6. RESULTADOS E DISCUSSÃO
6.3. Aceleração
6.3.2. Aprendizados e Desafios da Fase de Aceleração
O aprendizado da fase de aceleração foi pautado no interesse das indústrias em desenvolver open innovation, no intuito de utilizar tecnologias desenvolvidas por fontes internas e externas, buscando maximizar o retorno do investimento em inovação, por meio do mecanismo das spin-offs acadêmicas. No processo de validação junto a possíveis clientes foi perceptível o interesse das grandes empresas em geração de novos negócios, a fim de explorar tecnologias que não estão atreladas ao core business da empresa. Aliada a capacidade do programa de desenvolver conexão atrelada à indústria, a Biomimetic pode alinhar o interesse dos setores alvos, entender a dor de mercado e desenvolver a primeira parceria de validação do piloto.
Segundo Shane (2005), a tecnologia de propósito geral é uma boa base para se iniciar uma empresa, pois permite como que os fundadores atuem em diferentes mercados, caso o primeiro não seja apropriado. Além disso, admite com que as spin-offs minimize o risco, bem como, permite o desenvolvimento de produtos a curto, médio e longo prazo. Por
último, a tecnologia de propósito geral admite comparar diferentes aplicações de mercado potencial para descobrir o melhor e prosseguir. Neste sentido, a Biomimetic teve a oportunidade de alinhar interesses do mesmo escopo de produto com aplicações distintas. Sendo o primeiro no desenvolvimento de scaffolds para pele artificial como método alternativo de testes das indústrias de cosméticos e o segundo na utilização de scaffolds para produção de curativos dérmicos em parceria com grande indústria química. Assim, a tecnologia da Biomimetic permite avaliar o mercado, onde tem maior facilidade de penetração, menores riscos e maior oportunidade de retorno. Tal característica é relevante para o mercado de biotecnologia, uma vez que reduz o risco do investidor.
A capacidade de modular a tecnologia de propósito geral de acordo com aplicação é factível devido à sociedade da empresa ser composta por pesquisadoras, as quais dominam o conhecimento tácito do produto. Para Shane (2005), quando o conhecimento é tácito exige o envolvimento do inventor da tecnologia, o que torna crucial para a sua comercialização. Além disso, o estágio inicial do desenvolvimento permite com que os inventores possam redirecionar a pesquisa de acordo com o interesse do mercado, além da tecnologia está mais propensa para o processo de geração de spin-off, já que a venda de produtos ou serviços com base nos resultados de P&D de produtos criados em universidades podem não gerar receita. Dessa forma, para a sobreviver e crescer é importante acessar mercados interessados na sua proposta de valor, abertos a inovação e com poder de compra.
O processo de validação do primeiro protótipo da Biomimetic junto ao cliente potencial foi um dos desafios, visto a existência do risco eminente de enviar o produto semiacabado, já que a spin-off corria riscos do P&D da indústria realizar engenharia reversa e compreender as vantagens competitivas da tecnologia. Além disso, era fundamental a presença de um advogado para acompanhar tal processo, com o objetivo de formalizar os contratos de confidencialidade e termos de sigilo, os quais pudessem assegurar ambas as partes. A falta de recurso da spin-off inviabilizou o processo junto a advogados, onde a Biomimetic decidiu enfrentar o risco e estreitar os laços com a indústria. Embora, o funcionário de inovação, o qual era a ponte de contato com o P&D da indústria foi desligado da empresa, o que dificultou o andamento das negociações. Neste sentido, as sócias tiveram dificuldade em receber retorno sobre o desempenho do produto.
O desafio do desenvolvimento tecnológico atrelado ao P&D de uma spin-off de biotecnologia demanda o uso de recursos públicos, pois estes projetos possuem alto risco, dessa forma uma boa opção para o financiamento de pesquisas em estágio inicial são os recursos não reembolsáveis. Todavia, as universidades no Brasil já estavam passando por corte de verbas devido à crise econômica enfrentada no país, o que dificultava o acesso ao capital, além dos poucos recursos de incentivo a projetos de inovação. Assim, uma opção foi à busca por investidores privados, neste sentido a Biomimetic iniciou conversas com alguns fundos de SEED capital, embora não mostravam interessados em investir em tecnologias de estágio inicial, pois exigia alto grau de desenvolvimento técnico, além disso, a assimetria de informação e a incerteza do negócio dificultava o interesse dos investidores. Outro ponto relevante era que os investidores, os quais as sócias tiveram contato buscavam por um retorno a curto e médio prazo, o que era incompatível no mercado de biotecnologia. Além disso, o programa Fiemg Lab não apresentava o foco em desenvolver os empreendedores para o processo de captação, ou seja, as sócias da empresa eram pouco experientes na execução da captação, o que dificultava convencer o valor do empreendimento para potenciais investidores.
Figura 25: Pontos fortes e desafios da fase de aceleração.
Neste sentido o Quadro 7 resume os tópicos chaves, que foram abordados na fase denominada como pesquisa acadêmica.
Quadro 7: Tópicos chaves abordados na fase de aceleração Fase: Aceleração
Produto: Scaffolds para produção de pele artificia e curativos dérmicos
Grau de Maturidade da Tecnologia (TRL): TRL 03 Evolução do Modelo de Negócios:
Sendo a tecnologia de proposito geral foram trabalhados dois modelos de negócios, os quais eram validados a partir do interesse das grandes indústrias.
Avanço Alcançado na Fase de Aceleração
Nesta fase ocorreram intensas conexões com potenciais clientes a fim de validar a dor de mercado e validação do primeiro protótipo funcional. Desenvolvimento de duas linhas de produto.
Recursos: Os recursos desta fase eram provenientes das sócias, bolsas do programa de aceleração e recurso do CEFET-MG para pesquisa.
Fonte: Autor
Gate de Decisão 3
Com base nas experiências correlacionada ao programa de aceleração foram traçados
gates para a tomada de decisão da participação das sócias na fase de internacionalização.
Assim foi respondido o seguinte quesito: O que levou as empreendedoras para a fase de internacionalização?
A dificuldade das sócias em identificar investidores qualificados para aportar capital em empresa de hard science propiciou o interesse delas em participar da competição no intuito de apresentar o modelo de negócios para novos investidores nacionais e internacionais;
Oportunidade de conexão com o ministério do comércio do Reino Unido, com o objetivo de estreitar laços comerciais com o mercado europeu;
A necessidade de entender o mercado externo, no intuito de se posicionar como uma empresa global;
Validação da tecnologia junto aos setores de pesquisa e desenvolvimento das empresas nos EUA e na Europa.
Em sequência observam-se na Figura 27 as etapas de desenvolvimento da Biomimetic junto ao gate de decisão referente à fase de aceleração. Além disso, foram abordadas as principais características da presente etapa.
Figura 26: Etapas de desenvolvimento da Biomimetic
Fonte: Próprio Autor