3.1 APOSENTADORIA POR IDADE
3.1.1 Aposentadoria por idade do trabalhado rural
Ao trabalhador rural, são reduzidos cinco anos do quesito idade mínima (em relação à idade mínima do trabalhador urbano), para concessão da sua aposentadoria, tal benesse pode ser observada na redação trazida pela CRFB/88, que diz:
Art. 201. [...] §7°. [...]
II – 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem, e 60 (sessenta) anos de idade, se mulher, reduzido em cinco anos o limite para os trabalhadores rurais de ambos os sexos e para os que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, nestes incluídos o produtor rural, o garimpeiro e o pescador artesanal (BRASIL, CRFB, 2019).
Por obterem a condição de segurados obrigatórios do RGPS, os trabalhadores rurais possuem a mesma cobertura previdenciária do trabalhador urbano, e a eles são devidos os mesmos benefícios e serviços em razão do princípio da uniformidade, porém, como visto no capítulo 1 (item 1.7) nem sempre foi assim, e em alguns benefícios existem certas diferenciações, que segundo Santos (2013, p. 390) se devem em razão das constantes mudanças na “legislação previdenciária em relação aos rurícolas, o que impõe observações de algumas regras de transição especificas”, e também a “situação peculiar” que se encontram os segurados especiais.
Ainda sobre essa questão, Santos (2013, p. 390) ainda explica que em nosso sistema que é “eminentemente contributivo”, por respeito à equivalência, os benefícios devem ser “concedidos nas mesmas condições e com os mesmos critérios de cálculos utilizados para a cobertura dos trabalhadores urbanos”, e devem respeitar as mesmas regras de carência e concessão de benefícios.
Acerca do assunto, Castro e Lazzari (2016, p. 709) discorrem que a aposentadoria do trabalhador rural está condicionada ao preenchimento de dois requisitos, implemento da idade mínima e indispensável comprovação do exercício da atividade rural, feito através dos documentos descritos no art. 106 da lei 8.213/91:
Art. 106. A comprovação do exercício de atividade rural será feita, complementarmente à autodeclaração de que trata o § 2º e ao cadastro de que trata o § 1º, ambos do art. 38-B desta Lei, por meio de, entre outros
I – contrato individual de trabalho ou Carteira de Trabalho e Previdência Social; II – contrato de arrendamento, parceria ou comodato rural;
III - (revogado);
IV - Declaração de Aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, de que trata o inciso II do caput do art. 2º da Lei nº 12.188, de 11 de janeiro de 2010, ou por documento que a substitua;
VI – notas fiscais de entrada de mercadorias, de que trata o § 7o do art. 30 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, emitidas pela empresa adquirente da produção, com indicação do nome do segurado como vendedor;
VII – documentos fiscais relativos a entrega de produção rural à cooperativa agrícola, entreposto de pescado ou outros, com indicação do segurado como vendedor ou consignante;
VIII – comprovantes de recolhimento de contribuição à Previdência Social decorrentes da comercialização da produção;
IX – cópia da declaração de imposto de renda, com indicação de renda proveniente da comercialização de produção rural ou;
X – licença de ocupação ou permissão outorgada pelo Incra (BRASIL, Lei n° 8213/91, 2019).
Com relação a este tema, Ibrahim (2016, p. 601) explica que “a comprovação do efetivo exercício de atividade rural será feita em relação aos meses imediatamente anteriores ao requerimento, mesmo que de forma descontinua”, por período igual aos meses da carência correspondentes ao benefício demandado. Ainda a respeito do assunto, Castro e Lazzari (2016, p. 714) “destacam” a súmula 46 da TNU, que trata do exercício de atividade urbana, que não impede a concessão do benefício ao rural devendo o caso concreto ser analisado.
Ao segurado inscrito no RGPS antes da publicação da lei, por respeito ao direito adquirido, foi criada uma regra de transição para a concessão da aposentadoria por idade, trata-se de uma tabela progressiva, que aumenta as contribuições exigidas com o passar dos anos. A tabela encontra-se no art. 142 do RGPS, e leva em conta a data em que o segurado cumpre as condições mencionadas anteriormente para se aposentar por idade.
Art. 142. Para o segurado inscrito na Previdência Social
Urbana até 24 de julho de 1991, bem como para o trabalhador
e o empregador rural cobertos pela Previdência Social Rural, a
carência das aposentadorias por idade, por tempo de serviço e
especial obedecerá à seguinte tabela, levando-se em conta o
ano em que o segurado implementou todas as condições
necessárias à obtenção do benefício:
Ano de implementação das condições Meses de contribuição exigidos
1991 60 meses 1992 60 meses 1993 66 meses 1994 72 meses 1995 78 meses 1996 90 meses 1997 96 meses
1998 102 meses 1999 108 meses 2000 114 meses 2001 120 meses 2002 126 meses 2003 132 meses 2004 138 meses 2005 144 meses 2006 150 meses 2007 156 meses 2008 162 meses 2009 168 meses 2010 174 meses 2011 180 meses (BRASIL, Lei n° 8213/91, 2019).
Com exceção do segurado especial, ao qual não se exige carência, pois não há contribuição, cabe ao trabalhador rural contribuir para o custeio da previdência social, neste sentido vejamos o que nos traz:
O tempo de serviço prestado pelo trabalhador rural anterior à competência novembro de 1991 será reconhecido, desde que devidamente comprovado, independentemente de recolhimento das contribuições a ele correspondentes. Não pode haver cobrança de contribuições referentes ao período anterior a 1991, quando não se exigia contribuição do segurado no período, mas o exercício da atividade (MARTINS, 2016, p. 649).
Portanto para aposentar-se como trabalhador rural por idade, devera o segurado estar laborando no campo no momento em que completar a contingência, momento este em que poderá requerer o benefício, sendo esta tese inclusive confirmada pelo tema 642 (CASTRO; LAZZARI, 2016, p. 708).
Entendidas as aposentadorias por idade, tanto urbana quanto rural, passamos então ao enfoque principal deste trabalho onde entenderemos a aposentadoria por idade hibrida, suas particularidades, e as interpretações doutrinarias e jurisprudências dadas a ela.
3.2 COMO FICOU A APOSENTADORIA POR IDADE DEPOIS DA REFORMA?
Com a reforma da previdência, ocorreram mudanças em relação a aposentadoria por idade, porem durante a pesquisa estava em vigor a lei antiga, devendo ser considerado o que diz a lei vigente a época dos fatos pesquisados, tudo o que foi trazido nesta monografia deve ser relacionado ao texto vigente e não a lei modificadora, pois tratamos de acontecimentos contemporâneos a sua confecção e tal modificação ainda não entrou em vigor. A título de conhecimento, trouxemos como ficarão as novas regras, onde o texto aprovado estabelece idade mínima para aposentadoria de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, sendo que o mínimo de contribuição estipulado é de 20 anos para homens e 15 anos para mulheres. Em relação a aposentadoria rural, permanecem as mesmas exigências, que são respectivamente idade mínima de 55 anos para mulheres e 60 para homens, e o mínimo de15 anos de contribuição.
3.3 APOSENTADORIA POR IDADE HÍBRIDA OU MISTA E SUAS (IM) POSSIBILIDADES
A lei n° 11.718/2008 instituiu o que Castro e Lazzari (2016, p.714-715) chamam de “nova espécie de aposentadoria”, visando enquadrar aqueles segurados que não se encaixaram nas outras aposentadorias por idade. A referida lei adicionou novo arranjo ao artigo 48 da Lei n° 8.213/91, acrescentado o parágrafo 3°, definindo novas regras de aposentadoria por idade chamada pela doutrina de mista ou hibrida. Vejamos o que diz o dispositivo:
Art. 48. A aposentadoria por idade será devida ao segurado que, cumprida a carência exigida nesta Lei, completar 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem, e 60 (sessenta), se mulher.
[...]
§ 3o Os trabalhadores rurais de que trata o § 1o deste artigo que não atendam ao disposto no § 2o deste artigo, mas que satisfaçam essa condição, se forem considerados períodos de contribuição sob outras categorias do segurado, farão jus ao benefício ao completarem 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem, e 60 (sessenta) anos, se mulher (Incluído pela Lei nº 11,718, de 2008). (BRASIL, Lei n° 8213/91, 2019)
Em relação à aposentadoria por idade rural, neste modelo poderão ser incluídos os tempos de contribuição rural e urbano para exercer o quesito carência, porem a idade mínima a ser observada é de 65 anos para homens e 60 para mulheres (CASTRO; LAZZARI, 2016, p.715).