3 A PRODUÇÃO DAS POLÍTICAS DE SEGURANÇA PÚBLICA
3.4. ANALISANDO AS JUSTIFICATIVAS DOS PROJETOS
3.4.2. Armas e drogas
O PL 1287 de 2007 (Barbosa Neto – PDT/PR) inclui os educadores sociais e agentes de segurança que trabalham com menores infratores nos beneficiados pelo uso do porte de arma devido a natureza de seu trabalho. Recorrendo a ineficiência do Estado na defesa destes profissionais, o parlamentar justifica que os menores infratores possuem o mesmo grau de periculosidade que os delinquentes de maior idade penal. Ante isso, o convívio dos profissionais com estes detentos só se daria com uma margem de segurança se portando de armas de fogo. Vale ressaltar que este projeto poderia entrar em duas categorias de objetivos: Armas e Segurança Profissional.
O PL 1010 de 2007 (Moreira Mendes – PPS/RO) propõe alteração no porte de armas longas em nível nacional, mas a justificativa é baseada na necessidade especial deste tipo de porte na região amazônica. Para tanto, o parlamentar se utiliza por diversas vezes em sua justificativa da oposição caboclo amazônico honesto/bandido da capital. A intenção do projeto é flexibilizar o uso de armas longas (espingarda, carabina ou rifle) estendendo à Polícia Civil a prerrogativa do cadastramento das armas, diminuir as penas para o porte ilegal destas e acabar com o limite de compra de munições. O parlamentar também faz uso do argumento da ausência do Estado e do poder público na região, não oferecendo segurança e proteção aqueles que possuem uma rotina na região da Amazônia.
Já o PL 416 de 2007 (Flávio Dino – PcdoB/MA) propõe a reparação econômica para vítimas de armas de fogo em situações de confronto policial utilizando o argumento do crescimento das taxas de feridos civis provenientes da ação dos agentes de segurança. O parlamentar justifica que o ônus econômico pode ter como consequência a reorientação das ações policiais.
O PL 3870 de 2008 (Pompeo de Mattos – PDT/RS) atinge dois objetivos analisados: armas e proteção pessoal. O parlamentar busca favorecer um grupo específico de profissionais, integrantes das carreiras de Auditoria da Receita Federal do Brasil e de Auditoria-Fiscal do Trabalho, dando a estes do direito ao porte de arma em nível nacional, inclusive fora de serviço. Justifica o projeto a partir tanto da melhor
execução de sua atividade quanto da proteção pessoal, uma vez que estes profissionais tem sido, segundo o autor, vitimas de atentados frequentes. O parlamentar usa o argumento de ineficiência no provimento da segurança pelo Estado, o que levaria o indivíduo ter o direito de se defender por seus próprios meios.
O Projeto 3640 de 2008 (Sérgio Zambiase – Senador PTB/RS) altera a lei 11.343 de 2006, que criou o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (SISNAD). Em sua justificativa, o senador direciona a proposta para uma adequação do SISNAD em relação aos municípios e o Distrito Federal, que ficaram excluídos da possibilidade de firmar convênios com a União para desenvolver programas nesta área, pelo texto original.
O PL 7073 de 2010 (William Woo – PPS/SP) faz alterações no Estatuto do Desarmamento, de 2003. O autor inclui algumas categorias profissionais no grupo daqueles que possuem o direito ao porte de arma, disciplina o registro e a renovação deste, e garante o direito aos inativos. O parlamentar deixa de fora dos beneficiados as Guardas Municipais por considerá-las não integrantes do sistema de segurança pública. Em sua justificativa, argumenta que todos os beneficiados tem, em algum nível, que enfrentar situações de risco para o exercício de suas funções.
O PL 7170 de 2010 (Nelson Goetten – PR/SC) propõe alterações no Estatuto do Desarmamento para agilizar a doação das armas de fogo, a partir de um cadastramento eletrônico e do estabelecimento de regras para a distribuição. O parlamentar utiliza o argumento dos altos custos do armazenamento indiscriminado destas armas por parte do Exército, propondo um prazo máximo de seis meses para a doação ou destruição das mesmas.
O PL 2122 de 2011 (Walney Rocha – PTB/RJ) dispõe sobre o uso preferencial de armas não letais pelos agentes da lei e o uso gradual da força. O parlamentar estabelece que a lei não exclui a utilização do armamento convencional, mas amplia as formas de atuação dos agentes de segurança. O autor observa que a disponibilidade de armas não letais implicaria em um menor potencial lesivo das ações, garantindo a máxima preservação da vida humana.
O PL 2554 de 2011 (João Campos – PSDB/GO) disciplina o uso de instrumentos de menor potencial ofensivo pelas forças de segurança. O deputado argumenta que aqueles ditos criminosos permanecem sob a condição de cidadãos e o uso de armas não letais diminuiria os índices de letalidade em decorrência da ação policial. Na categoria de armas não letais, o parlamentar lista o gás lacrimogênio, a bala de borracha, o bastão de choque, o canhão de água, o spray de pimenta e as pistolas de
onda T (conhecidas como Taser). Por fim, o autor salienta que o uso das armas não letais não pode colocar em risco a integridade física e psicológica do policial.
O PL 440 de 2011 (Ratinho Junior – PSC/PR) prevê a internação imediata do usuário de crack23 se um juiz assim o requisitar ao Poder Público. O parlamentar discorre sobre o curto tempo em que o usuário se vicia e a sua baixa expectativa de vida. Conjugado a isto, tenta demonstrar a relação entre o usuário e os crimes cometidos para a obtenção da droga. O argumento utilizado contextualiza o usuário de crack como vivente do “mundo das trevas” e opõe este aos “cidadãos de bem”. Por fim, o proponente observa que o tratamento por instituição especializada oferece a única chance de reversão do quadro.
O PL 1693 de 2011 (Iracema Portella – PP/PI) dispõe sobre o Sistema Nacional de Informações sobre Drogas (SINAID). A autora recorre ao argumento de ineficiência das políticas anti-drogas, apesar do conjunto de esforços, pela falta de um sistema único de informações que alcance o problema como um todo. A falta do sistema de informações tem como consequência a tomada de decisões não embasadas em dados concretos, tornando o sistema ineficiente.