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Arbitragem Tributária em Portugal

De acordo com o tema que nos propomos analisar na presente dissertação, torna-se fulcral fazer um breve enquadramento do Regime Jurídico da Arbitragem Tributaria em Portugal. Desta forma, iremos fazer menção à sua introdução no panorama jurídico, aos seus objetivos e às principais vantagens e desvantagens que os tribunais arbitrais apresentam face aos tribunais judiciais. O Regime Jurídico da Arbitragem Tributária foi implementado em Portugal através do Decreto-lei 10/2011 de 20 de janeiro, entrando em vigor a 1 de julho de 2011. A arbitragem tributária apresenta-se no panorama jurídico como um meio diferenciado e revolucionário na resolução de litígios fiscais. Este processo alternativo contempla uma terceira parte, o árbitro, que poderá ter caracter coletivo ou singular, podendo este ser nomeado pelas partes intervenientes no litígio, ou nomeado pelo CAAD, sendo as suas sentenças de valor jurídico equiparado às sentenças proferidas pelos tribunais judiciais.13

A introdução da arbitragem tributária apresenta 3 objetivos nucleares: i) reforçar a tutela eficaz dos direitos e interesses legalmente protegidos pelos sujeitos passivos; ii) maior celeridade na resolução de litígios fiscais; iii) reduzir a pendência de processos nos tribunais administrativos e fiscais.14

13 Cfr. preâmbulo do DL 10/2011.

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3.1.2. Diferenças entre o Tribunal Judicial e o Tribunal Arbitral.

O Tribunal Judicial tem competência para se pronunciar sobre um leque bastante alargado de temática, proferindo jurisprudência sobre a legalidade de atos ou decisões da AT, podendo estes, estar relacionados, ou não, com a legalidade de uma dada tributação.

Por outro lado, o TA, apresenta um leque mais restrito de atuação, onde apenas tem competência para apreciar a ilegalidade de atos relacionados com: i) liquidação de tributos; ii) autoliquidação; iii) retenção na fonte; iv) pagamentos por conta; v) fixação de matéria tributável que não de origem a qualquer tributo; e, vi) fixação de valores patrimoniais.15

A limitação dos tribunais arbitrais não se cinge apenas à competência dos tributos, mas também à magnitude deste, não podendo o TA julgar processo que ultrapassem os dez milhões de Euros, enquanto o Tribunal Judicial não apresenta qualquer limitação.

Apesar de algumas limitações de competência, uma das grandes vantagens que os Tribunais Arbitrais apresentam face aos Tribunais Judiciais é a celeridade na tomada de decisão. O Regime Jurídico da Arbitragem Tributária estabelece que a emissão das decisões terá um prazo máximo de seis meses, que poderá ser prorrogado por um prazo máximo de seis meses. Segundo CAAD, 2020, o prazo médio de pronuncia de decisão arbitral cifra-se em quatro meses e quinze dias. Relativamente aos tribunais judiciais a decisão poderá estender-se por vários anos.

As decisões proferidas pelos tribunais arbitrais não são, regra geral, passíveis de recurso para instâncias superiores. No entanto existem duas exceções: i) Recurso ao Tribunal Constitucional em casos onde a decisão arbitral recuse a aplicação de qualquer norma com fundamento na sua inconstitucionalidade ou que aplique norma cuja inconstitucionalidade tenha sido suscitada; ii) Recurso para o Supremo Tribunal Administrativo nos casos em que a decisão arbitral

45 esteja em oposição, quanto à mesma questão de direito, com acórdão proferido pelo Tribunal Central Administrativo ou pelo Supremo Tribunal Administrativo.16 Pelo oposto, nas decisões proferidas pelo Tribunal Judicial, podem ser apresentados recursos para instâncias superiores, como o Tribunal Central Administrativo (2ª instância) ou o Supremo Tribunal Administrativo.

Tendo a mesma validade jurídica as decisões proferidas pelo Tribunal Judicial ou pelo Tribunal Arbitral, caberá ao sujeito passivo escolher a opção que lhe seja mais vantajosa.

3.1.3. Vinculação da Autoridade Tributária à decisão do CAAD.

A Portaria n.º 112-A/2011, de 22 de março, visa estabelecer os meandros de vinculação da Administração Tributária às decisões proferidas pelos tribunais arbitrais.

Neste sentido, a Direção Geral dos Imposto, a Direção Geral das Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o Consumo encontram-se vinculadas à jurisdição dos tribunais arbitrais.17 Ainda assim, a vinculação às decisões do TA encontra-se limitada a dez milhões de euros. Não obstante, as decisões de valor superior a quinhentos mil euros exigem que o arbitro presidente tenha exercidos funções públicas de magistratura nos tribunais tributários ou possua o grau de mestre em direito fiscal e, nos litígios superiores a um milhão de euros, o arbitro presidente deverá possuir o grau de doutor em Direito Fiscal ou tenha exercidos funções públicas de magistratura nos tribunais tributários.18

Quando o TA decide a favor do contribuinte, e não caiba recurso ou impugnação à AT, deverá esta: i) praticar o ato tributário legalmente devido em substituição do ato objeto da decisão arbitral; ii) restabelecer a situação que existiria se o ato tributário objeto da decisão arbitral não tivesse sido praticado, adotando os atos e operações necessários para o efeito; iii) rever os atos tributários que se encontrem numa relação de prejudicialidade ou de dependência com os atos

16 Cfr. os números 1 e 2 do artigo 25.º do Regime Jurídico da Arbitragem Tributária.

17 Cfr. artigo 1.º da Portaria 112-A/2011.

46 tributários objeto da decisão arbitral, designadamente por se inscreverem no âmbito da mesma relação jurídica de imposto, ainda que correspondentes a obrigações periódicas distintas, alterando-os ou substituindo-os, total ou parcialmente; iv) liquidar as prestações tributárias em conformidade com a decisão arbitral ou abster-se de as liquidar.19

Chegados a esta fase, reunimos todas as informações essenciais para a concretização e compreensão da presente dissertação. O objetivo da mesma prende-se em perceber quais são os temas que geram litigância relativo ao regime simplificado em sede de IRS, através da análise das decisões tributária que incidem sobre este tema.

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