5.1 - Arguido
5.1.1 - Aquisição da qualidade processual de arguido. (art.63.º seg.)
Assume a qualidade de arguido num processo penal, todo aquele sobre quem recai forte suspeita de que tenha praticado um crime suficientemente comprovado. Porém, assume imediata e automaticamente a po-sição de processual de arguido a pessoa contra quem foi deduzida acusação ou requerida a instrução contra-ditória. A qualidade de arguido mantém-se durante todo o decurso do processo.
É obrigatório a constituição de arguido:
- Logo que, em instrução preparatória, aberta contra pessoa determinada, esta presta declarações perante o Magistrado do Ministério Público ou órgão de polícia criminal;
- Quanto tenha de ser aplicado a alguém uma medida de coacção ou de garantia patrimonial;
- Sempre que, sendo levantado auto de notícia em que se considere como agente de um crime determinada pessoa.
A constituição de arguido só se considera realizada:
- Com a comunicação oral ou escrita, feita pelo magistrado do M.P. ou órgão de polícia criminal, de que, a partir daquele momento, passa a ter no processo a posição de arguido;
- Com a indicação dos direitos e deveres que competem a essa pessoa, nos termos dos artigos 67.º e 68.º.
A entidade que proceder a comunicação e indicação deve entregar aos arguidos nota escrita em que se pro-cede a identificação do processo e do defensor de que tenha sido nomeado e em que se refiram os factos e os crimes que lhe são imputados.
O arguido é, em geral, garantido, nos termos da lei, os direitos atribuídos e os deveres impostos pala Lei Regu-ladora do Processo Penal (art. 66.º).
Neste contexto, são entre outros, direitos processuais do arguido (art. 67.º):
- Estar presente nos actos processuais que direitamente lhe dizem respeito;
- Ser ouvido pelo Magistrado competente quando este tenha de tomar decisões que pessoalmente o pos-sam afectar;
- Não responder a perguntas que lhe forem feitas quer sobre os factos que lhe forem imputados, quer sobre os conteúdos das declarações que acerca deles prestar;
- Escolher defensor ou pedir ao Magistrado competente que lho nomeie;
- Ser assistido pelo seu defensor em todos os actos processuais em que participar e, se estiver detido, o de comunicar-se em privado com ele;
- Intervir nas fases de instrução preparatória e contraditória, oferecendo provas e requerendo as diligên-cias que reputar necessárias;
- Impugnar, mediante declaração ou recurso, nos termos da lei, as decisões que lhe forem desfavoráveis;
- A comunicação do arguido em privado, com o seu defensor, pode fazer-se, quando razões de segurança o determinarem, à vista de um encarregado de vigilância, mas de tal forma que este não possa ouvi-los.
São entre outros, deveres processuais do arguido:
- Comparecer perante o Juiz, o Ministério Público ou os órgãos de Polícia criminal quando, para tanto, tiver sido convocado, nos termos legais;
- Responder com verdade às perguntas sobre a sua identidade e sobre os seus antecedentes criminais;
- Submeter-se às diligências de prova e às medidas de coacção e garantia patrimonial ordenada pela enti-dade competente, nos termos da lei;
- Não perturbar a instrução e o normal desenvolvimento do processo.
5.2 - Defensor
5.2.1 - Defensor constituído ou nomeado (art.69.º)
O arguido pode constituir advogado em qualquer altura do processo.
Nos casos em que o arguido constituir mais de que um advogado para o defender, as notificações são feitas àquele que, em primeiro lugar, tiver sido indicado no acto da constituição.
Nos casos em que a lei determinar que a assistência do arguido por advogado é obrigatória (v. art.71.º) e, ele não tiver advogado constituído e, no acto, não o constituir ou ainda se, tendo advogado constituído, este não puder ser convocado ou se, devidamente convocado, não comparecer, o juiz ou o Magistrado do Ministério Público ou órgão de polícia Criminal que a ele presidir, nomeia-lhe um defensor público ou, não sendo possí-vel, um advogado, advogado estagiário, licenciado em Direito ou estudante de Direito ou, na sua falta, uma pessoa idónea.
Na fase de instrução preparatória não pode nunca ser nomeado defensor do arguido agente ou funcionário do organismo onde corre o processo e se realiza o acto. (art. 69.º).
5.2.2 - Regime aplicável ao defensor nomeado (art. 70.º ss.)
A nomeação de defensor é notificada ao arguido e ao defensor, sempre que não estiverem presentes no acto em que a nomeação é feita.
O defensor nomeado pode ser dispensado do patrocínio, se alegar causa justa e a entidade que o nomeou a reconhecer.
O defensor nomeado para um acto processual mantém-se para os actos subsequentes do processo, enquanto não for substituído.
O exercício de funções do defensor nomeado é remunerado nos termos da Lei n.º 9/05, de 17 de Agosto, Lei das custas judiciárias, através do artigo 9.º n.º 4.
A Lei não fixa o valor remuneratório para os defensores oficiosos. Este recebe o que lhe for atribuído por livre arbítrio, na decisão final pelo juiz da causa.
Quanto ao pagamento, é feito por transferência bancária para a conta do benificiário.
5.2.3 - Assistência obrigatória do defensor (art. 71.º) É obrigatória a assistência do defensor:
• Em todos os interrogatórios do arguido detido ou preso;
• No debate instrutório e nas audiências de julgamento em 1ª instância ou em recurso;
• Em todo e qualquer acto processual em que intervier arguido surdo, mudo, surdo-mudo ou cego;
• Nos demais casos determinados por lei.
Deduzir a acusação sem que o arguido tenha advogado constituído ou defensor nomeado, o Ministério Públi-co promove e o juiz procede a respectiva nomeação.
Quanto aos direitos, (art. 73.º) o defensor exerce no processo, além dos direitos próprios que lhe são atribuí-dos no código do Processo Penal, toatribuí-dos o que são por lei atribuído ao arguido, à excepção aos que tiver que exercer pessoalmente.
Nos casos em que a assistência é obrigatória, se o defensor não comparecer, se ausentar antes de o acto termi-nar ou recusar ou abandotermi-nar a defesa, é imediatamente substituído por outro defensor.
Se a nomeação imediata não for possível ou se se revelar inconveniente, pode a realização do acto ou a au-diência ser interrompida ou adiada, por um período não superior a oito dias.
Quando o defensor for substituído durante o debate instrutório ou durante a audiência, pode o juiz autorizar que os actos sejam interrompidos para que o novo defensor examine o processo e conferencie com o arguido.