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Os tópicos seguintes apresentam a exposição dos dados obtidos durante o processo de coleta de dados da pesquisa, objetivando a analise do fluxo de informação tecnológica no processo de desenvolvimento de produtos biotecnológicos, com base nas categorias de análise conforme apresentadas na seção 3.2.

Deste modo, serão apresentados e discutidos os dados do centro tecnológico pesquisado, as técnicas de coleta de dados empregadas, sendo as descrições das entrevistas realizadas e os dados dos questionários aplicados, e os resultados observados no fluxo informacional. Ao final uma seção discutindo os pontos principais observados no fluxo da informação tecnológica, relacionando-os.

4.1 CENTRO TECNOLÓGICO

O Centro de Biotecnologia da Amazônia – CBA está sediado em Manaus, capital do Estado do Amazonas, atuante no mercado desde 2003. O CBA é um centro tecnológico, voltado para a promoção da inovação tecnológica a partir de processos e produtos da biodiversidade amazônica, por meio de: Ação integrada com universidades e centros de pesquisa do setor público e privado (Rede de Laboratórios Associados - RLA); Agregação de valor a produtos e processos tecnológicos; Aumento da densidade tecnológica no setor industrial; Promoção de ambiente favorável à Inovação (serviços tecnológicos).

Desenvolve e entrega para comercialização produtos como: fitoterápicos, fármacos, alimentos funcionais, nutraceuticos, sucos e bebidas não alcoólicas; Além de serviços tecnológicos, tais como ensaios farmacológicos, análise físico-químicas, análises bioquímicas, adaptação e desenvolvimento de processos bioindustriais, produção, padronização e certificação de extratos, insumos e produtos acabados, análise microbiológica e de contaminante de produtos, apoio de formação de empresa de base tecnológica, desenvolvimento de explantes por micropropagação e cultura de tecidos.

Os produtos normalmente ou estão vinculados a projetos especiais (contratos específicos, parcerias, consultoria ou melhor condição aplicada ao projeto) ou por demanda, neste último citado, o CBA faz prospecção tecnológica de determinada planta amazônica, monitora qual empresa possui produtos no mercado em potencial para o

uso do insumo de tal planta e apresenta proposta de parceria, visando o desenvolvimento de um novo produto.

O CBA conta aproximadamente com 100 colaboradores, distribuídos em Área Técnica, Administrativa e Negócios. A estrutura organizacional (FIGURA 20) do centro tecnológico é integrada, divido por juntas e coordenações. Embora o layout demonstre uma divisão de setores, estes setores se comunicam, é comum acontecer reuniões, nas quais sempre estão presentes os coordenadores ou integrantes de cada equipe.

Figura 20 – Organograma do CBA.

Fonte: Centro de Biotecnologia da Amazônia (2011).

Conforme ilustrado, o centro tecnológico conta com uma equipe estratégica dividida em área técnica (aloca as coordenadorias técnicas, pesquisa e análises), área administrativa e área de negócios (aloca o núcleo de negócios e o núcleo de informação).

Na figura 21 é apresentada a base de funcionamento do centro tecnológico a partir da biodiversidade Amazônia, demonstrando um processo genérico desde a coleta dessa biodiversidade ou das coleções que a organização já mantém até a demanda externa (por parte da bioindústria, indústria farmacêutica, agroindústria etc), daqueles produtos que a organização entrega com valor agregado para os clientes.

Figura 21 – Funcionamento e articulação da organização.

Fonte: Centro de Biotecnologia da Amazônia (2011).

Como mostra a figura, o centro tecnológico trabalha com o apoio de setores de informática e segurança, embora não demonstrado nessa figura, mas como apresentado no fluxograma, recebe apoio das áreas de negócios que executam os processos de negócios (os que geram produtos para clientes externos; os que geraram produtos para os clientes internos; e os que melhoram os processos já existentes).

Vale ressaltar que, o centro tecnológico, por estar atuante no mercado a pouco tempo, encontra-se em fase de formalização dos seus processos, de modo que não existe um processo único para o desenvolvimento de produtos, pois dependendo da empresa que busca parceria com o CBA, o processo vai se adequando ao produto solicitado. Por ainda não possuir CNPJ, o centro tecnológico consegue suas transações através da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA.

4.2 IDENTIFICAÇÃO DO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E DOS ATORES DO FLUXO DE INFORMAÇÃO

O checklist foi o instrumento que permitiu identificar os setores e coordenadores envolvidos no processo de desenvolvimento de produtos, estruturado de acordo com o Modelo de Referência desenvolvido por Rozenfeld et al. (2006), o qual mostra que a macrofase de Desenvolvimento compreende as fases de Projeto Informacional,

Projeto Conceitual, Projeto Detalhado, Preparação Produção e Lançamento do Produto.

Dentre as atividades propostas por Rozenfeld et al. (2006), verificou-se que no CBA acontecem as fases de: Projeto Informacional; Projeto Conceitual; Projeto Detalhado. As demais fases: Preparação Produção e Lançamento do Produto são desenvolvidas pela empresa parceira do CBA, ou seja, aquela que mantém um contrato com o centro, sendo de responsabilidade da empresa a execução das atividades não realizadas pelo centro tecnológico. Contudo, a comparação com o modelo de Rozenfeld et al (2006) já demonstra uma diferença de como acontece no CBA, conforme a figura 22.

Na realização desta etapa da pesquisa, verificou-se que o centro de tecnologia não possui um modelo de PDP formal com as etapas criteriosamente descritas, mas no cotidiano, ou seja, quando realizam o desenvolvimento de um produto, o fazem seguindo processos de acordo com a demanda do cliente.

Sendo assim, este levantamento contou com ajuda do coordenador do Núcleo de Geração de Negócios (NGN), o qual segundo o mapeamento é o setor que participa em todas as atividades relacionadas ao desenvolvimento do produto (APÊNDICE G).

As outras coordenações fazem parte, principalmente, nas atividades de avaliação da fase (ao final de cada projeto), atividades de seleção de metodologias e atividades de detalhamento e especificação do produto.

Figura 22 – Processo de Desenvolvimento de Produtos – macrofase de desenvolvimento.

Fonte: Dados da pesquisa (2011).

Em síntese, as coordenações atuam como:

Quadro 22 – Estrutura dos setores da organização.