3. JUSTIFICATIVA
7.2 PROJETO “VIVA LEVE”
7.2.2 Aprendizados e mudanças
Dentre conteúdos trabalhados, a leitura e interpretação dos rótulos de alimentos foi um dos mais marcantes para as participantes. Esse interesse pode ser reflexo do aumento estrondoso do consumo de alimentos industrializados nas últimas décadas, cerca de 400% nas regiões metropolitanas brasileiras142. O fato de se ter trabalhado de maneira prática, com rótulos de produtos usualmente consumidos pelas usuárias, foi visto de modo positivo.
(...) a gente lia o rótulo e não entendia nada (...) essa orientação para mim foi maravilhosa, porque a gente compra gato por lebre, às vezes, sem
saber.
(...) até mesmo saber o porquê, por que o [pão, arroz, macarrão] integral é melhor? Por que o [leite] desnatado é melhor?
(...) e passo até, algumas vezes, para pessoas que estão comprando no supermercado, que nem um rapaz que tem diabetes. Ele foi pegar pão integral e pegou pão que é enriquecido [feito com farinha enriquecida com ferro e ácido fólico], não pegou integral. Eu falei para ele “Leia aqui, ta vendo não é o integral” (...) e ele falou “Eu não sabia disso”. Então já ajuda.
Segundo Patterson143, os consumidores referem estar cansados de ouvir o que devem comer ou não comer, sendo assim, explicar "por quê" e “como” comer pode ser uma estratégia mais produtiva. O conhecimento adquirido foi considerado importante a ponto de as participantes sentirem vontade de compartilhar com familiares, amigos e, até mesmo, desconhecidos – ilustrado pelo auxílio fornecido a um diabético a identificar pães integrais em um supermercado. Nota-se também que as participantes adquiriram autonomia para realizar melhores escolhas e não serem cooptadas pela aparência ou propaganda dos produtos.
(...) eu não tinha ideia que tem aquela quantidade de açúcar numa Coca- Cola (...) Todos os vídeos foram muito importantes, porque é coisa que a gente realmente não faz ideia, coisas que a gente não dá uma importância. (...) eu não pensava em relação a embutidos o que eu penso hoje. E isso é devido a um vídeo que um dia elas passaram lá de como é feita a salsicha, essas coisas assim, então eu praticamente aboli.
A utilização de recurso audiovisual foi considerada preciosa. Nos dois grupos focais realizados, mudanças de comportamentos foram associadas a alguma informação transmitida por trechos do documentário “Muito além do peso”. Sabemos que informação não necessariamente induz a mudança, mas o impacto gerado pela mídia pareceu favorecê-la.
(...) a falta de tempo, a correria, o trabalho faz com que a gente vai pegar pacote de bolacha, vai pegar o que é mais fácil, o que está empacotado, o que está industrializado. Mas o que é preparado é muito mais saudável.
Há diversas razões pelas quais as pessoas devem evitar o consumo de alimentos ultraprocessados, como biscoitos, macarrão instantâneo, produtos congelados e prontos para o aquecimento e refrigerantes. Dentre elas citamos perfil nutricional desfavorável comum a esses produtos, como o alto teor de açúcares, sódio e gorduras e baixo teor de fibras alimentares, que impacta negativamente na qualidade nutricional da alimentação144; o consumo excessivo e “desapercebido” de calorias por causar prejuízos nos sistemas endógenos que controlam os sinais de fome e saciedade em razão da hiperpalatabilidade desses alimentos145; e o modo de
produção, comercialização e distribuição pouco preocupado com a sustentabilidade ambiental e social31.
Estudos recentes vêm fortalecendo a classificação de alimentos por nível de processamento proposta pela segunda edição do Guia Alimentar para População Brasileira, elucidada previamente no Quadro 3. Com base nos dados extraídos da POF 2008-2009, importante inquérito nacional cuja amostra é de 55.970 domicílios brasileiros, Canella et al.146 encontrou associação positiva entre disponibilidade doméstica de produtos ultraprocessados e a prevalência de excesso de peso e obesidade para todas as idades. Louzada et al.147, utilizando-se do mesmo inquérito, avaliou o consumo de alimentos ultraprocessados – dados coletados por meio de registros alimentares de 24 horas. Sua análise encontrou que os brasileiros que consumiram mais de 44% de calorias provenientes de alimentos ultraprocessados (quintil superior de consumo) tiveram duas vezes mais chance de apresentar obesidade em relação aqueles que estavam no quintil inferior de consumo de alimentos ultraprocessados (menor que 13% do total de calorias).
O modo de vida moderno é marcado por crescentes demandas e pela falta crônica de tempo, o que tem desencadeado um aumento na procura de alimentos prontos para o consumo em detrimento das preparações culinárias caseiras, feitas com alimentos in natura ou minimamente processados, e que respeitem a cultura local. Além da conveniência, da praticidade, da portabilidade e da onipresença desses produtos, o marketing agressivo de alimentos ultraprocessados potencializa todas essas características para deixá-los ainda mais atraentes145. Em relação às mulheres, há que se destacar que a inserção feminina no mercado de trabalho não trouxe consigo a responsabilização igualitária das atividades domésticas e muitas se desdobrarem em uma “dupla jornada” – trabalho remunerado e afazeres domésticos (não remunerado).
Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada148, em 2015, a jornada total média semanal das mulheres superava em 7,5 horas a dos homens, somando-se as horas gastas em atividades remuneradas e afazeres domésticos, mostrando uma sobrecarga maior de trabalho ao gênero feminino. A pesquisa mostra que um dos fatores mais preponderantes no engajamento no trabalho doméstico e no tempo dedicado a ele é a renda. Quanto menor a renda, maior o número de horas despendidas com os afazeres domésticos; enquanto as mulheres
na faixa de renda mais alta gastam cerca de 13 horas por semana em afazeres domésticos, as mulheres mais pobres despendem quase 11 horas a mais. Em relação ao engajamento, homens e mulheres apresentam associações inversas. Para elas, quanto menor a renda, maior a proporção das que afirmam realizar afazeres domésticos (até um salário mínimo: 94% / superior a oito salários mínimos: 79,5%); já os homens apresentam maior proporção dos que realizam afazeres domésticos nas faixas mais altas de renda (de cinco a oito salários mínimos: 57%, entre aqueles com menor renda: 49%).
- Eu acho que a gente, que é mulher, tem uma tendência a se descuidar muito...
- A gente coloca os outros na frente.
- Os outros. A gente tem filho, tem marido, aí depois tem neto. Tem sempre alguém que a gente olha e esquece de se olhar. Eu acho que esse é o grande ponto, o grande vilão dessa questão da gente engordar.
O diálogo das usuárias corrobora com o que foi mencionado anteriormente, de modo geral, o cuidado ainda é uma função delegada às mulheres, cabendo aos homens, quando o desempenham, o cuidado complementar ou auxiliar as figuras femininas149. Para as participantes, as mulheres tendem a cuidar do outro em seus diversos papéis sociais e, consequentemente, negligenciam o autocuidado. Vale mencionar que algumas mães, que estavam acima do peso, foram aos grupos do projeto “Viva Leve” motivadas pela preocupação que nutriam com o excesso de peso de seus filhos - seja pela saúde deles ou pelo bullying que vinham sofrendo na escola. As usuárias apontam o colocar-se em segundo, terceiro ou, até, quarto plano como um dos aspectos que contribuem para a obesidade nas mulheres.
Eu acho que tem o fator do dia-a-dia, da correria, da falta de tempo e tal, mas também é uma questão de prioridade...
O tempo destinado aos encontros do projeto “Viva Leve” sempre foi visto como uma forma de promover o autocuidado, afinal, para muitos participantes, aquele momento era um dos poucos na semana, senão o único, que dedicavam para pensar em si. As participantes foram incentivadas a rever suas rotinas e redefinir atividades prioritárias, a fim de encontrarem tempo para realização das compras e preparo dos alimentos, para as práticas corporais, bem como para as atividades de lazer.
Na verdade é uma enganação que a gente faz com a gente mesmo dessa questão que o saudável é mais caro (...) que é só pra gente [rica], é chique comer desse jeito, não dá pra comer desse jeito (...). Toda essa negação eu já tive. Você fala assim é mais caro, mas se você parar de comprar a bolacha, o refrigerante, o bolo, o sorvete e você investir mais na abobrinha,
na cenoura, na vagem, no alface, que é o que eu faço hoje, é muito mais barato.
É comum as pessoas terem a impressão de que para manter uma alimentação saudável é necessário desembolsar muito mais dinheiro do que para se ter uma alimentação não saudável. Essa ideia é muitas vezes criada pelo alto preço de produtos comercializados como ‘ideais’ para quem deseja emagrecer, que estão relacionados a um modismo e, em geral, não fazem parte da cultura alimentar do brasileiro. O projeto “Viva leve” promoveu uma alimentação saudável baseado nas diretrizes alimentares nacionais e embora conte com a presença de alimentos in
natura como frutas, verduras e legumes, que individualmente possam ter preço
superior ao de alguns alimentos ultraprocessados, sabe-se que o custo total de uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados ainda é menor no Brasil do que o custo de uma alimentação baseada em alimentos ultraprocessados31.
Alimentação
Eu acho que na questão de conscientização geral da alimentação, tanto de substituição, de troca, de abrir menos embalagens e fazer coisas mais naturais (...) é uma coisa que você aprende hoje e você leva para a vida toda...
(...) estou conseguindo tomar suco sem adoçar, nem adoçante nem açúcar, a sentir o gosto da fruta. Eu fui mudando muita coisa, aos poucos eu venho mudando.
Para mim foi referente à Coca-Cola, eu sou “cocólatra”. Não vou falar 100%, mas já dei [uma melhorada] (...) aprendi a fazer suco, que eu não fazia, a tomar água.
(...) Eu sofria muito com ter que comer folha, verdura. E eu sei, hoje principalmente, eu vejo que é essencial tanto no almoço como no jantar (...). E vindo aqui eu aprendi a colocar uma frutinha junto na salada (...) e com isso eu consegui, hoje eu como todos os dias salada sempre com uma frutinha. Então foi uma forma e foi o grupo que me deu essa força e eu continuo emagrecendo, de pouquinho em pouquinho...
(...) eu só uso pão integral (...) leite desnatado também foi uma coisa que mudou completamente (...) foram coisas que desde 2013 continuam na minha vida.
Eu fui num casamento (...) e eu não levei suco para o meu bebê (...). Chegou lá, todo mundo “E agora o que ele vai tomar?”. Eu falei “Ele vai tomar água”. Meu pai queria colocar refrigerante dentro da mamadeira. Pelo amor de Deus, ele toma só o leite ninho, sem açúcar, eu não coloco nada (...) eu não apresentei o açúcar pra ele ainda...
A alimentação foi uma temática transversal aos encontros do projeto “Viva Leve” e, os trechos acima, destacam mudanças citadas pelas usuárias em relação a essa questão. A ideia de mudança gradual e progressiva, bem como de
continuidade, atravessa muitos dos discursos das participantes, mostrando a capacidade de repercussão do projeto mesmo após o término do grupo. Os benefícios desencadeados pelo projeto não se limitaram, necessariamente, ao participante, podendo se estender à família como um todo.
Procurar comer quando a fome for física e não emocional...
Eu aprendi no grupo a identificar o que era realmente a fome, o que era apenas uma vontade, uma ansiedade, às vezes, um nervosismo. Isso até hoje, às vezes eu falo “pera”, vamos tomar um copo de água antes, porque eu acho que isso não é fome, eu acho que foi aquele estresse dali de trás.
As nossas escolhas alimentares e “como” comemos são permeados por diversos aspectos subjetivos e que estão associados a significados que transcendem a satisfação de uma necessidade fisiológica150. Para Deram151, além da fome fisiológica, existem outros três tipos de fome: a fome emocional, que envolve a necessidade de comer para satisfazer algum sentimento; a fome social, relacionada a uma situação social na qual é comum as pessoas comerem um pouco mais do que estão acostumadas; e a fome específica ou vontade, associada ao prazer de comer algo específico. Beck97 ainda acrescenta o termo desejo para se referir a uma urgência emocional de comer acompanhada de sensações físicas desagradáveis na boca, garganta ou corpo.
Durante o programa as participantes foram estimuladas a se reconectar com seu mecanismo biológico de sinalização de fome e saciedade. Prestar mais atenção nos sinais físicos de seu corpo, nos seus pensamentos e comportamentos propicia a distinção da fome fisiológica dos demais tipos de fome, vontades ou desejos. Identificar permite maior possibilidade de resposta a essas sensações, não se restringindo apenas a ação de comer. O diário alimentar foi lembrado como um instrumento importante para o automonitoramento, não só dos alimentos consumidos, mas dos sentimentos e sensações (fome/saciedade)
Anotar as coisas que eu comia, nossa isso fez tanta diferença. Ver os meus comportamentos, depois eu olhava o livrinho assim, o dia que eu enfiei o pé na jaca, por que eu enfiei o pé na jaca? Ou os dias que eu falei não, falava olha que legal...
Eu faço isso até hoje na minha agenda (...) eu marco todos os dias o que eu comi (...) como estava meu humor, se eu estava bem, se eu estava mal, se eu dormi bem, se eu dormi mal....
O diário alimentar - de três dias ou semanal, dependendo do grupo - foi proposto para os participantes do projeto “Viva Leve” como tarefa em um dos encontros, sendo essa uma das poucas, senão a única tarefa recolhida pela equipe
condutora para análise conjunta posterior. No(s) encontro(s) subsequente(s), mais especificamente na segunda parte do encontro, a nutricionista teve oportunidade de conversar com os participantes individualmente a respeito de cada diário, buscando identificar junto dele aspectos particulares relacionados à alimentação que mereciam atenção específica.
E eu fui muito para o artesanato (...). Quando eu vejo que eu vou exagerar um pouco, eu pego o macramê e começo a fazer. E passa uma hora, duas horas, e você nem percebe (...) quando eu olho já está na hora da janta. Então eu consegui passar aquele lanche dois (risos). O um já tinha ido, então era o lanche dois.
As usuárias citaram também técnicas que auxiliam na superação dos desejos, como distrair-se por meio de atividades (ex: artesanato), beber água antes de decidir-se por comer ou não, manter distante dos olhos os alimentos que lhe provocam desejo e, por fim, deixar o cartão de vantagens em locais estratégicos, como na geladeira.
Outra coisa era comer primeiro a salada, por causa da função das fibras que já chegam antes no intestino e já mandam a mensagem para o cérebro que você está satisfeita...
As usuárias também foram convidadas a testar de maneira prática os conhecimentos teóricos básicos sobre os nutrientes e sua ação no organismo. A linguagem popular foi utilizada no grupo para transmitir os conteúdos complexos de modo acessível aos participantes, bem como imagens e representações – “(...) ela fez um desenho para a gente para explicar a questão do diabetes (...), depois daquele dia eu nunca mais esqueci”.
(...) um exercício que eu e a minha irmã também fazia que era muito bom...era colocar o que a gente ia comer dentro de um prato menor, de sobremesa. Porque tudo é muito visual, a gente gosta de preencher, dá impressão que a gente está comendo assim “Nossa, uma porção enorme!”, mas a gente tá comendo o que a gente precisava, estava tudo ali. Não tinha nem a mais, nem a menos (...). Quando a gente estava naquele período de ansiedade, de tensão pré-menstrual, eu falava “L*, a semana de comer no prato de sobremesa”, para a gente não errar, não sair.
O interessante no relato acima é o valor de uso dado a uma técnica, ou seja, o protagonismo da usuária em identificar em sua vida sob que circunstâncias essa técnica tinha valor e realmente lhe ajudava. A técnica em si consistia em consumir as verduras e legumes em um prato raso comum e os alimentos dos demais grupos em um prato de sobremesa.
E pode o mundo estar caindo a minha volta (...) que eu falo “Esse é o meu momento, eu vou sentar aqui e vou agora comer”.
(...) eu era muito desesperada para comer, comia rapidinho, engolia a comida rapidinho, estava sempre correndo, então eu mudei esses hábitos...
Ao mastigamos mais vezes os alimentos, naturalmente, aumentamos nossa concentração no ato de comer e prolongamos sua duração. Assim, podemos apreciar os diferentes sabores e texturas dos alimentos e de suas preparações culinárias. O projeto “Viva Leve” buscou resgatar o comer como um ato prazeroso. Sentar-se para comer, se alimentando devagar e conscientemente, independentemente de ser uma refeição principal ou um lanche intermediário, foi uma mudança considerada simples e efetiva pelas participantes – “(...) coisinhas que a gente acha que é mínimo, que não ia fazer tanta diferença, faz diferença sim”.
Eu deixava de fazer legumes, às vezes, por preguiça e hoje eu faço, ponho as minhas filhas pra fazer comigo ali na cozinha (...). Então essa mudança ajuda a família inteira (...) com você automaticamente (...) muda seus filhos e até o marido.
Eu comecei a fazer compra num dia determinado da semana (...). Eu planejo (...). Aí chego com aquela pressa e tudo, mas já tem a cenoura ralada, coisas já dispostas na geladeira, verdura lavada (...) pelo menos um arroz, um feijãozinho, uma saladinha já tem semi-preparado. Então assim, eu mudei muito a minha cabeça, essa mudança na minha cabeça e mudança de hábito foi o que me ajudou.
O ato de cozinhar constitui-se em uma prática social, visto que é uma atividade da vida cotidiana que simboliza a inscrição em uma cultura152. A realização das preparações culinárias foi encorajada pelo projeto e quando compartilhada, além de evitar sobrecarga a apenas um membro da família, pode proporcionar um importante espaço de troca entre os envolvidos, inclusive de tradições. Alguns grupos do projeto tiveram encontros dedicados exclusivamente à práticas culinárias, sobretudo os realizados no Espaço das Vilas, por dispor de uma cozinha equipada. Considerando o ritmo de vida moderno, estratégias que visam facilitar o consumo de alimentos com menor grau de processamento foram sugeridas e discutidas em todos os grupos.
(...) essa questão da conscientização foi fundamental. Se a gente come como vocês falaram, não sei quem falou, é porque a gente é sem-vergonha, porque a gente já sabe...
Apesar do acúmulo de aprendizados e mudanças destacados pelas próprias usuárias sobre a temática da alimentação, o trecho acima nos dá indícios da presença do sentimento de culpa. Assim como qualquer outro sentimento, a culpa per se não é algo bom ou mal. O sentimento de culpa pode ser útil e essencial a humanidade, posto que nos levar a avaliar nossos pensamentos e ações,
funcionando como sistema de freios e equilíbrio; todavia, quando toma conta de nós, traz sofrimento e pode desencadear dúvidas a nosso próprio respeito153. O adjetivo sem-vergonha nos remete à falta de caráter e à imoralidade e, portanto, nos mostra que a culpabilização deve ser abordada de maneira mais aprofundada no grupo.
Atividade física
(...) exercício físico faz bem para o corpo e para a alma...
(...) a caminhada ela não tem só o efeito da parte física, você saiu do seu ambiente, você está olhando outras coisas, então aquilo tudo tem um efeito.
Partindo do pressuposto que corpo, mente e espírito integram um só sistema, é impossível dissociá-los por completo. A prática regular de atividade física tem sido relacionada ao aumento da autoestima e do bem-estar, à redução da depressão e do isolamento social, ao alívio do estresse, à melhora da resistência física e muscular, da densidade mineral óssea, da mobilidade articular, da capacidade cardiovascular e respiratória e do controle das doenças crônicas não transmissíveis26. Diante dos benefícios expostos, introduziu-se ao projeto “Viva Leve” a caminhada e o incentivo às práticas integrativas corporais disponíveis na rede, sendo ao menos uma delas realizadas em um dos encontros.
Quando eu comecei a fazer o grupo [fevereiro de 2014] (...) eu era matriculada em uma academia, mas eu não ia à academia. Eu comecei a ir ao grupo, aí eu comecei a fazer a caminhada, aí eu voltei para a academia e, desde então, eu nunca mais parei de fazer a academia.
(...) eu tenho que ter um comprometimento, e o meu foi de fazer a caminhada. E no dia 4 de janeiro agora [2017], fez um ano que eu caminho todos os dias, de segunda a sábado...
(...) você tem a sua correria, mas você tem que ter seu tempo (...). Eu comecei a levantar às 5h-5h30min-6h com o meu marido pra fazer caminhada, porque depois mais tarde ficava mais complicado
Por intermédio dos relatos, viu-se que o projeto “Viva Leve” contribuiu para incorporação da atividade física na vida dos usuários em longo prazo e, assim como as mudanças na alimentação, essa pôde se estender para outras pessoas.
Dores, controle metabólico e uso de medicamentos
Parou as dores nas pernas, dor no corpo que eu tinha demais, mal estar, comecei a dormir melhor.