4. Formalizar as atividades de trabalho, desenvolvidas pelo mestre-de-obras, baseando-se em mapas cognitivos.
2.3 Ergonomia Cognitiva
2.3.1 Aprendizagem e memorização
A aprendizagem é um termo utilizado para referenciar o processo seguido pelos seres humanos ao desenvolverem seus conhecimentos e habilidades, de modo a responder as solicitações externas.
Para Richard (1990), existem basicamente duas formas de aquisição de conhecimentos: a aprendizagem por descoberta a partir da ação e a aprendizagem por instrução, que consiste em comunicar um conhecimento formulando-o num texto, como descritas a seguir:
a) A aprendizagem pela descoberta é concernente às aquisições feitas no decurso da realização de tarefas, não somente de execução, mas também das que comportam resolução de problemas. Essa capacidade que uma pessoa possui para se auto-instruir e resolver problemas é composta por princípios de ordem superior habitualmente denominados de estratégia. Este tipo de aprendizagem produz principalmente conhecimentos procedurais - saber-fazer, ou seja, o resultado das atividades de memorização e raciocínio que consistem em formar hipóteses, testá-las, generalizar observações e modificar representações.
b) A aprendizagem pelo texto - é a aquisição de conhecimentos se dá a partir de informações simbólicas vinculadas aos textos, produzindo principalmente conhecimentos declarativos - reconhecidos como saberes. Essa aprendizagem constitui-se das atividades de compreensão a que se segue uma tarefa de memorização.
Para Tardif (1996), muito dos conhecimentos que os professores apresentam em classe são declarativos, embora as intenções dos professores sejam de tornar o aluno apto a agir sobre o real (utilizar os conhecimentos funcionalmente). Os conhecimentos declarativos são mais estáticos do que dinâmico e eles para produzir a ação, devem ser traduzidos em procedimentos.
Para Harmon et al, apud Tardif (1996), a aprendizagem pelo texto tem como resultado o conhecimento em forma de definições, leis e axiomas. Eles citam, como exemplo, os bons alunos que saem dos cursos de física ou contabilidade com boa compreensão dos termos, equações e leis que constituem as teorias formais e os princípios aceitos de suas disciplinas. Contudo, mesmo que possam descrever os conhecimentos adquiridos, não sabem exatamente como aplicá-los na forma prática.
O contrário acontece na aprendizagem pela descoberta, onde a aquisição do conhecimento se dá por meio da experiência ou com a ajuda de um mentor, aprendizagem in-job, ou seja, a aquisição de conhecimentos com ajuda de um operador mais experiente. Nesse caso, a experiência própria ou a do mentor, vão fornecer as condições para o aprendiz executar tarefas ou resolver problemas utilizando as regras práticas.
Segundo Tardif (1996), na psicologia cognitiva a aprendizagem é considerada como um processo ativo e construtivo, onde alguns aspectos são considerados:
1. Os conhecimentos anteriores exercem uma função primordial na aprendizagem, devido aos conhecimentos serem essencialmente cumulativos.
2. A aprendizagem está estreitamente ligada à representação e à organização dos conhecimentos. Ela leva em consideração à aquisição de um repertório de conhecimento e de estratégia cognitiva e metacognitiva, se referindo este último componente tanto ao conhecimento quanto ao controle que uma pessoa tem sobre ela mesma e sobre as estratégias cognitivas (fatores afetivos).
3. Existem fundamentalmente três categorias de conhecimentos que se apresentam interligadas: os conhecimentos declarativos, os conhecimentos procedurais e os conhecimentos condicionais (Tardif, 1996).
♦ Os conhecimentos declarativos correspondem essencialmente aos conhecimentos teóricos.
♦ Os conhecimentos procedurais correspondem aos procedimentos para a realização de uma ação. Distinguem-se dos conhecimentos declarativos, por se situarem dentro de um contexto de ação, de conhecimentos dinâmicos. Esses conhecimentos foram aqui divididos em procedurais e condicionais.
♦ Os conhecimentos condicionais referem-se às condições da ação. Tais conhecimentos estão relacionados ao momento e dentro de qual contexto é apropriada à utilização de tal ou qual estratégia, tal ou qual conduta, de iniciar tal ou qual ação? Por que é adequado empregar esta estratégia, esta conduta e realizar esta ação?
Richard (1990) descreve que há uma distinção entre as representações mentais e os conhecimentos:
♦ As representações mentais são construções cognitivas transitórias que levam em conta o conjunto de elementos da situação de trabalho e da tarefa, e
realizam-se num contexto particular e com fins específicos. São ainda ocasionais e precárias por natureza, pois qualquer modificação da situação faz com que a representação seja modificada. É suficiente que a situação mude ou que um elemento não observado da situação seja levado em conta para que a representação seja modificada. Uma vez terminada a tarefa, são substituídas por outras representações ligadas a outras tarefas.
♦ Os conhecimentos ao contrário, são construções cognitivas permanentes gravadas na memória de longo termo e, se não forem modificadas por novos conhecimentos, se mantêm de forma estática.
Os conhecimentos podem ser gerais ou específicos. Os conhecimentos gerais se referem às classes de objetos, de acontecimentos, de situações ou de ações. Sendo representado de duas formas: conhecimentos declarativos ou conhecimentos procedurais. Os primeiros descrevem os objetos, precisando seus componentes elementares e a natureza das relações existentes entre estes componentes (Fialho, 1999). Enquanto que os conhecimentos procedurais estão relacionados ao como fazer, descrevem organizações de ações que permitem atingir um objetivo dado.
Do ponto de vista do funcionamento cognitivo, a diferença entre conhecimento e representação é que os conhecimentos têm necessidade de serem ativados para serem eficientes, enquanto que as representações são imediatamente eficientes. Isto porque as representações constituem o conteúdo da memória operacional, o saber, as informações gravadas na memória de trabalho e as informações ativas da memória de longo termo. A memória é considerada como um lugar de estocagem das representações e
dos conhecimentos. Distingue-se, basicamente três tipos de memória: os registros sensoriais, a memória de curto termo e a memória de longo termo.
Os diferentes tipos de memórias
♦ Os registros sensoriais caracterizam-se pela conservação de informações por um dos órgãos dos sentidos durante alguns décimos de segundos. A informação percebida não é transformada e é totalmente volátil. Corresponde ao nível da ativação segundo o modelo de Rasmussen. Neste caso, não se trata, no entanto, de memória no sentido estrito, pois não existe nem estocagem, nem tratamento.
♦ A memória de curto termo (M.C.T.) designa o conjunto dos processos que permitem conservar uma informação durante o tempo necessário para a execução de uma ação. A capacidade desta memória é limitada e volátil. Pode ser mantida por auto-repetição, mas fica extremamente sensível às interferências de outras informações.
♦ A memória de longo termo (M.L.T.) é onde estão estocados os conhecimentos que um sujeito acumulou no decorrer do tempo. Se a diferença temporal aparece claramente entre as duas memórias, em compensação, a diferença de natureza é menos evidente, pois algumas informações da M.C.T. se encontram na M.L.T. Esta memória tem capacidade ilimitada, e conserva as informações de forma permanente.
Os conhecimentos também são abordados pela área de gestão do conhecimento que visa estimular o aprendizado no contexto organizacional e
com isto, a criação do conhecimento. Na seção a seguir apresentar-se-á, de forma sintética a gestão do conhecimento.