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OPORTUNIDADES E DESAFIOS

ARCABOUÇO INSTITUCIONAL

PROPOSTA Inspirado em (Partnership for Market Readiness Brasil, 2020), o modelo

institucional proposto é ancorado na administração pública, com participação privada em atividades de revisão e suporte técnico à tomada

de decisão, verificação de inventários de GEE e planos de monitoramento, operação de plataforma de transações do mercado e, naturalmente, no papel de entes regulados pelo SCE.

Comitê interministerial: o comitê seria responsável pela

supervisão, revisão e coordenação macro do sistema (visão estrutural e estratégica). É ideal que todos os ministérios relevantes ao tema ou ligados aos agentes regulados tenham assento no comitê. Sugere-se que o Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM) ou instância equivalente acumule esse papel;

Órgão assessor: uma associação privada formada por

representantes dos agentes regulados (associações setoriais), membros da academia e organizações da sociedade civil, prestaria suporte técnico e tomaria parte em determinadas reuniões do Comitê interministerial, provendo críticas e sugestões para a operação e revisão do SCE;

Órgão regulador: a um dos órgãos membro do Comitê deve ser

atribuído o papel de regulador do sistema. Tal órgão deteria capacidades técnicas e recursos humanos para coordenar e fiscalizar as operações cotidianas do sistema, sendo responsável pela aplicação da regulação em si. Seriam de responsabilidade do órgão regulador aspectos como: a emissão de permissões de emissão, a alocação das permissões, incluindo o planejamento dos leilões, a gestão da plataforma de registro das permissões de emissão, a fiscalização e verificação de cumprimento da regulação, a aplicação de penalizações, a gestão do fundo com as receitas do

59 sistema, o monitoramento do mercado secundário. Ademais, fica a cargo do órgão regulador a proposta inicial de atualização de regras e parâmetros do sistema entre suas fases de operação, a ser debatida em reuniões amplas do Comitê interministerial. Sugere-se que o papel de órgão regulador seja atribuído ao Ministério da Economia (ME), ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), ou que seja criada agência reguladora dedicada a tal papel;

Órgão responsável pelo MRV: o órgão responsável pela gestão das

informações relativas às emissões de GEE dos agentes regulados, isto é, dos inventários organizacionais de GEE, ficaria encarregado de receber e validar os planos de monitoramento de emissões dos agentes regulados e, anualmente, os relatos verificados de emissões. Sendo assim, tal órgão – que também deve ser membro do Comitê - será responsável pelo sistema de registro de emissões, gerindo a informação do sistema e a fornecendo ao órgão regulador. Sugere-se que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), responsável pelo Sistema de Registro Nacional de Emissões (SIRENE), seja responsável pelo sistema de MRV nacional.

Plataforma de operações: plataforma para as transações no

mercado secundário. Poderá ser qualquer mercado regulamentado e autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para tanto. A plataforma deverá gerir e disponibilizar o registro de transações ao órgão regulador.

Órgão acreditador: órgão governamental com capacidade técnica

para acreditação dos verificadores de inventários de emissões privados. Sugere-se que o INMETRO tenha essa atribuição.

Agente verificador: entidade privada contratada pelo agente

regulado e acreditada pelo órgão acreditador para verificação das informações de emissões reportadas pelo agente regulado.

Agente regulado: agentes que deverão estar em conformidade com

as regras do sistema.

JUSTIFICATIVA O arcabouço institucional sugerido é ancorado na administração pública – o

que é importante para viabilizar a aplicação de penalizações por não conformidade -, mas prevê participação privada, diretamente ligada ao órgão supervisor e decisor do sistema, o Comitê interministerial. Em tal comitê se dará a participação ampla de todos os órgãos de governo associados ao sistema, bem como de representantes dos agentes regulados, academia e sociedade civil, a partir de interações periódicas (reuniões) com participação do órgão assessor.

A escolha por órgãos já estabelecidos que poderiam cumprir os papéis designados – ainda que possa ser necessário o fortalecimento de capacidades e recursos, sobretudo humanos – busca simplificar a implementação, reduzindo o esforço regulatório. Neste contexto, a escolha do já estabelecido CIM como Comitê interministerial do SCE é natural, dado que o SCE estaria alinhado à PNMC e o CIM já cumpre papéis similares. Já a função de órgão regulador, que envolve um número maior de funções novas e um dispêndio maior de recursos humanos, exigiria ao menos um fortalecimento significativo de capacidades de órgãos existentes, sendo justificável a criação de Coordenação-Geral dedicada à operação do sistema. O MMA, por ter papel histórico na política climática nacional, ou o ME, por se tratar de um instrumento econômico com potencial geração de receitas,

60 são opções. Ainda, uma opção mais completa, porém menos econômica, seria a criação de agência reguladora em regime de autarquia especial, como sugerido por CEBDS (2021).

No que tange ao órgão responsável pelo sistema de MRV de emissões, o MCTI, responsável pelo monitoramento das emissões de GEE nacionais no âmbito do SIRENE, possui as capacidades institucionais e técnicas para a implementação do MRV citado, as quais devem ser fortalecidas no caso de implementação do SCE. A iniciativa ‘Inventários Organizacionais’, no âmbito do Comitê Técnico da Indústria de Baixo Carbono (CTIBC), poderia ser adaptada para tal.

Por fim, o INMETRO é alternativa natural para a acreditação de verificadores de emissões, já que não é estranho ao papel de acreditação e gere normas relativas à emissão de GEEs.

Figura 7: Proposta de arcabouço institucional relativo ao SCE brasileiro (elaboração própria com base em (Partnership for Market Readiness Brasil, 2020).

As características que definem o SCE proposto em sua primeira fase, isto é, os elementos de desenho da regulação, são detalhados abaixo, bem como justificativas para as escolhas feitas. O exposto é largamente baseado nos estudos e propostas do projeto PMR Brasil, que indicam que as características propostas se adaptariam às realidades setoriais nacionais (econômica, regulatória, institucional e tecnológica), sendo tanto implementáveis quanto eficazes em seu objetivo. Recomendações para a evolução do instrumento em fases seguintes são apresentadas em seguida. As características também estão em grande parte alinhadas ao proposto em CEBDS (2021) e às melhores práticas internacionais identificadas nos relatórios do Banco Mundial.143

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