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1. SISTEMATIZAÇÃO: Do problema à construção do caminho da pesquisa

1.3. Apresentação do município e cidade de Ituiutaba

O município de Ituiutaba tem área correspondente a 2598,046 km², estando situada a oeste da capital mineira Belo Horizonte com distância aproximada de 700 km. Componente da microrregião do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, e microrregião de Ituiutaba (Figura 12). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2008) por meio do estudo sobre a Região de Influência das Cidades (REGIC) a cidade de Ituiutaba se enquadra como um centro sub-regional B, com zona de influência que abrange Cachoeira Dourada (MG), Capinópolis (MG), Gurinhatã (MG), Ipiaçu (MG), Santa Vitória (MG) e São Simão (GO). A população do município de acordo com o censo realizado em 2010 apontava 97.171 habitantes, sendo 93.125 na área urbana e 4.046 na área rural (IBGE, 2010).

Figura 12 – Ituiutaba: localização do município e malha urbana (2017)

Fonte: IBGE (2017); Organização: Pereira, L. A. (2017)

Sobre o histórico, o município de Ituiutaba (MG)

Está intimamente relacionado ao processo de penetração, conquista e povoamento do interior do Brasil sob o impulso da agropecuária extensiva, voltada para o mercado interno, e pela chegada de vários forasteiros na região que hoje é conhecida como Triângulo Mineiro, os quais vinham tomar posse das terras recebidas por doação do Império - as sesmarias. No processo de ocupação em direção ao interior, ao mesmo tempo em que a atividade agropecuária permitiu o surgimento e desenvolvimento de vários núcleos urbanos, fez com que Ituiutaba (MG) se tornasse rota obrigatória para a passagem dos sertanejos que seguiam em direção ao Mato Grosso e ao Sudoeste goiano (CHAVES, 2016, p. 16).

Em meados de 1915, de acordo com Silva (2016, p. 6), possuindo população superior a vinte mil habitantes, a então nomeada Villa Platina se torna cidade, passado a ser chamada de Ituiutaba. A base econômica era a agropecuária e pequena prestação de serviços, sobretudo comerciais para a comunidade local, fato que se transformou significativamente nas décadas seguintes, tendo em vista o proeminente movimento de abertura da fronteira agrícola em direção ao oeste brasileiro.

No entanto, mesmo com a incipiente produção agropecuária, somente a partir de 1950 passou a ser caracterizada por sua especialização na pecuária e na agricultura, e que por conta de sua localização na microrregião ganhou espaço a prestação de serviços, saúde, educação e comércio em sua “hinterland” (DAMASCENO e MOURA, 2009). Neste sentido, podemos traçar o desenvolvimento de Ituiutaba com base na produção agropecuária em períodos específicos. No período que compreende o período entre 1930 e 1940 o garimpo consolidou a aglomeração, enquanto a partir de 1950, a produção da rizicultura fez o município ascender dentro do contexto nacional como a “capital do arroz”, e assim perdurou por aproximadamente 3 décadas, até que um declínio se instituiu fazendo com que a produção pecuária tomasse o lugar antes ocupado pelo arroz. Perdurando até a década de 1990, a pecuária dá lugar às plantações de cana, fenômeno que atingiu significativamente não apenas Ituiutaba, mas também toda a porção em que o município está inserido.

Ressalta-se, no entanto, que

Favoráveis condições de clima, de topografia e de solo foram responsáveis por parte significativa do crescimento econômico desse município mineiro, impulsionando sua industrialização, especialmente, com investimentos voltados à agroindústria. Em geral, o setor agropecuário foi a força econômica pioneira em Ituiutaba (MG), que definiu, até meados dos anos de 1970, a dinâmica da economia municipal e sua articulação com as economias regional, estadual e nacional. Todavia, com as modificações advindas do processo de modernização da agricultura, perdeu representatividade na composição do Produto Interno Bruto (PIB) municipal, que se concentra, atualmente, no setor de serviços (CHAVES, 2016, p. 35) Para tanto, atualmente,

Exerce uma centralidade, destacando-se pelo grau de importância nos setores de comércio e de prestação de serviços, com ênfase para a área de saúde e do ensino superior, com destaque para este último, que está se intensificando com a implantação da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e o Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), atendendo toda uma rede de municípios da região que ele polariza” (SILVA, 2014, p.21).

Corroborando, Guerra; Libera (2014) indicam que a estagnação econômica da cidade se alterou na última década devido aos incentivos “do Governo Federal para a construção civil, através do Programa de Moradia de Interesse Social: “Minha Casa Minha Vida” - MCMV, com cerca de 2000 moradias” [atualmente o número se apresenta muito maior], e

também do Projeto de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais – “REUNI, com a implantação do Campus Pontal da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Ituiutaba voltou a se destacar econômica e socialmente”.

Sobre a cidade, a formação do espaço urbano se deu com base na expansão a partir da praça central e a Igreja Matriz (São José), e com base em Chaves (2016), podemos entender o crescimento urbano de Ituiutaba da seguinte forma: no início de sua formação, a Igreja Católica, detentora de boa parte das terras, se mostrou como primeiro agente produtor do espaço urbano. Até meados de 1970 a ocupação do território ocorreu de forma pouco organizada e legalizada, para tanto, neste período a Prefeitura Municipal de Ituiutaba busca por meio do Registro de Loteamento regularizar os bairros até então não anexados ao perímetro urbano. A cidade neste período contava com 29 bairros e 2 conjuntos habitacionais. De 1980 a 1990, com o novo aumento do perímetro urbano, os setores sudeste e sudoeste foram privilegiados (Figura 13). Foram inseridos os bairros “Esperança, Jardim Jamila, Mirim, Santa Edwiges, Morado do Sol, Distrito Industrial Antônio Cancella, Residencial Monte Verde e Residencial Primavera” e os conjuntos habitacionais “Eldorado, Jerônimo Mendonça, Lagoa Azul I, Lagoa Azul II e Novo Tempo II”. Chegando em 2000 devido a atuação do poder público e mediante a aplicação de capital no setor imobiliário, para tanto,

Nesse movimento, Ituiutaba (MG) destacou-se no cenário regional como uma das cidades de sua Microrregião que mais conseguiu investimentos no setor da habitação, no âmbito do Programa do Governo Federal "Minha Casa Minha Vida". Entre 2001 e 2010, foram construídos dez conjuntos habitacionais, totalizando 2.895 habitações, condicionando a expansão horizontal da cidade, bem como, desencadeou um processo de valorização as áreas circunvizinhas. Empreendimentos residenciais, para moradia de médio e alto padrão, também se destacaram neste período (CHAVES, 2016, p. 40). Com base nos mapas municipais oficiais, este processo culminaria com a presença de 75 bairros em 2015 e de 106 bairros em 2017 (SECRETARIA DE PLAEJAMENTO, 2015), muitos destes provenientes dos investimentos resultantes do projeto Minha Casa Minha Vida, sobretudo na periferia da cidade que teve sua dinâmica intensificada por conta dos investimentos na construção civil. Podemos avaliar esse processo recente como desordenado tendo em vista o crescimento muito expressivo do número de bairros e sua relação com o perímetro urbano (Figura 13). Neste sentido, o impacto na estruturação das AVU é esperado a partir desta dinâmica de expansão urbana.

Figura13 - Evolução da formação dos bairros em Ituiutaba de 1939 a 2011

No que tange aspecto relevante para o presente trabalho, Guerra; Libera (2014) demonstram de forma muito eficiente que a constituição das áreas livres e áreas verdes acompanharam a expansão urbana, sobretudo devido à Lei 6766/79, que coloca as diretrizes de ocupação e parcelamento do solo urbano. Com base no mapa municipal de autoria da Secretaria de Municipal de Planejamento, em 2015 a cidade contava com 36 praças e 63 em 2017. Atualmente, contando ainda com o Parque Municipal do Goiabal, Centro Turístico Camilo Chaves Neto, a pista de caminhada sobre o canteiro central da Avenida José João Dib, bem como o canteiro central da Avenida Minas Gerais, que a partir de sua potencialidade pode desempenhar as funções de uma área verde.

2. AS ÁREAS VERDES E ESPAÇOS LIVRES EM ITUIUTABA: projeto, praça e