Jacqueline Rodrigues Antonio
APRESENTANDO AS FONTES ESCRITAS
Para este trabalho foi utilizado três fontes escritas: O apócrifo “Livro sobre a Natividade de Maria”, a literatura “O livros dos Reis Magos” e o livro canônico “Evangelho de João”. A apresentação não seguiu uma ordem cronológica que surgiu os textos e assim dos assuntos escolhidos para esta pesquisa.
O primeiro a ser apresentado é o “Livro sobre a Natividade de Maria”, datado do século II ou III, inicia com os pais de Maria, ansiosos para ter um filho, chegando até o nascimento de Jesus, é a forma mais antiga do “Protoevangelho de Santiago”. Para esta fonte foi selecionado o texto sobre a apresentação de Maria no Templo, uma leitura que não contém nos livros canônicos. Esta passagem é exposta da seguinte maneira:
Aos três anos, quando tinha terminado o tempo da amamentação, levaram a Virgem juntamente com suas oferendas, ao templo do Senhor. Tinha este quinze degraus, de modo que, como o templo estava edificado sobre um monte, não se podia chegar ao altar dos holocaustos, que estava fora de seu recinto, mas só por meio destes degraus.
Num desses degraus, colocaram, pois, seus pais a bem-aventurada Virgem Maria, criança ainda de terna idade. E, enquanto eles estavam entretidos em trocar suas vestes de viagem por outras mais limpas, a Virgem do Senhor foi subindo um a um todos os degraus, sem que ninguém lhe desse a mão para levantá-la ou guiá-la. E é que já o Senhor fazia coisas magníficas na infância de sua Virgem e dava a conhecer, de antemão, com este maravilhoso sinal, quão grande deveria ser no futuro. (VI, 1)
A segunda fonte a ser exposta é uma literatura medieval, o Livro dos Magos. Intitulado originalmente como o Livro da Gesta da Tripla Deslocação dos três muito Bem-Aventurados Reis, os quais foram às primícias dos povos e o modelo de salvação de todos os cristãos, o seu autor foi o monge carmelita João de Hildesheim. Este morreu em 1375 e não se sabe ao certo o ano de seu nascimento. Fez diversas viagens pela Europa, o que contribuiu para a produção deste livro. Esteve no pontificado de
Clemente VI (1342-1352), em Avinhão e foi prior da comunidade carmelita de Kassel, na Alemanha.
Este mostra mais um pouco sobre as relíquias atribuídas aos Magos, narrando tempos mais antigos. Cita que a princípio os Magos foram enterrados num mesmo lugar, e que depois de conflitos e o esquecimento da sua devoção, foram transladados cada um para sua terra. Após, apresenta Helena, a mãe de Constantino, expondo-a como uma pessoa muito piedosa, tendo ido procurar os corpos dos Magos, e que, ao reuni-los, levou-os para Constantinopla, e depositou-os na Igreja de Santa Sofia. Depois, ao ficar sobre domínio da Igreja Ortodoxa e os milaneses os transladaram para sua cidade. Após 1144, Milão quando se rebelou contra o imperador Frederico I, o arcebispo Reinaldo levou as relíquias para Colônia, os depositando na igreja de São Pedro.
Da parte que narra sobre a história dos Magos, para este estudo foi ressaltada a adoração no nascimento que é posta da seguinte maneira:
Ora, quando estes três Reis tributaram a sua adoração a Cristo, era Jesus uma criancinha com perto de treze dias, (...) e jazia na manjedoura (...) E Maria, sua mãe, de pele trigueira e cabelo escuro, tinha boa compleição, No momento em que os três Reis se apresentaram, cobriu-se com um manto branco, fechando-o à sua frente com a mão esquerda, (...) segurava com a mão direita a cabeça do menino Jesus. E os três Reis, depois de haverem beijado humildemente o chão em frente da manjedoura e a mão do menino, ofereceram-lhe devotamente os seus dons, e foi igualmente com devoção que os depuseram na manjedoura, junto à cabeça do menino e aos joelhos da mãe. De estatura era Melchior o mais baixo, ficando Baltazar entre os dois, porquanto Gaspar, o negro da Etiópia, era o mais alto, e disto não restam dúvidas. (2004, p. 76)
A terceira fonte é de origem canônica, um dos Evangelhos, o de João. Assim, Pelikan nos revela o poder que o embasamento na Bíblia tem sobre uma personagem:
No entanto, talvez em nenhum outro ponto o desafio desse dilema tenha sido mais inevitável do que na relação entre o crescimento da doutrina de Maria e sua pretendida fundamentação nas Escrituras. O embasamento parecia relativamente honesto no que diz a respeito a alguns componentes doutrinários. Os evangelhos de Mateus e de Lucas deixaram bem claro que Maria concebeu seu Filho virgem. Porém, estudos ulteriores realmente revelaram uma intrigante discrepância sobre a qual o Novo Testamento permanece calado,
como se, com efeito, esse assunto fosse pouco ambíguo e nada essencial. As epístolas de Paulo, as outras epístolas no Novo Testamento e as pregações dos apóstolos, como foram registradas no livro dos Atos, nem sequer mencionam a concepção virginal. Tanto Mateus como Lucas fazem menção a ela, e com isso os dois outros evangelhos passaram a ter um interesse especial. (2000, p. 28)
Com isso, Pelikan (2000) nos indica a importância de entender textos da Bíblia para assim compreendermos a devoção e desdobramentos ao seu respeito.
Dessa forma, o texto a ser utilizado é sobre as “Bodas de Caná” que é exposto dessa forma:
No terceiro dia, houve um casamento em Caná da Galiléia e a mãe de Jesus estava lá. Jesus foi convidado para o casamento e os seus discípulos também. Ora, não havia vinho, pois o vinho do casamento havia acabado. Então a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”. Respondeu-lhe Jesus: “Que queres de mim, mulher? Minha hora ainda não chegou”. Sua mãe disse aos serventes: “Fazei tudo o que ele vos disser.” Havia ali seis talhas de pedra para a purificação dos judeus, cada uma contendo de duas a três medidas. Jesus lhes disse: “Enchei a talhas de água”. Eles a encheram até à borda. Então lhe disse: “Tirai agora e levai ao mestre-sala”. Eles levaram. Quando o mestre-sala provou a água transformada em vinho – ele não sabia de onde vinha, mas o sabiam os serventes que haviam retirado a água – chamou o noivo e lhe disse: “Todo homem serve primeiro o vinho bom e, quando os convidados já estão embriagados serve o inferior. Tu guardaste o vinho bom até agora!” Esse principio dos Sinai, Jesus o fez em Caná da Galiléia e manifestou a sua glória e os seus discípulos creram nele. (João 2, 1-11)
Dessa maneira, estes três textos de três fontes de origens diferentes correspondem a três imagens da Capela Arena.