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APRESENTAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS

PARTE II – ESTUDO EMPÍRICO

CAPÍTULO 2 APRESENTAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS

Apesar das entrevistas terem sido feitas através de um guião, do processo de análise do conteúdo, surgiram 4 categorias e 10 subcategorias (descritas nas grelhas anexas). Esta categorização e codificação permitem, desta forma, facilitar a sintetização da informação para que seja possível dar respostas aos objetivos da investigação. Cada categoria visa responder a um objetivo específico:

OBJETIVOS ESPECÍFICOS CATEGORIAS 1- Compreender o que as mulheres

entendem comummente por importunação sexual e quais as práticas que se enquadram.

1- Representações sobre a importunação sexual.

53 2- Entender de que forma as

experiências vividas pelas mulheres condicionam as perceções femininas sobre estes acontecimentos;

2- Possíveis fatores de influência;

3- Experiência pessoal. 3- Interrogar a efetividade da lei na

proteção das mulheres em relação a este fenómeno, na perspetiva das mulheres entrevistadas

4- Efetividade da medida.

Tabela 2 - Categorização dos Objetivos Específicos

Foi possível ainda utilizar citações provenientes das entrevistas como unidade de análise, assim a informação não corre o risco de perder o seu significado.

Como consequência, daqui em diante será descrita e analisada cada categoria proveniente da análise, para que seja possível proceder à interpretação dos resultados.

1.- REPRESENTAÇÕES SOBRE A IMPORTUNAÇÃO SEXUAL

Tal como o próprio título indica, o presente trabalho tem como principal objetivo entender a perceção das mulheres acerca da importunação sexual, por isso questionar a sua definição não poderia deixar de ser a primeira pergunta da entrevista. Como mulheres e seres únicos que são, é natural que surjam representações diferentes do fenómeno, que poderão ser resultado dos mais variados fatores, daí também a pertinência das entrevistas terem sido feitas a mulheres que se encontram em diferentes etapas da vida. Para além do referido, salienta-se ainda a importância que o entendimento do fenómeno possa ter na forma como as próprias mulheres vivem a sua vida e reagem a diferentes situações do quotidiano.

No que diz respeito à definição do termo “Importunação Sexual” as respostas das entrevistadas dividem-se. Se por um lado temos quem diga, quase automaticamente, que não faz ideia do que isso é e que nunca ouviu falar em tal coisa, também há quem se aventure e tente fazer suposições sobre do que se trata. De uma forma geral, à exceção da entrevistada mais velha (75 anos), praticamente todas tentaram analisar ambas as palavras para conseguirem atribuir um significado e

54 descodificar este conceito aparentemente desconhecido. Para ilustrar ambos os casos, podemos destacar as palavras de duas das entrevistadas:

“Importunação… sei lá o que é importunação, eu não sei.” (Entrevistada 6)

“Se formos a ver as palavras, deve estar ligado com chatear alguém, por causa da “importunação” e a parte de “sexual” deve ser por causa daquelas badalhoquices que às vezes ouvimos na rua.” (Entrevistada 1)

Contudo, ao ler as respostas dadas por todas as mulheres, é fácil entender que apesar de não identificarem o termo, todas elas são capazes de apontar algumas das práticas reconhecidas deste crime. Esta realidade acaba por ser um reflexo da falha de comunicação existente entre as entidades responsáveis pela divulgação das leis e o resto da sociedade. Todas as entrevistadas foram capazes de identificar pelo menos um tipo de comportamento, sendo que foi dado um grande ênfase ao piropo, muito provavelmente por esta lei ter sido apelidada justamente como a “Lei do piropo”. No entanto, como já foi discutido anteriormente, a criminalização do piropo não é tão linear quanto os media fizeram parecer em 2015. Existe na verdade uma penalização para as propostas de teor sexual, que podem consequentemente vir em forma de piropo, temos o exemplo dado por uma das entrevistadas:

“Quando vamos na rua e nos dizem “oh filha és boa”, “ia contigo para a cama”, essas coisas” (Entrevistada 5).

No que diz respeito à identificação dos principais responsáveis, a “culpa” divide- se. Há quem atribua a responsabilidade destes atos particularmente aos homens, quem defenda que esta deva ser partilhada com as mulheres e, ainda, que é um fenómeno tão global que a responsabilidade se expande a toda a sociedade. Apesar de enfatizarem especialmente o papel do homem neste tipo de crime, nenhuma das entrevistadas culpabiliza única e exclusivamente o sexo masculino, pois defendem que estes comportamentos vêm sendo transmitidos e repetidos ao longo da história. De facto, como já vem sendo abordado ao longo deste trabalho, não se pode dizer que este tipo de comportamentos sejam novidade, muito pelo contrário. A objetificação da mulher e

55 violência de género advém já de há seculos atrás, e vem sendo perpetuada pelas diferentes gerações:

“(…) nós sempre fomos o sexo alvo deste tipo de importunação. Sobretudo pelo fosso profundo que existe entre homens e mulheres no que toca a liberdade sexual. A eles sempre lhes foi permitido mais. É usual um homem importunar uma mulher na rua com intenções de cariz sexual e ainda assim ser respeitado pelos seus pares.” (Entrevistada 2)

Contudo, a expressão da liberdade sexual que a mulher foi ganho ao longo dos tempos pode também ser vista ainda, talvez, como uma forma de libertinagem:

“Há 20 ou 30 anos, quando eu era mais nova, os homens eram os principais responsáveis, mas hoje em dia as raparigas também já não são nenhumas santas.” (Entrevistada 3).

Pode concluir-se então que, tendo em conta o referidos pelas entrevistadas, acabava por ser impossível depositar total responsabilidade nos homens, uma vez que a própria sociedade, que obviamente inclui muitas mulheres, compactua com a perpetuação deste tipo de comportamentos.

2.- POSSÍVEIS FATORES DE INFLUÊNCIA

No que diz respeito aos fatores que poderão influenciar e aumentar a probabilidade de vir a ser vítima de algum episódio de importunação sexual, mostra-se importante analisar o contexto/espaço e a apresentação da mulher.

Todas as entrevistadas apontam e sublinham o papel desempenhado pela roupa que a mulher utiliza, apontando-a como um dos principais fatores a ter em conta, embora todas concordem que a importunação ocorre independentemente disso. Todas as mulheres entrevistadas acreditam que existe um padrão e que os agressores têm preferência por mulheres que usem roupas mais justas e curtas. Esta aparente predileção do homem parece, no entanto, constranger e reprimir a própria mulher no que diz respeito à sua liberdade para se apresentar da forma que desejar. Referente a este tópico, gostaria de destacar as palavras de uma das entrevistadas:

56 “Mesmo achando que as mulheres têm a liberdade para vestirem o que querem, eu quando saio à noite não me visto como queria, ou evito usar certas coisas por saber que se calhar é mais provável que me importunem se me apresentar de certa forma.” (Entrevistada 2)

O fator “exposição” parece então ser de extrema relevância, uma vez que a própria mulher, como foi analisado na Teoria da Objetificação (Roberts & Fredrickson, 1997), acaba por se auto-objetificar e colocar no papel do homem agressor, tentando antecipar os seus comportamentos perante determinados fatores, neste caso a apresentação. A mulher parece então tentar evitar determinados estilos de roupa em prol de não ser importunada, mas o mesmo parece também acontecer no sentido inverso, já que é também capaz de prever que o homem não se sinta especialmente atraído por um certo estilo de roupa:

“Eu ponho-me no lugar do homem, se eu vir uma “tona choca” não me chego para ela, até saio mas é da beira dela… não gosto.” (Entrevistada 6)

O mesmo parece confirmar-se também no que diz respeito a frequentar determinados locais, ou, melhor dizendo, evitar frequentar esses espaços. À exceção de duas entrevistadas (4 e 6), todas as mulheres admitiram já ter evitado visitar determinados locais devido à presença masculina e à probabilidade de serem importunadas:

“É assustador como nós mulheres nos limitamos em tantos aspetos devido ao medo de sermos importunadas ou assediadas por homens. Há alguns locais óbvios onde nós mulheres nos sentimos mais observadas e, portanto, menos à vontade.” (Entrevistada 2)

Aparentemente um desses locais são os espaços noturnos, uma vez que essa foi a resposta mais frequente. Para além dos espaços noturnos, como bares e discotecas, uma das entrevistadas (3) referiu a escola e outra (Entrevistada 2) o local de trabalho. O assédio no trabalho, como é de conhecimento, acaba por ser bastante frequente, especialmente como uma afirmação de poder perante o outro. Além destes locais, as entrevistadas concordaram que a importunação sexual pode ocorrer nos locais mais

57 públicos que poderiam haver: as ruas. Referente a esta situação, gostaria de destacar as palavras da Entrevistada 1:

“O pior mesmo é ter de passar numa rua qualquer, num dia normal, e aparecer-me um grupo de homens. Parece que é automático atravessar logo a estrada, é um medo um bocado irracional, porque ninguém me garante que vão dizer ou fazer alguma coisa, mas já está tão mecanizado… E andar na rua é uma coisa que não consegues evitar, ao contrário de ir à discoteca…”

Nestas palavras está espalhado o medo que a mulher sente de ser importunada até nas ações mais básicas do dia a dia, como passar numa rua e encontrar um grupo de homens. A frequência com que a mulher se depara com este tipo de situação pode ser de tal forma traumático que esta acaba por fazer generalizações de que a maior parte dos homens se comporta assim. São então adotadas estratégias como atravessar a rua ou fingir que se está a falar ao telemóvel, como forma de (evitar) lidar com estes encontros.

3. EXPERIÊNCIA PESSOAL

As respostas que melhor traduzem o que é a importunação sexual encontram-se na questionação sobre a possível experiência de um ou mais episódios de importunação sexual, cuja resposta das entrevistadas foi praticamente unânime: à espeção de uma, todas elas já foram alvo, pelo menos uma vez, de importunação sexual. É importante aqui relembrar que a importunação sexual engloba desde atos exibicionistas e assédio, a propostas de teor sexual. Os piropos são constantemente apontados como uma prática recorrente e incomodativa, embora, para algumas das entrevistadas, possam ser também vistos e interpretados como uma forma de elogio.

“E acho que há situações em que de certo pode ser um bocadinho exagerado a punição tão grave, dependendo do piropo. Acho que se está a cair num exagero ao querer punir um piropo, porque até onde é que um piropo vai ofender a outra parte? Uma miúda vai na rua e um trolha duma

58 obra manda-lhe uma assobiadela e manda-lhe uma boca até foleira, até onde é que isso fere a integridade dela?” (Entrevistada 3)

De facto, e como já vem sendo referido, o piropo em si não é crime, apenas se conter algum tipo de proposta de teor sexual. No entanto, daqui podem surgir outras questões: como se pode medir até que ponto a integridade da vítima é ferida? Não será um critério demasiado subjetivo? Estas são questões para as quais ainda não há respostas, e talvez seja precisamente isso que faz com que seja tão difícil concretizar uma condenação.

Para além dos piropos, duas entrevistadas referiram também já terem estado na presença de indivíduos que se masturbavam e/ou faziam questão de exibir o órgão sexual na via pública. Curiosamente as entrevistadas têm idades relativamente próximas (53 e 58) e ambas as situações aconteceram durante os anos de escola.

“Agora não, mas no meu tempo de estudante cheguei a aperceber-me de situações. Por falar na exibição dos órgãos sexuais, eu era miúda com 12 ou 13 anos e houve uma altura em que ao sair da escola, durante vários dias, eu e as minhas colegas presenciamos um indivíduo no carro que exibia o sexo perante quem estivesse a passar.” (Entrevistada 3)

“Sei que uma das vezes ia a passar na minha rua, a ir para escola, e estava um homem no carro a mexer no órgão sexual.” (Entrevistada 4)

Para além de uma mulher que refere já ter sido vítima de assédio no trabalho, contamos com o depoimento de duas mulheres que já foram constrangidas a contacto de natureza sexual. Gostaria de sublinhar a importância de uma leitura integral às respostas dadas a esta questão (anexo III), uma vez que só assim é possível entender a fundo as situações a que a mulher é submetida pela parte do homem.

“A primeira eu devia ter uns 12 anos, andava no sétimo ano. Tinha saído da escola e estava com as minhas amigas a ir para casa. Ainda me lembro da roupa que levava, uma camisola cor de rosa e umas calças pretas. Como estava com a mochila às costas, a camisola, que nem era

59 curta nem nada, subiu um bocadinho e por isso estava com o fundo das costas à mostra. Estávamos a andar e senti uma mão quente a tocar-me e, como tinha aquele bocadinho de pele à mostra, a mão tentou entrar dentro das minhas calças.” (Entrevistada 1)

“Sim, há pouco mais de um ano. Eram os toques… e eu olhava para a pessoa e ela tinha uma ereção ou até já tinha ejaculado. Eu sentia a ereção quando ele me tocava...” (Entrevistada 5)

A Entrevistada 6 foi a única que referiu apenas piropos mais leves, como forma de importunação, não os considerando sequer como tal. Uma vez que se trata da mulher mais velha do grupo e ser de uma geração que viveu a adolescência durante a ditadura de Salazar, esta acaba por ser a justificação que encontra para nunca ter sido abordada sexualmente. Neste caso acaba por se entender que a liberdade que se ganhou com o 25 de Abril acabou também por se traduzir na liberdade de importunar a sexualidade do outro.

“Sabes porquê? Porque nós no “nosso tempo” era namorar à janela, se saíssemos era com os nossos pais… e mais nada. Não podíamos sair à noite, era só ir à missa e vir. (…) Isso depende é da educação, naquela altura a educação era diferente, não se podia fazer nada que vinha a PIDE. Isto agora é… como é que eu hei de dizer… é esta geração que é diferente”. (Entrevistada 6)

Independentemente dos diferentes episódios experienciados por cada mulher, e de quase todas elas consideraram ter já sido vítimas de importunação sexual, há outro aspeto que têm em comum quando questionadas acerca da reação que têm face a este tipo de comportamento: não reagem. Seja por acharem que não vale a pena estarem a chatear-se, por ficarem em choque com o que lhes está a acontecer, ou terem medo que o agressor se torne violento se a mulher respostar.

“Nós achamos que se fosse connosco fazíamos isto e aquilo, mas quando acontece, parece que bloqueamos. Eu gostava de ter tido outro tipo de resposta, mas ia fazer o quê?” (Entrevistada 1)

60 “Só pensava “não me acredito que isto me acabou de acontecer” e eu até podia ter reagido, mas eu achei que se fosse falar com ele ainda podia piorar as coisas, então falei com o meu chefe.” (Entrevistada 2)

No fundo, a conclusão que podemos tirar daqui, é que a experiência de cada mulher acaba por condicionar a perceção do fenómeno. É recorrente que a mulher que tenha sido vítima de uma situação que considere mais intrusiva à sua liberdade e sexualidade, acabe por ter uma perceção com uma conotação mais negativa acerca do fenómeno. Por outro lado, temos a mulher que nunca experienciou nenhuma situação que considere especialmente gravosa, o que acaba por fazer com que não atribua um significado especialmente negativo a este tipo de situação.

Independentemente da experiência vivenciada, a importunação sexual não deixa de ser uma prática intrusiva e que pode facilmente tornar-se numa situação traumática para a mulher. Ainda assim, quem tem a sorte de nunca vivenciar nenhuma situação deste género, pode cair no erro de desvalorizar a experiência do outro e talvez por isso seja tão difícil entender o fenómeno, porque passam muito situações cujos significados podem diferir consoante o indivíduo em questão.

4. EFETIVIDADE DA MEDIDA

Quando questionadas sobre o trabalho das entidades policiais face ao crime de importunação sexual, todas as mulheres se mostram desacreditadas no que diz respeito às ações por parte da polícia. Como autoridades da sociedade, a polícia deixou de ser vista como um exemplo a seguir, pelo menos no que diz respeito à atuação em crimes de cariz sexual. Mas podemos ver que para uma das entrevistadas não é só nesse departamento, para isso quero destacar algumas palavras:

“A polícia não é… não há polícia! Os polícias deviam dar o exemplo, mas não. Eles é que ficam com a droga, eles é que andam a traficar, eles é que roubam, eles é que matam… Eu vejo televisão todos os dias, claro que eu vou ser contra os polícias, os polícias são uns chulos, uns gatunos, ainda fazem pior.” (Entrevistada 6)

61 Ainda assim, a grande maioria das entrevistadas mostra-se descontente com o trabalho da polícia também por outras razões. Um desses motivos é a falta de formação especializada para lidar não só com este tipo de crime, mas também com a própria vítima.

“Hmm... não, mas se calhar eles (polícia) não estão muito preparados para isso, ou quando estão, nos departamentos que estão mais ligados a essas temáticas, também são poucos e acaba por ser complicado de seguirem em frente com a atuação perante as queixas.” (Entrevistada 4)

“Porque não criar departamentos específicos para estes casos de importunação sexual? Departamentos com profissionais treinados, com mais mulheres, e mais capazes de lidar com este problema social? (…) No combate, eu diria que precisamos urgentemente de uma polícia mais preocupada e preparada para enfrentar este problema. Uma polícia mais presente nas ruas, por exemplo. E que a agir o faça de um modo implacável” (Entrevistada 2)

Outro dos motivos apontados para a falta de ação policial e possíveis condenações pode estender-se ainda à diferença acentuada entre agentes do sexo feminino e masculino dentro dos órgãos policiais. O facto do corpo policial ser principalmente constituído por homens pode levantar uma barreira entre as autoridades e a vítima, já que esta pode não se sentir à vontade para relatar a agressão justamente com um indivíduo que se assemelhe ao seu agressor.

“Nós mulheres sempre vimos as nossas queixas face aos homens serem desvalorizadas, inclusive pela polícia. Talvez porque o corpo policial seja composto sobretudo por homens, os principais agressores. É um facto que qualquer mulher agredida não se sente confortável em relatar o que lhe aconteceu a outro grupo de homens.” (Entrevistada 2)

No fundo, nenhuma das mulheres concorda que o trabalho da polícia seja efetivo neste tipo de crime, o que faz com que se sintam desprotegidas e que os agressores não são punidos. Apesar de nenhuma das entrevistadas ter já feito alguma queixa do crime,

62 a verdade é que as suas preocupações acabam por se confirmar, uma vez que, como já foi referido, não há dados que confirmem alguma condenação proveniente de queixas.

Foi também questionado às mulheres se consideravam que a importunação sexual tinha visibilidade no panorama nacional e, apesar das respostas se dividirem, de umas acharem que já se vai falando e outras que não se fala nada, todas concordaram com a importância de dar voz a todas as mulheres que lidam com este tipo de prática. Uma das respostas mais recorrentes, não só especificamente nesta questão, mas que foi aparecendo ao longo de toda a entrevista, é a relação entre a importunação sexual e os casos de violação ou violência doméstica. Estas respostas acabam por demonstrar a preocupação das mulheres em que a importunação sexual anteceda outro tipo de crime.

“Apesar de achar que já se fala mais do assunto e estarmos todos um bocadinho mais informados, acho que se dá mais atenção quando as coisas dão para o torto. Quando partem da importunação mesmo para a violação. Acho que acabam por olhar para este tipo de crime com mais leveza e acaba por gerar uma certa normalização do problema.” (Entrevistada 1)

“Não, nada! Acho que se fala em violações ou violência doméstica, e no que se pode fazer para evitar estas situações, mas raramente se fala do que pode ter acontecido antes. Nunca se fala de importunação sexual, por que o violador até se pode ter exibido antes de alguma forma, ter feito propostas indecentes… mas nunca se fala disso. Acho que dificilmente alguém sabe o que é realmente a importunação sexual e que é um crime.” (Entrevistada 2)

Finalmente, em jeito de conclusão, foi questionado às mulheres o que achavam que poderia ser feito para prevenção e combate das situações de importunação. As respostas mais usuais recaem no papel desempenhado não só pela escola, mas também pela família. A falta de informação e esclarecimento sobre o tema é uma realidade bem

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