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APROVEITAMENTO DOS RESÍDUOS PARA A ALIMENTAÇÃO ANIMAL

A agroindústria processa frutos para a produção de polpas, sucos e outros produtos, no entanto, deste processamento sobram materiais remanescentes ricos em nutrientes, que normalmente são descartados, porque as empresas não têm como aproveitá-los. Entretanto, esses alimentos quando devidamente processados e avaliados quanto a sua composição química poderiam entrar na composição de rações para uso zootécnico (TEIXEIRA et al., 2014).

Um dos maiores, entraves nos cultivos zootécnicos, é o custo com a alimentação dos animais, porque, os alimentos que constituem a base das rações, nem sempre estão disponíveis na região onde estas são fabricadas ou consumidas, destacando-se entre estes, os farelos de soja, de milho, de trigo, quirela de arroz e outros (MICHELATO et al., 2013). Portanto, a aquisição de tais alimentos é encarecida pelo transporte, aumentando o custo produção na criação de animais, de forma que este item representa 70% do custo de produção nas atividades zootécnicas (NOGUEIRA et al., 2016). Entretanto, para Sanches et al. (2014), na criação de peixes marinhos e camarões, as rações comerciais podem atingir, aproximadamente 80% do custo de produção, dependendo da idade e da espécie cultivada.

A identificação dos níveis nutricionais dos resíduos agroindustriais, tais como, aqueles provenientes da: cervejaria, girassol, graviola, uva, mandioca, amendoim, acerola, maracujá, abacaxi e outros, que estudados adequadamente podem auxiliar no balanceamento de dietas destinadas à alimentação animal, dinamizando as atividades zootécnicas (SILVA et al., 2014a). Para Giordani Júnior et al. (2014), as sobras agroindustriais da cervejaria, caju, cupuaçu, goiaba, manga, maracujá, abacaxi apresentam grande potencial para a alimentação animal, favorecendo a redução de impactos ambientais gerados pela condição inadequada do seu descarte. Portanto, são necessários estudos referentes a sua composição nutricional e condições de armazenamento, para viabilizar com precisão a sua utilização na produção animal, incluindo os ruminantes. Deste modo, os resíduos que antes eram um problema ambiental passam a adquirir importância

econômica e social, gerando emprego e renda (NASCIMENTO FILHO & FRANCO, 2015; CRUZ et al., 2013).

Dietas alternativas fabricadas com restos de hortifrutigranjeiros, varredura de cevada, raspa de mandioca, farelo de coco e sangue bovino in natura foram testadas na alimentação dos peixes tambaqui (Colossoma macropomum), tilápia (Oreochromis niloticus) e carpa comum (Cyprinus carpio), resultando em um padrão ótimo no crescimento e no ganho de peso das duas últimas espécies, quando comparadas em relação ao efeito das rações comerciais (TORELLI et al., 2010).

A “crueira” resultante da fabricação da farinha de mandioca foi utilizada em substituição ao milho na ração para juvenis de tambaqui, um peixe onívoro da Amazônia, sem comprometer o desenvolvimento dos animais, indicando uma alternativa para reduzir o custo de produção na piscicultura (PEREIRA JUNIOR et al., 2013).

Uma dieta alternativa de baixo custo foi fabricada com restos de hortifrutigranjeiros, varredura de cevada, raspa de mandioca, farelo de coco, sangue in natura, fosfato bicálcico, premix mineral e vitamínico, utilizadas na alimentação dos peixes onívoros tilápia e carpa comum, esses apresentaram bom desempenho produtivo, no entanto, para a carpa o efeito do alimento alternativo foi superior a ração comercial. Os autores concluíram que a alimentação de peixes com os resíduos pode contribuir para melhorar a aquicultura familiar (MARINHO et al., 2016).

A piava (Leporinus obtusidens) um peixe onívoro nativo das regiões sudeste e sul do Brasil atingiu bom desenvolvimento zootécnico quando alimentado, com dietas contendo resíduos de frutas: uva, laranja, goiaba e figo, indicando que os resíduos podem substituir ingredientes tradicionais em rações para a espécie (LAZZARI et al., 2015).

Tambaquis (Colossoma macropomum), peixes onívoros da região amazônica foram alimentados com 20, 30, 40 e 50% de farinha de mangas em substituição ao farelo de soja e farinha de peixe da ração base de 23% de proteína bruta, as mangas utilizadas foram oriundas do descarte de propriedades rurais, resultando o melhor crescimento e ganho de peso com a dieta que teve 50% de farinha de manga (Mangifera indica), indicando que o resíduo da fruta pode atingir bons resultados no cultivo da espécie (BEZERRA et al., 2014).

Souza et al. (2013a) alimentaram a tilápia (Oreochomis niloticus), uma espécie originária do rio Nilo que também tem o mesmo hábito alimentar do tambaqui, com dietas substituindo o milho por 0, 33, 36 e 100% de farinha de manga. O resultado da pesquisa mostrou

que com os níveis de 0 e 33% de farinha de manga nas rações os animais apresentaram o mesmo desenvolvimento, indicando que, no cultivo da espécie, esses níveis de substituição podem ser feitos pela farinha da fruta sem prejuízo no desenvolvimento dos animais.

O farelo produzido com as sobras resultantes da produção de polpa de manga foi incluído nas taxas de 5, 10 e 15% em rações para tilápia-do-nilo, o maior nível de inclusão apresentou o melhor grau em digestibilidade e crescimento para a espécie (LIMA et al., 2011). O mesmo tipo de material proveniente da manga foi adicionado nas proporções de: 0, 33, 66 e 100% em substituição ao milho na dieta da mesma espécie de peixe, os resultados mostraram que 33% de farinha de resíduo de manga substitui com sucesso o milho, sem interferir no desenvolvimento dos peixes (MELO et al., 2012).

Dentro do exposto, pesquisas que visam ao processamento e armazenamento adequado dos resíduos, poderão viabilizar o aproveitamento desta matéria prima para a produção de alimentos, reduzindo o custo de produção em atividades zootécnicas (NASCIMENTO FILHO & FRANCO, 2015). Em atividades, tais como, a aquicultura e outras, pode gerar empregos, aumentar a geração de renda, melhorar a vida da população que vive em assentamentos no meio rural (SILVA et al., 2017b).

O aproveitamento desse tipo de alimento exige alguma forma de processamento para o seu beneficiamento (SILVA et al., 2014a), o qual é um conjunto de procedimentos que evita ou retarda a deterioração de um produto, a exemplo disso, quando no processo de secagem que reduz a umidade, preservando as suas qualidades e conservação dos seus nutrientes (PEREIRA et al., 2013).

Dessa forma, o aproveitamento de co-produtos para a fabricação de ração pode ser uma alternativa viável para reduzir os custos de produção na aquicultura, porém devem ser observados estudos sobre a composição exata de cada tipo de resíduo, de forma que, o balanceamento correto dos nutrientes atenda às necessidades nutricionais de cada espécie (NASCIMENTO FILHO & FRANCO, 2015; BATISTA SOBRINHO, 2014; SILVA et al., 2017b).