CAPÍTULO 2 SABERES RELACIONADOS COM A PRÁTICA PEDAGÓGICA
2.2. Principais Paradigmas dos Cursos Introdutórios de Estatística
2.3.2. Mudanças na Pedagogia dos Cursos Introdutórios e as Estratégias
2.3.2.4. Principais Estratégias no Ensino da Estatística
2.3.2.4.8. Aprendizagem colaborativa: Japanese Lesson Study
Japanese Lesson Study (JLS) é um processo de desenvolvimento profissional
que se insere na categoria de aprendizagem colaborativa, uma categoria mais geral na qual se insere a aprendizagem cooperativa (GOODSELL, MAHER e TINTO, 1992 apud GARFIELD, 1993). Em Roback et al (2006) existe a afirmação que JLS é uma metodologia colaborativa para professores planejarem, apresentarem, observarem e criticarem as lições abordadas em salas aulas.
Através do processo JLS os professores examinam a aprendizagem do aluno diretamente na sala de aula e sua própria prática de ensino. De acordo com Curcio (2002, apud ROBACK et AL, 2006), o processo JLS envolve os seguintes passos:
1) Planejamento colaborativo: em que um grupo de professores (no mínimo quatro e no máximo seis) se reúne, entre dez e quinze horas, durante três ou quatro semanas, para planejar uma única lição específica cuidadosamente.
2) Ensino e observação: Um professor, membro do grupo, ensina a lição como planejada, enquanto os outros membros e as pessoas estranhas ao grupo observam a aula, anotando os detalhes relativos às reações dos alunos.
3) Reflexão analítica: O professor, os outros membros do grupo e os observadores se reúnem após a aula para compartilhar pensamentos e impressões, e avaliar o sucesso da aula de acordo com os objetivos gerais e os objetivos específicos constantes do planejamento realizado pelo grupo.
4) Revisão contínua: a lição é revisada freqüentemente e é ensinada novamente, e o processo é repetido.
O importante é a colaboração desenvolvida entre os professores que trazem experiência e idéias novas para uma tarefa comum. O processo JLS difere das outras atividades colaborativas porque reforça a colaboração entre os professores
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que devem refletir para desenvolver as suas aulas de maneira a atingir os objetivos propostos. Um JLS, ao contrário do que normalmente acontece, não termina com o planejamento da aula. Enquanto um professor ministra a aula, os outros professores ou observadores anotam o comportamento dos alunos, como lidam com o material, as perguntas que eles fazem e se os objetivos estão sendo atingidos.
O alvo na observação não é o professor e sim o aluno que aprende. Existe um protocolo a ser seguido pelos membros do grupo colaborativo e pelos observadores quando em sala de aula: não intervir na lição, não responder aos questionamentos dos alunos. As observações de sala tais como: o engajamento dos alunos nas atividades, a persistência, o grau de interesse, as reações emocionais, a qualidade da interação entre grupos formados em sala, podem ser filmadas.
As discussões durante a reflexão analítica são regidas pelas seguintes regras de acordo com Curcio (2002, apud ROBACK et al, 2006):
1) As reflexões iniciais são do professor que ministrou a aula, seguidas pelas reflexões dos outros professores e dos observadores, nessa ordem;
2) Os comentários devem ser focalizados nas lições e nos alunos;
3) Prover evidências concretas por trás dos pontos discutidos, ou seja, não trabalhar com suposições;
4) Comentários em pontos positivos bem como nas áreas que devem ser melhoradas; e por último,
5) Ouvir completamente para não se perder em detalhes desnecessários.
Se necessário o grupo modificará o plano de aula com base nessas discussões e um professor diferente ministrará a aula a um grupo novo de alunos enquanto os outros membros do grupo observam, e o processo se repete.
A grande novidade no JLS é que os japoneses usam um quadro de quatro colunas para fazer suas anotações de sala de aula.
A Coluna Um contém os passos sucessivos da aula, os tópicos, os exemplos e as perguntas que o professor planejou. Os planos de aula, mais comumente feitos para os CIEs, terminam na coluna um, com um cronograma detalhando o dia da aula
e o tópico a ser abordado. A Coluna Dois contém atividades e respostas dos alunos, bem como as reações para cada passo na lição. A Coluna Três contém lembretes para o professor, os modos de lidar com as respostas dos alunos e os modos de conduzir a aula. Finalmente, a Coluna Quatro lista os métodos para avaliar as metas alcançadas.
Essas colunas mostram as preocupações dos professores e pesquisadores com o ensino de Estatística. As colunas dois e três evidenciam a preocupação com a aprendizagem, como os alunos estão processando a informação, fazendo perguntas e construindo o seu conhecimento. A coluna quatro transforma a aula num laboratório de pesquisa buscando melhorias no ensino e na aprendizagem em Estatística.
Principais benefícios para o desenvolvimento profissional do professor, identificados na adoção da cultura JLS e citados em Lewis e Tsuchida (1998); Lewis( 2002); Lewis, Perry e Hurd (2004)18, são: aumento do conhecimento específico; aumento do conhecimento sobre aprendizagem dos alunos, aumento nas habilidades de observação, suporte para os professores iniciantes, forte conexão com a prática diária, suporte para assumir riscos, forte motivação, senso de eficácia e melhora na qualidade de planejamentos disponíveis.
Dentre os benefícios para os alunos, podem ser citados: uma melhora na realização das atividades, uma aprendizagem mais profunda do conteúdo, aumento na habilidade de fazer conexões e um nível mais alto de compromisso com o material.
Guias detalhados de implementação do Processo JLS podem ser encontrados em19 Stigler e Hiebert (1999); Curcio (2002); Fernandez (2002); Fernandez e Chokshi (2002); Lewis (2002); Watanabe (2002) e nos site da Web: <www.tc.columbia.edu/lessonstudy> e <www.lessonresearch.net>.
Voltaremos agora nossos olhares, de maneira bem sucinta, para o terceiro ponto da reforma estatística descrita por Moore (1997): a tecnologia.
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Essas três referências estão detalhadas em Roback et al(2006). 19