SALA DE AULA
4.3. TIPOS DE ARGUMENTO
4.3.1. Argumento Dedutivo
O argumento dedutivo parte do pressuposto do silogismo, que designa a argumentação lógica perfeita, constituída de três proposições declarativas que se vinculam de tal forma que, a partir das duas primeiras proposições postas, chega-se a uma conclusão.
Entende-se que para caracterizar a validade do silogismo é primordial a existência de três termos (maior, médio e menor), sendo que a relação entre os dois primeiros termos determinará a conclusão, no termo menor. Por esse motivo, entende-se que a conclusão, para ser considerada verdadeira, não poderá ser mais extensa do que as duas premissas declarativas que antecedem a conclusão.
[...] a lógica dedutiva pode-se apresentar de forma axiomática ou como um sistema de regras de inferência, mas essa segunda forma de apresentação é a que melhor ajusta a maneira natural de raciocinar. Isso porque, no modo axiomático de deduzir, parte-se de enunciados formalmente verdadeiros (tautologias) e se chega, no final da dedução, a enunciados também formalmente verdadeiros. (ATIENZA, 2006, p. 27)
Sendo o argumento utilizado para se chegar a um conhecimento desconhecido – pelo menos aos destinatários – , o caminho a ser adotado pode ser o raciocínio dedutivo, o qual entende a existência de uma verdade universal, e que, por esse motivo, pode desvendar verdades particulares. Ou seja, no argumento dedutivo as premissas apresentadas, quando verdadeiras, fatalmente redundarão numa conclusão também verdadeira, uma vez que essa nunca vai além das premissas apresentadas.
Assim, é comum exemplificar o argumento dedutivo da seguinte forma: PREMISSA: “Todo homem é mortal”
PREMISSA: “João é homem” CONCLUSÃO: “João é mortal”
PREMISSA: “Artigo 138 do Código Penal – Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime”
PREMISSA: “Maria acusou falsamente José de ter cometido o crime de furto”.
CONCLUSÃO: Maria incidiu no crime contra honra, tipificado no artigo 138 – intitulado como calúnia.
Entende-se, assim, que no caso do silogismo jurídico deve ser um princípio geral de processo, em todos os sistemas jurídicos, que um determinado litigante não pode se apoiar em uma determinada lei, sem dizer em qual lei ele se apoia, e sem citar suas partes relevantes. (MACCORMICK, 2008, p. 45)
No trato com os problemas jurídicos, observa-se que os atos não são determinados pela lógica e, sim, pela escolhas dos agentes, contudo, verifica-se que a qualidade normativa de um ato realizado ou planejado por um agente pode ser estabelecida em termos lógicos, mediante premissas normativas adequadas ao caso concreto.
O argumento dedutivo deve ser apresentado ao futuro cientista de Direito como caminho a se chegar a uma resposta provável do problema que lhe é posto para esclarecer, e buscar – pelo menos – uma solução não verdadeira, mas pelo menos adequada aos princípios que envolvem a ciência do Direito.
[...] Um raciocínio lógico-dedutivo, ou demonstrativo, implica [...] que a passagem das premissas para conclusão é necessária: se as premissas são verdadeiras, então a conclusão também será, necessariamente. (ATIENZA, 2006, p. 61)
Contudo, observa-se que nos centros acadêmicos do saber jurídico, atualmente, há uma tendência em superar a proposta da Escola Exegética10, a qual limita o poder de ampliação ou mesmo de criação do intérprete do Direito, por acreditar-se que os códigos não deixam nada ao arbítrio do intérprete; esse não tem por missão fazer o direito. O direito está feito. Não há mais incertezas, o direito está escrito nos textos autênticos. (BONNECASE apud LACOMBE, 2003, p. 66). A proposta atual consiste em identificar novos caminhos para o uso do argumento dedutivo no meio jurídico, de forma a entender a dedução não como a única e
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Esta Escola Jusfilosófica surgiu na França, com a criação do Código Francês, o qual tinha como ideia fundamental a existência de um sistema como conjunto de elementos estruturados de acordo com as regras da dedução advindas da filosofia. Logo, entendia que o Direito se organizava a partir de um corpo sistemático capaz de uniformizar suprimindo a obscuridade, a ambiguidade, a incompatibilidade e a redundância entre os vários preceitos normativos, fazendo uso da razão, superando, assim, outras formas espontâneas de expressão.
correta forma de solução do problema jurídico, mas como uma via possível a ser utilizada pelo operador do Direito, especialmente quando:
[...] a lógica em si emprega mais do que define as noções de verdadeiro e falso. No entanto, o uso de argumentos lógicos torna-se uma impostura, se nos rendermos à simulação ao considerar asserções incertas como verdadeiras, sem nenhuma adução de provas para elas. (MACCORMICCK, 2006, p. 60).
Ademais, aprende o estudante de Direito, especialmente nas disciplinas de caráter propedêutico, que o Direito não é uma ciência exata, e, por esse motivo, a produção de decisões jurídicas, bem como a argumentação destinada a justificá-las, não têm em si o caráter demonstrativo a que silogística busca atribuir.
[...] O modo de apresentar um caso pertence mais à retórica que à lógica, mas a retórica mais eficiente será provavelmente aquela que se fundamenta em uma clara compreensão das implicações lógicas desse processo. (MACCORMICK, 2008, p. 57)
O futuro aplicador do Direito deve certificar-se de que não é o silogismo jurídico, sozinho, que determinará o resultado de um caso, mas que é necessário que os termos da lei e os fatos do caso sejam interpretados no intuito de se buscar a solução adequada. Além do mais, deve perceber que o silogismo fornece a moldura necessária para o uso dos argumentos jurídicos relevantes a para a solução em questão.
Por esse motivo, o acadêmico de Direito deve ter em mente que a ciência, sobre a qual escolheu para debruçar-se por longo tempo de estudo e de prática lhe mostrará caminhos diversos e, por vezes, interligados, fazendo-o escolher argumentos necessários para defesa da sua ideia e solução do problema posto. Observando que, os argumentos retóricos não estabelecem verdades evidentes, provas demonstrativas, e sim mostram o caráter razoável, plausível, de uma determinada decisão ou opinião. (ATIENZA, 2006, p. 61).