Parte II – Estudo Empírico
Capítulo 7 Apresentação, análise e discussão dos resultados
Terminada a fase de recolha de dados, procedemos à sua organização, tratamento e análise. Tendo sempre em mente o objetivo de perceber se os professores do ensino regular que nunca trabalharam na educação de adultos e o passaram a fazer consideram esse momento marcante na sua educação permanente e desenvolvimento profissional, começámos por analisar os discursos feitos pelos entrevistados, a fim de perceber o que eles dizem a respeito da sua prática profissional enquanto professores/formadores dos cursos.
Consideramos que todos os dados reunidos com as entrevistas se destinaram a esclarecer um só tema: As representações dos professores do ensino regular acerca da sua inserção na formação de adultos vão no sentido de a considerarem um momento marcante da sua educação permanente e desenvolvimento profissional? E é dentro deste que passamos a especificar as categorias, os respetivos indicadores de contagem, bem como a nossa interpretação.
No quadro destas ideias, consideramos que esta fase de definição de categorias de análise foi crucial, na medida em que nos permitiu simplificar o material recolhido e, desta forma, permitiu fazer inferências sobre as mensagens cujas características foram inventariadas e sistematizadas, de modo a fazer uma interpretação dos dados obtidos. Como salienta Bardin (1995), é a inferência que permite a passagem da descrição à interpretação, enquanto atribuição de sentido às características do material que foram levantadas. Os resultados irão ser apresentados categoria a categoria. A definição das dimensões e categorias de análise, como já referimos, foi efetuada a partir da leitura dos discursos dos entrevistados. Este formato de recolha de dados permitiu-nos obter um corpus de dados relativamente homogéneo, facilitando a sua análise, embora tivesse havido a possibilidade para a expressão livre dos entrevistados.
Na tentativa de agrupar as unidades de análise análogas, colocámos os respetivos excertos de frases, parágrafos ou períodos das entrevistas, que correspondiam ao discurso proferido por cada entrevistado/a, o qual era considerado pertinente e significativo para aquela dimensão de análise. No entanto, tivemos em atenção que uma unidade demasiado pequena, repetitiva, perderia o seu significado.
7.1- Dados pessoais, académicos e profissionais
Nesta secção realiza-se uma caracterização dos entrevistados a partir dos seus dados pessoais, académicos e profissionais.
Quadro 1- Género dos Formadores
GÉNERO E1 Feminino E2 Feminino E3 Masculino E4 Masculino E5 Feminino E6 Masculino E7 Masculino E8 Feminino E9 Masculino E10 Feminino
Os entrevistados dividem-se de igual forma quanto ao seu género, ou seja, cinco entrevistados são do sexo feminino e os outros cinco são do sexo masculino.
Quadro 2 - Idade dos Formadores
Idade dos Formadores Formadores Percentual
32 a 39 5 50%
44 a 48 5 50%
Pela análise do quadro podemos concluir que 50% dos formadores se encontra entre os 32 e os 39 anos de idade. Os outros 50% encontram-se entre os 44 e 48 anos de idade.
Quadro 3-Formação Académica Inicial dos Formadores
Formação Académica Inicial E1 Engenharia Rural E2,E10 Licenciatura 1º CEB E3 Licenciatura Biologia E4 Licenciatura Gestão E5,E9 Licenciatura Matemática E6 Licenciatura Economia E7 Engenharia Eletrónica
E8 Licenciatura Línguas Estrangeiras
Relativamente à formação académica inicial, constatámos que o E1 possui o curso de
Engenharia Rural, o E2 e o E10 Licenciatura 1º CEB, o E3 Licenciatura em Biologia, o E4
Licenciatura em Gestão, o E5 e E9 Licenciatura em Matemática, o E6 Licenciatura em
Economia, o E7 tem o curso de Engenharia Eletrónica e o E8 possui Licenciatura em
Línguas Estrangeiras. Como podemos observar, os formadores possuem licenciaturas específicas e são detentores de diplomas ou certificados de habilitações de nível superior, que lhes confere competências pedagógicas, mas não possuem quaisquer conhecimentos de cariz teórico/prático no campo da educação de adultos.
Gráfico 3- Formação Académica Inicial dos Formadores
No que diz respeito à questão 4, “Para além dessa Formação Académica, realizou mais alguma?” Pretendeu-se saber se os formadores já desenvolveram cursos além da Formação Académica Inicial. Assim, apurámos que 30% respondeu afirmativamente e os restantes 70% disseram que não, como podemos observar no quadro 4.
Quadro 4 - Outra Formação Académica para Além da Inicial
Sim 3 30%
Não 7 70%
Dos entrevistados que responderam afirmativamente apurámos três categorias, enunciadas no quadro 5, referentes a três áreas de formação pós-graduada: Supervisão pedagógica (C1)Tecnologia Informação Comunicação (C2)e Ensino Especial (C3).
Quadro 5 - Áreas de Formação das Pós-Graduações
Categorias Frequência Sujeitos
(C1) Supervisão Pedagógica 1 E2
(C2Tecnologia Inf. Comunicação 1 E3
(C3) Ensino Especial 1 E10
É de referir que tais dados são causadores de alguma perplexidade, quer pelo baixo número de formadores que já realizou mais algum tipo de formação académica para além da inicial, quer por nenhuma dessas pós-graduações terem sido na área da educação e formação de adultos.
No que se refere à questão nº 5 “ Para além da sua formação académica tem realizado formação contínua/ profissional? Se sim, em que áreas?
Verificou-se que a esmagadora maioria tem-no feito, como se pode ver no quadro abaixo.
Quadro 6 - Formação contínua/profissional
Dos formadores que responderam afirmativamente, emergiram as seguintes categorias, referentes às áreas de formação: Formação pedagógica (C1); TIC (C2); Educação (C3);
Matemática (C4); Economia e Contabilidade (C5), que estão representadas no quadro 7.
Quadro 7- Áreas de Formação Contínua
Categorias Frequência Percentagem Sujeitos
C1. Formação Pedagógica 1 10% E1
C2. Área das TIC 5 50% E2; E7; E8; E9; E10
C3. Área da Educação 1 10% E4
C4. Área de Matemática 1 10% E5
C5 Economia e contabilidade 1 10% E6
Como se pode observar através do quadro apresentado, a grande maioria dos entrevistados realizou formação contínua fora do âmbito da educação e mais ainda fora da educação de adultos. Apenas o entrevistado (E1), diz ter frequentado um curso de
formação pedagógica, na área da educação de adultos e o entrevistado (E4), na área da
Educação.
Sim 9 90%
E1 – “Sim, realizei o curso de formação pedagógica inicial para mediadores dos
cursos EFA, numa duração de sessenta horas”.
E4 - “Há seis anos, fiz profissionalização em serviço na área da Educação
Tecnológica”.
Como se pode verificar através dos dados apresentados, os formadores não têm conhecimento teórico específico e formação específica em Educação de adultos, para que possam trabalhar nesta área (EFA), o que vai ao encontro do estudo realizado por Ferry (1980), que diz que existe uma atribuição aos professores de demasiados papéis, as dificuldades que os professores têm, e as suas necessidades em trabalhar com uma situação nova como os Cursos de Educação e Formação. Os professores vêem-se numa nova situação, num contexto diferente daquele em que estavam habituados a exercer a sua atividade profissional. Existe um desfasamento entre aquilo que se dá a um professor e aquilo que se lhe exige. Por isso, existe uma emergente necessidade de análise de necessidade de formação dos professores. Requer-se, também, repensar a formação inicial que não tem vindo a acompanhar os novos desafios da educação pois os professores trabalham num mundo em constante mudança onde se deparam diária e sistematicamente com desafios vários para os quais a sua formação inicial não os preparou. Sendo assim, é necessário reinvestir e configurar uma formação contínua atualizada e útil para os professores e, por isso, urge proceder ao diagnóstico através de uma análise das necessidades de formação de professores pois é a “… estratégia fundamental a seguir na formação profissional dos professores…” (Rodrigues, 1991:476). Aqui é também “… importante ajudar o professor a definir e a concretizar o seu projeto profissional, em direta articulação com as condições reais de trabalho….” (idem:476). A formação de professores deve contribuir para o desenvolvimento profissional e responder adequadamente às solicitações do quotidiano pedagógico. Uma pessoa não nasce professor transforma-se em professor e este tem uma multiplicidade de funções, papeis, deveres e obrigações (Ferry, 1980, cit. Esteves e Rodrigues, 1993).
Também como já foi referido na parte teórica deste trabalho, são diversos os autores (Canário, 1992, a, b e 1997; Campos, 1993; Barroso, 1997; Ruela, 1999; Jesus, 2000; Nóvoa, 2002; Formosinho, 2002), que defendem uma nova política de formação contínua de professores, em Portugal, reconhecendo o desgaste e a ineficácia dos
modelos escolarizados que têm vindo a ser implementados, valorizando uma formação mais ajustada e contextualizada às necessidades específicas de cada escola e de cada comunidade educativa. A formação contínua tem-se revelado ineficaz, pelo facto de não conseguir realizar a transferência das situações de formação para as situações práticas do quotidiano e contexto escolar.
Relativamente à questão 6, “Quantos anos tem de serviço?”, agrupámos as respostas obtidas em três grupos: menos de 10 anos de serviço, de 10 a 20 anos de serviço e mais de 20 anos. Os resultados obtidos constam do quadro 8.
Quadro 8- Composição dos formadores segundo tempo de serviço
Tempo de serviço Percentagem Sujeitos
Menos de 10 anos 50% E1;E3; E5; E8;E9
10 a 20 anos 30% E4; E6; E7
Mais de 20 anos 20% E2; E10
Relativamente ao tempo de serviço, os dados do quadro mostram que 50% dos inquiridos possuiu menos de 10 anos de serviço. Os outros 50% têm 10 ou mais anos de serviço.
A questão nº7 referia-se à situação profissional dos formadores: “Pertence ao quadro de professores desta escola? Se não, qual é a sua situação laboral?
Em termos profissionais, todos os professores responderam que não pertenciam ao quadro daquela escola. Relativamente à sua situação laboral emergiram duas categorias:
Professor contratado (C1) e Professor do quadro de agrupamento de outra escola (C2), que
estão representadas no quadro 9.
Quadro 9- Situação laboral dos formadores
Situação Laboral Percentagem Sujeitos
(C1) Professor contratado 70% E1; E3; E4; E5; E6; E8; E9
(C2) Professor do quadro de outra escola 30% E2; E7; E10
Como se pode observar através do quadro, a maioria dos professores que trabalham nesta escola nos Cursos EFA, são contratados. Num total de 10 professores que foram destacados para lecionar na área da educação de adultos naquela escola apenas 3 são professores de quadro e ainda assim não são do quadro daquela escola. Este facto vem de encontro ao que é referido por vários autores acerca da existência de uma certa desvalorização desta atividade. Licínio Lima é um dos autores que tem referido, desde há longa data, que o campo da educação de adultos tem sido desvalorizado no nosso país e mais recentemente reafirma que estas últimas décadas caracterizam-se por avanços e recuos menos desejados marcado por políticas educativas descontínuas, tornando-se a educação de adultos “no sector mais crítico e problemático de um sistema de educação ao longo da vida em Portugal” (Lima, 2005:32).
8.2 - Atividade, formação, aprendizagem e desenvolvimento profissional em educação de adultos
Nesta secção procura-se caracterizar a experiência de trabalho dos formadores entrevistados em educação de adultos, a sua inserção nos cursos EFA, a sua formação e o seu desenvolvimento profissional.
Um dos aspetos que procurámos perceber foi a experiência tida por estes formadores no campo da educação de adultos. Fizemo-lo através da questão 8: “É o primeiro ano que trabalha na Educação de adultos? Caso não seja, que outras experiências teve na Educação de Adultos?”.
Dos entrevistados, 60% respondeu não e 40% respondeu afirmativamente, como podemos observar no quadro 10.
Quadro 10- Primeira experiência de trabalho na Educação de Adultos
Relativamente a outras experiências na Educação de Adultos, emergiram duas categorias em igual percentagem: Ensino Recorrente (C1) e Cursos EFA (C2) que estão representadas no quadro 11.
Quadro 11- Experiências na Educação de Adultos
Experiências na Educação de Adultos Percentagem Sujeitos
(C1) Ensino Recorrente 30% E4; E6; E7
(C2) Cursos EFA 30% E1; E3; E5
Interessou-nos também perceber como e porquê estes formadores foram exercer a sua atividade para os cursos EFA. A questão 9 serviu-nos para tentar entender como essa
Sim 4 40%
inserção neste tipo de educação de adultos ocorreu -“ Como realizou o seu processo de inserção nesta atividade de formador dos cursos EFA. Isto é, como foi para os cursos EFA?; Porque foi para os cursos EFA”?
Dela emergiram as seguintes categorias: Miniconcursos (C1); Destacamento (C2); Completar o horário letivo (C3); e Bolsa de recrutamento (C4), como se pode observar no quadro 12.
Quadro 12- Inserção nos cursos EFA
Inserção nos Cursos EFA Percentagem Sujeitos
(C1) Miniconcursos 20% E1; E3
(C2) Destacamento 20% E2; E10
(C3) Completar o horário letivo 50% E4; E6; E7; E8; E9
(C4) Bolsa de recrutamento 10% E5
Observando o quadro e alguns excertos das entrevistas, podemos verificar que os professores foram para os cursos EFA, não por livre vontade mas porque, para alguns, foi a única forma de poderem trabalhar e completar o horário uma vez que a maioria é professor contratado, como se pode confirmar nos seguintes excertos:
E3 – “Concorri aos miniconcursos. Fui, porque foi o único modo de trabalhar já
que o ensino regular é muito complicado”.
E4 – “ Estes cursos estavam distribuídos no meu horário letivo”.
E5 – “ Fui colocada nestas escolas através da bolsa de recrutamento, num horário
E7 – “Foi simples, fui para os cursos EFA para completar o horário, uma vez que
o meu horário letivo, era apenas de 12 horas semanais”.
E8 – “A escola atribuiu-me horas nos adultos, para completar o meu horário
letivo”.
E9 – “Como não tinha o horário completo, o agrupamento atribuiu-me horas nos
Adultos e é por isso que me encontro a trabalhar também nos adultos”.
Uma vez mais estes dados estão de acordo com o que nos vem sendo dito por vários autores acerca da forma como muitos dos trabalhadores da educação de adultos, sobretudo formadores, são inseridos nestes contextos de trabalho. É muitas vezes de forma “acidentalmente” que tal acontece. Uma vez que estes cursos decorrem em horário pós-laboral, nomeadamente à noite, estes horários nas escolas acabam muitas vezes por ficar para professores contratados (Cavaco, 2008).
Procurámos também saber se estes profissionais tinham formação na Educação de Adultos, através da questão nº10 “Tem formação na área da educação de adultos?”
Os dez inquiridos do nosso estudo responderam à questão dizendo não ter formação na Área de Educação de Adultos, o que vai de encontro ao que foi dito na primeira parte deste trabalho: a maioria dos profissionais que se encontram a trabalhar na Educação de Adultos não tem formação nesta área. Tendo em mente o que dizem Widden e Tisher, citados por Rodrigues (2006:20), “... se queremos dar aos jovens {e adultos} a melhor educação é basilar dar primeiro uma boa formação aos que vão ensinar…”, pois a formação contínua tem um papel extremamente importante principalmente em novos cenários educativos proporcionando desenvolvimento e havendo procura de uma integração de saberes, por meio da integração da teoria na prática e pela tentativa da inserção dos professores em diversos contextos escolares. Efetivamente, não é o mesmo ser professor no ensino regular, destinado a crianças e jovens, ou ser professor/formador na educação e formação de adultos, e essa falta de formação específica na área pode comprometer o desempenho destes profissionais da educação.
Procurámos saber se depois de terem começado a trabalhar na Educação de Adultos (mais concretamente nos cursos EFA), lhe foi proporcionada alguma formação específica e se tiveram de que tipo, sobre o quê e dada por quem (questão 11). Relativamente à primeira parte da questão, como podemos observar no quadro 13, a grande maioria (80%), não teve essa formação, depois de começar a trabalhar na Educação de Adultos/cursos EFA. A resposta da entrevistada (E10) parece-nos elucidativa quanto ao que se terá passado em
muitos casos semelhantes:
E10 – “Não, para além das reuniões quinzenais que serviam mais para resolver situações
de natureza burocrática do que para discutirmos pedagogias e práticas letivas, não tivemos qualquer formação neste campo”.
Quadro 13- Formação na Educação de Adultos/Cursos EFA, depois de começar a trabalhar
Dos entrevistados que responderam afirmativamente, surgem duas categorias: Sessões de esclarecimento (C1) e Reflexão e Partilha (C2), ambas promovidas pela Direção Regional
de Educação do Norte (DREN), que estão representadas no quadro 14 e nos excertos seguintes:
Quadro 14- Tipo de formação na Educação de Adultos
Categorias Percentagem Sujeitos
(C1) Sessões de Esclarecimento - DREN 10% E4
(C2) Reflexão e Partilha - DREN 10% E5
Formação Frequência Percentagem Sujeitos
Sim 2 20% E4;E5
Não 8 80% EE1;E2; E3; E6;
E4 –“Sim, tive sessões de esclarecimento sobre o funcionamento dos cursos EFA
fomentadas por um formador da DREN.”
E5 – “No ano letivo 2010/2011, participei no Encontro de Reflexão e Partilha
realizado pela Equipa Novas Oportunidades da Direção Regional do Porto”.
No que concerne à questão 12 “Procurou fazer, depois de trabalhar nos cursos EFA, algum tipo de formação na Área da Educação de Adultos? Se sim, refira que formação fez ou está a fazer, se não, porque não o fez?” Todos os entrevistados responderam que não. Constatámos a existência de explicações homogéneas, sobre as razões de não terem feito formação. Delas emergiram duas categorias: Não houve formação (C1) e
Incompatibilidade com o horário (C2), como se pode observar através do quadro 15.
Quadro 15- Razões da não frequência de formação
Categorias Subcategorias Percentagem Sujeitos
(C1) Não houve
formação
- Não tive conhecimento. - Não me foi facultada nenhuma ação de formação. 80% E1; E2; E4; E6; E7; E8; E9; E10 (C2) Incompatibilidade com o horário
- Não tinha tempo - O horário coincidia com o meu horário letivo.
20%
E3; E5
Os excertos abaixo ilustram o tipo de justificações a que chegámos: E1 – “Não porque não surgiram ações de formação nesta área”.
E2 – “Não porque não me foi disponibilizado qualquer tipo de formação nesta
área”.
E3 – “ Não. Por falta de tempo. Preparar as aulas de raiz, partindo apenas de um
referencial, ocupa o tempo útil. Também as poucas que aparecem, são em horários pós laboral, à noite estou a trabalhar.
E4 – “Não devido à ausência de formação nesta área.”
E5 – “Não, porque as poucas que são disponibilizadas sem custos, são ministradas
em horários que não são compatíveis com o horário das aulas.” E7 – “Não, não tive conhecimento de qualquer tipo de formação.
E8 – “Não, não soube de nenhuma, mas também não tinha oportunidade, pois tenho
um horário que me ocupa o tempo todo, ao fim de semana é para estar com a família. E10 – “Não, este ano não houve nenhuma ação de formação na área da Educação
de Adultos. Surgiu sim na área das TIC.”
Estas respostas merecem-nos um comentário crítico. É verdade que surgem várias dificuldades quando pretendemos realizar formação. Mas a questão que foi colocada aos entrevistados era se eles tinham procurado fazer formação na área e de que tipo, e não se sabiam que havia, ou se lhe foi dado conhecimento. E o que se constata é que apesar de não terem formação na área também não a procuram.
A questão nº 13 “Considera que essa formação que fez (quer a “oferecida”, quer a por si procurada) tem sido útil para a realização desta sua atividade? Se sim, de que forma? Se não, porquê? Só foi destinada a quem respondeu afirmativamente à questão 11e/ou12. Como vimos, de todos os entrevistados apenas dois (E4 e E5), responderam
afirmativamente à questão 11. Assim, só estes entrevistados responderam a esta questão e à próxima (13.1).
Quanto à questão 13 o entrevistado E4, afirmou:
“Sim, foi uma aproximação ao funcionamento dos cursos,” enquanto o entrevistado E5, respondeu:
Vemos assim que a formação que estes formadores tiveram esteve longe de ser suficiente para os ajudar a construir as competências necessárias, ao seu desempenho.
Relativamente à questão 13.1 “Essa formação tem contribuído para o seu desenvolvimento profissional? Se sim, de que forma?” o entrevistado E4 reafirmou:
“Sim, porque me esclareceram algumas dúvidas que eu tinha em relação aos cursos EFA, apesar de terem sido sessões de esclarecimento”.
Por sua vez o entrevistado E5, disse :
“Não, foi pouco tempo, profissionalmente não me ajudou”.
Procurámos também saber que tipos de atividades têm os formadores dos cursos EFA, através da questão nº14: “ De forma muito breve descreva a sua atividade enquanto formador EFA”. Desta questão emergiram duas categorias: Proporcionar um bom ambiente de trabalho (C1) e Lecionar e ser Mediador (C2). Da categoria (C1), surgem três
subcategorias: Empatia e reforço positivo; Clima de amizade; e Postura e linguagem. Da categoria (C2), surgem duas subcategorias: Lecionar Conteúdos e ser Mediadora de
Cursos, como se pode observar no quadro 16.
Quadro 16- Atividade enquanto formador EFA
Categorias Subcategorias Percentagem Sujeitos
(C1) Proporcionar um
bom ambiente de trabalho
- Empatia e reforço positivo. - Clima de amizade. -Postura e linguagem. 40% E1; E5; E6; E7; (C2) Lecionar e ser Mediador - Lecionar conteúdos. - Mediador de cursos. 60% E2; E3; E4; E8; E9; E10
De acordo com as respostas dadas, é de referir que os professores/formadores entrevistados enumeram um conjunto diversificado de estratégias utilizadas para criarem um bom ambiente de trabalho, para que os formandos possam obter e trocar conhecimentos, como podemos constatar através dos excertos:
E1 – “Promovi sempre a empatia e o reforço positivo, como forma de elevar as
expectativas dos formandos com mais dificuldade e melhorar a autoestima, criar um ambiente proporcionado de aprendizagem, dentro de um clima de amizade e respeito.”
E4 – “Tendo em conta que estou a lecionar Formação tecnológica, transmito
conhecimentos técnicos nessa área.”
E7 – “Enquanto formador de adultos, tive de adaptar um pouco, não só a minha
postura e linguagem, como também os métodos de trabalho, proporcionando um bom ambiente de trabalho.”
E8 – “Leciono Línguas Estrangeiras e sou mediadora do curso de Higiene de
dupla certificação, onde tive de me adaptar a este ensino pois é muito diferente trabalhar com crianças e adultos. Estes necessitam de uma maior motivação e preparação de aulas já que não têm manuais escolares.”
E10 – “ Leciono o curso Técnico de Ação Educativa na componente tecnológica e
sou mediadora do curso de Higiene e Segurança no Trabalho.”
Estes excertos, ou parte deles, nomeadamente aqueles que apontam para a necessidade de adaptação de estratégias face ao público que são os adultos merecem um