2.5.1. Contribuições do Design
Utilizando de fundamentos da área do Design, embasamo-nos nas ideias do designer brasileiro João Gomes Filho (2009) para compreender como um material escrito pode ser apresentado no espaço escolar priorizando a compreensão do conteúdo de maneira rápida, clara e objetiva, buscando entender como a informação pode ser facilmente transmitida através das formas que criamos.
Gomes Filho (2009) nos apresenta os princípios da Gestalt, termo alemão que significa “forma”, sendo um campo de estudo da psicologia que pesquisa a percepção das formas. O autor comenta que esta concepção teórica defende que, quando percebemos um objeto – definido como “qualquer coisa visível, qualquer manifestação visual concreta passível de ser lida, analisada e interpretável formalmente” (GOMES FILHO, 2009, p. 25) -, o nosso cérebro não capta suas pontos isolados, mas as relações entre as partes, que possuem dependências umas com as outras, sendo consequência de uma sensação global. Desta forma, o nosso sistema nervoso se autorregula e procura organizar as formas visuais, integrando-as, estabelecendo também relações com informações já vivenciadas. De acordo com esta teoria, esse processo não é arbitrário.
A este respeito, o autor comenta sobre algumas leis da Gestalt que auxiliam a planejar uma boa forma do objeto para melhor assimilação. Destacamos neste trabalho a pregnância da forma, que é uma das leis mais importantes da Gestalt.
Filho (2009) afirma que:
“um objeto com alta pregnância é um objeto que tende espontaneamente para uma estrutura mais simples, mais equilibrada, mais homogênea e mais regular. Apresenta um máximo de harmonia, unificação, clareza formal e um mínimo de complicação visual na organização da suas partes ou unidades compositivas” (FILHO, 2009, p. 36)
Para uma forma ter maior pregnância, ou seja, como se pode ler a imagem e interpretá-la facilmente, é preciso eleger uma organização visual do objeto de forma clara, priorizando a simplicidade. Isso inclui refletir sobre o contraste entre cores de fundo e cores do texto, pois este fator influencia a leitura do texto, como podemos ver no exemplo abaixo, em que a palavra “alfabetização” encontra-se em dois retângulos com cores diferentes:
Maior pregnância Menor pregnância
O primeiro retângulo tem alta pregnância, pois a palavra “alfabetização” é facilmente visualizada pelo contraste das cores preta e branca, ao passo que no segundo retângulo, com o fundo amarelo e letra de cor branca tem baixa pregnância.
O mesmo acontece para o estilo de letra escolhido para um texto, como podemos observar nos retângulos seguintes que apresentam um texto com maior e menor pregnância respectivamente.
Maior pregnância Menor pregnância
Tomando por base esses aspectos relacionados a pregnância, explicados por Filho (2009), constata-se que para maior percepção das letras no espaço para as crianças no inicio do processo de alfabetização o ideal seria expor as letras dos textos na letra tipo maiúscula e sem serifas, ou seja, sem traços e prolongamentos no final das hastes. A diferença de letras sem e com serifas pode ser visto no exemplo a seguir da letra A:
sem serifas com serifas
ALFABETIZAÇÃO ALFABETIZAÇÃO
ALFABETIZAÇÃO ALFABETIZAÇÃO
A A
Filho (2009) também nos chama atenção para a importância da cor na percepção dos objetos, pois ela se relaciona diretamente às emoções. Segundo o autor “por ter um significado universalmente compartilhado por meio da experiência, a cor pode constituir em uma linguagem e transmitir significados” (FILHO, 2009, p.
65).
Dentro desta perspectiva, as partes semelhantes e repetidas dos elementos que constituem um objeto, como as cores, formas, tamanhos, colaboram para que ele seja percebido facilmente, sendo agrupados e constituídos em uma unidade, colaborando para construir uma identidade visual, facilitando a interpretação do material.
2.5.2. Contribuições da Semiótica: definição de signo
A semiótica é uma teoria que estuda o funcionamento do pensamento ao interpretar representações com função comunicativa no ambiente, sendo essas representações chamadas de signos. Teixeira Coelho Netto (1980) partindo dos estudos de Pierce11, que define o signo como:
[...]tudo aquilo que representa outra coisa, ou melhor, na descrição de Charles S. Pierce, é algo que está no lugar de outra coisa. Compreende-se que sem o signo a comunicação seria praticamente inviável, pois exprime uma imagem mental. Como exemplo, uma placa de trânsito “Não estacione”
11 Charles Sanders Pierce (1839-1914) – Norte-americano
com a letra E, acompanhada de um círculo vermelho com um traço na diagonal, sua parte material, exprime um significado de “proibido estacionar nesta rua”.
Este autor explica que o valor do signo - ou seja, seu conceito - depende da situação vivenciada, dos hábitos e da cultura de um determinado grupo social. A interpretação do signo ocorre numa relação triádica entre signo, objeto e interpretante. Entende-se aqui como interpretante a imagem mental que é produzida no receptor em função do signo apresentado, e por objeto a coisa representada pelo signo.
Os signos podem ser divididos em ícone, índice e símbolo. Teixeira Coelho Netto (1980) define como ícone todo signo que representa de forma semelhante um objeto, como exemplo, uma figura de uma mulher para representar um espaço utilizado só por mulheres, como uma figura de uma mulher na porta de um banheiro feminino. Já o índice é um signo que se refere ao objeto em virtude de uma causa e efeito, por exemplo, uma seta é um índice para qual caminho seguir, uma fumaça é índice de fogo. O símbolo é definido como um signo que exprime uma “associação de ideias produzidas por uma convenção” (NETTO, 1980, p.58), a exemplo da bandeira de um país, que representa graficamente uma nação, um território, de maneira oficial.
A este respeito, nos reportamos aos estudos de Landsmann (2003), em que a autora afirma que o significado de um símbolo só pode ser atribuído se o sujeito o interpretar, sendo variável a atribuição de significados. Esta afirmação implica na relação entre símbolo e conhecimentos prévios do receptor e de significados compartilhados. Para a autora sem representação interna não existe representação simbólica.
2.6. DOCUMENTOS OFICIAIS QUE ORIENTAM O TRABALHO