• Nenhum resultado encontrado

Aquacultura

No documento Lucileida Ramos Lima (páginas 16-45)

2.1– Definição de aquacultura

“A aquacultura consiste na produção em cativeiro de animais (peixes, moluscos, crustáceos, répteis, batráquios, equinodermes) ou plantas que tenham um habitat predominantemente aquático em pelo menos uma fase da sua vida. A cultura destes seres vivos implica a sua propagação, manutenção e colheita em ambientes controlados. Para se poder considerar que um produto tem origem na aquacultura é necessário que durante o seu ciclo de vida este seja objeto de algum tipo de intervenção humana” (CASSAMO, 2012).

“A aquacultura é a produção de organismos cujos ciclos de vida naturais se dão, total ou parcialmente, em meio aquático, para fins de consumo humano. A aquacultura abrange várias atividades que podem ser subdivididas em piscicultura (criação de peixes), malacocultura (criação de moluscos, como lulas, ostras e mexilhões), carnicicultura (criação de camarões, caranguejos e siris), algicultura (cultivo de micro ou macro algas), ranicultura (criação de rãs) e criação de jacarés” (Botelho et al., 2012).

2.2– Abordagem geral

Num mundo onde o crescimento populacional é uma realidade são necessárias medidas que garantam a disponibilidade alimentar para todos sem comprometer a segurança alimentar e os recursos naturais. O peixe e os produtos de pesca são efetivamente reconhecidos como alguns dos alimentos mais saudáveis e como alguns dos menos impactantes para o meio ambiente. Dito isto, eles devem ser considerados na vertente da segurança alimentar nacional, regional e global e como uma das estratégias de nutrição que contribuem para a transformação contínua dos sistemas alimentares para garantir a eliminação da fome e desnutrição (FAO, 2020).

Segundo a FAO, a aquacultura é o setor de produção de alimentos que mais cresce atualmente e que é responsável por cerca de 50% da produção de peixe consumido no mundo (FAO, 2020).

Além do consumo de peixe fazer parte da cultura de muitos consumidores, ela é também muito benéfica para a saúde, possuindo um excelente perfil nutricional, visto que, é rico em ácidos gordos (ómega 3), uma boa fonte de proteínas, micronutrientes essenciais, vitaminas e minerais (FAO, 2020).

Nas últimas décadas, a produção de peixe em aquacultura, assim como o setor de pesca expandiram de forma significativa e em 2018 a produção, o comércio e o consumo totais atingiram um recorde histórico (FAO, 2020).

2.3 – Tipos de aquacultura

“A aquacultura na UE é sustentável e assegura ao consumidor europeu um acesso a produtos saudáveis, seguros e de grande qualidade”. São produzidas diversas espécies na UE de diversos tipos de aquacultura, tais como (Comissão Europeia, 2012):

A aquacultura em água doce:

Os lagos são tratados de forma a favorecer o desenvolvimento da fauna aquática a um rendimento superior ao do ecossistema natural.

A densidade é fraca e a alimentação do peixe é natural.

Alguns produtores fornecem um complemento alimentar.

Estes lagos desempenham um papel importante e positivo na paisagem, na gestão da água e na biodiversidade.

Espécies produzidas: em policultura temos a carpa, com outras espécies como o coregono, lucioperca, lúcio, peixe-gato.

A aquacultura das espécies marinhas em instalação em terra:

A criação de peixe marinho, especialmente o peixe chato, pode-se fazer em tanques artificiais em terra, mas são alimentados por água do mar.

A recirculação de água, permitindo um ambiente fechado e controlado, é necessária para uma produção otimizada nas maternidades e zonas de alevinagem de espécies marinhas.

Espécies produzidas: o pregado, o linguado legítimo, o linguado do Senegal, o robalo legítimo e a dourada.

A aquacultura em águas salobras:

Esta forma de aquacultura desempenha um papel importante na conservação do património natural costeiro.

Os animais frequentemente carregados pelos fluxos marinhos, são preservados em lagoas preparados para o efeito (por exemplo a valicultura italiana).

A introdução de alevins de maternidade e de suplementos alimentares reforçam o carácter semi-extensivo desta criação.

Espécies produzidas: o robalo, a enguia, o linguado legítimo, o linguado do Senegal, a dourada, a tainha, o esturjão, o camarão e os moluscos.

Para além dos tipos de aquacultura já referidos a produção em mar aberto tem ganho o seu espaço, contribuindo para o aumento de produção.

Para além do tipo de aquacultura esta divide-se em três regimes de produção: o regime extensivo, o regime semi-intensivo e o regime intensivo.

Regime de produção extensivo: aproveita exclusivamente as condições naturais disponíveis. A espécie a que se deseja cultivar é capturada no meio natural ou tem origem em unidades de reprodução. A produção efetua-se com recurso a alimentação exclusivamente natural (REA, 2019).

Regime de produção semi-intensivo: feita a partir da produção artificial para aquisição de ovos e juvenis e durante a fase de engorda fazem-se amostragens e calibragens frequentes para ter um bom crescimento e aumentar o rendimento, recorrendo a suplementos alimentares artificiais e alimentos naturais (REA, 2019).

Regime de produção intensivo: todos os parâmetros de produção estão sob observação permanente. Para que se aumente o rendimento, faz-se calibragens e amostragens sucessivas, controlando-se a reprodução e o crescimento. Neste sistema alimenta-se a espécie exclusivamente de alimento artificial (REA, 2019).

2.4 – Produção global da aquacultura

A nível mundial, com o passar dos anos, em relação a produção de produtos de pesca e de aquacultura, nos anos 90 verifica-se que há uma substituição dos produtos de pesca pelos produtos de aquacultura. Em 2018 a pesca tem vindo a estabilizar, enquanto que a aquacultura tem vindo a aumentar cada vez mais. Pelo gráfico, verifica-se que a captura ronda os 100 milhões de toneladas, enquanto que a aquacultura ronda os 80 milhões de toneladas. A produção de pesca de captura global em 2018 atingiu 96,4 milhões de toneladas, um aumento de 5,4% em relação à da média dos três anos anteriores. Este aumento deve-se a pesca de captura marinha, em que a produção aumentou de 81,2 milhões de toneladas em 2017 para 84,4 milhões de toneladas em 2018. A aquacultura sofreu um crescimento exponencial no mundo todo (Figura1 e Tabela 1)(FAO, 2020).

Capturas/Pescas - águas interiores Captura/Pesca - águas marinhas Aquaculturas – águas interiores Aquacultura – águas marinhas

Nota: exclui mamíferos aquáticos, jacarés, algas e outras plantas aquáticas.

Figura 1. Captura mundial de pescas e produção de aquacultura em milhões de toneladas. Adaptado de (FAO, 2020)

As capturas globais em águas interiores são responsáveis por 12,5% da produção total. A produção mundial de peixe de aquacultura em 2018 atingiu 82,1 milhões de toneladas, em que a produção foi dominada por peixe, 57,3 milhões de toneladas foram oriundos de aquacultura interior e 30,8 milhões de toneladas provenientes de aquacultura marinha e costeira. (Figura 1 e Tabela 1) (FAO, 2020).

Tabela 1. Pescas e produção de aquacultura por ano (Milhões de toneladas). Adaptado de (FAO, 2020) Produção de peixe / ano 1986-1995 1996-2005 2006-2015 2016 2017 2018 Captura interior 6,4 8,3 10,6 11,4 11,9 12,0 Captura marinha 80,5 83,0 79,3 78,3 81,2 84,4 Total de captura 86,9 91,4 89,8 89,6 93,1 96,4 Aquacultura interior 8,6 19,8 36,8 48,0 49,6 57,3 Aquacultura marinha 6,3 14,4 22,8 28,5 30,0 30,8 Total de aquacultura 14,9 34,2 59,7 76,5 79,5 82,1 Total de pesca e aquacultura mundial 101,8 125,6 149,5 166,1 172,7 178,5

Nota: Exclui mamíferos aquáticos, crocodilos, jacarés, algas e outras plantas aquáticas. Os totais podem não coincidir devido a arredondamentos.

Na Tabela 2, está descrito o destino que é dado a milhões de toneladas de peixe de consumo humano e os de usos não alimentares ao longo dos últimos anos, conseguidos através da captura de peixe e produção de aquacultura, a população global e um consumo aparente anual

Mi lhõ es de T o nel ad as

Tabela 2. Utilização de peixe obtido pela pesca e aquacultura. Adaptado de (FAO, 2020)

Utilização de peixe / ano1 1986-1995 1996-2005 2006-2015 2016 2017 2018

Consumo humano

(milhões de toneladas) 71,8 98,5 129,2 148,2 152,9 156,4 Usos não alimentares

(milhões de toneladas) 29,9 27,1 20,3 17,9 19,7 22,2

População global (biliões)2 5,4 6,2 7,0 7,5 7,5 7,6

Consumo aparente

(Kg per capita) 13,4 15,9 18,4 19,9 20,3 20,5

Nota: Exclui mamíferos aquáticos, crocodilos, jacarés, algas e outras plantas aquáticas. Os totais podem não coincidir devido a arredondamentos.

1Os dados de utilização para 2014-2018 são estimativas provisórias.

2Fonte de dados populacionais: UN DESA, 2019.

Por ano, o consumo global de peixe aumentou em média 3,1% entre os anos de 1961 a 2017, quase o dobro da percentagem do crescimento populacional mundial por ano (1,6%), para o mesmo período. O consumo per capita de peixe cresceu de 9,0 kg de peso vivo em 1961 para 20,5 kg em 2018, o que equivale a cerca de 1,5% / ano (FAO, 2020).

O consumo aparente de peixe nos países desenvolvidos aumentou de 1961 com 17,4 kg per capita para 26,4 kg per capita em 2017 e depois diminui gradualmente para 24,4 kg ainda em 2017. Nos países em desenvolvimento o consumo aparente de peixe aumentou significativamente em 1961 de 5,2 kg per capita para 19,4 kg em 2017, com uma percentagem média por ano de 2,4%. Entre estes, os países menos desenvolvidos aumentaram o seu consumo de 6,1kg em 1961 para 12,6 kg em 2017, o que dá uma taxa média anual de 1,3% e nos países com défice alimentar, o consumo de peixe aumentou em 1961 de 4,0 kg para 9,3 kg em 2017, uma taxa anual de cerca de 1,5% (FAO, 2020).

Na Tabela 3, está descrita a comercialização de peixe ao longo dos últimos anos, onde a exportação é feita por quantidades (milhões de toneladas), com uma percentagem da participação das exportações e em relação ao valor das exportações em biliões de dólares.

Tabela 3. Comercialização de peixe obtidos pela pesca e aquacultura. Adaptado de (FAO, 2020)

Comercialização de peixe / ano 1986-1995 1996-2005 2006-2015 2016 2017 2018 Exportações de peixe (milhões de toneladas) 34,9 46,7 56,7 59,5 64,9 67,1 Participação das exportações na produção total (%) 34,3 37,2 37,9 35,8 37,6 37,6 Exportações de peixe (biliões de dólares) 37,0 59,6 117,1 142,6 156,0 164,1 Nota: Exclui mamíferos aquáticos, crocodilos, jacarés, algas e outras plantas aquáticas. Os totais podem não coincidir devido

Na Figura 2, pode-se comprovar que foram destinados para usos não alimentares as restantes 22 milhões de toneladas e que foram utilizados principalmente para produção de farinha de peixe e óleo de peixe (FAO, 2020).

Comidas Usos não alimentares População Consumo aparente per capita

Nota: exclui mamíferos aquáticos, jacarés, algas e outras plantas aquáticas.

Figura 2. Utilização mundial de peixe e consumo aparente em milhões de toneladas, o fornecimento de alimentos per capita e a população em biliões. Adaptado de (FAO, 2020)

Segundo os dados da FAO, a aquacultura é responsável por 46% da produção total e 52% de peixe para consumo humano. Em 2018, a China foi um dos maiores produtores de pescado a nível mundial, contabilizando uma produção global de peixe de 35%, seguido da Ásia (com exclusão da China) que teve uma produção significativa de 34%, depois pelas Américas com uma produção de 14%, a Europa produziu 10%, a África produziu 7% e a Oceânia 1%. A produção total aumentou em todos os continentes nas últimas décadas, com exceção da Europa em que a produção diminuiu no final de 1980 e veio a recuperar lentamente nos últimos anos. Em África e na Ásia a produção quase que dobrou nos últimos 20 anos (Figura 3) (FAO, 2020).

A contribuição da aquacultura mundial para a produção de peixe atingiu 46,0% em 2018, um aumento de 25,7% desde 2000 e de 29,7% no resto do mundo, excluindo a China, em comparação com os 12,7% desde 2000. Em relação ao nível regional, a aquacultura representou 17,9% do total da produção de peixe na África, 17,0% na Europa, 15,7% nas Américas e 12,7% na Oceânia. Na Ásia, a participação da aquacultura de produção de peixe, excluindo a China, atingiu 42,0% em 2018 e a partir de 19,3% em 2000 (Figura 3) (FAO, 2020).

Ut ili za çã o de pe ixe ( m ilhõe s de t on el ad as ) P o p u la çã o (b ili õ es) e f o rn eci m en to d e a lim e n to s (kg /ca p it a)

De acordo com os resultados da Figura 3, a China é o maior produtor entre os anos de 2010 e 2018, seguido da Ásia (excluindo a China), sendo que a maior produção de peixe ocorreu entre 2010 e 2018. Nas Américas, a maior produção decorreu entre os anos de 1990 e 2009, a África com maior produção nos anos de 2010 e 2018, seguido da Oceânia com baixas produções entre os anos de 1950 a 1989, subindo um pouco nos anos de 1990 e 2018 (FAO, 2020).

Milhões de Toneladas

Capturas – águas interiores Capturas – áreas marinhas

Aquacultura – águas interiores Aquacultura - áreas marinhas

Nota: Exclui mamíferos aquáticos, crocodilos, jacarés, algas marinhas e outras plantas aquáticas. A europa inclui dados da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas nos anos 1950 – 1987. Av. = Média por ano.

Figura 3. Contribuição regional para a pesca mundial e produção aquícola. Adaptado de (FAO, 2020)

Como se pode ver pela Figura 3, na China, ao contrário dos outros países, a produção em aquacultura é maior do que nas capturas marinhas.

2.5 – Aquacultura na Europa e em Portugal

Em relação às estatísticas oficiais mais recentes, em 2009 a aquacultura em relação a UE constitui cerca de 25% da produção de peixes, moluscos e crustáceos, ficando o resto

assegurado pela pesca. Na UE os principais produtores de peixe são Reino Unido (salmão) e a Grécia (dourada e robalo), enquanto que na produção de moluscos temos a Espanha (mexilhão), a França (ostra) e a Itália (amêijoa cristã) (Comissão Europeia, 2012).

Em relação ao crescimento elevado da produção aquícola no mundo, o que aumentou desde os anos 90, mais de 4 vezes, em particular na Ásia, a Europa não acompanhou esse crescimento. Em 2011, a Europa representava cerca de 3,2% do volume da produção da aquacultura mundial. Porém, a produção aquícola na Europa não constitui uma alternativa, em relação a termos quantitativos, à produção oriunda das capturas, a qual tem vindo a sofrer um declínio duradouro (Agricultura e Dgrm, [s.d.]).

A UE apresenta uma produção em aquacultura que ronda os 1,28 milhões de toneladas, que corresponde a uma percentagem de 1,5%. Encontrando-se principalmente em 5 países: Espanha, França, Reino Unido, Itália e Grécia, portanto conjuntamente esses países justificam 75% daquela produção em valor e em peso. Enquanto que Portugal, em 2011 não ultrapassa 2% do valor da produção no contexto da UE (Agricultura e Dgrm, [s.d.]).

A localização geográfica da costa continental portuguesa, na transgressão de duas importantes sub-províncias oceanográficas do Norte atlântico, onde temos a subtropical e a subtropical/subpolar, permite a existência de uma grande variedade de habitats. Por esse motivo é considerada uma das zonas mais ricas biologicamente, sobretudo pelas qualidades das suas águas e pela variedade das espécies que existem nelas (Agricultura e Dgrm, [s.d.]). Considerando as características geográficas portuguesas, que estão sob influência de águas do mar Mediterrâneo e de águas do Oceano Atlântico, percebe-se que o potencial para a prática de aquacultura é alto, podendo assim apresentar capacidades para desenvolver cultura de espécies com alto interesse comercial (Teixeira e Cunha, Da, 2016).

Tendo em conta as condições geomorfológicas da costa continental de Portugal e das ilhas Atlânticas, incluindo as condições do mar nos meses de frio, não são das mais vantajosas para instalarem unidades de aquacultura nos oceanos, recorrendo assim, obrigatoriamente a recurso tecnológicos adaptadas às condições desse meio. É uma costa que está muito visível, principalmente a costa Ocidental do Continente e do Norte das Ilhas Atlânticas, onde há poucos espaços naturais que possam defender as estruturas de aquacultura no mar aberto, de modo que isso seja aproveitado para a instalação de estabelecimentos de aquacultura exigirá a utilização de tecnologias inovadoras (Agricultura e Dgrm, [s.d.]).

Contudo, mesmo com esse problema, a costa algarvia, a costa sul da Madeira, incluindo lagunas, rias e alguns estuários, para além de algumas baías mais resguardadas, reúnem condições razoáveis para a prática da aquacultura em mar aberto, onde estão instaladas jaulas flutuantes para peixes na Madeira e cabos em suspensão para cultivo de bivalves no Algarve (Agricultura e Dgrm, [s.d.]). Em Portugal, a aquacultura é caracterizada por conter grandes números de estabelecimentos de pequeno tamanho, como viveiros de bivalves em zonas estuarinas ou de ria (Agricultura e Dgrm, [s.d.]).

Apesar da aquacultura ser um complemento muito importante das formas tradicionais de abastecimento de pescado, em Portugal, até a data de hoje, ainda não se tem uma alternativa consistente ao pescado proveniente da atividade pesqueira (Agricultura e Dgrm, [s.d.]). Em 2012, o valor de 10.317 toneladas foi devido a produção em aquacultura, o que corresponde a uma percentagem de 5,4% das descargas de pescado. Portugal tem um decréscimo de descargas de pescado a nível europeu, não só por causa das limitações de capturas, como no acesso a pesqueiros, sobretudo os externos, o que levou a sua redução, onde as descargas nos anos 90 em média foi de 247,2 mil toneladas por ano e houve uma redução nos primeiros 12 anos deste século para cerca de 210,3 mil toneladas (Figura 4) (Agricultura e Dgrm, [s.d.]).

Anualmente, na Europa, são consumidos cerca de 23 kg de produtos com origem aquática, sendo que um décimo destes produtos deriva da aquacultura, juntamente com os produtos aquícolas importados, como os camarões tropicais da Tailândia, Bangladeche e Índia, o salmão que vem da Noruega, e o pangasius da Vietname (Comissão Europeia, 2012).

Pescado descarregado (fresco, refrigerado e congelado) Produção aquícola

Fonte: IRN/DGRM

Figura 4. Origem dos produtos de pesca em Portugal. Adaptado de (Agricultura e Dgrm, [s.d.])

To n el ad as

Portugal é um país onde o consumo de pescado é muito elevado chegando a cerca de 56,7 kg por habitante/ano, por esse motivo o país tem a necessidade de fazer importações para conseguir satisfazer o consumo nacional como se verifica na Figura 5. A produção de aquacultura em Portugal não tem sido muito elevado, ou seja, tem sido insuficiente para diminuir o saldo negativo da balança comercial dos produtos de pesqueiros e a importação dos produtos não são suficientes para substituírem a produção aquícola nacional, como por exemplo o bacalhau e a pescada.

Saldo Exportações Importações

Fonte: IRN/DGRM

Figura 5. Saldo externo dos produtos pesqueiros. Adaptado de (Agricultura e Dgrm, [s.d.])

Enquanto que o saldo externo negativo diminui ao longo dos anos de uma forma ligeira, de -232,2 mil toneladas em 2000 para -220,9 mil toneladas em 2012, as importações de pescado sofreram um aumento significativo de 302,8 mil toneladas para 395,1 mil toneladas e as exportações aumentaram também de 70,6 mil toneladas para 174,2 mil toneladas (Figura 5) (Agricultura e Dgrm, [s.d.]).

Em Portugal a produção aquícola aumentou desde o início dos anos 90, de 4.457 toneladas em 1990 para 10.317 toneladas em 2012, onde representou um valor de 54 milhões de euros (Tabela 4). No período de 1990-2012 houve um aumento da diversificação da produção, no ano de 1990 a produção era limitada para duas espécies: truta e amêijoa e no ano de 2012 houve produções consideráveis de diversas espécies de peixes e bivalves, onde a produção de pregado se destaca com 4,4 mil toneladas, seguido da amêijoa boa, com 2,3 mil toneladas (Agricultura e Dgrm, [s.d.]).

Como se pode constatar na Figura 6, durante o período de 1990-2012 a produção aquícola nas águas doces sofreu uma redução em termos absolutos e relativos, em relação às produções provenientes de culturas nas águas marinhas e salobras (Agricultura e Dgrm, [s.d.]).

Mi l to ne lad as

Tabela 4. Evolução da produção de aquacultura por meios de cultura. Adaptado de (Agricultura e Dgrm, [s.d.]) Meio de cultura 1990 1995 2000 2005 2010 2012 Águas doces (Toneladas) 2,266 958 1,296 845 950 479 Água marinhas e salobras (Toneladas) 2,191 4,081 6,240 5,850 7,063 9,839 Total (Toneladas) 4,457 5,039 7,536 6,695 8,013 10,317 Fonte: INE/DGRM

Águas marinhas e salobras Águas doces

Fonte: INE/DGRM

Figura 6. Produção aquícola por meios de cultura. Adaptado de (Agricultura e Dgrm, [s.d.])

Em relação ao regime de exploração, a produção de aquacultura intensiva é exclusivamente feita em águas doces. Enquanto que, 39% do volume de produção provém do regime extensivo nas águas marinhas e salobras, onde é cultivado sobretudo os bivalves. No regime semi-intensivo temos produção de 10,7% e no regime semi-intensivo, 49,4% (Figura 7).

Extensivo Intensivo Semi-intensivo

Fonte: INE/DGRM

Figura 7. Produção de aquacultura extensiva, intensiva e semi-intensiva em Portugal. Adaptado de

To n el ad as   Pr od ão aq co la ( to nel ad as )

2.6 – Bem-estar animal

De uma forma global, os animais aquáticos e os produtos de animais aquáticos são uma das principais fontes de proteína dietética. A produção na aquacultura tem vindo a crescer de forma significativa em relação aos outros setores nos últimos anos e vai continuar a crescer nos próximos anos. Só que, com a forte expansão da produção da aquacultura mundial, essa produção intensiva tem causado problemas de saúde e de bem-estar, o que mostra que, a produção em aquacultura pode não atender às leis de proteção animal que estão estabelecidas para proteger o bem-estar animal e que fogem de padrões éticos aceitáveis. Logo, não estão a priorizar o bem-estar animal, principalmente se houver faltas de recursos ou quando a segurança alimentar e os aspetos da saúde humana do ponto de vista legislativos são priorizados (OIE, 2004).

Há uma controvérsia entre alguns autores, onde se debatem se o peixe sente dor ou não. Segundo Rose (2004) é inaceitável que o peixe possa sentir qualquer dor ou emoção, apesar de exibir respostas a estímulos nocivos. É importante que as respostas ao stresse sejam consideradas relevantes para o bem-estar do peixe, mas Rose continua a defender que como o peixe não tem consciência, ele não sente dor e não sofre. Com a ausência de um neocórtex no peixe, que é um pré-requisito considerado para a consciência, conclui-se que o peixe não sente dor. Enquanto que outros autores mostraram que, quando há administração de substâncias nocivas, há evidência de nocicepção (perceção de estímulos agressivos) e desconforto em peixe (OIE, 2004).

Como em outros animais também podem ser observados comportamentos em relação a doenças ou stresse em peixe. Embora diferentes espécies de peixe possam demonstrar diferentes comportamentos em relação a alterações na capacidade de nadar, mudança na frequência respiratória e na absorção de alimentos, isso significa que esses comportamentos afetam o bem-estar do peixe (OIE, 2004).

Em relação ao impacto ambiental, os requisitos e exigências ambientais para o bem-estar e desempenhos ideais para todas as espécies de peixe em viveiro não são totalmente conhecidos, o que implica que cada espécie tem o seu critério, logo o que é bom para um não é favorável para outro (OIE, 2004).

A circulação da água dentro dos tanques é muito importante porque a sua diminuição pode

No documento Lucileida Ramos Lima (páginas 16-45)

Documentos relacionados