formatos digitais quanto à conformação física e interface com o leitor (veja no quadro) e, em seguida, elencam-se as conclusões:
Sites de Revistas Webzines Revistas portáteis Revistas Expandidas Revistas Nativas Revistas Sociais Suporte Desktop Notebook Netbook Desktop Notebook Netbook
Celular Tablet Tablet Tablet
Portabilidade Média Média Altíssima Alta Alta Alta
Contato mediado Mouse Teclado Mouse Teclado
Toque Toque Toque Toque
Arquitetura de conteúdo
Aberto Fechado Aberto Fechado Fechado Aberto
Via de consumo
Web Web App App App App
TABELA 8 – RELAÇÃO ENTRE OS MODELOS E AS CARACTERÍSTICAS DO SUPORTE Os novéis de portabilidade indicados são baseados na comparação entre os próprios suportes, o que será
explicado abaixo. Fonte: Elaboração própria.
Este item fornece conclusões acerca do contexto material e as suas implicações nas revistas em formatos digitais. A primeira observação que podemos realizar é que: o suporte não é determinante para configurar a apresentação do conteúdo (se aberto ou fechado) das revistas. Isto é percebido através de algumas constatações. A começar pelos dois primeiros modelos - Sites de Revistas e Webzines, ambos acessados75 principalmente via desktops, notebooks e netbooks. Os sites de revistas são abertos, ou seja, estão imersos na web, sem portas de entrada ou saída, sem restrição à atualização de notícias; já as webzines são fechadas, com capa, miolo, contracapa, um produto único, despossuído de possibilidade de atualização noticiosa constante. Neste mesmo
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Lembrando que é plenamente possível acessar alguns dos modelos através de outros meios (suportes) que não o seu de origem. Por exemplo, é possível acessar do celular ou de um tablet um site de revista (modelo 1) ou um webzine (modelo 2), justamente por elas estarem disponibilizados na web. Porém, da
sentido, é observada a mesma lógica nos três últimos modelos (Revistas Expandidas, Revistas Nativas Digitais e Revistas Sociais), que compartilham o mesmo suporte, o
tablet. As Expandidas e Nativas Digitais são fechadas, isto é, tem edição única,
planejada como produto editorial com começo, meio e fim. Enquanto que nas Sociais vigora a lógica de alimentação noticiosa contínua, de produto aberto, impondo, às vezes (a depender do aplicativo), simbolismos estruturantes do produto-revista, como capa e folheio, mas sem se conformar um produto único, com um fim (a página final). Por sua vez, em outro contexto, as Revistas Portáteis (Modelo 3) são as únicas localizadas na estrutura de um celular como aplicativo. É um produto aberto, com estrutura similar (mas não idêntica) dos Sites de Revistas (modelo 1). As Revistas Portáteis, consumidas em smartphones, são consideradas abertas porque nelas é permitida a atualização contínua da notícia. O aplicativo simula elementos de site, com barras com fixação de editorias, apresentação verticalizada dos destaques e reserva de espaço no topo para a principal manchete, sendo ela maior do que os demais. A principal distinção destes aplicativos com os sites é a centralização do conteúdo, possibilitando uma leitura mais concentrada, em contraposição à vastidão de informações acessadas através de um navegador. Tais argumentos permitem afirmar que a atualização contínua de notícias é capaz de diferenciar produtos de conteúdos abertos de fechados e, além disso, afirma-se que a leitura da revista é centralizada quando ela tem conteúdo fechado e descentralizada em uma arquitetura aberta.
É possível afirmar também que: o grau de portabilidade das revistas, gerado pela materialidade do suporte, impacta ou deveria impactar a estruturação da mensagem, como poderá ser observado mais especificamente nas Revistas Portáteis (Modelo 3), destinadas para celulares inteligentes. Considera-se o grau de portabilidade destes aparelhos altíssimo, pois os celulares são passíveis de serem transportados em bolsos, acessados confortavelmente na fila de um banco, dentro de um táxi, na mesa de um bar. Por estes aparelhos, as revistas se tornam acessíveis para consumo em ampla escala, independente do território físico. São plenamente móveis, portanto. O conteúdo jornalístico deveria necessariamente atender a este aspecto da mobilidade. Como observado na análise, as notícias das revistas aparecem para prática leitura nos celulares: listadas verticalmente (com título e linha fina, expondo o resumo informativo para seleção do leitor, e foto, em sua maioria) e, internamente, a foto principal e textos em parágrafos curtos e médios. Já nos notebooks ou netbooks, objetos com
portabilidade média, tendo em vista a atual realidade dos dispositivos móveis, as características da natureza da web marcam a praxe de leitura do Site de Revista. Os
sites são os meios mais populares para se obter informações jornalísticas pela internet,
elaborados com vasta presença de conteúdos, passível de participação (interatividade) e de amplo compartilhamento em redes sociais. Os conteúdos no ciberespaço são constituídos com vistas a atender as características do jornalismo online e não precisam ser, em tamanho, tão sucintas, porque o suporte permite conforto na leitura. Por sua vez, as revistas destinadas aos tablets – Expandidas e Exclusivas – estruturam o conteúdo como metáforas dos produtos impressos, acrescendo uma construção narrativa interativa e multimidiática, com uso de animações, áudio, vídeo. Possui maior desenvolvimento tecnológico para elaborar narrativas verbais e imagéticas. Nos tablets, diferencia-se a Revista Social, cuja lógica é agregar e organizar o fluxo informativo de redes sociais ou canais jornalísticos em interface parecida às das revistas. As mensagens são apresentadas como mosaicos, misturando comentários soltos, matérias jornalísticas e fotografias de modo automatizado.
As revistas também se diferenciam pela forma de mediação para a navegação nos suportes digitais. Isto porque acessar um conteúdo mediante toque na tela e clique no mouse geram experiências de leitura diferentes. Desse modo, as telas táteis impõem maior “ ” do leitor com a revista, pois não dependem do mouse ou teclado para auxiliar a ação. Neste quesito, as telas táteis, comuns aos smartphones e tablets, garantem o retorno do contato direto com a revista, tal como no impresso, através das mãos, do elemento corpóreo, que havia sido substituído pelo mouse e pelo teclado dos
desktops, notebooks ou netbooks. Este fato possibilita imersão na leitura do produto
jornalístico, principalmente nos tablets, potencializada pelas narrativas multimidiáticas: fotografias e vídeos em grandes dimensões, textos, infográficos, animações e áudios. Já nos celulares, a tactilidade (CUNHA, PALÁCIOS, 2012) é indispensável para a portabilidade, o que não seria possível (ou pelo menos dificultada) em face à presença do mouse ou de botões. Os Sites de Revistas e as Webzines (modelos 1 e 2) têm a leitura ativada através destes objetos (teclado e mouse), necessários por conta da própria estrutura do suporte desktop ou notebook, que é dividida em dois (tela e teclado), o que cansaria o braço acaso a tela fosse tátil, por conta da distância entre o corpo humano e o aparelho.