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Apresentação do produto

1 DEFINIÇÕES CONCEITUAIS E HISTÓRICAS

4.1 Apresentação do produto

EDUCAÇÂO PATRIMONIAL

A Educação Patrimonial é uma importante ferramenta, capaz de estabelecer os necessários diálogos com o passado histórico, a fim proporcionar a inclusão de grupos que sempre foram excluídos na sociedade. É a partir do conhecimento do processo histórico que se pode raciocinar e questionar o presente para romper amarras existentes. Assim, o conhecimento e o entendimento dos processos de formação da identidade podem servir como base para reflexões acerca da realidade existente, configurar novas perspectivas de entendimento do passado e relacionamento com as estruturas resultantes do processo histórico. Compreendemos, assim, a necessidade que os grupos têm de interpretar o passado a partir das condições do presente.

O material didático de Educação Patrimonial direcionado aos alunos e alunas dos anos iniciais da Educação Básica, que apresentamos como produto, constitui possibilidade de aproximação entre a comunidade e o patrimônio histórico e cultural do município. Esse subsídio representa um diálogo entre a comunidade e a história do município e pretende abrir espaço para novas interpretações de alguns aspectos e entendimentos.

É, portanto, uma contribuição que pretende o registro de dados, bem como suscitar interrogações sobre os patrimônios locais, muito valiosos para o desenvolvimento de práticas pedagógicas no conhecimento da história local. A partir dessas informações as novas gerações poderão se posicionar diante da exclusão e injustiça social ocorridas no passado, que se reproduzem e se desdobram no presente. Nesse sentido, o desenvolvimento da cidadania é condição elementar para que se alcance o esperado.

4.1 Apresentação do Produto

O Produto que apresentamos como pré-requisito para o Mestrado em Patrimônio Cultural é um livro que conta, a partir da percepção do patrimônio cultural, de forma ilustrada e interativa a trajetória histórica de Bossoroca, bem como apresenta aspectos da sua cultura. Nele, enfocamos alguns dos lugares de memória

e episódios importantes na constituição do município. É, em resumo, um material para subsidiar a educação patrimonial a partir do ambiente escolar, e será disponibilizado à Secretaria Municipal de Educação do Município, a fim de que o reproduzam e o distribuam na rede municipal de ensino.

Há tempo percebíamos a necessidade de um material que desse suporte para estudo do passado histórico do município e de seu patrimônio cultural na sala de aula com os alunos. O contato com o material destinado à educação patrimonial desenvolvido pelo professor Saul Eduardo Seiguer Milder foi nosso ponto de partida e objeto de inspiração. Nele, vimos efetivadas nossas idealizações de material direcionado não apenas ao público infantil, mas também a outros públicos.

O livro de Saul Eduardo Seiguer Milder, intitulado O POVO DOS PINHEIRAIS, é um bom exemplo de material didático para estudo da questão patrimonial em sala de aula, com alunos pequenos. Estes são justamente os grandes potenciais, visto que as crianças são comprometidas com as causas com as quais se envolvem. São, por isso, potencialmente, importantes agentes patrimoniais.

O material, todo ilustrado, chama atenção pelas paisagens apresentadas, que revelam aspectos do relevo e da vegetação facilmente reconhecidos pelos leitores, integrantes das comunidades envolvidas.

Apesar da simplicidade, esse material, resultado de pesquisa séria, resulta em interessante subsídio para determinado grupo de leitores que, assim, conseguem compreender o que está posto.

Como educadores, acreditamos que, a partir de práticas simples, podemos alcançar grandes objetivos em relação à questão patrimonial quando trabalhamos de forma motivadora. O lúdico tem grande importância nos processos educativos em nossa prática pedagógica, pois a ludicidade possibilita o envolvimento do aluno no processo de ensino-aprendizagem, tornando prazeroso o ato de aprender. Nele, a curiosidade e a interação com o material se tornam uma constante e possibilitam atingir os objetivos.

Quando nos propusemos a produzir um material que pudesse servir de subsídio para o estudo do município, pretendíamos enfocar a complexidade de fatores que permeiam essa história, assim como a maneira como os grupos investidos de poder se manifestam na sociedade.

Acreditamos que, por meio da educação patrimonial, podem-se romper amarras existentes, e o conhecimento acerca dos processos de formação de

identidades pode servir como base para reflexões sobre a realidade, configurando novas perspectivas de entendimento e relacionamento com o passado e com as estruturas e representações resultantes do processo histórico, para determinar rupturas ou continuidades. Nessa perspectiva, é que o material proposto como recurso básico para estudos sobre a história e a cultura do município representa um bom recurso para efetivação da educação patrimonial.

Na condição de educadores, entendemos que nossas práticas devem estimular reflexões acerca do patrimônio existente, a fim de trazer novos entendimentos e suscitar novas dúvidas sobre os símbolos e valores presentes no patrimônio existente e no significado deles para a comunidade. A preservação e a importância destes passa obrigatoriamente pela relação de pertencimento estabelecida entre o bem cultural, material ou imaterial, e a relação que esses lugares revelam sobre o passado e o presente. A ressignificação do passado e das perspectivas de futuro que se percebem neles pode ser fundamental para o desenvolvimento da cidadania.

Segundo QUEVEDO-RODRIGUES (2011), ao tratar da educação patrimonial em sala de aula, “todas essas questões só serão reconhecidas se, no espaço escolar, ocorrer o debate, a conscientização da importância da História e do Patrimônio Cultural, que passa pela educação patrimonial de qualidade”.

Com base nessa afirmação, entendemos necessário o diálogo entre os ícones do passado a fim de compreender a relação dos lugares de memória no município e as representações sociais formadas ao longo do tempo e presentes no cotidiano do lugar. Assim, é possível perceber que se perpetuam práticas de autoritarismo e submissão decorrentes de um passado alicerçado no regime de grandes propriedades rurais e da exclusão social. Configura-se, assim, uma educação patrimonial de qualidade no centro de cujo processo o ser humano é colocado, pois é para este que essas ações devem servir.