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CAPÍTULO 3. ABORDAGEM EMPÍRICA

3.1. Apresentação e desenvolvimento de resultados

Dado que “o método de recolha de dados deve ser adaptado ao tipo de dados a investigar” (Albarello, et al., 1997, p. 86), o inquérito por entrevista (e por questionário ) revelou ser a melhor técnica para a recolha de informação, tendo em conta o teor empírico dos dados a obter.

Pretendemos, agora, esclarecer e sintetizar os aspetos essenciais das respostas dos inquiridos às questões elencadas no guião de entrevista, estando as mesmas organizadas em quadros de análise (qualitativa) de conteúdo elaborados para cada questão96.

Tendo em vista a simplicidade e objetividade da investigação, foram selecionados os excertos mais pertinentes (evitando informação em excesso) 97, de acordo com os objetivos

propostos, aglutinando as respostas de toda a amostra, por forma a permitir e facilita r, posteriormente, a sua análise e interpretação.

Com as treze questões de resposta aberta que compõem o guião, cuja elaboração teve por base as questões de investigação98, procurámos apurar os seguintes dados99:

A título de enquadramento, a questão n.º 1 – “Quais são os acontecimentos terroristas ocorridos ao longo da História europeia recente que destacaria como tendo sido determinantes para impulsionar alterações legislativas, quer no âmbito nacional, quer no âmbito da UE? Consegue apontar algumas dessas alterações legislativas?” – visava fazer um levantame nto dos acontecimentos terroristas mais relevantes, ocorridos no espaço europeu e num horizonte temporal estabelecido em cerca de vinte anos, assim como das alterações legislativas que destes advieram.

Na questão n.º 2 – “Considera que o atual enquadramento legislativo nacional respeitante à matéria do terrorismo satisfaz cabalmente as necessidades no combate desta ameaça em Portugal? Porquê?” – o objetivo era averiguar a existência de um “vazio” entre

96 A este propósito, vide Apêndice D – Análise Qualitativa de Resultados.

97 A transcrição integral das entrevistas encontra-se anexada em suporte digital (CD), assim como as gravações

áudio das mesmas.

98 Vide o Apêndice B – Relação das Questões de Investigação com o Guião de Entrevista.

99 A explicação que se segue deve ser analisada em simultâneo com as respostas obtidas (Apêndice D – Análise

aquilo que a lei prevê e aquilo em que esta se materializa operacionalmente, procurando confrontar o quadro legislativo nacional no âmbito do combate com as necessidades efetivas em termos legislativos nesta matéria.

A questão n.º 3 – “Em traços gerais, como caracteriza o fenómeno do terrorismo em Portugal?” – procurámos avaliar a perceção dos entrevistados sobre o fenómeno do terrorismo em Portugal e perceber, empiricamente, que tipo de ameaças reais e identificadas impende m sobre o país.

Com a questão n.º 4 – “Na sua opinião, quais deverão ser as preocupações primordiais do Estado Português no combate ao terrorismo?” – pretendemos conhecer a opinião dos entrevistados acerca daquilo que devem ser as principais preocupações em matéria de terrorismo a nível nacional.

Na questão n.º 5 – “Dos cinco objetivos estratégicos decorrentes da Estratégia Nacional de Combate ao Terrorismo, quais considera serem os que exigem mais recursos e cooperação para serem alcançados? Porquê?” – tendo por base a ENCT, quisemos identifica r os objetivos (detetar, prevenir, proteger, perseguir e responder) mais exigentes em termos de recursos, por um lado, e de cooperação, por outro.

Na questão n.º 6 – “De que forma pensa que a prevenção que está a ser efetuada em Portugal pode neutralizar o problema do terrorismo e facilitar o seu combate? Indique algumas medidas preventivas.” – o objetivo era avaliar a importância da prevenção no âmbito da luta contra o terrorismo e identificar algumas medidas preventivas que estejam a ser ou possam ser tomadas.

A questão n.º 7 – “Como descreve a atual cooperação entre as FSS no âmbito do combate do terrorismo em Portugal? E no campo da partilha de informações, prevista pelo art.º 6.º da LSI (Lei n.º 53/2008, de 29 de agosto)?” – tinha em vista conhecer o estado atual da cooperação entre as FSS no âmbito do combate ao terrorismo, na ótica dos representantes das diversas entidades, com ênfase para a partilha de informações.

A questão n.º 8 – “No contexto legislativo, de que forma as competências do SGSSI competem para a cooperação entre as FSS?” – direcionada para o papel do SGSSI, visava avaliar se as competências legalmente atribuídas a este órgão se efetivam e permitem uma cooperação efetiva entre as FSS.

Com questão n.º 9 – “De acordo com o enquadramento legislativo nacional, nomeadamente a LOIC (Lei n.º 49/2008, de 27 de agosto) e a Lei n.º 9/2007, de 19 de fevereiro, os serviços de informações e a PJ estão isoladas no SSI quanto à estratégia para prevenir e combater o terrorismo no nosso país. Tendo em conta o “princípio da necessidade de

conhecer”, como interpreta a partilha de informações neste âmbito entre os demais órgãos policiais, nomeadamente a PSP, a GNR e o SEF?” – pretendemos conhecer a opinião dos inquiridos sobre a necessidade de extensão da partilha de informações aos demais órgãos de policial criminal, nomeadamente a PSP, a GNR e o SEF.

A questão n.º 10 – “A UCAT é atualmente composta por um núcleo de nove entidades, entre polícias e serviços de informações, e resume-se a um ponto de troca de informações. Considera a reorganização deste órgão uma medida necessária para fazer face à atual realidade do terrorismo europeu? Em que sentido?” – pretendia averiguar se, face à atual ameaça do terrorismo que assola o espaço europeu, a UCAT carece de uma reestruturação, tanto ao nível do reforço de pessoal, como de entidades representadas.

Na questão n.º 11 – “Que vantagens e/ou desvantagens considera advirem do facto da UCAT se encontrar atualmente sob a dependência e coordenação do SGSSI (art.º 23.º/4 da LSI)?” – o objetivo era identificar algumas vantagens ou desvantagens da “deslocação” da UCAT para a alçada do SGSSI.

A questão n.º 12 – “Em março de 2016, o CSSI decidiu que todos os pontos de contacto policiais internacionais (Europol e Interpol), até então sediados na PJ, se centralizassem no SSI e sob a égide do SGSSI. Como interpreta esta medida? E como será operacionalizada, em termos práticos?” – tinha em vista conhecer a opinião dos inquiridos sobre a criação de um ponto de contacto único nacional, integrado na macroestrutura do SSI.

Por fim, com a questão n.º 13 – “No âmbito dos mecanismos e estruturas de cooperação entre as FSS, que fatores potenciam ou prejudicam o combate da ameaça terrorista em Portugal?” – pretendemos identificar alguns fatores potenciadores ou prejudicadores relacionados com as diversas estruturas e mecanismos de cooperação existentes, a fim de fazer a sua comparação com a UCAT.

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